Esta noite está um frio de rachar.
É fim de semana e vim passá-lo a uma pequena e sossegada aldeia transmontana onde tenho bons amigos.
A neve cai em flocos, lá fora. O gato "farrusco" simpatizou comigo e veio aninhar-se aos meus pés. De vez em quando, quer subir-me para os joelhos e teclar no meu portátil.
A lareira está acesa, o fogo crepita e eu penso:
Como há pessoas capazes de renegar as suas origens?
Como são capazes de deixar de vir ao local onde nasceram, visitar o cemitério e deixar uma prece aos seus mortos?
Quando chego a um lugarejo ou cidade, um dos locais que visito primeiro, é o cemitério. É de lá que conseguimos extraír a alma de uma população, os seus valores, as suas crenças, pela maneira como cuidam das campas, pela elegância com que distribuem as flores pelas jarras e pelos dizeres que mandam gravar nas lápides.
Hoje passei pelo cemitério da aldeia e levei cinco rosas brancas e uma vermelha, a alguém que já não devia ter flores há muito tempo.
O tempo apagou as memórias e a luz daquela pequena lamparina.
A neve cai lá fora.
Eu estou aqui, ao calor desta lareira crepitante.
Mas estou triste.
Porque morreste.
E já não penso em ti.


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