domingo, 26 de dezembro de 2010

O CÓMICO




O discurso de Natal de José Sócrates, fez-me recordar o Ministro da Informação do Saddam Hussein.

Também Al-Sahhaf, o cómico, afiançava aos iraquianos e ao mundo, que o Iraque estava a ganhar aos americanos, mesmo depois de saber que estes já se encontravam na praça principal de Bagdad, e que várias televisões internacionais já os tinham filmado, pela cidade inteira, a derrubar todas as estátuas do ditador.

Sócrates, com o seu ar de papalvo angelical, também está convencido que vai continuar a "coisar" o povo português, por muito mais tempo.

O seu discurso foi patético, próprio de um vendedor de automóveis, como dizia o outro.

Continua a mentir descaradamente, com aquela lábia de quem está agarradinho ao poder e não quer de lá saír. Aliás o homem frisou bem que não se demitiria e que não é pessoa para enjeitar dificuldades.

Acho muito bem. Só que não o ouvi, em parte nenhuma do discurso, a referir-se à responsabilidade que ele e o seu governo tiveram no estado caótico em que caíram as finanças públicas.

Escusa-se com a crise, a culpa é da crise, quando todos sabemos que foi o regabofe total e a ausência de programas e de estratégias, que levaram Portugal ao poço fundo em que se encontra.

Não contente com o facto de nos ter "coisado", todos estes anos, veio agora, descaradamente, para a televisão, com falinhas mansas, oferecer-nos "alfinetes de peito", como prenda de Natal.

UMA PALAVRA PARA CABINDA


O Blog Angolana solidariza-se e felicita a libertação, no passado dia 22 de Dezembro, do economista Belchior Lanso Tati, do Padre Raul Tati, do advogado Francisco Luemba e de Benjamim Fuca, todos condenados a penas elevadas, na prisão do Yabi, em Cabinda, à luz da lei nº 23/2010 de 3 de Dezembro (Lei de crimes contra a Segurança do Estado), por defenderem os Direitos Humanos do martirizado Povo de Cabinda.

Sei que o Padre Tati se encontra muito debilitado fisicamente e desejo-lhe do fundo do coração, um rápido restabelecimento, para continuar a sua justa luta em prol da liberdade do território e do Povo de Cabinda.

Para todos os meus "Kamba" naquele País, desejo que as suas justas aspirações se tornem realidade, à semelhança de Timor Lorosae.

Um apertado abraço e, especialmente para o meu colega Luemba, digo: "Malembe, malembe!".

Estarei sempre convosco.

Do fundo do coração.

UM NAMORADO ALENTEJANO


Uma mulher, apaixonada, envia uma mensagem de texto, com muito amor, ao seu amado Alentejano, dizendo:

- " Meu amor, se estás a dormir, envia-me os teus sonhos!

Se estás a rir, envia-me o teu sorriso!

Se estás a chorar, envia-me as tuas lágrimas!

Amo-te muito!".


Ao que o homem responde:

- "Meu amor.... Eu estou cagando. Queres que te envie alguma coisa?".

PROVAS DE AMOR NO AFEGANISTÃO


A repórter brasileira, Glória Maria, da TV Globo, quando esteve no Afeganistão, há cerca de 10 anos, constatou que todas as mulheres caminhavam sempre cerca de meio metro atrás dos seus maridos.

Ao lá voltar, há poucos meses, observou que elas tinham passado a caminhar pelo menos 5 metros à frente deles.

Interessadíssima nesta mudança de comportamento, a jornalista imaginou que tal reviravolta deveria significar uma grande conquista feminina.

Aproximou-se de uma das mulheres e disse, deslumbrada:

- "Mas que interessante, minha amiga! Que maravilha!
O que é que aconteceu aqui, que fez com que se extinguisse aquele costume absurdo de a mulher caminhar sempre atrás do marido? Por que motivo vocês, mulheres afegãs, caminham agora gloriosamente à frente deles?"

E a mulher afegã respondeu-lhe:

- "Minas terrestres!..."


Não há dúvida que no Afeganistão é só love.

sábado, 25 de dezembro de 2010

AS MENSAGENS DE NATAL


Eu ainda sou do tempo em que, na altura do Natal, se tirava um dia, para andar de papelaria em papelaria, a escolher os mais bonitos postais de Natal, para colocar nos presentes ou enviar aos familiares e amigos distantes.

Daqueles postais com motivos coloridos, alusivos à quadra, cheios de purpurinas brilhantes, que faziam as delícias de quem os oferecia e de quem os recebia.

Há dias, nas minhas arrumações, encontrei uns quantos, dessa época, que guardei, porque eram de pessoas que eu estimava. Num deles, ainda era visível o carimbo de Macedo de Cavaleiros, datado de 19 de Dezembro de 1970. Há uma eternidade!
Era de uma pessoa que actualmente já não faz parte daquele grupo de gente que levarei sempre no meu coração, para onde quer que vá.

Vem isto a propósito de o hábito da escrita se ter perdido e ter sido substituido pelo e-mail e pelo sms.

Este ano, o Pai Natal não andou de chaminé em chaminé, mas pelos vistos andou de telemóvel em telemóvel.

Não vou poder responder a todos os e-mails nem a todas as mensagens que recebi, porque são muitos. Cerca de 320 sms e 290 e-mails, só na noite de Natal. Outras tantas recebi-as hoje. Respondi a algumas pessoas, aquelas com quem privo mais no meu dia a dia e que me mandaram mensagens cujo teor, para mim, faz todo o sentido.

Muitas das mensagens eram daquelas "pré-fabricadas" que circulam como aquelas correntes que se formam na net e que, dizem eles, não podem ser quebradas, sob pena de as maiores desgraças poderem vir a acontecer a quem se atrever a mandá-las para o "lixo". Uma delas até dizia que tinha sido comprada nos chineses, para ficar mais barato. Disparates de quem não tem a mínima noção daquilo que o Natal deveria significar para todos.

Uma das mensagens que recebi, tocou-me profundamente. Dizia: "Gostava muito de ser um Anjo para te guardar, uma luz para te iluminar, uma estrela para te guiar e um sino para tocares quando precisares de mim. Um Grande Natal e um Excelente Ano Novo!". A pessoa que ma enviou, fê-lo de um número privado, e assinou com as iniciais JJSF.

Como não lhe posso responder e não me recordo de quem poderá ser, deixo-lhe aqui o meu agradecimento e os meus melhores votos.

Que o ano de 2011 traga alimentos, saúde, habitação e trabalho para todos e que não seja tão mau quanto as previsões têm anunciado.

MAIS UM NATAL PASSADO...


Não me canso de dizer que a vida é feita de momentos.

Momentos fugazes que vivemos melhor ou pior, consoante a nossa disposição para o fazer.

Este Natal já lá vai. Dentro de dias voltará outra vez a azáfama, a confusão, para a passagem para um Novo Ano que todos dizem irá ser o pior de todos.

Há quem diga que o Mundo acabará no próximo dia 24 de Dezembro de 2011.

Eu não me importo que o Mundo acabe ou deixe de acabar.

O que me importa é não ter dito tudo aquilo que gostaria de dizer a algumas pessoas que sofrem da doença do século, o chamado umbiguismo agudo.

Agora, a esta hora, no rescaldo da Festa, no meu canto sossegada, a tomar o meu chocolate quente e a comer a minha fatia de pão de ló de Ovar, é que eu penso que a vida é mesmo feita de momentos.

Felizes e infelizes.

Momentos que não se repetirão jamais.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

COM O CORAÇÃO NÃO SE BRINCA


Todos os finais de ano, tenho por hábito proceder a arrumações e à actualização de todos os meus seguros.

Para esse efeito, passo algumas noites a fazer o inventário dos meus pertences porque, de ano para ano, uma pessoa junta cada vez mais "tralha". E logo eu que tenho a mania dos objectos em prata e dos móveis antigos.

Outro tanto se passa com os objectos em ouro. Durante os últimos anos fui recebendo pequenas lembranças de amigos e de familiares que têm por hábito oferecer-me objectos com corações, que vou encafuando num pequeno guarda-joias, até me lembrar deles.

Hoje lembrei-me. Despejei o conteúdo e fiquei surpreendida. Tantos corações...

Todos eles com a sua história, com a "marca" especial de todas as pessoas que mos ofertaram.

Lembrei-me de um coração de cristal, o único que devolvi, por não significar nada de especial para a pessoa que mo deu. A pessoa que mo ofereceu, fê-lo porque se sentiu compelida a tal, em virtude de as circunstâncias do momento.

O meu pai sempre me disse que uma menina de bem, nunca deveria aceitar de presente, joias de desconhecidos.

Eu sigo à risca o conselho do meu pai.

Há uns anos devolvi o tal coração de cristal, que para mim era como se fosse um diamante dos mais puros.

Porque veio de um desconhecido.

E porque com o coração não se brinca.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

ANGOLA ESTÁ A SER GOVERNADA POR GANGSTERS



Recebi nos últimos dias, por e-mail, um vídeo que andou no Youtube, mas que já foi retirado por violar as condições de utilização.

Nesse vídeo, filmado em Luanda, no mês de Novembro, pode ver-se um jovem negro que aparentava entre 14 a 17 anos, e que foi considerado presumível ladrão pelos seus algozes que, depois de o sovarem, regaram-no com um balde de gasolina e pegaram-lhe fogo, fazendo dele uma tocha humana.

As imagens são de uma violência indescritível e surgiram na net, com a desculpa de ser o modo mais eficaz de se descobrir os assassinos.

Ora pelo local que se consegue ver, parece-nos algures entre o Largo do Ambiente e a actual Rua Rainha Ginga, num estaleiro de uma obra de uma construtora portuguesa, muito conhecida mundialmente.

Quando se ouve uma voz a alertar para as possíveis consequências do acto daqueles criminosos, um deles refere que é polícia.

O rapaz corre completamente em chamas, perseguido por vários homens vestidos de coletes reflectores, sendo que um deles transporta na mão o balde de gasolina com que regou o infeliz. Estão todos mais que identificados.

Recuso-me a admitir que isto se tenha passado em Angola.

Recuso-me a admitir que o país onde nasci, esteja a ser governado por criminosos.

"Quo Vadis Angola"?

UM GRANDE SENHOR



Apesar de ter nascido Benfiquista e torcer também pela Briosa, desde os tempos de Faculdade, não quero deixar de prestar a minha homenagem ao Dr. Pôncio Monteiro, portista dos sete costados, que sempre foi um Bom Dragão e um SENHOR.

As noites de segunda-feira ficarão mais pobres, sem a sua intervenção como comentador desportivo.

Era o único programa de televisão que eu fazia os possíveis por ver.

Que descanse em Paz!

SESIMBRA - RÉVEILLON


Com grande pena minha, nesta passagem de ano, não me vai ser possível mergulhar com o pessoal do costume, por motivos de saúde.

