segunda-feira, 7 de setembro de 2009

POLÍTICAS À PARTE


Prometi a várias pessoas que viria aqui brevemente escrever um "post" sobre a situação política no Barreiro e não só.

Após as tradicionais férias de Verão, voltamos a Eleições e, consequentemente, às Campanhas Eleitorais e ao primado da política na actualidade nacional.

Isto passa-se num país onde a confiança da população no Regime, no Sistema Governativo, nas Instituições de Justiça, nos órgãos de Soberania em geral, na Administração Pública, nos detentores de Cargos Públicos e em toda a Classe Politica, é mínima, como não há memória de ter sido, depois da rebaldaria em que se tornou a chamada 1.ª República.

Algures, entre a instalação da Democracia representativa em Portugal e os nossos dias, as convicções e as crenças parecem ter desaparecido. Os sentimentos patrióticos estão reservados apenas para as selecções de futebol e as paixões por causas nobres estão reservadas para festas em discotecas, onde se angariam fundos e auto-promovem pseudo-vedetas.

A intriga intra-partidária fede de tanta ausência de solidariedade entre correlegionários, de desrespeito pelos líderes e por incumprimento dos compromissos assumidos em Congresso.

A intriga inter-pardidária recrudesceu e o debate tornou-se arrogante e de baixo nível.

O poder não responde às questões da oposição. Dribla, evita e foge às perguntas, fingindo-se insultado por elas.

Os Adversários já se não detestam por diferenças doutrinárias. Agora odeiam-se por inveja de cargos de poder e de acesso a altas remunerações ou pelo domínio de grupos financeiros essenciais à nossa debilitada economia. Em alternativa, agora são solidários nas mesmas fraquezas e na desmedida ambição pessoal que cultivam ao arrepio do que é razoável.

O carácter dos políticos é constantemente colocado em causa, apenas porque eles,na generalidade, o não possuem.

A psicologia política vigente não é a de servir o Povo mas a de servir-se da “coisa pública”.

A integridade é cada vez menor e os armários estão a abarrotar de esqueletos vestidos com fatos Armani, comprados em Paris e NY.

A culpa é também nossa (de todos nós). Há muito que nos demitimos, por laxismo e preguiça mental, de exercer o direito de voto e da obrigação de fiscalizar a acção daqueles que se intitulam políticos. Colocámos as “jóias da democracia” nas suas mãos rapinantes.

Criticámos os políticos de carreira. Confundimos carreira com carreirismo político e agora temos amadores analfabetos e pára-quedistas no exercício do poder, misturados com oportunistas e saqueadores. Todos eles apressados e preocupados em enriquecer-se a si próprios, aos amigos, família e afilhados.

Vem aí de novo a Campanha Eleitoral mas esta, ainda que em tempo de crise, bate todos os recordes de despesismo e gastos de um modo obsceno, sendo que o exemplo pior é dado pelo mesmíssimo partido que exige mais e maiores sacrifícios aos portugueses.

É por estas e por outras que não podemos classificar de "política", tudo aquilo que se está a passar no nosso País, ao nível do referente paradigmático.

O Barreiro não é excepção. O PSB está enfermo da mesma doença.

Vai caber às pessoas de bem, descomprometidas e com sentido crítico, colocar uma ordem e um sentido naquilo que peca por ser um caos de vontades e de vaidades.

Para cada veneno existe sempre um antídoto específico.

Caberá a todos nós encontrá-lo e administrá-lo com sabedoria.

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