terça-feira, 5 de maio de 2009

COISAS DO DIABO



Há coisas do Demo, nesta vida.

Vem uma gaja descansada de viagem, depois de um fim de semana prolongado, passado em beleza, a contemplar as montanhas e os vales, junto aos rios Azibo e Sabor, quando se depara com a triste realidade de que é uma trabalhadora dedicada e responsável e, como tal, terá de dar seguimento às solicitações jurídicas, que encontrou logo pela manhã, em cima da secretária, junto à chávena do chá e à foto daquele troglodita que passa o dia a olhar para ela, com aquela expressão que é um misto de paneleirice e taradice sexual.

Eu explico. Aquela foto foi posta de propósito, por mim, em cima da secretária onde trabalho, porque a mesma funciona como "estímulo", naqueles dias em que a tendência é "amolecer" e ficar "boazinha".

Isso, comigo, não pode acontecer. De repente olho para a foto e a raiva é tanta, que o que tiver para resolver, no momento, é resolvido, nem que seja à porrada.

Mas ia eu dizendo, sobre a história de encontrar processos em cima da secretária, postos na minha ausência, que já não pode uma trabalhadora ausentar-se, porque há sempre um abusador que se aproveita.

Estranhei ser só um processo e fiquei de pé atrás, porque me cheirou a coisa "bicuda". Normalmente os bicos calham-me sempre a mim porque, dizem os restantes colegas e o patronato, eu tenho uma capacidade nata para "dar a volta ao texto".

Comecei a ler e surpreendi-me, porque era um pedido de anulação de um casamento celebrado religiosamente, há um mês atrás.

Aconteceu realmente. Não foi sonho, nem história de cordel.

Um casamento bem, com todos os "matadores" e o noivo estava a pedir a anulação, com base em factos constatados por si e por terceira pessoa, provados com elementos apensos ao processo, encerrados num envelope.

Continuei a ler. "Durante o copo de água, o noivo mandou suspender o baile e avisou os convidados que tinha uma pequena surpresa para cada um deles e que não saissem dos seus lugares, porque a mesma iria ser distribuida dentro de um envelope.

Assim foi. Um a um os convivas começaram a abrir os envelopes e, de repente, a sala foi varrida por um "sururu" e um coro de protestos indignados.

Os envelopes continham uma foto onde se via a noiva no "truca-truca" com um dos padrinhos, patrão do noivo".

Mais abaixo, o meu colega escreveu: "O noivo informou os circunstantes que já sabia da história há algum tempo e contratou um detective particular para obter as provas que necessitava, para desmascarar os traidores".

Pergunta-se: Porquê ter consumado o casamento?

Não teria sido mais fácil uma conversa privada para resolver a questão, sem pôr ninguém em xeque?

Como eu o compreendo. Vingança, pura vingança.

Ao continuar com a farsa do casamento, obrigou o pai da noiva a pagar uma boda para 300 convidados e a arcar com todas as despesas que um casamento comporta, ao mesmo tempo que punha a noiva e a sua família, de rastos perante a sociedade.

Agora vou ter de ser eu a "traduzir" aquela pessegada toda para linguagem jurídica.

Movida pela curiosidade, dei uma olhadela às tais fotos do "truca-truca".

Kaneko!

Já estou a imaginar a cara do D. José Policarpo.

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