Mas vou poder assistir e depois vou para a minha caminha quentinha, porque nem sequer posso cantar este ano. Continuo afónica.

Dona Zézinha e Senhor Rocha, podem preparar a caldeirada, para o dia 1 de Janeiro, que eu já vou a caminho.

Beijokas.

UMA TARDE NO "SHOPPING"


Hoje juntei o útil ao agradável.

Não costumo encontrar-me com os amigos durante a semana, por falta de tempo. Mas como tirei umas curtas férias de Natal e tinha de fazer a tal TAC que ando para fazer, há uns tempos, aproveitei a companhia de uma amiga que me desafiou, para ir às compras com ela, numa grande superfície comercial do Porto.

Por norma, compro tudo no comércio tradicional e ando pouco pelos centros comerciais. Como a TAC estava marcada num conhecido Hospital privado, instalado no Shopping onde a minha amiga tencionava comprar os seus presentes de Natal, aproveitei a deixa, até porque o médico tinha pedido um exame com "contraste" e recomendado que fosse acompanhada por outra pessoa, para prevenir prováveis imprevistos em termos de possível "badagaio", devido à minha condição de saúde que, ultimamente, não tem andado lá grande coisa. E como o meu médico é um autêntico "pitt-bull", eu pensei: deixa-me aproveitar a "boleia", porque "uma mão lava a outra", só para não o ter "à perna". O homem quer controlar-me tudo e mais alguma coisa, qual marido desconfiado. Mas, no fundo, ele é boa pessoa e rimo-nos muito quando lhe digo algumas verdades que ele classifica de "barbaridades" que não está habituado a ouvir, como quando chamo "abananço" a toda a função clínica, extra Serviço Nacional de Saúde.

Mas adiante...

Depois do tal exame, acompanhei a minha amiga. O Shopping estava a abarrotar de gente, com filas à porta das lojas mais caras. Fiquei surpreendida, porque estamos em crise e a prudência aconselha a que ninguém se meta em "funduras". Verifiquei que continua a utilização indiscriminada de cartões de crédito.

Será que aquela gente não tem miolos?

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

FELIZ NATAL? EM PORTUGAL NÃO É, DE CERTEZA!



Estamos quase no Natal.

Não é segredo para ninguém que detesto o Natal.

Não pela Festa em si, mas por tudo aquilo que o Natal traz.

Ele realça a pobreza, os sentimentos mesquinhos das pessoas, o consumismo desenfreado, toda aquela panóplia de "santidade" a metro e espécie de terrorismo urbano, traduzido na indiferença pelo "outro", que eu não consigo suportar.

As Festas de Natal das empresas, a hipocrisia das "Comissões de Humanização", agora tão em voga e criadas pelos Recursos Humanos dos vários serviços e organizações, que acham que é só no Natal que devem tratar bem os trabalhadores, que terão direito a uma ceia fatela, quinze dias antes e paga pelo próprio, e à presença dos "Senhores Directores" que os incentivarão a comer e a calar, senão vão todos para o "olho da rua".

Nós, Portugueses, não eramos assim. Qualquer coisa acabou com a nossa identidade e com a nossa capacidade de amar o próximo como a nós próprios.

Mas, reflectindo bem, se não nos amamos a nós mesmos, como poderemos amar os outros?

Este ano, caguei e não integrei a tal Comissão de Humanização, porque nunca tive jeito para ser palhaça.

Respeito demais o meu próximo, para o sujeitar a tais vexames.

Não vou desejar a ninguém Feliz Natal nem Bom Ano Novo, porque isso seria uma tremenda sacanice da minha parte, atendendo a que há pessoas com muita fome no nosso país, que não vão ter sequer um prato de sopa para comer.

Para muitos, este Natal será um sonho mau, um autêntico pesadelo.

Feliz Natal?

Para quem?

Só se for para as aves rapinantes do costume.

domingo, 12 de dezembro de 2010

CUIDADO COM AS BOCAS FOLEIRAS!



Um coelhinho felpudo estava a fazer as suas necessidades matinais quando olha para o lado, e vê um enorme urso a fazer exactamente o mesmo.

O urso vira-se para ele e diz: - Hei, coelhinho, perdes pêlo?

O coelhinho, vaidoso e indignado, respondeu:

- De forma nenhuma, descendo de uma linhagem muito boa.

Então o urso pegou no coelhinho e limpou o traseiro com ele.



MORAL DA HISTÓRIA:

CUIDADO COM AS RESPOSTAS PRECIPITADAS, PENSA BEM NAS POSSÍVEIS CONSEQUÊNCIAS, ANTES DE RESPONDER!


No dia seguinte, o leão, ao passar pelo urso diz:

- Olá amigo urso! Com toda essa pinta de bravo, forte e machão, vi-te ontem, a dar o traseiro a um coelhinho felpudo.

Já contei a toda a malta!!!


MORAL DA MORAL:


PODES ATÉ GOZAR ALGUÉM, MAS LEMBRA-TE QUE EXISTE SEMPRE ALGUÉM MAIS FILHO DA PUTA DO QUE TU!


"O problema de Portugal é que, quem elege os governantes não é o pessoal que lê os jornais, mas quem limpa o cu com eles!"

ESTE ANO NÃO HÁ PRESÉPIO



Meus caros! Digo-vos isto com tristeza... Este ano não há Presépio!

A vaca está louca e não se segura nas patas.

Os Reis Magos não vêm porque os camelos estão no governo.

José e Maria foram meter os papéis para o rendimento mínimo e a ASAE fechou o estábulo por falta de condições.

O Tribunal de Menores ordenou a entrega do Menino ao seu pai biológico.

CURTO E MUITO ACTUAL



Diz a Avó para a Neta:

- Com a tua idade, já eu trabalhava.

Responde-lhe a Neta:

- Com a tua idade, vou estar a trabalhar.

domingo, 5 de dezembro de 2010

"1906 - ORAE POR NÓS"


Esta noite está um frio de rachar.

É fim de semana e vim passá-lo a uma pequena e sossegada aldeia transmontana onde tenho bons amigos.

A neve cai em flocos, lá fora. O gato "farrusco" simpatizou comigo e veio aninhar-se aos meus pés. De vez em quando, quer subir-me para os joelhos e teclar no meu portátil.

A lareira está acesa, o fogo crepita e eu penso:

Como há pessoas capazes de renegar as suas origens?

Como são capazes de deixar de vir ao local onde nasceram, visitar o cemitério e deixar uma prece aos seus mortos?

Quando chego a um lugarejo ou cidade, um dos locais que visito primeiro, é o cemitério. É de lá que conseguimos extraír a alma de uma população, os seus valores, as suas crenças, pela maneira como cuidam das campas, pela elegância com que distribuem as flores pelas jarras e pelos dizeres que mandam gravar nas lápides.

Hoje passei pelo cemitério da aldeia e levei cinco rosas brancas e uma vermelha, a alguém que já não devia ter flores há muito tempo.

O tempo apagou as memórias e a luz daquela pequena lamparina.

A neve cai lá fora.

Eu estou aqui, ao calor desta lareira crepitante.

Mas estou triste.

Porque morreste.

E já não penso em ti.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

RECEITA RÁPIDA



POLVO À LAGAREIRO POBRE.

PARA REFORMADOS E PENSIONISTAS POBRES, DESEMPREGADOS E FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS.

BOM APETITE!

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

ORA VAMOS LÁ VER SE NOS ENTENDEMOS


Desde há muito tempo que tenho recebido e-mails, enviados por desconhecidos e desconhecidas, com extractos de textos de uma Senhora Deputada, que escreve para um jornal on-line de Setúbal, extractos esses pertencentes a textos com bastantes erros ortográficos.

Ora eu não sou revisora de textos de nenhum jornal e, se o fosse, certamente que cobraria os meus honorários.

Hoje acordei com a caixa de correio com catorze e-mails, todos com o mesmo texto.

Quem os mandou deve conhecer a Senhora e, por isso, aconselho a irem ter com ela e dizer-lhe que tenha mais cuidado na maneira como escreve, pois fica mal a uma representante da Nação, que está a ser paga por todos os portugueses, dar tantas "paulitadas" na gramática.

Resolvi fazer um "post" sobre este assunto, porque já estou saturada de me andarem sempre a "encher o saco" com o mesmo tema.

Telefonem-lhe, escrevam-lhe, vão ter com ela, mas NÃO ME CHATEIEM MAIS.

Se não conseguirem falar com ela, podem ir falar com o Paizinho que, certamente, lhe transmitirá o recado.

QUEM MATOU JOAQUIM FERREIRA TORRES? - SERIAM OS MESMOS? TUDO INDICA QUE SIM



« O jornalista da Visão Miguel Carvalho ganhou o Grande Prémio Gazeta 2009 pelo trabalho “Os segredos do Barro Branco” sobre Joaquim Ferreira Torres, figura ligada à oposição violenta ao 25 de Abril e assassinado em 1979. Miguel Carvalho publicou na Deriva "Aqui na Terra"

A REPORTAGEM DISTINGUIDA, na íntegra.

Joaquim Ferreira Torres - Os segredos do Barro Branco

Joaquim Ferreira Torres, industrial e financiador da rede bombista de extrema-direita, foi assassinado a 21 de Agosto de 1979. A morte serviu conveniências privadas e políticas. Mentores e autores não foram descobertos. O crime prescreveu. Trinta anos depois, a VISÃO traz a público novos dados e documentos.

Esta é a história de um homem controverso, de fortuna suspeita, que tentou cair nas graças do fascismo, deu dinheiro à oposição democrática, tirou comunistas da cadeia e ajudou «pides» e empresários a fugir. Um dia, ameaçou «abrir o saco» e calaram-no. A tiro

Naquela manhã, Joaquim Ferreira Torres levantou-se mais tarde do que o habitual. Normalmente, estaria a pé às seis horas. Mas o jantar terminara para lá da meia-noite e ele havia passado a madrugada com dores na coluna. Estava, contudo, bem-disposto ao pequeno--almoço. Era Verão e a família mudara da vivenda das Antas, no Porto, para a sua Quinta de Vila Nova, em Penafiel. A mulher, Elisa, ia para as termas de São Vicente, ali perto. O marido continuava a fazer o percurso diário entre a casa e a fábrica têxtil de que era proprietá rio, em Famalicão, ignorando o significado da palavra férias.

Apesar de discreto e reservado, regressara uma das últimas noites carregando uma mala com mil contos, fruto de um negócio com ciganos.

Atarefado, nem deu importância ao facto de, naquele período, alguém lhe rondar a quinta, questionando os caseiros sobre as suas rotinas. Estranhara apenas as avarias no telefone, quase sempre ao final da tarde. O aparelho parecia ter vontade própria e os técnicos tardavam em descobrir o defeito.

