
Hoje cheguei um pouco mais cedo a casa.
Como sempre que há futebol, a turma da noite sofreu uma diminuição drástica. Dos alunos habituais, apenas cinco se dispuseram a assistir à aula. Tentei indagar o motivo e fiquei a saber que esta noite jogava o Guimarães com o Sporting.
Kaneko, pensei eu. A tradição já não é o que era. Se fosse um Benfica-Porto, eu ainda podia fazer um esforço para relevar o absentismo, mas assim...
Claro que dei a aula na mesma, só que terminei mais cedo, tendo em conta que cinco alunos não é a mesma coisa que cinquenta e que, na próxima aula, já sei que vou ter de repetir o que já dei, porque sou um coração de manteiga. Deixo-me comover facilmente quando o argumento é futebol. Se o meu Benfica jogasse hoje com o Porto, podem ter a certeza que não ia haver aula para ninguém, porque o Benfica é uma nação.
Cheguei a casa, jantei, e como não me apetecia fazer nada, resolvi pegar nas muitas caixas de fotografias que precisam de ser catalogadas e organizadas. Com esta coisa de trabalhar em vários sítios e querer fazer muitas coisas ao mesmo tempo, nem tenho tido pachorra para me dedicar, um pouco, às minhas recordações.
No meio dessas fotos, encontrei a foto do Chico, um chimpanzé porcalhão que fazia as delícias de miúdos e graúdos, na Roça Lucola, em Cabinda.
Os militares que lá estavam colocados, puseram-lhe a alcunha de "Houdini", porque o fulano desaparecia estrategicamente, sempre que fazia maldades. E as maldades dele, normalmente, eram grandes e malcheirosos cócós, em sítios inimagináveis.
Sinto imensas saudades de Cabinda e das suas travessuras.

10 comentários:
Em princípio, pode matar um pouquinho essas saudades dando uma volta pelas ruas do Barreiro onde o "Chico" está muito bem representado por uma imensidade de cães que, tal como o macaco, também
deixam cócós mal cheirosos por tudo quanto é sítio. Curiosamente, os donos dos cães nem se dão ao trabalho, como o macaco, de se esconder, uma vez que acham que a limpeza dos dejectos deverá ser por conta da Câmara. Em boa verdade até há uma minoria que apanha os cócós e os deita no lixo. São do contra!
Viva Dr. Fagundes. Ainda bem que o li aqui. Estava para lhe telefonar porque estava a ficar preocupado com a sua falta de notícias.
Um abraço para si e beijos para a Verdadeira.
PS (Salvo seja) Conheci a grande ameaçadora. Parece que não parte um prato!
Vivam meus Caros Amigos!
Quanto aos "cócós", também tenho cães e nunca me passaria pela cabeça, pô-los a fazer as suas necessidades na via pública, como muita gente costuma fazer. É uma questão de civismo. Aliás, eu até já tinha escrito aqui um "post", sobre esse assunto.
Temos de educar os donos e não os cães.
Quanto à "grande ameaçadora", a ideia deve ter partido de outra pessoa. Tenho quase a certeza disso. Há pessoas irresponsáveis que não medem as consequências dos seus actos. Pensam com os pés.
Um forte abraço a ambos.
Senhora Verdadeira, também eu estive em Cabinda por volta do ano de 1960 e também tinha lá um macaco que uma vez me deu uma dentada porque eu dei um beijo ao meu pai, que também era militar,e estava a chegar do quartel. Os macacos são muito ciumentos!
Jorgete
Por acaso o Chico nunca mordeu ninguém, apesar de ser muito ciumento. Era um grande porcalhão mas era muito meigo. Parecia uma pessoa.
Todos gostavam dele.
Olá mecinha
Volta e meia venho dar uma cuscadela, às suas " rebolices ", como sempre e para não variar continuam a ser espectaculares, à semelhança do Barreiro.
Como hoje se comemora, uma data muito particular para todos (nascidos ou não) que viveram e vivem com Angola no coração, permita-me o atrevimento de sugerir uma leitura a um artigo, colocado por uma patrícia nossa, coincidência ou não, também frequentou o mesmo colégio S.José de Cluny que a mecinha.
O artigo institula-se:
" 11 de Novembro - 34 anos depois da operação Carlota "
Pode ler, se acessar e registar, aqui:
http://www.kandandoangola.com/
Eu e a nossa patrícia que é analisadora política residente na América Latina, teremos muito prazer em a receber e em conhecer a sua opinião habalizada sobre este tema.
Não querendo, maçá-la, despeço-me, desejando-lhe as maiores felicidades
Tudo de bom !
Tamos juntas!
Kandandus
Viva, Cazimar!
Desculpe só hoje responder à sua mukanda mas é que tenho andado assoberbada de trabalho e tenho tido os meus computadores caseiros avariados, com vírus.
Já fui ao forum e gostei.
Às vezes também vou ao Mazungué e encontro por lá montes de gente nossa conhecida.
Kandandus para si também.
Vou ver se arranjo mais tempo para andar por aqui.
Boa noite,
Sou, ou melhor dizendo fui o proprietário deste "Chico Houdini".
E as maiores travessuras dele não se prendiam com os ditos cócós.
Era Houdini porque era perito em fugir do espaço dele e ir para o sitio onde a minha mãe costumava por os mamões e as papaias a acabar de amadurecer e o amigo Chico entretinha-se a degustá-las a eito. A foto foi tirada por um amigo meu, militar, numa dessas incursões. Esteve em Cabinda? Conheceu a Roça Lucola? Cump.
O mundo é pequeno.
Nasci em Benguela mas percorri Angola inteira, quando era miúda, devido à profissão do meu pai. Estive em Cabinda em 73 e conheci a roça Lucola e o Chico. Uma das minhas cunhadas é de Ponta Negra, ex-Congo. Tenho milhares de fotos dessa altura e há muitas pessoas cujos nomes não me lembro nem consigo situar nos locais.
O Chico ficou-me na memória porque era um macaco muito divertido. Tenho uma vaga ideia que fazia os seus cócós em qualquer sítio e que uma vez deixou o comandante do quartel, furibundo por causa disso.
Não me recordo da cena da fruta mas lembro-me que havia lá um miúdo loirito, da minha idade, que era o dono do Chico.
O meu pai foi um dos directores do BCCI. Não sei se lhe diz alguma coisa.
Eu só vou estar em Portugal mais 4 anos e depois vou regressar a Angola definitivamente.
Cumprimentos e prazer em lê-lo.
Quando vens a alfândega da fé buscar o azeite e as casulas?
O pessoal está a pensar organizar uma tainada, num dos feriados de Dezembro e está a contar contigo.
Beijos
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