sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

18 DE DEZEMBRO 2009 - O ÚLTIMO "POST"?


São seis e meia da tarde e aproxima-se a hora em que terei de estar no Aeroporto, para fazer o check-in, em direcção a terras de África.

Acho que todos vocês já perceberam que nos últimos tempos este meu blog não tem sido actualizado da mesma forma que o era, quando o iniciei.

Por falta de tempo e até de disposição, nos últimos meses só me tem sido possível colocar um "post" de vez em quando. Sempre fiz questão de manter no blog um padrão de qualidade, com coisas interessantes, humor, arte e muitos assuntos polémicos.

Ultimamente não tenho conseguido dedicar-me o quanto queria, para manter a qualidade que vocês, leitores do blog, merecem.

Por isso, optei por suspender, "sine dia", todas as minhas actividades de bloguista militante, pelo menos enquanto durarem as minhas férias de Natal, até ao próximo ano.

Tive a oportunidade de nestes dois últimos anos partilhar convosco algumas angústias, alegrias, todas as coisas de que gosto, alguns momentos felizes e outros menos felizes, rir e divertir-me com opiniões de todos os tipos.

Li sempre com muito carinho todos os comentários que me têm deixado, que não foram assim tão poucos. Foram mais de 3 mil e se há algo de que não me posso queixar, é da falta de comentários que sempre deixaram aqui.

Fico extremamente feliz por saber que, de alguma forma, fiz parte de pelo menos alguns minutos da Vossa vida.

A Vossa participação também foi muito activa, seja através dos comentários ou dos diversos e-mails e sms que também tenho recebido diariamente.

Não é uma tarefa fácil escrever “o último post”. Por isso vou adiar e considerar que se tratará apenas de um período de reflexão, até ao meu regresso.

Queria escrever tanta coisa, mas as palavras acabam por fugir.

Espero ter sido uma boa companhia. Não é uma despedida, porque ficam as lembranças de bons momentos que jamais irei esquecer.

Estou em período de conquistas, de crescimento pessoal e de felicidade. O ano de 2010 vai ser para mim o ano de todos os desafios e vai exigir da minha pessoa tudo aquilo que eu puder dar.

Agradeço imensamente a participação e colaboração de todos vós.

Sinto-me realizada por ter tido a oportunidade de fazer um blog onde dei tanto de mim a todos os meus amigos.

Obrigada por tudo!

Para todos, os meus votos sinceros de FELIZ NATAL e um BOM ANO 2010.

Até um dia.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

ESTÁ A CHEGAR O NATAL


E com ele as minhas ambicionadas férias até ao início do próximo ano.

Não é segredo para ninguém que não gosto do Natal. Nunca gostei desta quadra festiva, da mesma forma que odeio estar deitada a ouvir o vento a uivar nas árvores e a chuva a caír nos telhados, tamborilando uma música que não apetece cantar.

Sou do contra. Sempre fui do contra, embora não me considere uma pessoa difícil.

Quando oiço alguém dizer que gosta de ver a neve a caír, enquanto está sentado ao calor de uma lareira aconchegante, não consigo reprimir um sentimento que é um misto de repulsa e de indignação, porque aqueles que assim pensam, não querem saber se há pessoas a dormir e a viver nas ruas, debaixo das pontes, sem ter um fogo ou um agasalho que lhes faça sentir que também são filhos de Deus, do tal Deus elitista que não protege todos aqueles que necessitam Dele.

Por isso procuro sempre afastar-me o mais possível das convenções e viver a época de acordo com aquilo que penso e sinto.

Amanhã, por esta hora, partirei para passar o Natal na terra que me viu nascer.

Durante esta semana fui fazendo as malas, para não me esquecer de nada. Fui à FNAC comprar os três livros que vou levar para os próximos quinze dias. Um deles, do meu escritor preferido, António Lobo Antunes, "Que Cavalos São Aqueles que Fazem Sombra no Mar?".

Claro que não resisti a lê-lo durante a noite passada. Comecei pela introdução, pensando que seria capaz de o largar, para continuar a lê-lo quando chegasse a Luanda. Mas foi mais forte do que eu.

Soberbo, simplesmente soberbo! De todo o melhor livro dele, até aos dias de hoje.

A partir de um verso de uma canção de Natal, "Que Cavalos São Aqueles que Fazem Sombra no Mar?", a escrita de Lobo Antunes surge-nos a partir do silêncio, do escuro e faz-nos permanecer nele, deixando-nos um vazio cá dentro que nos impede de continuar a leitura até conseguirmos encontrar-nos de novo.

