domingo, 25 de outubro de 2009

"NIGHTS IN WHITE SATIN" - FOTO GENTILMENTE GAMADA AO JOÃO NUNES



Este fim de semana vim passá-lo ao Nordeste Transmontano, a convite da D.ª Mimi. Não fiquei em sua casa, porque não gosto de incomodar ninguém. Preferi ficar na mesma casa de turismo de habitação, onde costumo alojar-me, sempre que venho para estes lados. O motivo é simples: tenho o hábito de andar pela casa, durante a noite, e deito-me sempre muito tarde, porque leio até altas horas da madrugada. A Dª. Mimi só conseguiria dormir depois de me saber a descansar e eu não quero que ela fique de plantão, por minha causa.

Eu não queria vir, mas ela tanto insistiu que eu lá vim, embora um pouco contrariada, porque o trabalho aperta e eu não tenho o dom da ubiquidade.

Hoje muda a hora e, não sei por que motivo, não me apetece dormir. Já fui dar uma volta a pé pela aldeia, tomei café em casa de uns amigos que me convidaram e que queriam à viva força que eu provasse "um cheirinho" misturado com o precioso líquido.

Claro que recusei, porque de certeza que depois já não iria acertar com o caminho de volta ao sítio onde estou hospedada.

A aldeia está silenciosa. Ao longe vejo uma luz bruxuleante numa janela e penso, não sei porquê, que alguém estará neste momento a despedir-se do mundo. Parece aquela luz que alumia os mortos, que lhes mostra o caminho que deverão seguir, sem olhar para trás.

Vem-me à memória aquela noite e o recém-nascido africano, que morreu serenamente, parido no chão de uma cubata, em terras distantes de África.

A luz era a mesma.

A tristeza era igual.

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