segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

UMA TREMENDA FALTA DE EDUCAÇÃO


Uma das coisas que me tem impressionado imenso, em Portugal, é a tremenda falta de educação e de respeito que algumas pessoas nutrem pelo seu semelhante.

Há situações que tenho observado e que me têm causado uma certa repulsa.

Uma delas é o facto de grande parte das pessoas não respeitar o outro nem o meio ambiente em que se insere.

Vem isto a propósito de ter ido hoje a um supermercado e de se encontrar na fila, alguns lugares atrás de mim, um idoso com canadianas, bastante debilitado, só com um saco de pão na mão, a quem me apressei a dar prioridade, chamando a atenção da moça da caixa, pois a legislação em vigor sobre a matéria, nos estabelecimentos comerciais, é muito clara nesse sentido e esse dito supermercado não tinha, a funcionar, a caixa destinada a essas pessoas. Logo uma "galinha" começou a carcarejar, dizendo que se todos dessem o lugar e deixassem passar à frente, nunca mais iriamos sair dali.

Chocante!

Cá fora, no estacionamento, vêem-se automóveis de pessoas sãs, estacionados nos lugares destinados a deficientes e essa é uma prática recorrente em todos os estacionamentos de Portugal.

Quando viajo, nas filas de embarque no Aeroporto, a prioridade é para os idosos e para as pessoas que viajam com crianças, mas quem geralmente passa à frente são os "iupizinhos" apressados ou passageiros que temem ficar em terra.

Nos autocarros assistem-se a cenas caricatas como a de os lugares destinados a pessoas com mobilidade reduzida, estarem todos ocupados por jovens saudáveis que viram a cara para a janela, quando entra algum idoso, pessoa com criança de colo ou alguém de muletas ou de canadianas.

Na rua vê-se gente a passear os seus cães e que não apanha as fezes deixadas pelos bichos.

Nos cinemas e nos teatros ouvem-se telemóveis a tocar a toda a hora e as pessoas não se coibem de atender, incomodando os restantes espectadores com as suas conversas da treta.

No trânsito é o que se vê. Algumas pessoas transformam-se completamente, e viram autênticas feras, ao volante de um automóvel.

Nas casas de banho públicas, deita-se o papel das mãos para dentro das sanitas e o autoclismo não é descarregado.

Nas praias, durante o Verão, espalham-se os ossos da galinha que serviu de farnel e as garrafas de cerveja vazias, pelo areal.

Mas o que considero pior, é quando chego a um local e digo "Bom dia", "Boa tarde" ou "Boa noite" e não obtenho qualquer resposta.

Ficam a olhar para mim, com um ar bovino, certamente a pensar que devo ser o ET.

E assim vai Portugal.

domingo, 30 de janeiro de 2011

"PRESENÇA AFRICANA"


"E apesar de tudo,
Ainda sou a mesma!
Livre e esguia,
filha eterna de quanta rebeldia
me sagrou.
Mãe-África!

Mãe forte da floresta e do deserto,
ainda sou,
a Irmã-Mulher
de tudo o que em ti vibra
puro e incerto...

A dos coqueiros,
de cabeleiras verdes
e corpos arrojados
sobre o azul...
A do dendém
Nascendo dos braços das palmeiras...

A do sol bom, mordendo
o chão das Ingombotas...
A das acácias rubras,
Salpicando de sangue as avenidas,
longas e floridas...

Sim!, ainda sou a mesma.
A do amor transbordando
pelos carregadores do cais
suados e confusos,
pelos bairros imundos e dormentes
(Rua 11!... Rua 11!...)
pelos meninos

de barriga inchada e olhos fundos...

Sem dores nem alegrias,
de tronco nu
e corpo musculoso,
a raça escreve a prumo,
a força destes dias...

E eu revendo ainda, e sempre, nela,
aquela
Longa história inconsequente...

Minha terra...
Minha, eternamente...

Terra das acácias, dos dongos,
dos cólios baloiçando, mansamente...
Terra!
Ainda sou a mesma.

Ainda sou a que num canto novo
pura e livre,
me levanto,
ao aceno do teu povo!"


