segunda-feira, 15 de novembro de 2010

"DIZ O ROTO AO NÚ..."



Ramos Horta, Presidente da República de Timor Lorosae, surpreendeu tudo e todos, quando anunciou recentemente que o seu país estaria disposto a ajudar Portugal, comprando parte da dívida pública.

Voltando atrás no tempo, eu sou daquelas pessoas que hoje se sente defraudada pelo rumo que as coisas estão a tomar, em Timor-Leste, com Ramos-Horta.

Estive presente em Madrid, quando da grande manifestação em frente da Embaixada da Indonésia, no dia 12 de Setembro de 1999, contra o massacre de Santa Cruz em 1991, a favor da autonomia do povo Maubere e da independência de Timor. Integrei também o cordão humano que se formou em Lisboa, pela mesma causa, ao lado do Bispo D. Carlos Ximenes Belo.

No dia 20 de Maio de 2002, Timor viria a tornar-se independente e entraria para a História, como o país do sol nascente, o mais jovem e pobre país do Mundo, com 41% da população abaixo do limiar da pobreza absoluta.

Desde ai, nada tem sido feito para alterar esse estado de coisas. As declarações de Ramos Horta no sentido de querer ajudar Portugal, comprando a dívida pública, são caricatas, tanto mais que, pasme-se, tem cidadãos seus eleitores a passar fome e crianças comprovadamente subnutridas e doentes.

Apesar disso, teve o desplante de afirmar que é sua intenção que o país que representa, "auxilie" Portugal, quando ele próprio anda sistematicamente a mendigar auxílios de toda a natureza, na comunidade internacional, auxílios esses que não têm revertido a favor do povo timorense, uma vez que se tem constatado que há cada vez maior miséria em Timor e descarado enriquecimento ilícito por parte de membros do governo e seus próximos.

Não menos caricatas foram as suas últimas declarações, no Fórum Macau, sobre o recente Nobel da Paz, o cidadão chinês Liu Xiao Bo, dissidente preso na China, que Ramos Horta diz "desconhecer" e que, portanto, desconhecendo, não faria qualquer sentido comentar.

Foi feio, muito feio.

Boa "rolha" me saíu, este Ramos Horta!

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