Tal não o impediu de marcar o referido jantar. Encomendara uns melões no restaurante Tanoeiro, em Famalicão, onde almoçava amiúde. O tenente-coronel Oliveira Marques e a esposa eram esperados à noite, vindos de Lisboa. Torres juntou à mesa a mulher, o Quinzinho sobrinho que criou como verdadeiro filho desde os onze meses após a morte de um irmão, a irmã Sãozinha e o cunhado Mota Freitas, major da PSP, entre outros familiares. Antes e depois da refeição, os homens reuniram no escritório. Oliveira Marques foi embora já passava da meia-noite.

Quando acordou, Torres vestiu uma camisa, casaco e calças claras, tipo caqui.
Apertou o cinto de cabedal vermelho e calçou uns sapatos castanho-claros picotados, de pala. No pulso, um Ómega de ouro. Num dedo, o anel, também em ouro, com brilhante de sete quilates.
Guardou a carteira com umas dezenas de contos e numa pequena pasta preta colocou documentos, cerca de 42 mil pesetas e 200 marcos. No casaco, levava a caneta em ouro e a agenda, cheia de contactos.
Nomes de homens de negócios, polícias e militares de várias patentes, velhos conhecidos do antigo regime, cónegos, políticos e cadastrados.
O industrial fez-se à estrada no seu Porsche vermelho 911 T, por volta das oito horas. Em Paredes, comprou os três matutinos do Porto e seguiu viagem. Três quilómetros à frente, na estrada nacional que liga Paredes a Paços de Ferreira, talvez vendo um rosto familiar, abrandou.
Numa emboscada de execução tipicamente militar, desconhecidos, munidos de armas pouco habituais no País, disparam contra ele vários tiros, atingindo-o sobretudo no crânio. Torres tombou, morto, para o lado direito do condutor.
Passavam 15 minutos das oito horas do dia 21 de Agosto de 1979. O Porsche contava mais de 77 mil quilómetros. Duas jovens iam comprar vinho quando deram o alerta. Joaquim Ferreira Torres tinha 54 anos, negócios menos claros, fortuna invejável e ligações íntimas a meios políticos, económicos e militares. Aguardava, em liberdade condicional, a repetição do julgamento da rede bombista de extrema-direita. Garantira que «abriria o saco» sobre os segredos e cumplicidades desse tempo. A morte ficou conhecida como «o crime do Barro Branco», lugar onde o calaram para sempre.
Até ali, ele tinha granjeado fama e fortuna vindo do nada e do esquecimento, ao estilo do mito americano. Nascera no simbólico 13 de Maio, em 1925, em Rebordelo, Amarante, um de 17 irmãos. Fez o ensino básico e vendeu carvão em Vila Pouca de Aguiar, onde o pai trabalhou nas minas. Também passou madeiras para Espanha, clandestino.
Foi marçano numa loja de mercearias finas e, no final dos anos 40, já andava por terras transmontanas, de bicicleta ou motorizada, como comissionista e vendedor de rifas, ganhando bom dinheiro com sorteios de chocolates e navalhas.
Em Murça, conhece Elisa, da aldeia de Noura, com quem haveria de casar. A rapariga trabalhara numa padaria e era governanta.
«Uma lasca de mulher, muito cobiçada», diz quem a conheceu. Namoram pelos quintais. E ela é sua cúmplice nas fugas à polícia, que metiam saltos pelos telhados e esconderijos em tonéis de vinho. Os mandados de captura contra ele sucediam-se. E do tribunal de Chaves desapareceria, mais tarde, o seu registo criminal, que incluiria um historial considerável de abusos de confiança.
Nos anos 60, já negociante de vinhos em Rio Tinto, Torres abre em Angola armazéns «com tudo do bom e do melhor para comer e beber», segundo um antigo inspector da PIDE. As relações e os negócios fluem. A partir de 1964, Sousa Machado, empresário, recorre a ele para fazer face a problemas económicos na Companhia Mineira do Lobito e nos hotéis Presidente e Panorama, em Luanda. Ao longo de anos, pedirá montantes da ordem dos 200 mil contos, empréstimos cuja totalidade não liquidará até à morte do amigo. O filão, porém, são as operações em diamantes e divisas.
Torres conhece Tschombé que, com ajuda da CIA e de diversos mercenários, tenta a secessão da província diamantífera do Katanga, no Congo. Quando o líder africano cai em desgraça, Salazar que lhe cedera armas dá refúgio aos familiares. Mas será o homem de negócios de Amarante a velar pelos interesses dos herdeiros de Tschombé. E pelos seus, claro.

UMA FORTUNA INCALCULÁVEL
Regressa, deposita lingotes de ouro na banca e dedica-se à especulação bolsista, mantendo laços com amigos de África.
Os bancos disputam-no e negoceia, fazendo-se caro. «Já ganhei mais mil contos! », ouviam-no, ao telefone, com gestores e administradores. Entre outros investimentos, compra terrenos, uma tipografia, uma casa de câmbios e chegará a ser dono de 27 quintas no Norte do País. Passeia-se num Jaguar 4.2, anda de Porsche e num Mercedes amarelo 350 SLC, desportivo. É amigo do banqueiro Pinto de Magalhães e do empresário Xavier de Lima, quase dono de Setúbal, a quem ajudaria a recuperar a fortuna.
É avalista de negócios no turismo e outras áreas. Devedor dele, Sousa Machado abre--lhe portas nos meios políticos e militares.
Hábil e desconfiado, anota tudo. Dos 110 contos que gasta nuns botões de punho a uma pulseira para a mulher no valor de 90 contos. O círculo íntimo sabe apenas o estritamente necessário. É de fúrias e impõe rotinas de forma quase militar, sem transigências.
Rigoroso, manda repetir textos à máquina por causa de vírgulas.

CULTIVA GOSTOS A PRECEITO

Os fatos e os sapatos são feitos às dúzias, por medida, nas melhores lojas de Santa Catarina, no Porto. De Londres, traz tecidos, sem falar mais do que o português.

Em casa, cultiva uma decoração imponente e aparatosa, com móveis franceses, que convidados classificam como «neobarroco da burguesia». Os jantares são opíparos e a garrafeira não destoa. Comprara mais de cem garrafas de Barca Velha, ao preço de muitos ordenados da época. Preferia colheitas de 64 e 65. Ou um Faustino I, Rioja, de 66. Se acompanhassem uma perdiz cozinhada pela mulher, tanto melhor.

Conquistado o estatuto financeiro, ao ritmo de «pronto-a-vestir», Torres procura a legitimação social que lhe faltava. Os seus ciúmes tinham um nome: Gonçalves de Abreu, comendador, dono de um império industrial, figura prestigiada, presidente da Câmara de Amarante. A autarquia e uma comenda eram o seu sonho. Ele esmera-se. Em finais dos anos 60, compra a fábrica têxtil Silma, em Famalicão, à família do destacado antifascista e comunista Lino Lima. Por mais de uma vez fará uso dos seus contactos para tirar o advogado dos calabouços da PIDE. Na Silma, onde a sirene marcava os ritmos das gentes de Brufe e Calendário, Mário Sousa, Maria de Sousa e Maria da Glória somaram 66 anos de trabalho. «O senhor Torres foi um bom patrão. Tinha as suas manias, mas pagou sempre os ordenados, mesmo quando esteve preso e fugido», contam. A sindicalista Ondina Coutinho travou com ele braços--de-ferro, a doer. «Nada era dado sem luta.

Mas tivemos condições de fazer inveja na região.» Militante do PCP, Ondina garante que Torres «nunca promoveu perseguições políticas na empresa». Já no estertor da ditadura, ele faz, porém, avultados donativos ao partido único, associações, bombeiros, misericórdias e instituições de caridade. As Irmãzinhas dos Pobres agradecem-lhe 50 contos entregues pessoalmente a Marcelo Caetano, presidente do Conselho. Colecciona medalhas de benemérito e benfeitor. Mas antes de tudo isso, já tinha um convite irrecusável...
Torres é nomeado para presidir à Câmara de Murça em 1971. Influências de um amigo salsicheiro a quem emprestara dinheiro. As verbas que faltavam ao município e que o Estado, somítico, não libertava, tinha-as ele. A terra dá um salto, ganha urbanidade. Oferece a cada morador um balde de plástico para o lixo que uma viatura camarária recolhe diariamente. Na rua, homem cénico que era, gesticula e dá ordens. «Exercia o mando, tinha dinâmica e visão», assinala José Gomes, antigo presidente da autarquia.

A COMENDA QUE NÃO VEIO

«Manda electrificar aldeias, abrir caminhos, construir estradas. Aparece de surpresa nas freguesias e, quando a verba se encontra esgotada, abre a bolsa e resolve os problemas», contava o seu vice-presidente.
Deu vida a lugares isolados, escolas.
«Foi um santo homem. Quem não é agradecido, é melhor não andar neste mundo», rende-se o lojista Alfredo Meireles. Adianta dinheiro que o Estado lhe pagará depois, aos bochechos. Estende a sua fábrica têxtil, dá terrenos pessoais para a construção de casas e inaugura uma piscina de fazer inveja na região. «Com ele, Murça seria a Suíça de Trás-os-Montes», crê José Gomes.

O populismo aflora. Empresta dinheiro a munícipes e paga a jornalistas por conta da montra impressa dos seus feitos. Dá banquetes de lagosta e assados, lautos. «Torres, Torres, Torres, és a nossa glória», canta-se.

Embalado, o edil até inaugura fontanários sem água, enquanto funcionários despejam baldes às escondidas para simular a liquidez que faltava ao momento. O Primeiro de Janeiro garante que ele «é o padrão do homem que todos desejariam ter como presidente». Adílio, Pedro, José, António e Mário, velhotes que comentam os assuntos da terra numa garagem da vila, ainda hoje garantem não haver espécie igual. «Até as casas de banho públicas lhe devemos.» Torres sonhou. Alto. Um dia, a vila engalanou-se para receber Américo Tomás e o autarca até pagou um livro para impressionar o Presidente da República na esperança de atribuição da comenda.

O Governo, porém, investigara a vida deste self made man nascido entre montes. «Não sabia nada de política, queria que todos vivessem bem e só pensava no próximo negócio.

Mas descobriram que ele não tinha a folha limpa», conta quem acompanhou o processo. Avisado, Tomás cancelaria a visita, desculpando-se com uma gripe. «Só quiseram dar-me Murça», lamentou-se o industrial, junto de amigos.

Tentara tudo para cair nas graças do fascismo.

Mas não encaixava na moldura do regime, que desdenhava de quem entrava fulminante na vida pública, com ares de novo-rico de extracção duvidosa. A revolução acentuaria o desfasamento, não sem luta. Júlio Montalvão Machado, primeiro governador civil de Vila Real em democracia, só consegue afastá-lo do cargo em Dezembro de 1974, após uma frustrada investida dos militares, recebidos pelo povo com varapaus, sacholas e forquilhas.