In Alda Lara - Benguela,1953 (de Poemas,1966)

sábado, 29 de janeiro de 2011

PALAVRAS ESCRITAS


Desde que retomei o blog, ultimamente tenho feito um grande esforço para poder cumprir a promessa que fiz a alguém, de vir aqui "postar" pelo menos um texto por semana.

Tenho andado a braços com relatórios e mais relatórios, planos e mais planos de acção, compromissos inadiáveis e outros afins, que me têm roubado aquela possibilidade que normalmente toda a gente tem, de parar um instante e deitar-se de "papo para o ar", a preguiçar um pouco.

Acho que nunca soube o que foi "preguiçar" porque, mesmo preguiçando, não consigo deixar de trabalhar.

Falo pouco. Sempre me exprimi melhor através da escrita e é através da escrita que consigo comunicar melhor. Podia pegar no telefone e dizer o que tenho a dizer a toda a gente. Mas não. Eu escrevo, o que joga simultaneamente a meu favor e contra mim, porque jamais alguém poderá negar aquilo que eu "digo".

Um dia, há muito tempo, alguém me pediu: "escreve-me". Esse alguém era e é uma pessoa só, confusa, mergulhada em oposições e tormentos imaginários, que eu nunca entendi muito bem. Acho que se perdeu e nunca mais se encontrou. Agora já é tarde demais para fazer por isso.

Vem isto a propósito de nada. Sou daquelas pessoas que abomina o fonocentrismo, com os privilégios que a tradição filosófica ocidental outorga à fala.

Considero que existe uma oposição fatal entre fala e escrita e alguns autores até dizem que a fala é superior à escrita, naquele sentido ambíguo que nos remete tanto à cura como ao veneno. As palavras salvam, mas também matam. Elas voam mas os escritos ficam, propiciando indagações sobre o sentido da vida e de cada um de nós.

A partir de hoje, irei escrever menos, mas nunca deixarei de escrever.

E SE DEUS FOSSE UM DE NÓS?

REFLEXÕES


Acordo muito cedo, aos fins de semana. Gosto de madrugar para poder cumprir com todos os meus rituais e reflectir um pouco.

Acho que a maior parte das pessoas não terá esse hábito, o da reflexão.

Ultimamente tenho dado comigo a questionar-me sobre muitas coisas e acho que serão os efeitos da idade. À medida que avançamos no tempo, as memórias e as vivências solidificam e, quando damos conta, estamos sentados num canto, a interiorizar tudo aquilo que fomos, o que fizemos da nossa vida e, também, tudo aquilo que deixámos por fazer ou por dizer.

A música acompanha-me sempre. Seria incapaz de viver sem ela, como seria incapaz de viver sem os livros, o mar, o sol e os amigos que tenho.

Hoje, ao ir comprar o "Expresso", uma das minhas rotinas de fim de semana, o rádio do carro estava a tocar a bela canção "One of us" de Joan Osborne. Como sempre, fui traduzindo a letra mentalmente, numa espécie de oração matinal.

E se Deus fosse mesmo um de nós?

Apenas um preguiçoso como qualquer um de nós, um estranho com quem nos cruzamos todos os dias no Metro, no autocarro, no supermercado ou no sítio onde vamos almoçar?

Qual seria o Seu nome?

Como seria o Seu rosto?

Prefiro pensar que há um lado nosso que faz de Deus, que nos regula a existência, em função dos nossos padrões éticos e axiológicos. Um Deus que erra, que se ri e chora
mas que nos perdoa sempre, porque foi criado por nós e faz parte do nosso mundo interior.

Para contactá-Lo bastará apenas olharmos para o espelho e reflectir.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

AO CORRER DA PENA


Nas últimas semanas, tendo em conta a situação política e económica, em Portugal, tenho-me debruçado sobre o pensamento de John Gray, filósofo britânico contemporâneo, celebrado como um dos grandes pensadores do Século XXI, que defende que o Homem, ao longo dos tempos, tem concorrido, com o seu comportamento, para a destruição da Humanidade.

Gray defende que a História do Homem é um ciclo intermitente entre anarquia e tirania e que os seres humanos diferem dos animais, principalmente pela capacidade que têm, de acumular conhecimento, mas não serem capazes de controlar o seu destino, nem de utilizar a sabedoria acumulada, para viver melhor.