As duas frases muitas vezes repetidas ao longo da trama, como se fossem um estribilho, o facto de ter dividido o livro em capítulos, de acordo com a evolução de uma tourada e aquele personagem de filho bastardo, de quem ninguém sabe o nome, que não pode ser apresentado às visitas, torna esta obra única de entre todos os livros do escritor.

Não trata o leitor por estúpido e ao apresentar-se desta forma mostra-nos a nós próprios, os nossos diálogos interiores com a consciência. Eu senti, a dada altura, que era uma das personagens.

Assim como Beckett construía a partir do nada, do corpo vazio, a escrita de Lobo Antunes surge-nos a partir do silêncio, do escuro e faz-nos permanecer nele.

Neste livro, o Autor retrata-nos nos momentos de solidão, de silêncio, do escuro, a vida no seu estado puro. Mente, brinca e leva-nos ao sabor das palavras.

Adorei. Vou ter de comprar mais um livro para levar, porque, este, eu já o li.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

UM BRINDE PELO BARREIRO VELHO!


Quando comecei nas lides bloguísticas, fi-lo apenas como terapia ocupacional, enquanto estive internada num hospital do Norte, vítima de acidente vascular cerebral que me deixou muito poucas sequelas, graças a um trolha ucraniano, que por acaso era médico e estava no sítio certo, à hora certa.

Logo da primeira vez que entrei na net, e digitei "Barreiro Velho", cidade onde os meus avós me deixaram um legado e onde nasceram e moram grande parte dos meus tios e primos, dei de caras com o meu Bizinho do peito e logo se gerou uma empatia que só muito mais tarde viria a compreender.

Estivemos juntos no mesmo inferno. O Diabo não quis que lá ficassemos os dois juntos, porque era dose demais, a Verdadeira e o Conde do Barreiro Velho, juntos.

Bizinho, já lá vão quatro anos e espero que muitos mais se lhes sigam, com a sua assertividade e a sua luta pela reabilitação do Centro Histórico da cidade, para que o Barreiro seja uma cidade que todos possamos desfrutar como uma verdadeira cidade e não como um subúrbio de Lisboa.

Beijokas para si, com sabor a filhós de Natal e bolas de manteiga.

CHEERS!

DIAS DE TUDO


Em determinada altura da minha vida era raro o mês, quinzena, semana ou dia, que não tivesse casamentos, baptizados, velórios ou até divórcios.

Habituei-me a considerar todos esses momentos como parte integrante do meu estatuto de animal social, e a tirar partido deles, na aprendizagem que fiz sobre o teor dos apêgos e afectos.

A semana que passou, foi a semana dos velórios. Os pais e mães de alguns colegas e amigos, resolveram desistir de viver. Uns mais idosos, outros mais jovens, lá foram percorrendo o caminho que a todos espera, até à eternidade.

Nos vários velórios, foi ponto comum o facto de dizerem: "coitado, morreu no dia a seguir à filha ter vindo visitá-lo", ou "parece que estava à espera que o filho viesse do estrangeiro, para morrer em paz".

Fixei-me nesta particularidade, tão ouvida nos dias de hoje e veio-me logo à memória o Senhor Adalberto.

O Senhor Adalberto era um velhinho de oitenta e seis anos, muito culto, lúcido e simpático, que eu visitava no lar de terceira idade, onde estava hospedado e depois, mais tarde, no hospital onde esteve internado vários meses até morrer.

Tinha seis filhos e filhas espalhados por esse mundo fora, que nunca se interessaram pelo seu bem-estar.

Um dia confidenciou-me que um desses filhos até lhe batera, quando distribuiu, por todos eles, todos os seus bens e a herança deixada pela falecida mulher.

Já no seu leito de morte dizia-me: "Não queria, nada, morrer. Por fora sou um velho caquético, mas a minha cabeça diz-me que o meu espírito vive e sinto-me um jovem. Não queria, nada, morrer. Consegue-me isso?".

Eu ficava sempre embaraçada, sem resposta.

O tal dia chegou finalmente. O Senhor Adalberto agarrou-se à minha mão e disse-me, mais uma vez, que não queria morrer.

"Se pensam que eu estou a resistir por causa de querer ver este ou aquele filho ou familiar distantes, estão enganados. Simplesmente, eu não quero morrer. Quero viver por mim e para mim. É uma treta se pensarem que morri consolado por ver esta ou aquela pessoa que já não via há muito tempo".

Fechou os olhos e largou-me a mão, ao mesmo tempo que repetia: "quero viver!", contrariando a tal máxima funerária de que os moribundos aguardam sempre por alguém que lhes é próximo e que vive distante, para partirem em paz.