«Ele teria saído a bem, mas as pessoas queriam-no e lutaram com tudo. Foi o próprio Torres quem impediu que eu levasse um arraial de porrada.» Segundo Montalvão, era «um homem cordato, um excelente presidente para aquela gente», reconhece.

Apesar das ambições caídas por terra, ele não seria propriamente apanhado de surpresa pelo 25 de Abril. Dias antes das eleições de 1973, perspicaz e bem informado, convida César Príncipe a aparecer na casa das Antas. A relação entre ambos é boa, mas o jornalista do JN, relevante figura da oposição democrática, ligado ao PCP e calejado nas conspirações, receia as vigilâncias da PIDE. Arrisca. E Torres vai directo ao assunto: «Sei que está com a oposição.
Nada contra. Como sabe, tenho de defender o regime para proteger os meus interesses.
Vou dar mais dinheiro à ANP e alugar um helicóptero para a campanha. Mas também quero ajudar a oposição.» César escuta, estupefacto. «Ele queria começar a dialogar com o pré-poder e eu era quem estava mais à mão.» A oferta, «um envelope com algumas centenas de contos », tinha atrelado um pedido. «Sei que vai discursar num comício do Coliseu e queria que fizesse um ataque ao comendador Abreu.» César rejeita a condição. O donativo entra à mesma nas contas. «Anónimo, claro.» Torres joga em dois tabuleiros e, na despedida, confidencia: «Este regime está para acabar. É a PIDE quem mo diz.»

AS PRATAS, AS BOMBAS E A FUGA

Com as fervuras da revolução, Torres previne-se. Vende património incluindo 18 quilos de barras de ouro e prepara refúgio na Galiza. Ajuda «pides» a «dar o salto».
Nunca deixará, porém, de tentar pontes com os protagonistas do momento, como fez com Macedo Varela, militante comunista.
«Quis fazer um donativo ao MDP/ /CDE, mas com o objectivo de queimar alguém.
Recusei, claro», conta o advogado de Famalicão. Para ele, o industrial «não era esquisito em matéria de ideologias. Queria estar bem com Deus e com o Diabo». Mas ele teme o demo da foice e do martelo.
No início de 1975, é o fiel depositário de diversos valores de banqueiros, industriais e empresários nortenhos em fuga para Espanha.
Pratas, ouro, marfins, jóias e obras de arte de pessoas das suas relações são colocadas em casas e armazéns seguros, entre Tuy e Vigo, levadas por vezes em furgões atulhados. Ele controla a fronteira de Valença: guardas-fiscais escolhem na sua fábrica peças de vestuário. Abre contas para amigos em bancos galegos. Gere ele os dinheiros e os juros e aluga garagens para que possam esconder os Porsches, Mercedes e Jaguares.

O general Spínola foge para o estrangeiro e funda o MDLP (Movimento Democrático de Libertação de Portugal).

O braço-direito é Alpoim Calvão, militar responsável pelo sector operacional do movimento. No Norte de Portugal, Torres põe e dispõe e os apoios surgem de todo o lado. O presidente Mobutu, do antigo Zaire, oferece 5 mil espingardas semiautomáticas.

O comendador Abílio de Oliveira passa um cheque de um milhão de pesetas para a compra de armas. Dos quartéis, também saem algumas. O MDLP destrói, incendeia e faz explodir dezenas de sedes, casas, carros e estabelecimentos ligados, sobretudo, ao PCP e seus militantes. Há mortes. A rede bombista congrega autarcas, empresários e militares de diversas safras, sacerdotes, mercenários angolanos, ex-pides, seguranças do PSD, CDS e PS e gente para todo o serviço, com cadastro condizente. «Mais a direita de aldeia, caceteira e borrachona», refere um inspector da PJ desse tempo. Enquanto oferece roupa e dinheiro a retornados das ex-colónias, Torres ordena atentados e paga. Empresários compram-lhe dólares a um preço mais elevado e contribuem para a causa.

O movimento é despesa cara: as viagens de Spínola e os gastos de Alpoim custam mais de 3 mil contos por mês.

Com pouco de ingénuo, Torres sabe que o dinheiro é também usado para outras aventuras. Dirigentes no exílio compram casacos de peles de 900 contos e gastam «como lhes apetece». Um bombista queixa-se de passar fome, «enquanto outros se banqueteavam nos melhores hotéis». Por cá, a democracia pode esperar. Bombas explodem por conta de ódios de estimação e desavenças pessoais. O movimento comporta-se como «uma autêntica mafia», descreve quem o viveu por dentro.

As conspirações do MDLP com os moderados do Conselho da Revolução (Vítor Alves e Canto e Castro) sucedemse.

Torres, porém, diz-se «traído» quando os mentores do 25 de Novembro de 1975, liderados por Eanes, não cumprem o que alegadamente prometeram ao saudosismo de direita: Angola é entregue ao MPLA e o PCP iria continuar na legalidade. As bombas não param. Nem quando Vítor Alves e Canto e Castro reúnem novamente com o movimento, na casa de Valentim Loureiro, no Mindelo. Há armas e operacionais em roda livre. Sem perder de vista os alvos políticos, com o dedo de Torres. Em Abril de 1976, é assassinado o padre Max e dá-se o atentado à Embaixada de Cuba, em Lisboa.

Eanes é eleito em Junho para Belém, o País tenta normalizar. Torres é então detido com outros elementos ligados à rede bombista, entre os quais o seu cunhado Mota Freitas e o operacional Ramiro Moreira.

DO EXÍLIO À MORTE

O industrial é preso em Caxias, onde assina cheques e despacha assuntos relacionados com os seus negócios. Mas é libertado, alegadamente corrompendo um magistrado na fase de instrução do processo, a troco de vários milhares de dólares.

Na sequência das investigações da PJ, o Conselho Superior de Magistratura receberia uma recomendação oficial para abrir, no mínimo, um processo disciplinar ao magistrado. Nos arquivos do Conselho, confirmou a VISÃO, não consta que tal tenha sido feito.

Em Março de 1977, Torres é avisado um dia antes da emissão de novos mandados de captura e foge para Espanha. O irmão Avelino leva o Mercedes por Chaves, ele segue com o irmão Adelino por Valença, num BMW. Irado, desabafa contra «os pulhas» da magistratura e do Conselho da Revolução. «Dei milhares de contos àqueles filhos da puta para me ver livre deles e agora tentam mandar-me novamente para a cadeia.» Em Vigo, ocupa o quarto 710 do Hotel Nisa, que já lhe é familiar. Tem uma linha de PBX só para ele e controla, na recepção, todos os passaportes de portugueses ali hospedados. Se desconfia de alguém, diz ao dono do hotel: «Para este, da próxima, não há quartos.» Gere contas bancárias abertas na cidade e tem um cofre na Suíça.
A família visita-o aos fins-de-semana.
Almoça e janta no Las Bridas, onde uma sala mais recolhida é construída a seu pedido.
Aluga um apartamento junto ao El Corte Inglés. Atribuem-lhe relações amorosas com mulheres de amigos e de presos da rede bombista. Improvável, porém. Os seus devaneios eróticos ter-se-ão limitado a envolvimentos com meninas de cabaret, às quais não precisava pagar o silêncio.

Torres seria julgado à revelia, mas absolvido no processo da rede bombista, a 6 de Julho de 1978, talvez ainda escudado pelo magistrado «amigo». Mantém-se entre Vigo e o Porto, sente-se inseguro. Vendera a Valentim Loureiro a antiga casa de câmbios, em Lisboa, e o Porsche, carro que recuperará nesse ano. Uma parte dos seus terrenos e quintas está nas mãos de Castro Martins, o Mata-o-Pai, envolvido em negócios duvidosos. Fictícias ou não, o amigo demora a acertar contas das transacções.
Elisa Torres chega a apontar-lhe uma pistola em Valpaços. Mas tudo já estaria saldado quando Castro Martins aparece morto, nos anos 80, a boiar no Douro, no enfiamento do restaurante Mal Cozinhado.
No Brasil, Torres leva «uma banhada» num negócio de ouro. Zanga-se com Alpoim Calvão e Sousa Machado (ver caixa).

«O Alpoim saiu-me um grande filho da puta», desabafa, perante família e amigos.

Mesmo em dificuldades, ajuda famílias de presos da rede bombista e antigos operacionais a refazer a vida no estrangeiro. Recebe ameaças. E não perdoa nem esquece.

Um dia, sentado no sofá de casa, vê Vítor Alves na televisão. Irrita-se: «Filho da puta, bem me enganaste! E andaste a beber do meu vinho e a comer do meu presunto!» No início de 1979, parte das fortunas e valores retirados de Portugal no pós-revolução continuava em contas e cofres estrangeiros.

Ou adormecida em garagens e quintas de Ourense, na Galiza. À porta dos mais estrelados hotéis de Vigo, ainda abundavam os carros de luxo, com as indisfarçáveis matrículas negras de Portugal. A revista espanhola Sábado Gráfico repara nos portugueses que gastam generosamente dólares e marcos, enquanto outros compatriotas, despejados, pelas excursões, no porto daquela cidade galega, comiam a tigela de caldo nos passeios. Por cá, Torres recebe a má notícia: o julgamento da rede bombista, da qual saíra absolvido, é anulado e será repetido. Paga uma caução de 250 contos e aguarda em liberdade.

A INVESTIGAÇÃO POSSÍVEL
Inconsolável, diz a amigos e família, que, se for a tribunal, abrirá o livro. Falaria das páginas negras do MDLP, incluindo o furto da coroa de Nossa Senhora da Oliveira, do museu de Guimarães. E na utilização de grandes quantias de dinheiro e armas pertencentes ao movimento. Tinha vivido por dentro as conspirações e reuniões anteriores ao 25 de Novembro.

Lidava com bombistas e contrabandistas.
Sabia quem lhe devia dinheiro e porquê.

A poucas semanas de se sentar no banco dos réus, tudo terminaria, porém, numa curva do lugar do Barro Branco. E num silêncio ensurdecedor.