Segundo ele, não existe o livre-arbítrio, porque não temos controle sobre o nosso destino, nem sequer somos co-autores das nossas vidas. Chegamos ao mundo sem escolher os nossos pais, a nossa família, o nosso lugar, a língua que vamos falar. O que fazemos é improvisar, diante da realidade que encontramos.

Saídos recentemente de umas eleições presidenciais, os portugueses parecem corroborar o pensamento do Filósofo.

Todos nós chegámos, actualmente, a um ponto de ruptura, porque temos improvisado diante da realidade que encontramos no dia a dia, e temos optado por viver em função de um "Se Deus quiser", quando deviamos adoptar um certo grau de cepticismo e de desconfiança, e ter cuidado, para não cairmos na tentação dos dogmas e das verdades absolutas que nos levarão ao totalitarismo.

Temos de ter bem presente que o ideal de Abril afinal trouxe, a Portugal e aos Portugueses, uma má Democracia que, apesar de ter sido gloriosamente apresentada como benéfica, tem estado sujeita a vários erros e falácias e não tem sido o garante de respeito pelo verdadeiro Estado de Direito onde, hoje, não estão garantidas as liberdades individuais, a assistência social eficiente e a protecção do cidadão pelo Estado.

A Democracia é um regime, e as ideologias são meros sucedâneos da religião, que um dia acabarão com ela.

Graças aos (des)governos de Sócrates, Portugal tornou-se um Estado fraco.

E um Estado fraco, será sempre um mau Estado.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

GANDAS MALUCOS!

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

AMIGOS PARA SEMPRE


Tenho andado a descarregar as fotos do Verão passado, e as dos concertos dos U2 em Coimbra, dos cartões de memória da minha pequena Canon digital.

Algumas delas nem sabia que mas tinham tirado, porque sempre fui mais do género de ser eu a captar imagens do que a posar para alguém.

Não gosto de fazer "pose" e, por esse motivo, sou "apanhada", quase sempre, de costas (salvo seja).

Desta vez a amizade falou mais alto e o abraço foi tão forte e sentido, que até fez tremer a foto.

Ou era o fotógrafo que estava com os copos.

Das duas uma.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

ELE TINHA DOIS AMORES...


Em política, essa coisa de "ménage à trois", nunca deu bom resultado.

Manuel Alegre, ao querer ser bi-político e bi-candidato, espalhou-se ao comprido, a dobrar.

Quem é que lhe teria metido na cabeça que o Povo Português alinhava em javardices?

2011 SERÁ O ANO DO CONSUMISMO



ALEGREM-SE!

Graças a José Sócrates e ao seu (des)governo, 2011 SERÁ O ANO DO CONSUMISMO.

Segundo os mais renomados especialistas em economia, marketing e tendências do consumidor, o Ano de 2011 será o ano do....

C O N S U M I S M O

Pois vocês terão de ficar (em bom castelhano):

CON- SU- MISMO CARRO

CON-SU-MISMO SALÁRIO

CON-SU-MISMO IMÓVEL

CON-SU-MISMO VESTUÁRIO

CON-SU-MISMO PAR DE SAPATOS


E, SOMENTE SE DEUS QUISER, ...


CON-SU-MISMO TRABALHO.

domingo, 23 de janeiro de 2011

UMA SAÍDA PARA A CRISE


Passo 1:
Trocamos a Madeira e os Açores pela Galiza, mas os espanhóis têm que levar o Sócrates.

Passo 2:
Os galegos são boa onda, não dão chatices e ainda ficamos com o dinheiro gerado pela Zara (é só a 3ª maior empresa de vestuário).

A indústria têxtil portuguesa é revitalizada.

A Espanha fica encurralada entre os Bascos e o Sócrates.

Passo 3:
Desesperados, os espanhóis tentam devolver o Sócrates.

A malta não aceita.

Passo 4:
Oferecem também o Pais Basco.

A malta mantem-se firme e não aceita.

Passo 5:
A Catalunha aproveita a confusão para pedir a independência.

Cada vez mais desesperados, os espanhóis devolvem-nos a Madeira e os Açores e dão-nos ainda o Pais Basco e a Catalunha.

