quinta-feira, 18 de novembro de 2010

PALAVRAS ESCRITAS


Não é segredo para ninguém, que adoro ler.

Desde muito pequenina que adquiri hábitos de leitura, incentivada pelos meus pais e avós que se deleitavam a ouvir-me ler as histórias da Condessa de Ségur e de outros autores para a minha idade.

Comecei a ler aos quatro anos, os rótulos das farinhas Nestlé e de todo o tipo de alimentação para crianças. E aos poucos, juntando as letras, cheguei a leituras mais elaboradas. Quando entrei na escola, aos seis anos, achava uma "seca" aquele livro da primeira classe, que eu já sabia ler de cor e salteado.

Em contrapartida, sofri de "analfabetismo numérico". Sempre detestei números e odiava a matemática.

Curiosamente, fui muito boa aluna a Fisíco-Química, com especial gosto pelas fórmulas e titulações.

Mas voltando aos livros, aproxima-se o Natal e, com ele, aquela história das arrumações anuais. Tenho um compartimento só para livros, onde devo ter cerca de dois mil, de vários géneros e autores. Fui juntando, juntando, e agora poderia montar uma livraria, se quisesse.

Tenho pena que os livros técnicos ultimamente me "roubem" o precioso tempo que gostaria de poder dedicar à leitura dos meus autores preferidos.

Adoro ler na cama. Antes de me deitar, vou buscar um tabuleiro com chocolate quente e natas e os biscoitos que a D.ª Mimi me manda de Trás-os-Montes, feitos por ela, que como com compota de amoras silvestres.

E assim passo até de madrugada, quando olho para o relógio e vejo que são mais do que horas de adormecer.

Entre esses livros, descobri o "Topázio" de Leon Uris, uma saga de espionagem, que inspirou o filme do mesmo nome, realizado por Alfred HitchcocK, em 1969 e lembrei-me de ti.

Lembrei-me de como gostavas de ler, chegando ao ponto de comentares os livros, sublinhando e anotando as tuas ideias e as tuas opiniões pessoais.

O teu "Topázio" estava, todo ele, "glosado" de frases flamejantes que incendiavam a nossa juventude.

Eras um intelectual promissor e eu respeitava-te por essa tua qualidade.

Na altura, quando tive de partir, pensei que irias prosseguir os teus estudos e que irias evoluir como pessoa.

Mas enganei-me.

Em vez disso, ficaste-te pelos dogmas, estagnaste no tempo e tornaste-te um "bronco".

Tenho pena.

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