O crime apanha a PJ do Porto ainda a digerir a democracia. No activo, permanecem agentes do tempo em que eram dispensados do serviço para colar os cartazes do partido único. Em carros da Judiciária, também tinham saído objectos de valor para Espanha no pós-25 de Abril. Geram--se conflitos. Fausto Saraiva, o inspector que primeiro chega ao local do crime e logo devolve à viúva objectos pessoais da vítima, junta pistas avulsas em abono de uma tese «ideológica», inclinando a autoria do crime para a extrema-esquerda. As suas diligências, na fase decisiva, «dificultaram, para não dizer aniquilaram, quaisquer futuras hipóteses de abordagem» de diversas fontes anónimas, dirá, mais tarde, um relatório da própria PJ. As audições formais de testemunhas ou possíveis implicados iniciaram-se onze meses depois dos factos. Por essa altura, já a família de Torres tinha mudado as contas no estrangeiro de sítio e um irmão da vítima se tinha suicidado, tendo a seu lado recortes de jornais e fotografia do crime. Rigoroso, só um relatório do inspector Mouro Pinto, que também esteve no local.
O andamento do processo teve situações anómalas e caricatas. Avelino, o irmão que mudaria nos anos 80 os sobrenomes Torres Ferreira para Ferreira Torres para cavalgar a memória e o mito do mano Joaquim, pôs um carro à disposição da PJ e pagou viagens, refeições e outras despesas aos investigadores, com cerca de 7 mil contos entretanto pedidos à viúva. Apesar de anunciado várias vezes, um prometido livro da sua autoria a denunciar os implicados no crime ainda aguarda publicação.
Manuel Macedo, também MDLP, assistiu a interrogatórios e gastava 50 a 60 contos em almoços de perdizes e cabritos com jornalistas e inspectores da Judiciária.
O ex-MDLP Ângelo do Nascimento, sobre o qual pendiam vários mandados de captura, é encontrado com armas e caçadeiras, mas mandado embora.
Em 1982, Artur Pereira, da Secção Regional de Combate ao Banditismo da PJ, assume a investigação, dá ordem e alguma solidez ao processo. Alpoim Calvão, Vítor Alves e Canto e Castro são ouvidos, sem adiantarem contributos para o desvendar do crime. Há teses para todos os gostos, com a alegada vendetta do Barro Branco a oscilar entre 3 mil e 4500 contos para os executantes.

O processo atravessaria três gerações da PJ. E acabaria nas mãos de Vítor Alexandre, na Direcção Central de Combate ao Banditismo. Mesmo com arquivamentos pelo meio, a Judiciária faz escutas e novas inquirições que ajudam a sustentar uma acusação no crime do Padre Max, que acaba em julgamento. Mas o caso Torres, «enfim. é um enigma muito grande. Até depois de morto dá problemas», diria Manuel Macedo, apanhado nas escutas.
Ao longo de anos, vários dos visados em notícias e citados no processo ameaçaram recorrer aos tribunais, rejeitando «calúnias e difamações». A PJ rende-se em meados dos anos 90. Alpoim Calvão, com depoimentos contraditórios, gera a «forte suspeita» de intervenção nos factos ocorridos, mas faltam indícios sólidos.
O despacho de arquivamento assinala «alguma lógica» na lista de motivações relacionadas com os «negócios escuros » do MDLP e as conspirações da rede bombista com o Conselho da Revolução.
O crime prescreve em 1995.
A 21 de Agosto de 1979, quando ameaçara «abrir o saco», Joaquim Ferreira Torres não tinha percebido o timing da democracia.
Conspiradores de outros tempos tinham sido reciclados para o conforto dos cargos, das instituições e do poder político.
Outros andavam envolvidos nos negócios.
Queriam iniciativa privada, lucros e normalidade democrática. E sossego, por favor.

Passos de uma investigação

Para esta reportagem, a VISÃO realizou dezenas de entrevistas a pessoas que contactaram com Joaquim Ferreira Torres ou que, por alguma razão, estiveram por dentro de passos da sua vida e da evolução dos acontecimentos. Muitas solicitaram anonimato.

Outras, como Joaquim Costa Torres, a quem a vítima sempre tratou como filho, recusaram «terminantemente» prestar declarações. A VISÃO teve ainda acesso a diversas cartas, fotos e outra documentação que permanece à guarda de um advogado a quem a viúva falecida em 2008 confiou vários arquivos. Foram ainda consultadas, com precioso empenho da Secção Central do Tribunal Judicial de Paredes, as mais de 1800 folhas do processo de instrução.

Últimas cartas
Em 1978, por alegado intermédio de um amigo, Torres emprestara 20 mil dólares para os negócios de Alpoim e do empresário Francisco José Sousa Machado. Passados os prazos, Torres não havia recebido o dinheiro.

Em várias cartas a Alpoim confessa, desesperado, atravessar «grave crise financeira». É violento com o destinatário e manda recados ao Chico Zé, que, refere, não demonstrara vontade de resolver o problema. «O que mais me custa é não poder cumprir com as minhas obrigações», diz. E termina uma das missivas, ameaçando Alpoim. «Peço-lhe, caro Guilherme, não me obrigue a ter de pensar de si o que não desejaria nunca.» Já em 1979, Torres troca correspondência com Carlos Bernardo Vieira, empresário guineense, primo e «irmão de sangue» de Nino Vieira, Presidente da Guiné-Bissau. Nas missivas, falam de um negócio e sabia-se que Torres sonhava com um banco naquele país. Carlos Vieira garante que Valentim Loureiro é conhecedor das suas influências e diligências junto do poder político da Guiné. E diz estar a esforçar-se «para que o seu negócio se concretize de forma a ter margem para eu ganhar também algum para a educação das minhas filhas», escreve. A dada altura, percebe-se, o negócio parece emperrar. Torres morreria semanas depois da última carta.

POR MIGUEL CARVALHO»

QUEM MATOU SÁ CARNEIRO?



Amaro da Costa, então Ministro da Defesa, tinha proibido a venda de armas ao Irão.

Dois dias depois da queda do avião e da sua morte, a venda foi efectuada.

Estranho.

Tanto mais que Sá Carneiro tinha viagem marcada na TAP, para o Porto, e só não foi porque Amaro da Costa convidou-o a ir no Cessna, dizendo-lhe que tinha três lugares vagos.

Estes factos são públicos.

Tudo leva a concluir que o atentado era dirigido a Amaro da Costa e não a Sá Carneiro.

Fala-se que havia também um "saco azul", militar, à revelia do Ministro da Defesa.

A bronca ia estoirar.

Tenho a impressão que deve haver uns quantos ex-militares, de alta patente, envolvidos na tramoia.

Não sei por que motivo não reabrem o processo.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

CORAÇÃO GELADO


Hoje nevou por estes lados.

Está muito frio.

E chove também.

Estou com medo daquilo em que me tornei.

Fria e distante.

Tenho dois fígados.

Um, no lugar do coração.

Outro, no sítio onde é o lugar dele.

Quando, na realidade, sempre procurei amar o próximo.

sábado, 27 de novembro de 2010

A KATYZINHA



A moçoila gosta de arrotar, é de Penafiel e existe mesmo.

Ora oiçam com atenção, o que ela tem para nos dizer.

Uma Pérola!

PARABÉNS MARINHO PINTO



Foi reeleito Bastonário da Ordem dos Advogados Portugueses, com 9.532 votos de um total de 20.521 votantes.

Fragoso Marques ficou em segundo, com 5.991 votos e Luis Filipe Carvalho em terceiro, com 3.666.

Espero que continue a fazer ouvir a sua voz contra os corruptos deste País, e que nunca se cale, nem dê tréguas aos oportunistas do regime.

OS DEMAGOGOS


Nestes últimos dias tenho-me insurgido à brava, contra essa história de a classe política ter resolvido instituír e comemorar o dia internacional contra a violência perpetrada sobre as mulheres.

Ora não é só ao dia 25 de Novembro que as mulheres que são vítimas de maus tratos, violência física, psicológica ou sexual, precisam de ajuda e que se fale delas.

Todos os dias há dezenas de mulheres que são ameaçadas, agredidas, vilipendiadas, abusadas e até assassinadas, não só pelos maridos, amantes ou companheiros, mas também por desconhecidos que têm orgasmos quando ameaçam ou batem em mulheres.

Este é um tema recorrente em muitos dos meus "posts" e artigos e nunca esperei por dias marcados, para vir à liça condenar aquilo que sempre achei abominável e que é o facto de um homem ameaçar ou agredir uma mulher.

Também há mulheres que batem em homens, eu sei. Conheço alguns casos que estão em Tribunal, em que eles ficaram muito maltratados (abençoadas mulheres!). Mas, curiosamente, porque quem começou a agressão foram eles e não contavam obter a correspondente resposta à altura: uma panela de pressão pelos cornos abaixo, ou um ferro de engomar bem quente, atirado com uma bela pontaria, situação resultante de anos de sofrimento e de maus tratos. Legitima defesa, pois claro!

O caricato da questão, foi ver alguns políticos ranhosos, que gostam de ameaçar e de agredir o próximo, a substituir no facebook, nos dias 25 e 26 de Novembro, as suas próprias fotografias por fotos de mulheres marcadas pelas agressões, sem qualquer moralidade, num gesto de ridícula e total demagogia, feita à maneira, só porque querem parecer aquilo que não são, nem nunca hão-de ser, pela sua total incapacidade intelectual e falta de vergonha.

Nunca vi aqueles "filhos de uma mãe franquiada", a fazer o que quer que fosse, para acabar com o flagelo. Têm a faca e o queijo na mão para mudar a legislação e tornar as penas mais pesadas e não o fazem.

Ao invés, instituem um dia para chorar lágrimas de crocodilo por uma coisa para a qual se estão cagando de alto.

Espancadores de mulheres deste País: esta corja de inconsequentes, que anda no Facebook, quer que vocês, antes de começarem a malhar no lombo do vosso saco de porrada, vão comprar um ramo de rosas vermelhas, para lhe oferecer depois.

É de bom tom, para comemorar a data e para eles poderem anunciar na sua página pessoal, que gostam de violência contra as mulheres.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

FOI O HENRIQUE NETO QUE DISSE



«05/11/2010


por Paulo Anjos


Pois foi. Mas lá está. O senhor já tem uma certa idade, é rico e pode dizer o que lhe dá na gana. Além disso, está reformado e quer é ler uns bons livros e divertir-se. Foi ele que disse. E por isso também se dá ao luxo de dizer alto o que muita gente do PS diz baixinho. Pelo menos enquanto o Sócrates for primeiro ministro.

E o que foi que ele disse? Leiam, então, a parte final da entrevista que ele deu hoje à Anabela Mota Ribeiro, no Jornal Económico:

Porque é que tem pó ao Sócrates?
Uma vez, fui a um debate em Peniche, conhecia o Sócrates de vista. Isto antes do Governo Guterres. Não sabia muito de ambiente, mas tinha lido umas coisas, tinha formado a minha opinião. O Sócrates começou a falar e pensei: “Este gajo não percebe nada disto”. Mas ele falava com aquela propriedade com que ainda hoje fala, sobre aquilo de que não sabe [riso]. Eu, que nunca tinha ouvido o homem falar, pensei: “Este gajo é um aldrabão, é um vendedor de automóveis”. Ainda hoje lhe chamo vendedor de automóveis.

Esse é um dos nomes mais simpáticos que lhe chama, chama-lhe outros piores.
Quando se pôs a hipótese de ele vir a ser secretário-geral do PS, achei uma coisa indescritível. Era a selecção pela falta de qualidade. O PS tem muita gente de qualidade. Sempre achei que o PS entregue a um tipo como o Sócrates só podia dar asneira.