A contrapartida é termos que ficar com o Sócrates.

A malta arma-se em difícil mas aceita.

Passo 6:
Damos a independência ao País Basco.

A contrapartida é eles ficarem com o Sócrates.

A malta da ETA pensa que pode bem com ele e aceita sem hesitar.

Sem o Sócrates Portugal torna-se um paraíso e a Catalunha não causa problemas.

Passo 7:
Afinal a ETA não aguenta o Sócrates, e o País Basco pede para se tornar território português.

A malta faz-se difícil mas aceita (apesar de estar lá o Sócrates).

Passo 8:
Fazemos um acordo com o Brasil.

Eles enviam-nos o lixo e nós mandamos-lhes o Sócrates.

Passo 9:
O Brasil pede para voltar a ser colónia portuguesa.

A malta aceita e manda o Sócrates para os Farilhões das Berlengas apesar de as gaivotas perderem as penas e as andorinhas do mar deixarem de por ovos.

Passo 10:
Com os jogadores brasileiros mais os portugueses, Portugal torna-se campeão do mundo de futebol!

Passo 11:
Os espanhóis ficam tão desmoralizados, que nem oferecem resistência quando os mandamos para Marrocos.

Passo 12:
Unificamos finalmente a Península Ibérica sob a bandeira portuguesa.

Passo 13:
A dimensão extraordinária adquirida que une a Península e o Brasil, torna-nos verdadeiros senhores do Atlântico.

Colocamos portagens no mar, principalmente para os barcos americanos, que são sujeitos a uma sobretaxa tão elevada que nem o preço do petróleo os salva.

Passo 14:
Economicamente asfixiados eles tentam aterrorizar-nos com o Bin Laden, mas a malta ameaça enviar-lhes o Sócrates e eles rendem-se incondicionalmente.

Está ultrapassada a crise!

sábado, 22 de janeiro de 2011

O BI CANDIDATO


Manuel Alegre poderá ser apelidado de bi-candidato, pois reúne os apoios do Partido Socialista e do Bloco de Esquerda.

Há uns tempos atrás, ele exortou os altos dirigentes do Partido Socialista a envolverem-se na sua campanha, com empenho.

Ora, por aquilo que tenho ouvido comentar em diversos círculos, dentro do PS, esta exortação foi um convite à sua derrota, nestas eleições Presidenciais, pois cerca de 80% dos socialistas que eu conheço, têm afirmado em público e sem pejo, que vão votar noutro candidato, que lhes garante "estabilidade", a eles e ao País.

Eu não gostei de ouvir e de ler os ataques feitos a Cavaco Silva. Foi baixo, foi sujo e só revela que Manuel Alegre também quer "lá" chegar a todo o custo.

A forma como denegriu Cavaco Silva que como cidadão normal teve e tem todo o direito de fazer investimentos com o dinheiro que ganhou com o seu trabalho, fez-me pensar, pelas acusações efectuadas, que eu, como funcionária do Ministério da Saúde, quando estiver doente, estarei proibida de me dirigir aos médicos do Centro de Saúde da área da minha residência ou ao hospital mais próximo. Pura e simplesmente terei de morrer sem recorrer à medicina privada, pois também existirá, aqui, um "conflito" de "interesses".

Era para não ir votar, mas desta vez o Manuel Alegre, exortando à sua derrota, conseguiu acordar o meu espírito de cidadã consciente.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

"A MORTE NÃO É NADA" - POEMA DE SANTO AGOSTINHO


Hoje fui despedir-me de mais um Amigo que já partiu.

Inesperadamente, sem ninguém contar.

O seu grande coração pregou-lhe uma partida. Morreu na sua cidade de eleição, no seu restaurante preferido, acompanhado de quem mais amava.

À saída do velório, o vento gelado cortou-me a pele e a alma e, no céu estrelado, apenas a lua cheia parecia estar feliz.

Desejei intensamente que estivesses no Céu e acredito que aquela estrela cadente, foi um sinal teu, a caminho do Paraíso.

Guardei aquele pequeno livrinho, com a tua foto e o belo Poema, para não me esquecer de ti. É como se tivesse sido um presente teu, a todas as pessoas que foram dizer-te o último adeus. Todos adorámos o Poema que tão bem retrata a tua forma de estar neste mundo.

