domingo, 5 de dezembro de 2010

"1906 - ORAE POR NÓS"


Esta noite está um frio de rachar.

É fim de semana e vim passá-lo a uma pequena e sossegada aldeia transmontana onde tenho bons amigos.

A neve cai em flocos, lá fora. O gato "farrusco" simpatizou comigo e veio aninhar-se aos meus pés. De vez em quando, quer subir-me para os joelhos e teclar no meu portátil.

A lareira está acesa, o fogo crepita e eu penso:

Como há pessoas capazes de renegar as suas origens?

Como são capazes de deixar de vir ao local onde nasceram, visitar o cemitério e deixar uma prece aos seus mortos?

Quando chego a um lugarejo ou cidade, um dos locais que visito primeiro, é o cemitério. É de lá que conseguimos extraír a alma de uma população, os seus valores, as suas crenças, pela maneira como cuidam das campas, pela elegância com que distribuem as flores pelas jarras e pelos dizeres que mandam gravar nas lápides.

Hoje passei pelo cemitério da aldeia e levei cinco rosas brancas e uma vermelha, a alguém que já não devia ter flores há muito tempo.

O tempo apagou as memórias e a luz daquela pequena lamparina.

A neve cai lá fora.

Eu estou aqui, ao calor desta lareira crepitante.

Mas estou triste.

Porque morreste.

E já não penso em ti.

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