Nos últimos tempos, a sua voz é das mais críticas no PS, e o desdém com que fala dele faz-me perguntar se a questão tem uma raiz emocional.
Faço uma explicação: gosto muito de Portugal – se tiver uma paixão é Portugal – e não gosto de ninguém que dê cabo dele. O Sócrates está no topo da pirâmide dos que dão cabo disto. Entre o mal que faz e o bem que faz, com o Sócrates, a relação é desastrada. O Soares também fez muito mal ao País, mas também fez muito bem; se calhar até fez mais bem do que mal.

A maneira como se envolve e se empenha cada vez que fala de Sócrates, faz perceber que há ali uma motivação que é epidérmica, que não é uma coisa só racional.
Não. Há caras de que gostamos mais e outras menos, mas não me pesa assim tanto. Além do facto de que estou convencido de que ele não é sério, também noutros campos. Conheci a vida privada do Sócrates, ele casou com uma moça de Leiria, de quem conheço a família. Sou amigo do pai dela, que foi o meu arquitecto para a casa de São Pedro de Moel. Esta pequena decoração que vê aqui [em casa] foi feita pela cunhada do Sócrates. Às vezes compro umas pinturas que a mãe delas faz. Nunca fui próximo da família, mas tenho boas relações. Não mereciam o Sócrates. Portanto, sei quem é o Sócrates num ambiente familiar. Sei que é um indivíduo que teve uma infância complicada, que é inseguro por força disso, que cobre a sua insegurança com a arrogância e com aquelas crispações. Mas um País não pode sofrer de coisas dessas.

Permite-se dizer todas as coisas que diz acerca de Sócrates porque tem esta idade e porque tem o dinheiro que tem?
Não tenho muito dinheiro.

Há essa ideia, sobretudo depois de ter vendido a sua participação na Iberomoldes.
Quase dei. Não queria morrer empresário. Tenho para ir vivendo, não tenho assim tanto dinheiro. Também não posso ser tão inocente… O problema é que também estava convencido de que a indústria portuguesa vai toda para o galheiro. Com os erros que estamos todos a cometer, só por milagre é que algum sector vai sobreviver. Se estou convencido disso o melhor é não fazer parte do problema, especialmente nesta fase da minha vida. Tenho a minha independência económica.

Não depende.
Sempre fui assim. Escrevi uma carta ao Guterres, que foi publicada, em que lhe disse coisas que digo do Sócrates.

Foi deputado na governação de Guterres.
Era deputado quando escrevi a carta, era da comissão política do Partido Socialista. Foi na fase de Pina Moura e daqueles descalabros todos. Na comissão política, estão publicadas algumas dessas coisas, [sobre] os negócios do Jorge Coelho e do Pina Moura. Depois de ter falado disso tudo em duas ou três reuniões e não ter acontecido nada, escrevi uma carta e mandei ao Guterres. Ele distribuiu a carta. No outro dia veio nos jornais. Era uma carta duríssima. Os problemas eram os mesmos, estávamos a caminhar mal, estávamos a enganar os portugueses, a dizer que a economia estava na maior, quando não era verdade. Na altura já falava com o Medina Carreira e ele já falava comigo.

Está a dizer-me que sempre se permitiu dizer tudo.
Sim. E tinha a empresa. Quando o Pina Moura foi ministro das Finanças, uma senhora das Finanças instalou-se lá na empresa. Nunca contei isto. Encontrava-a no elevador, nunca falei com ela, “bom dia sra. Dra”. Mas os meus homens contavam-me. Andou à procura, à procura, à procura como uma doida. Esteve lá alguns dois anos. As coisas não são impunes, a gente paga-as neste mundo. Disse o que quis do Pina Moura, da maioria desses gajos; era natural que se defendessem. Os seus colegas jornalistas muitas vezes foram ao Pina Moura com o que eu disse; e ele: “Não comento”. O Guterres também não comentava, e o Sócrates também não comenta. Aliás, quando faço uma intervenção ao pé dele fica histérico, não me pergunte porquê.

Porque é que não quis acabar empresário?
Porque ser empresário hoje é ser herói. Já não tenho idade para ser herói. A economia portuguesa não está assim por acaso.

É o seu projecto de vida. Porque é que não quis continuar a trabalhar nisso que foi a sua vida?
O meu pai mudou de vida várias vezes. Por exemplo, emigrou para trabalhar na Alemanha com quase 70 anos e não foi por estar com fome. Devo ter alguma coisa da irrequietude do meu pai. Por outro lado, trabalhei e descontei para a Segurança Social durante 59 anos, sinto que cumpri a minha obrigação com o País. Fiz coisas interessantes, o grupo Iberomoldes é um grupo empresarial muito estimulante e inovador; mas tudo na vida tem um princípio e deve ter um fim. Éramos dois sócios com 50% cada – o que nem sempre é fácil – e na fase final da sociedade fui confrontado com alguns problemas inesperados que me desagradaram e de que só tomei conhecimento demasiado tarde. Tudo junto, e porventura o facto de já não ser novo, fez-me decidir pela reforma.

Sente-se velho? Tem 74 anos.
Sim. Velho é relativo. Para fazer a vida que quero, não. Para estar lá das oito da manhã à meia-noite, e ter os problemas que uma empresa tem, os clientes…

[a gravação é retomada daí a minutos]

… Tinha na empresa um senhor que o meu sócio quis mandar embora logo no princípio, o que nunca deixei. Um bocado verrinoso, mas com uma visão crítica. Era daquelas pessoas que têm prazer em encontrar coisas mal feitas. Uma pessoa utilíssima numa organização.

É assim em relação a Portugal e ao socratismo? Tem essa veia verrinosa, gosta de apontar o que está mal feito?
Não tinha essa veia verrinosa, mas acho-a útil. Adoro a crítica. O Dr. Vareda ensinava-nos nos livros lá da biblioteca que tínhamos de ser críticos de nós próprios, dos outros, da sociedade, mas com inteligência. E ver os pontos fracos.
Estudei um pouco da história portuguesa, nomeadamente dos Descobrimentos; fizemos erros absurdos. Um dos erros é deixarmo-nos enganar, ou pelos interesses, ou pela burrice. O poder, os interesses e a burrice é explosivo. Descambámos no Sócrates, que tem exactamente estas três qualidades, ou defeitos: autoridade, poder, ignorância. E fala mentira. Somos um País que devia usar a inteligência e o debate para resolver os problemas, e temos dirigentes que utilizam a mentira e evitam o debate.

Apesar da discordância, continua ligado ao PS.
A última comissão política do PS foi feita no dia em que o Sócrates anunciou estas medidas todas. Convocou a comissão política depois de sair da conferência de imprensa, para o mesmo dia, à última da hora, para ninguém ir preparado – primeira questão. Segunda questão, organizou o grupo dos seus fiéis para fazer intervenções umas a seguir às outras, a apoiar, para que não houvesse vozes discordantes. A ideia dele era que o Partido Socialista apoiasse as medidas. Fez medidas tramadas, toda a gente sabe. O mínimo era que o partido as apoiasse. Mas não falou antes. Depois o Almeida Santos fez aquilo que faz sempre: uma pessoa pode inscrever-se primeiro, mas o Almeida Santos só dá a palavra a quem acha. Os que acha que vão dizer o que não quer que digam, só vêm no fim. E no fim: “Isto está tarde, está na hora de jantar”. Isto é uma máfia que ganhou experiência na maçonaria.
O Arq. Fava é maçónico, o Sócrates entrou por essa via, e os outros todos. Até o Procurador-Geral da República. Utiliza-se depois as técnicas da maçonaria – não é a maçonaria – para controlar a sua verdade.
Os sucessivos governos, este em particular, pintam uma imagem cor-de-rosa da economia portuguesa. Isto é enganar as pessoas sistematicamente. Depois aparecem críticos como o Medina Carreira ou eu a chamar a atenção para a realidade do País – chamam-nos miserabilistas! E quando podem exercem pressão nos lugares onde estão esses críticos e se puderem impedir a sua promoção ou acesso aos meios de informação, não hesitam.
Isto era o que se passava antes do 25 de Abril, agora passa-se em liberdade, condicionando as pessoas, e usando o medo que têm de perder o emprego.
José Sócrates, na última Comissão Política do PS, defendeu a necessidade das severas medidas assumidas pelo Governo, mas também disse que era muito difícil cortar na despesa do Estado porque a base de apoio do PS está na Administração Pública. Disse-o lá, e pediu para isso a compreensão dos presentes. Não tenho nada contra José Sócrates. Se ele se limitasse a ser um vendedor de automóveis, ser-me ia indiferente. Mas ele é o primeiro-ministro e está a dar cabo do meu País. Não é o único, mas é o mais importante de todos».

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

CURRICULUM "NOVAS OPORTUNIDADES"


Crido Cenhor

Kero candidatarme pro logar de ceqretária que bi no jurnal.

Eu teclo muinto de preça con um dedo e fasso contas de sumar.

Axo que sou boua ao tlefone em bora seija uma peçoa do pouvo.

Tou a arresponder au luguar de ceqretária que li no jurnal. O meu selário tá aberto há discução pra que poça ber o que me quer paguar e o Cenhor aja queu meresso.

Tenho a nha mãe entrenada no óspital mas póço cumessar imediatamente.

Agradessida em avanso pela sua resposta.

Cinceramente

A abaicho azinada
Catia Vanessa Estrela

PS: Proque o meu currico é muinto piqueno, culei uma fóto minha emssima




RESPOSTA DO EMPREGADOR:


Querida Cátia Vanessa:

Está contratada.

Nós temos corrector ortográfico.

A menina começa já amanhã.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

OS EFEITOS DA CRISE


O mentiroso cortou os abonos de família, os incentivos à natalidade, os subsídios de aleitamento e os duzentos euros por nascimento de cada bébé, a depositar em conta, até à maioridade.

O mentiroso deixou famílias inteiras na penúria, que mal têm para dar de comer às suas crianças.

O aldrabão não quer saber se os bébés portugueses têm condições mínimas de subsistência.

O vigarista é o tal que quer aumentar o IVA das fraldas, para 23%.

Por este andar, qualquer dia as famílias portuguesas terão de algaliar os seus bébés, ou arranjar outra forma mais expedita de não gastar fraldas descartáveis, que pesam muito no orçamento familiar.

Tudo por causa daquele mentiroso compulsivo.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

OS TACHOS COR-DE-ROSA




Empresário: Bom dia Sr. Eng., há quanto tempo ??!!!

Ministro: Olha, olha, está tudo bem?!

Empresário: Eh pá, mais ou menos, tenho o meu filho desempregado. Tu é que eras homem para me desenrascar o miúdo.

Ministro: E que habilitações tem ele?!

Empresário: Tem o 12.º completo.

Ministro: O que sabe ele, fazer?!

Empresário: Nada. Sabe ir para a Discoteca e deitar-se às tantas da manhã!