Fiquei com a certeza de que todos eles partem contrariados, embora nas mentes dos que lhes são próximos habite aquela leve sensação de dever cumprido, que apazigua as consciências, só porque chegaram a tempo de os ver sucumbir.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

AO CORRER DA PENA



Gosto muito de ler, de escrever e de sonhar.

Escrever tem altos e baixos.

Há quem escreva por puro prazer, há quem escreva para um público.

Procuro situar-me no meio termo, sentindo o prazer da escrita e a alegria de ter quem me leia.

Mas...

Escrever tem altos e baixos.

Como tudo na vida.

domingo, 6 de dezembro de 2009

BRUXARIAS OU TALVEZ NÃO



José Sócrates, desde que perdeu a maioria absoluta, chora-se e geme-se todo.

Desde a célebre "campanha negra" até às "forças ocultas", o seu discurso tem revelado um homem com medo, arrogante, isolado e desnorteado.

Parece um daqueles chefes de estado de um qualquer obscuro país africano, só faltando aparecer rodeado de feiticeiros da tribo, inventores de mezinhas para afastar os "maus espíritos".

Perante tal quadro, nada melhor do que acrescentar mais um assessor aos muitos que já tem.

No mercado nacional, talvez o bruxo de Fafe, agora tão na "berra", fosse o mais indicado.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

O MAIOR POLÍTICO PORTUGUÊS DE TODOS OS TEMPOS



Francisco Manuel Lumbralles de Sá Carneiro nasceu no Porto a 19 de Julho de 1934.

Cresceu no seio de uma família da alta burguesia. Aos 22 anos concluiu o curso de Direito na Universidade de Lisboa, e principiou a sua vida profissional exercendo advocacia. Católico praticante, frequentou os círculos mais progressistas da Igreja. Foi aqui que começou a defender publicamente a transformação do regime numa democracia parlamentar.

Em 1969, foi eleito deputado pelas listas da Acção Nacional Popular, o partido único, à Assembleia Nacional em nome da defesa dos direitos do homem, da instauração de um regime democrático e da efectivação das liberdades públicas.

Sá Carneiro foi um dos membros destacados da ala liberal do Parlamento, durante a “primavera marcelista”. Tomou iniciativas que tinham como objectivo a criação de uma democracia típica da Europa Ocidental. Colaborou com Mota Amaral na elaboração de um projecto de revisão constitucional, apresentado em 1970. Percebendo que não atingiria os seus fins, preferiu renunciar ao mandato de deputado, a 2 de Fevereiro de 1973.

Destacou-se após este período a sua coluna no jornal Expresso "Vistos", cuja publicação foi rareando, por crescentes dificuldades impostas pela censura.

Nesse mesmo ano, a sua vida pessoal enfrentou um terramoto. Conheceu, num restaurante de Lisboa, a editora dinamarquesa Snu Abecassis. Apaixonaram-se imediatamente. Contra tudo e contra todos, Sá Carneiro não abdicou da promessa daquele amor. Decidiu não respeitar o protocolo da época e rompeu um casamento de décadas. Foi, de alguma forma, um revolucionário no amor. Para a sociedade de então, foi um escândalo. Para o publicitário Manuel Margarido, Sá Carneiro fez uma ruptura “extraordinariamente revolucionária”. Provou que o amor pode revelar-nos.

Em Maio de 1974, com Francisco Pinto Balsemão e José Magalhães Mota, fundou o Partido Popular Democrata (PPD) e assumiu as funções de Secretário Geral. Nomeado Ministro sem pasta em diversos governos provisórios, seria eleito deputado à Assembleia Constituinte no ano seguinte e, em 1976, eleito para a I Legislatura da Assembleia da República.

Foi Ministro Adjunto do Primeiro Ministro no I Governo Provisório, chefiado por Adelino da Palma Carlos. Em 1975 foi eleito deputado à Assembleia da República, mas não chegou a exercer o mandato por motivos de saúde.

Voltou a ser eleito deputado em 1976, ano que assumiu a chefia da bancada parlamentar.

No IV Congresso do partido, em Outubro de 1976, foi eleito presidente do PPD e, em Novembro de 1977, na sequência de convulsões internas do partido, demitiu-se do cargo de presidente, mas seria reeleito no ano seguinte para desempenhar a mesma função.

Em Janeiro de 1978, no V Congresso, no Porto, afastou-se voluntariamente de qualquer cargo directivo, tendo sido eleito para o Conselho Nacional.
Em 5 de Julho de 1979, com Freitas do Amaral, do CDS, e Ribeiro Teles, do PPM (além dos Reformadores) forma a Aliança Democrática, que lidera com o objectivo de derrotar a "maioria de esquerda" nas eleições legislativas intercalares de Dezembro de 79, após a dissolução da Assembleia da República.

