terça-feira, 27 de outubro de 2009

O CHICO


Hoje cheguei um pouco mais cedo a casa.

Como sempre que há futebol, a turma da noite sofreu uma diminuição drástica. Dos alunos habituais, apenas cinco se dispuseram a assistir à aula. Tentei indagar o motivo e fiquei a saber que esta noite jogava o Guimarães com o Sporting.

Kaneko, pensei eu. A tradição já não é o que era. Se fosse um Benfica-Porto, eu ainda podia fazer um esforço para relevar o absentismo, mas assim...

Claro que dei a aula na mesma, só que terminei mais cedo, tendo em conta que cinco alunos não é a mesma coisa que cinquenta e que, na próxima aula, já sei que vou ter de repetir o que já dei, porque sou um coração de manteiga. Deixo-me comover facilmente quando o argumento é futebol. Se o meu Benfica jogasse hoje com o Porto, podem ter a certeza que não ia haver aula para ninguém, porque o Benfica é uma nação.

Cheguei a casa, jantei, e como não me apetecia fazer nada, resolvi pegar nas muitas caixas de fotografias que precisam de ser catalogadas e organizadas. Com esta coisa de trabalhar em vários sítios e querer fazer muitas coisas ao mesmo tempo, nem tenho tido pachorra para me dedicar, um pouco, às minhas recordações.

No meio dessas fotos, encontrei a foto do Chico, um chimpanzé porcalhão que fazia as delícias de miúdos e graúdos, na Roça Lucola, em Cabinda.

Os militares que lá estavam colocados, puseram-lhe a alcunha de "Houdini", porque o fulano desaparecia estrategicamente, sempre que fazia maldades. E as maldades dele, normalmente, eram grandes e malcheirosos cócós, em sítios inimagináveis.

Sinto imensas saudades de Cabinda e das suas travessuras.

domingo, 25 de outubro de 2009

"NIGHTS IN WHITE SATIN" - FOTO GENTILMENTE GAMADA AO JOÃO NUNES



Este fim de semana vim passá-lo ao Nordeste Transmontano, a convite da D.ª Mimi. Não fiquei em sua casa, porque não gosto de incomodar ninguém. Preferi ficar na mesma casa de turismo de habitação, onde costumo alojar-me, sempre que venho para estes lados. O motivo é simples: tenho o hábito de andar pela casa, durante a noite, e deito-me sempre muito tarde, porque leio até altas horas da madrugada. A Dª. Mimi só conseguiria dormir depois de me saber a descansar e eu não quero que ela fique de plantão, por minha causa.

Eu não queria vir, mas ela tanto insistiu que eu lá vim, embora um pouco contrariada, porque o trabalho aperta e eu não tenho o dom da ubiquidade.

Hoje muda a hora e, não sei por que motivo, não me apetece dormir. Já fui dar uma volta a pé pela aldeia, tomei café em casa de uns amigos que me convidaram e que queriam à viva força que eu provasse "um cheirinho" misturado com o precioso líquido.

Claro que recusei, porque de certeza que depois já não iria acertar com o caminho de volta ao sítio onde estou hospedada.

A aldeia está silenciosa. Ao longe vejo uma luz bruxuleante numa janela e penso, não sei porquê, que alguém estará neste momento a despedir-se do mundo. Parece aquela luz que alumia os mortos, que lhes mostra o caminho que deverão seguir, sem olhar para trás.

Vem-me à memória aquela noite e o recém-nascido africano, que morreu serenamente, parido no chão de uma cubata, em terras distantes de África.

A luz era a mesma.

A tristeza era igual.

domingo, 11 de outubro de 2009

UM BOM PRESIDENTE

terça-feira, 6 de outubro de 2009

CONSTATAÇÕES



Confesso que ultimamente tenho andado muito preocupada com o meu Bizinho do peito.

Faz tempo que não tomo chá com ele, apesar de, de vez em quando, me assomar à sua janela, assim, como quem não quer a coisa, para cuscar o que vai lá por casa.

Desde que mandou gradear as portas e as janelas, que me tenho limitado apenas a passar à sua porta, sem bater, nem chamar por ele.

Vi que pendurou, na parede, algumas das mais belas obras do Senhor Dom Carlos I, nosso muito Ilustre Rei, barbaramente assassinado por meia dúzia de malfeitores e fiquei surpreendida, pois não lhe conhecia aquela vertente monárquica.

E digo que estou preocupada com ele, porque ele tem ousado comentar, nos seus posts, as figuras dos candidatos e candidatas, naqueles cartazes que poluem o nosso horizonte visual e nos fazem ficar com um nó no estômago, principalmente quando, logo pela manhã, abrimos a janela do nosso quarto e deparamos com aquelas caras, todas à uma, a olhar para nós, como que a gozar connosco e a chamar-nos parvos. Isso tem-me acontecido aos fins de semana, quando vou ao Barreiro e fico na minha casa do Barreiro Velho.

