quarta-feira, 9 de setembro de 2009

QUANDO CHOVE NO BARREIRO



Costumo não gostar do que vejo da janela do meu quarto, voltada para o Barreiro Velho. Geralmente só aumenta a saudade que sinto da minha casa, aquela de verdade.

Mas hoje choveu.

E choveu diferente.

Uma chuva vagarosa, ritmada.

Deu para imaginar-te como uma brisa fresca a entrar-me pela janela.

E deu-me vontade de sorrir.

Pura imaginação.

A chuva continua a cair noite dentro.

Há pouco, quedei-me uns minutos a contemplar a cidade e cheguei mesmo a sentir-me gelada de solidão.

Acho que sempre gostei de estar por aqui embora, no fundo, eu saiba que não passo de uma estrangeira.

Ao longe, escondido na bruma, lá está o teu prédio. Daqui, parece um arranha-céus.

Não sei porquê, parece-me mais distante agora, sob a luz desta cidade que adormece.

Vou adormecer, para acordar de manhã e ter a certeza.

Que mais uma noite eu amei o Barreiro.

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