
Todos os finais de ano, tenho por hábito proceder a arrumações e à actualização de todos os meus seguros.
Para esse efeito, passo algumas noites a fazer o inventário dos meus pertences porque, de ano para ano, uma pessoa junta cada vez mais "tralha". E logo eu que tenho a mania dos objectos em prata e dos móveis antigos.
Outro tanto se passa com os objectos em ouro. Durante os últimos anos fui recebendo pequenas lembranças de amigos e de familiares que têm por hábito oferecer-me objectos com corações, que vou encafuando num pequeno guarda-joias, até me lembrar deles.
Hoje lembrei-me. Despejei o conteúdo e fiquei surpreendida. Tantos corações...
Todos eles com a sua história, com a "marca" especial de todas as pessoas que mos ofertaram.
Lembrei-me de um coração de cristal, o único que devolvi, por não significar nada de especial para a pessoa que mo deu. A pessoa que mo ofereceu, fê-lo porque se sentiu compelida a tal, em virtude de as circunstâncias do momento.
O meu pai sempre me disse que uma menina de bem, nunca deveria aceitar de presente, joias de desconhecidos.
Eu sigo à risca o conselho do meu pai.
Há uns anos devolvi o tal coração de cristal, que para mim era como se fosse um diamante dos mais puros.
Porque veio de um desconhecido.
E porque com o coração não se brinca.


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