A coligação vence as eleições legislativas desse ano com maioria absoluta. Dispondo de uma ampla maioria a apoiá-lo, a maior coligação governamental até então desde o 25 de Abril, foi chamado pelo Presidente da República Ramalho Eanes para liderar o novo executivo, tendo sido nomeado Primeiro-Ministro a 3 de Janeiro de 1980, sucedendo assim a Maria de Lurdes Pintasilgo.

Sá Carneiro não concorda com a recandidatura de Ramalho Eanes e afirma que se demitirá do cargo de Primeiro Ministro, caso este seja eleito. A Aliança Democrática apoia o general Soares Carneiro.

Francisco Sá Carneiro morreu na noite de 4 de Dezembro de 1980, em circunstâncias trágicas e nunca completamente esclarecidas, quando o avião no qual seguia se despenhou em Camarate, pouco depois da descolagem do aeroporto de Lisboa, quando se dirigia ao Porto, para participar num comício de apoio ao candidato presidencial da coligação, o General António Soares Carneiro. Juntamente com ele faleceu o Ministro da Defesa, o democrata-cristão Adelino Amaro da Costa, bem como a sua companheira Snu Abecassis, para além de assessores, piloto e co-piloto e da própria esposa do Ministro da Defesa.

Francisco Sá Carneiro conseguiu conciliar inúmeras características, todas elas raras num governante português. Sá Carneiro gostava do poder. Lutava por ele e nessa luta dava tudo o que tinha. Arriscava. Avançava e recuava. Baralhava os adversários e surpreendia os aliados. Tinha um projecto em mente, mas adaptava a estratégia de acordo com a maré do momento. Era um animal político excepcional. A juntar-se a esta inestimável qualidade, Sá Carneiro não queria o poder pelo poder, mas com o intuito de o usar para os fins que considerava dignos.

Foi um dos políticos mais marcantes do século XX português. A luta pela democracia norteou-lhe a vida. Foi um herói romântico que desafiou os preconceitos da sociedade onde vivia.

Era um homem com fortes convicções e um enigmático carisma. O seu entusiasmo contagiava. Fez parte do restrito lote de políticos que foram admirados por amigos e adversários. Assumiu com frontalidade a sua visão para o País. De acordo com Marcelo Rebelo de Sousa, o seu objectivo era “a construção de um estado democrático integrado na Europa”. Foi um elo entre dois mundos: espalhou a utopia de um país livre e recebeu apoio amplo da comunidade nacional.

A acção política de Francisco Sá Carneiro durou apenas uma década, mas deixou marca. Foi o “fundador da direita democrática”, afirma António Costa Pinto, professor do Instituto de Ciências Sociais. Nunca teve receio de rupturas. Em nome de um Portugal moderno e democrático.

Sá Carneiro foi autor de várias obras, das quais se destacam:
- Uma Tentativa de Participação Política (1973);
- Por uma Social-Democracia (1975);
- Poder Civil, Autoridade Democrática e Social-Democracia (1975);
- Uma Constituição para os Anos 80: Contributo para um Projecto de Revisão (1979).

Para avaliarmos o seu pensamento, no seu primeiro discurso político,proferido numa sessão de propaganda eleitoral em Matosinhos em 12 de Outubro de 1969, Sá Carneiro afirmou: “Desde a educação e futuro dos nossos filhos às nossas próprias condições de trabalho e de vida, desde a liberdade de ideias à liberdade física, aquilo que pensamos e queremos coloca-nos directamente ante a política: seja em oposição frontal à seguida por determinado Governo, seja de simples desacordo, seja de apoio franco. Porque somos homens, seres inteligentes e livres chamados a lutar pela realização desses dons na vida, formamos a nossa opinião e exprimimos as nossas ideias, pelo menos no círculo de pessoas que nos cercam. Mas se nos limitarmos a isso, se nos demitirmos da intervenção activa, não passaremos de desportistas de bancada, ou melhor, de políticos de café. Creio que, se todos quisermos, podemos eficazmente aproveitar a oportunidade que nos é dada de obter as reformas necessárias sem quebra da ordem pública, sem atropelos das consciências, nem violências sobre as pessoas.”

Era um verdadeiro homem de Estado.

Se fosse vivo, teria 75 anos.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

"MAMA SUMAE"

Para todos os que lá estiveram, uma homenagem sincera da minha parte, esperando que a vida lhes sorria sempre, como prémio pelo seu sentido patriótico e pelos altos valores que sempre prosseguiram, sem obter nada em troca.

Outros houve que fugiram.

Um Bem Haja para todos aqueles que fizeram da coragem a sua fortuna.

"AUDACES FORTUNA JUVAT".