Ministro: Posso arranjar-lhe um lugar como Assessor. Fica a ganhar cerca de 4000 euros, agrada-te?!

Empresário: Isso é muito dinheiro. Com a cabeça que ele tem, era uma desgraça. Não arranjas algo com um ordenado mais baixo?!

Ministro: Sim, um lugar de Secretário. Já se ganha 3000 euros!...

Empresário: Ainda é muito dinheiro. Não tens nada à volta dos 600/700 ???

Ministro: Eh pá, isso não. Para esse ordenado tem de ser Licenciado, falar Inglês , dominar Informática e tem de ir a concurso!!!...

domingo, 21 de novembro de 2010

O "GRILO FALANTE"



Ele representa a "consciência" que falta ao Partido Socialista.

Socialista e Católico, conhece bem as dificuldades que o povo atravessa, com os sacrifícios impostos por um governo que se tem governado bem.

Seria muito bom que Sócrates tivesse um lampejo de dignidade e se demitisse, levando com ele a corja de incompetentes que fizeram de Portugal o penico da Europa.

Com António José Seguro tenho a certeza de que o PS recuperaria o seu filtro ético e a sua honorabilidade.

Portugal ficaria melhor "servido".

sábado, 20 de novembro de 2010

ESTE (DES)GOVERNO NO SEU MELHOR



Ministro e Secretário de Estado optaram pela mesma "cartilha".

Com uma diferença de poucas horas, ambos leram o mesmo discurso, no mesmo Congresso.

Depois vieram as velhas desculpas da troca de ficheiros.

Este acontecimento é uma pequena amostragem da qualidade de governantes que temos.

Não são eles que fazem os textos e limitam-se a ler tudo o que lhes põem à frente.

Duas vozes para um mesmo tema.

Ou será que a contenção também abrange as palavras e as ideias?

SAUDADE



A Saudade é um sentimento que não controlamos.

Ela assalta-nos de mansinho e não nos dá tréguas.

Todos nós já sentimos saudades.

Deixo aqui uma beijoka para os "meninos" e "meninas" de uma Escola do Porto, hoje adultos responsáveis, que me têm enviado mensagens de saudade de velhos tempos que já não voltam.

No dia 10 de Dezembro, lá estarei no Vosso jantar, com muito gosto.

Também tenho muitas saudades Vossas.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

PALAVRAS ESCRITAS


Não é segredo para ninguém, que adoro ler.

Desde muito pequenina que adquiri hábitos de leitura, incentivada pelos meus pais e avós que se deleitavam a ouvir-me ler as histórias da Condessa de Ségur e de outros autores para a minha idade.

Comecei a ler aos quatro anos, os rótulos das farinhas Nestlé e de todo o tipo de alimentação para crianças. E aos poucos, juntando as letras, cheguei a leituras mais elaboradas. Quando entrei na escola, aos seis anos, achava uma "seca" aquele livro da primeira classe, que eu já sabia ler de cor e salteado.

Em contrapartida, sofri de "analfabetismo numérico". Sempre detestei números e odiava a matemática.

Curiosamente, fui muito boa aluna a Fisíco-Química, com especial gosto pelas fórmulas e titulações.

Mas voltando aos livros, aproxima-se o Natal e, com ele, aquela história das arrumações anuais. Tenho um compartimento só para livros, onde devo ter cerca de dois mil, de vários géneros e autores. Fui juntando, juntando, e agora poderia montar uma livraria, se quisesse.

Tenho pena que os livros técnicos ultimamente me "roubem" o precioso tempo que gostaria de poder dedicar à leitura dos meus autores preferidos.

Adoro ler na cama. Antes de me deitar, vou buscar um tabuleiro com chocolate quente e natas e os biscoitos que a D.ª Mimi me manda de Trás-os-Montes, feitos por ela, que como com compota de amoras silvestres.

E assim passo até de madrugada, quando olho para o relógio e vejo que são mais do que horas de adormecer.

Entre esses livros, descobri o "Topázio" de Leon Uris, uma saga de espionagem, que inspirou o filme do mesmo nome, realizado por Alfred HitchcocK, em 1969 e lembrei-me de ti.

Lembrei-me de como gostavas de ler, chegando ao ponto de comentares os livros, sublinhando e anotando as tuas ideias e as tuas opiniões pessoais.

O teu "Topázio" estava, todo ele, "glosado" de frases flamejantes que incendiavam a nossa juventude.

Eras um intelectual promissor e eu respeitava-te por essa tua qualidade.

Na altura, quando tive de partir, pensei que irias prosseguir os teus estudos e que irias evoluir como pessoa.

Mas enganei-me.

Em vez disso, ficaste-te pelos dogmas, estagnaste no tempo e tornaste-te um "bronco".

Tenho pena.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

O "CABRÃO" AO QUADRADO



Ando há alguns dias a actualizar e a gravar os telemóveis de todos os meus contactos e a passá-los para o telemóvel que uso mais vezes.

Muitos deles porque já não têm os mesmos números, outros porque se mudaram definitivamente para o estrangeiro e já não têm telemóvel português, outros porque morreram de morte verdadeira e alguns, poucos, porque morreram daquela morte causada pela indiferença e pelo desprezo.

São os tais "personas non grata" que por preguiça vamos mantendo gravados, à espera de tempo livre e de uma oportunidade para os "sanear" de vez.

Um deles tinha dois números de telefone e estava gravado na memória do telemóvel, com o "nick name" de "CabrãoI" e "CabrãoII".

Fiquei surpreendida comigo própria, pelo vernáculo utilizado, que não é muito próprio da minha maneira de ser e de estar na vida.

Antes de o eliminar de vez, não pude deixar de pensar: "Foste mesmo um grande Cabrão!".

OS LAMBE CÚS


Este "post" é dedicado aos graxistas, essa espécie de gente que todos os dias se atravessa no meu caminho e consegue dar-me vómitos e revirar-me as entranhas.

Esses fantoches amestrados que, quando querem agradar a alguém, sobretudo aos chefes, ou neste caso, às chefes, arranjam "carinhosos" diminuitivos, para "dar lustro ao cágado".

É vê-los a babar-se e a desdobrar-se em vénias e salamaleques com "Dr.ª Lurdinhas" para aqui, "Dr.ª Fátinha" para ali, "Dr.ª Guidinha" para acolá, "Dr.ª Sãozinha" para acoli.

Graças a Deus que o meu nome não se presta a ser comprimido em "inha" ou "inhas", porque assim eles nunca irão ter a ousadia de me meter no mesmo saco de "inhas".

O graxista é um ente bipolar.

Pela frente "acarinha" e, por trás (salvo seja), rata na casaca de todas as "inhas" e de alguns "inhos" também, a quem oferece presentes.

Eu estou vacinada contra eles.

Agora que se aproxima o SIADAP, dá-me um certo gozo observá-los, numa roda viva, a borboletar, desesperados, porque eu nunca deixei que alguém me transformasse em "inha".

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

"DIZ O ROTO AO NÚ..."



Ramos Horta, Presidente da República de Timor Lorosae, surpreendeu tudo e todos, quando anunciou recentemente que o seu país estaria disposto a ajudar Portugal, comprando parte da dívida pública.

Voltando atrás no tempo, eu sou daquelas pessoas que hoje se sente defraudada pelo rumo que as coisas estão a tomar, em Timor-Leste, com Ramos-Horta.

Estive presente em Madrid, quando da grande manifestação em frente da Embaixada da Indonésia, no dia 12 de Setembro de 1999, contra o massacre de Santa Cruz em 1991, a favor da autonomia do povo Maubere e da independência de Timor. Integrei também o cordão humano que se formou em Lisboa, pela mesma causa, ao lado do Bispo D. Carlos Ximenes Belo.

No dia 20 de Maio de 2002, Timor viria a tornar-se independente e entraria para a História, como o país do sol nascente, o mais jovem e pobre país do Mundo, com 41% da população abaixo do limiar da pobreza absoluta.

Desde ai, nada tem sido feito para alterar esse estado de coisas. As declarações de Ramos Horta no sentido de querer ajudar Portugal, comprando a dívida pública, são caricatas, tanto mais que, pasme-se, tem cidadãos seus eleitores a passar fome e crianças comprovadamente subnutridas e doentes.

Apesar disso, teve o desplante de afirmar que é sua intenção que o país que representa, "auxilie" Portugal, quando ele próprio anda sistematicamente a mendigar auxílios de toda a natureza, na comunidade internacional, auxílios esses que não têm revertido a favor do povo timorense, uma vez que se tem constatado que há cada vez maior miséria em Timor e descarado enriquecimento ilícito por parte de membros do governo e seus próximos.

Não menos caricatas foram as suas últimas declarações, no Fórum Macau, sobre o recente Nobel da Paz, o cidadão chinês Liu Xiao Bo, dissidente preso na China, que Ramos Horta diz "desconhecer" e que, portanto, desconhecendo, não faria qualquer sentido comentar.

Foi feio, muito feio.

Boa "rolha" me saíu, este Ramos Horta!

domingo, 14 de novembro de 2010

FACEBOOK



Este "post" é dedicado a todos aqueles e aquelas que ultimamente me têm entupido as caixas de correio electrónico, com convites de amizade, para aderir ao Facebook.

Não sou fã do Facebook nem de qualquer outra rede social, pelo que solicito a todos os que me têm enviado convites, que evitem fazê-lo, porque tenho uma trabalheira enorme para "limpar" as caixas de correio.

Não acho piada nenhuma ao Facebook, nem ao Twitter, nem a qualquer outro modo de desperdício de tempo e de exposição da vida pessoal ou profissional, numa rede social virtual.

Todos aqueles que considero meus amigos, poderão sempre telefonar-me ou visitar-me, quando quiserem, para trocar ideias, conversar, almoçar, jantar, saltar, correr, fazer o pino, porque não sou, nem nunca fui, apologista de amizades virtuais, que se traduzem apenas numa série de fotos narcisistas e de conversas da treta. Gosto de olhar nos olhos das pessoas, quando comunico com elas.

O aviso é extensivo àqueles Senhores meus alunos que, desde há alguns dias, se têm queixado de não ter tempo para estudar.

sábado, 13 de novembro de 2010

O COVEIRO



Luís Amado confirmou.

Este governo já está morto há muito tempo e fede que tresanda.

Agora caberá a Sócrates fazer-lhe um enterro digno, demitindo-se e dando uma oportunidade ao País e aos portugueses, de se reerguerem das cinzas, perante o Mundo, recuperando a credibilidade perdida.

O SENHOR DO ADEUS



Passa da meia-noite.

Cheguei há momentos a Lisboa, para passar o fim de semana, e senti a sua falta.

Dizem que era filho de gente abastada e que teve uma vida muito boa, que no final se tornou difícil e solitária, após o falecimento da mãe com quem vivia.