Os tais "self made men" e as "women" não sei das quantas, a intriguista, o labrego e o outro do blazer "azulón", fazem-me antever que, mais dia, menos dia, o meu amigo Conde do Barreiro Velho, também irá receber uma chamadinha de um caceteiro aboletado num qualquer gabinete de Lisboa, que lhe prometerá, via telefone, o maior arraial de porrada de que há memória na cidade do Barreiro.

Bizinho, estou solidária consigo, no caso de o mafioso resolver atacar para os seus lados, em defesa da sua dama.

Estão tão desesperados que perderam completamente o tino e a decência.

Eu, à cautela, já soltei o meu rasteirinho no quintal.

Depois não digam que não avisei.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

REI D. CARLOS I (1863-1908) - VIVA O REI!



Rei da quarta dinastia e 13° Rei de Portugal, filho primogénito do Rei D. Luís I e da Rainha D. Maria Pia, nasceu em Lisboa em 28/09/1863.

Foi baptizado com o nome de Carlos Fernando Luís Maria Vítor Miguel Rafael Gabriel Gonzaga Xavier Francisco de Assis José Simão de Bragança Sabóia Bourbon Saxe-Coburgo Gota.

Em 1886, casa-se com Maria Amélia de Orleans, princesa de França. Em 1888, publica A Defesa do Porto de Lisboa e a Nossa Marinha de Guerra.

Quando subiu ao trono em 1889 (por morte do pai, a 19 de Outubro), o país atravessava uma grave crise económica.

Para complicar a situação, em Janeiro de 1890 os portugueses sofreram um vexame: o “Ultimato Inglês”, no qual a Inglaterra exigia que o governo português mandasse retirar os exércitos que se encontravam entre as colónias de Angola e Moçambique, caso contrário declararia guerra ao país.

O governo cedeu. Os portugueses sentiram-se humilhados e atribuíram as culpas à incapacidade política do rei. Os republicanos aproveitaram esta oportunidade para reforçar a ideia de que a monarquia devia ser derrubada.

Houve por todo o país muitas manifestações contra o “Ultimato” e os jornais encheram-se de artigos violentos contra a Inglaterra, contra o rei e contra a monarquia. Foi nessa época que apareceu um hino militar “A Portuguesa”, hoje, Hino Nacional.

Em 1901, ele participa nos funerais da Rainha Vitória de Inglaterra.

No dia 01/02/1908, em um atentado contra a monarquia, Dom Carlos I tomba assassinado, juntamente com o seu sucessor, o infante Dom Luís, restando como descendente o seu segundo filho que seria o último Rei de Portugal: Dom Manuel II.

Esta história termina em Lisboa, no dia 05/10/1910, quando foi proclamada a República por Eusébio Leão, membro do Directório do PRP – Partido Republicano Português (com actuações relevantes do comandante Machado Santos, do PRP e da Carbonária Portuguesa – representante do povo português), pondo fim aos 270 anos da Dinastia de Bragança.

Dom Carlos foi um grande Rei, reformador, poeta, pintor, desenhador, músico, cientista, ictiologista.

Teve de ser morto pelos anarquistas, porque de outra forma nunca se faria a República tão cedo, pois ele era muito amado pelo Povo, tanto de Portugal como do Brasil, onde abriu os Portos à navegação Atlântica.

Assim se destruiu uma Nação.

sábado, 3 de outubro de 2009

SER IGNORANTE, É SER ESTÚPIDO



Confesso que a ignorância demonstrada por algumas pessoas do nosso povo, me atinge e deixa estupefacta.

Não podemos impedir ninguém de ser estúpido, mas quando essa ignorância afecta terceiros e os discrimina, de uma forma desumana, já o caso muda de figura e deve ser denunciado.

Nos meus poucos tempos livres, faço voluntariado em várias Associações e uma delas dá apoio a pessoas que estão infectadas com o vírus da Hepatite.

A dita Associação está instalada num andar de um prédio de habitação.

Por esse facto os moradores desse prédio resolveram fazer um abaixo assinado, porque a "Associação está instalada na cave e os infectados usam o corrimão". Entre outras coisas alegam que há uma moradora que tem uma filha com três anos, que leva a vida a meter tudo na boca e que há muita gente de idade que usa o corrimão.

As pessoas não sabem o que é hepatite. Não sabem que quem trabalha com pessoas que têm essa doença, que as abraçam, que comem ao seu lado, que manipulam objectos que estiveram nas suas mãos, não serão, por isso, contaminadas.

É este tipo de ignorância que me enoja.

É este tipo de discriminação que me leva ao vómito.

O que é que aqueles moradores querem?

Que sejam feitos campos de concentração, como havia em outros tempos, para os leprosos, para os afastarmos da sociedade?

Se não fosse tão triste, seria cómico.

Mas eu já há muito tempo que perdi a vontade de me rir com tanta estupidez.