domingo, 3 de Janeiro de 2010

O FINAL DE UM CICLO


É preciso saber quando uma etapa da nossa vida chega ao final, porque se insistirmos em permanecer nela, mais do que o tempo razoável e necessário, perderemos todas as oportunidades e o sentido da vida.

Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos, não importa o nome que damos, o importante é deixarmos no passado, todos aqueles momentos que se esgotaram e que já não nos servem mais.

A vida sempre foi um jogo que se pode ganhar ou perder, dependendo das cartas com que jogamos.

Neste tempo de crise que nos tem afectado a todos, de diferentes maneiras, há os que vêem o seu ciclo mudar bruscamente, ou porque perderam o emprego, ou tiveram de emigrar, ou porque perderam um amor ou uma amizade que, apesar de longamente cultivada, desapareceu ou morreu sem deixar rasto.

Essas pessoas vítimas das circunstâncias, poderão passar muito tempo a tentar compreender e a perguntar o motivo por que tal aconteceu às suas vidas.

Poderão até dizer para si mesmo que não darão mais um passo enquanto não entenderem as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas para si, serem subitamente transformadas em nada.

Mas tal atitude será um desgaste imenso e levará à estagnação ou a um estado tanatológico e depressivo, que lhes trará grande sofrimento, porque todos à sua volta, neste princípio de ano, estarão ocupados a encerrar capítulos, virando a página e seguindo em frente.

Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos compreender todas as coisas que vão acontecendo connosco.

Tudo o que passou não voltará jamais. Não podemos ser eternamente crianças ou adolescentes tardios, nem tão pouco amantes compulsivos, revivendo dias e noites de relações sem futuro. As coisas passam, e o melhor que temos a fazer é “abrir a porta” e deixar que elas realmente se diluam no vento.

Por isso é tão importante , por muito doloroso que seja, quebrar ciclos, destruindo recordações, mudando de casa, hábitos, reformulando pensamentos e acções.

Tudo o que nos rodeia neste mundo, é uma manifestação daquele outro mundo invisível que é o nosso coração e desfazermo-nos de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras possam ocupar o seu lugar.

O meu lema sempre foi: deixar ir embora, soltar. Não somos donos de nada nem de ninguém.

Nunca esperei que me retribuissem nada ou que reconhecessem o meu esforço, a minha capacidade intelectual, o meu mérito, nem que entendessem o meu amor.

Há muitos anos atrás, desliguei a minha televisão emocional e parei de ver sempre o mesmo filme , porque isso apenas me envenenava e nada mais.

Constatei sempre que não há nada mais perigoso que adiar tudo sistematicamente em nome do “momento ideal”. Antes de começarmos um novo capítulo, é preciso encerrarmos o antigo, dizermos para os nossos botões que o que passou, jamais voltará e que nada é insubstituível. Um hábito não será forçosamente uma necessidade.

Pode parecer óbvio, pode ser difícil, mas é muito importante o conselho que deixo aqui: nunca tenham medo de encerrar ciclos.

Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas apenas porque devemos acabar com tudo aquilo que já não se encaixa na nossa vida.

Fechemos a porta, mudemos o disco, limpemos a casa, sacudamos a poeira, para bem de nós próprios.

O "baile" terminou.

Passei aqui momentos muito gratificantes da minha vida.

Um dia talvez volte aqui, com outro tema e um outro formato.

Quem sabe...

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