Mesmo assim, soube encontrar uma forma, que alguns classificaram de louca, de se sentir acompanhado e de fazer os outros felizes, apesar de ser dono de fortuna pessoal.

Tudo começou quando um dia acenou a alguém que lhe retribuiu a saudação, acenando e buzinando.

Gostava de comunicar através do aceno, esse gesto tão simples, que a maior parte de nós já não inclui nas boas práticas de socialização e humanização em comunidade.

Era a sua forma humana de dizer que o Mundo pode ser melhor se não ignorarmos o "outro".

O seu gesto, naquela esquina do Saldanha, ficará na memória de todos quantos lhe acenaram.

Muitas vezes à chuva e ao frio, João Manuel Serra andou pela cidade de Lisboa a acenar às pessoas, num gesto simples e desinteressado, pois acreditava que fazia as pessoas felizes.

Pela sua serena forma de estar, ele tornou-se uma referência da cidade e ficará para sempre na memória de todos quantos lhe retribuiram o aceno.

Estou triste. Olho para a esquina e imagino-o com os seus óculos de massa, os seus cabelos brancos e o seu sorriso aberto, a fazer um adeus só para mim. O seu último adeus.

Como lamento nunca ter parado o carro e falado com ele, para lhe dizer que o seu gesto me fazia sentir importante.

Podemos conhecer uma pessoa pelo efeito da sua ausência, pela forma do vazio que deixa atrás de si.

E este vazio que agora sinto, tem a forma de um sorriso contido num aceno.

Até sempre, João Serra.

sábado, 6 de novembro de 2010

A VERDADE, NUA E CRUA



O conhecido jornalista Timothy Bancroft-Hinchey, Director e Chefe de Redacção do Jornal on-line russo, Pravda.ru, escreveu naquele jornal, no dia 2 de Outubro passado, um artigo de opinião sobre Portugal, que passo a transcrever, "data venia", já traduzido para português:

"Foram tomadas medidas draconianas esta semana em Portugal, pelo Governo liberal de José Sócrates. Mais um caso de um outro governo de centro-direita pedindo ao povo Português para fazer sacrifícios, um apelo repetido vezes sem fim a esta nação trabalhadora, sofredora, historicamente deslizando cada vez mais no atoleiro da miséria.

E não é por eles serem portugueses. Vá o leitor ao Luxemburgo, que lidera todos os indicadores socio-económicos, e vai descobrir que doze por cento da população é portuguesa, oriunda de um povo que construiu um império que se estendia por quatro continentes e que controlava o litoral desde Ceuta, na costa atlântica, tornando à costa africana até ao Cabo da Boa Esperança, a costa oriental da África, no Oceano Índico, o Mar Arábico, o Golfo Pérsico, a costa ocidental da Índia e Sri Lanka. E foi o primeiro povo europeu a chegar ao Japão....e à Austrália.

Esta semana, o Primeiro Ministro José Sócrates lançou uma nova onda dos seus pacotes de austeridade, corte de salários e aumento do IVA, mais medidas cosméticas tomadas num clima de política de laboratório por académicos arrogantes e altivos desprovidos de qualquer contacto com o mundo real, um esteio na classe política elitista Portuguesa no Partido Social Democrata (PSD) e Partido Socialista (PS), gangorras de má gestão política que têm assolado o país desde os anos 80.

O objectivo? Para reduzir o défice. Porquê? Porque a União Europeia assim o diz. Mas é só a UE? Não, não é.

O maravilhoso sistema em que a União Europeia se deixou sugar, é aquele em que as agências de Ratings, Fitch, Moody's e Standard and Poor's, baseadas nos Estados Unidos da América (onde havia de ser?) virtual e fisicamente, controlam as políticas fiscais, económicas e sociais dos Estados-Membros da União Europeia através da atribuição das notações de crédito.

Com amigos como estes organismos e ainda Bruxelas, quem precisa de inimigos?

Sejamos honestos. A União Europeia é o resultado de um pacto forjado por uma França tremente e apavorada com a Alemanha depois de as suas tropas invadirem o seu território três vezes em setenta anos, tomando Paris com facilidade, não só uma vez mas duas vezes, e por uma astuta Alemanha ansiosa para se reinventar após os anos de pesadelo de Hitler.

A França tem a agricultura, a Alemanha ficou com os mercados para a sua indústria.

E Portugal?

Olhem para as marcas de automóveis novos conduzidos pelos motoristas particulares para transportar exércitos de "assessores" (estes parecem ser imunes a cortes de gastos) e adivinhem de que país eles vêm?

Não, eles não são Peugeot e Citroen ou Renault. Eles são os Mercedes e BMWs. Topo-de-gama, é claro.

Os sucessivos governos formados pelos dois principais partidos, PSD (Partido Social Democrata da direita) e PS (Socialista, do centro), têm sistematicamente jogado os interesses de Portugal e dos portugueses pelo esgoto abaixo, destruindo a sua agricultura (agricultores portugueses são pagos para não produzir!!) e a sua indústria (desapareceu!!) e sua pesca (arrastões espanhóis em águas lusas!!), a troco de quê? O que é que as contra-partidas renderam, a não ser a aniquilação total de qualquer possibilidade de criar emprego e riqueza numa base sustentável?

Aníbal Cavaco Silva, agora Presidente, mas primeiro-ministro durante uma década, entre 1985 e 1995, anos em que despejaram biliões de euros através das suas mãos, a partir dos fundos estruturais e do desenvolvimento da UE, é um excelente exemplo de um dos melhores políticos de Portugal. Eleito fundamentalmente porque é considerado "sério" e "honesto" (em terra de cegos, quem tem olho é rei), como se isso fosse um motivo para eleger um líder (que só em Portugal, é!!) e como se a maioria dos restantes políticos (PSD/PS) fossem um bando de sanguessugas e parasitas inúteis (que são), ele é o pai do défice público em Portugal e o campeão de gastos públicos.

A sua "política de betão" foi bem idealizada mas, como sempre, mal planeada, o resultado de uma inapta, descoordenada e, às vezes inexistente no modelo governativo do departamento do Ordenamento do Território, vergado, como habitualmente, a interesses investidos que sugam o país e seu povo.

Uma grande parte dos fundos da UE foram canalizadas para a construção de pontes e auto-estradas para abrir o país a Lisboa, facilitando o transporte interno e fomentando a construção de parques industriais nas cidades do interior para atrair a grande parte da população que assentava no litoral.

O resultado concreto, foi que as pessoas agora tinham os meios para fugirem do interior e chegar ao litoral ainda mais rápido. Os parques industriais nunca ficaram repletos e as indústrias que foram criadas, em muitos casos já fecharam. Uma grande percentagem do dinheiro dos contribuintes da UE vaporizou-se em empresas e esquemas fantasmas. Foram comprados Ferraris. Foram encomendados Lamborghini, Maserati. Foram organizadas caçadas de javalí em Espanha. Foram remodeladas casas particulares.

O Governo e Aníbal Silva ficaram a observar, no seu primeiro mandato, enquanto o dinheiro foi desperdiçado. No seu segundo mandato, Aníbal Silva ficou a observar os membros do seu governo a perderem o controle e a participarem. Então, ele tentou desesperadamente distanciar-se do seu próprio partido político.

E ele é um dos melhores? Depois de Aníbal Silva veio o bem-intencionado e humanista, António Guterres (PS), um excelente Alto Comissário para os Refugiados e um candidato perfeito para Secretário-Geral da ONU, mas um buraco negro em termos de (má) gestão financeira. Ele foi seguido pelo excelente diplomata, mas abominável primeiro-ministro José Barroso (PSD) (agora Presidente da Comissão da UE, "Eu vou ser primeiro-ministro, só que não sei quando") que criou mais problemas com o seu discurso do que com os que resolveu, passou a batata quente para Pedro Lopes (PSD), que não tinha qualquer hipótese ou capacidade para governar e não viu a armadilha.

Resultando em dois mandatos de José Sócrates, um ex-Ministro do Ambiente competente, que até formou um bom governo de maioria e tentou corajosamente corrigir erros anteriores. Mas foi rapidamente asfixiado pelos interesses instalados.

Agora, as medidas de austeridade apresentadas por este primeiro-ministro, são o resultado da sua própria inépcia para enfrentar esses interesses, no período que antecedeu a última crise mundial do capitalismo (aquela em que os líderes financeiros do mundo foram buscar três triliões de dólares (???) de um dia para o outro para salvar uma mão cheia de banqueiros irresponsáveis, enquanto nada foi produzido para pagar pensões dignas, programas de saúde ou projetos de educação).

E, assim como seus antecessores, José Sócrates, agora com minoria, demonstra falta de inteligência emocional, permitindo que os seus ministros pratiquem e implementem políticas de laboratório, que obviamente serão contra-producentes.

O Pravda.Ru entrevistou 100 funcionários, cujos salários vão ser reduzidos. Aqui estão os resultados:Eles vão cortar o meu salário em 5%, por isso vou trabalhar menos (94%).Eles vão cortar o meu salário em 5%, por isso vou fazer o meu melhor para me aposentar cedo, mudar de emprego ou abandonar o país (5%). Concordo com o sacrifício (1%)Um por cento! Quanto ao aumento dos impostos, a reação imediata será que a economia encolhe ainda mais enquanto as pessoas começam a fazer reduções simbólicas, que multiplicado pela população de Portugal, 10 milhões, afectará a criação de postos de trabalho, implicando a obrigatoriedade do Estado a intervir e evidentemente enviará a economia para uma segunda (e no caso de Portugal, contínua) recessão.

Não é preciso ser cientista de física quântica para perceber isso. O idiota e avançado mental que sonhou com esses esquemas, tem os resultados num pedaço de papel, onde eles vão ficar!!

É verdade, as medidas são um sinal claro para as agências de rating, de que o Governo de Portugal está disposto a tomar medidas fortes, mas à custa, como sempre, do povo português.

Quanto ao futuro, as sondagens de opinião providenciam uma previsão de um retorno do Governo de Portugal ao PSD, enquanto os partidos de esquerda (Bloco de Esquerda e Partido Comunista Português) não conseguem convencer o eleitorado com as suas ideias e propostas.

Só em Portugal, a classe elitista dos políticos PSD/PS seria capaz de punir o povo por se atrever a ser independente. Essa classe, enviou os interesses de Portugal para o ralo, pediu sacrifícios ao longo de décadas, não produziu nada e continuou a massacrar o povo com mais castigos. Esses traidores estão a levar cada vez mais portugueses a questionarem se não deveriam ter sido assimilados há séculos pela Espanha.

Que convidativo, o ditado português "Quem não está bem, que se mude". Certo, bem longe de Portugal, como todos os que podem estão a fazer. Bons estudantes a jorrarem pelas fronteiras fora. Que comentário lamentável para um país maravilhoso, um povo fantástico e uma classe política abominável.

Timothy Bancroft-Hinchey

Source: Pravda.Ru"