Deixaste um vazio dentro de nós.

A vida, por vezes, consegue ser muito cruel. E a Morte ainda o é mais.

Descansa em Paz, Amigo Nelson.


"A morte não é nada.
Apenas passei ao outro mundo.
Eu sou eu. Tu és tu.
O que fomos um para o outro ainda o somos.
Dá-me o nome que sempre me deste.
Fala-me como sempre me falaste.
Não mudes o tom a um triste ou solene.
Continua rindo com aquilo que nos fazia rir juntos.
Reza, sorri, pensa em mim, reza comigo.
Que o meu nome se pronuncie em casa
como sempre se pronunciou.
Sem nenhuma ênfase, sem rosto de sombra.
A vida continua significando o que significou:
continua sendo o que era.
O cordão de união não se quebrou.
Por que estaria eu fora dos teus pensamentos,
apenas porque estou fora da tua vista?
Não estou longe,
Somente estou do outro lado do caminho.
Já verás, tudo está bem.
Redescobrirás o meu coração,
e nele redescobrirás a ternura mais pura.
Seca as tuas lágrimas e, se me amas,
não chores mais.

(Stº Agostinho)"

"A LEI DO DESEJO"


O homem passava a vida a dizer aos amigos, que sabia que um dia iria morrer assassinado e achava isso perfeitamente natural.

Dizia também que queria morrer em NY, ser cremado e as cinzas espalhadas pela Broadway.

Claro que a morte de um ser humano, é sempre de lamentar, mas, neste caso, é-me completamente indiferente.

Ele já tinha idade para ter juízo, porque "quem anda à chuva, molha-se".

Agora pergunta-se: poderá o jovem Renato ser considerado um assassino?

Afinal de contas o rapaz apenas se limitou a fazer cumprir todos os seus desejos.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

COISAS DO "DEMO"


Ainda sou do tempo em que não existia essa coisa abominável, a que agora chamam "Novas Oportunidades".

Estudava-se "à séria" e quem chegasse ao chamado 3.º Ciclo, teria de escolher, de entre várias alíneas, aquela que mais gostava, para poder prosseguir os seus estudos numa Universidade, na área das ciências ou das letras.

Após uma ligeira incursão pela temível alínea F), que durou cerca de um ano, optei por estudar História, Filosofia, OPAN, Latim, Grego, Português, Francês, Inglês e Alemão, porque o que eu queria verdadeiramente, era mergulhar, de cabeça, no mundo fascinante das Letras e do Direito.

A democracia que havia naquele tempo era, tão somente, a que era aprendida, discutida e falada, "à boca pequena", nas aulas de Filosofia e de Grego.

Aprendi que o prefixo "demos" deriva do Grego e significa Povo e "kratos" poder. "Democracia" seria, portanto, o poder do Povo.

Depois veio o 25 de Abril e a palavra foi "esbanjada". Não havia ninguém que não enchesse a boca com ela, ou que não se intitulasse "democrata".

Nos dias que correm, verifico que quase ninguém sabe o que foi o 25 de Abril e que algumas pessoas associam a palavra "democracia", ao Diabo.

Por estes dias, um jovem filho da minha florista preferida, que pretende ingressar numa Universidade através do exame para maiores de 23 anos, abordou-me com um texto que falava sobre Democracia. Estava "baralhado" e pretendia que eu o ajudasse a comprender o texto, em função da sua análise literária e gramatical.

A certa altura, o rapaz perguntou-me: "Democracia" tem algo a ver com o "Demo", não tem?. É que eu li um livro intitulado "Terras do Demo" e a minha orientadora das Novas Oportunidades, explicou-me que "Demo", significa Diabo. Por associação de ideias, a palavra deve ter qualquer coisa a ver com ele, não tem?".

Nunca me vi numa situação igual, pois não sabia se havia de rir, se havia de chorar.

Consegui explicar ao rapaz o significado de "Democracia", que ele entendeu perfeitamente.

Quando fiquei só, não pude deixar de me rir "para dentro".

Mal sabia aquele puto, com a sua ingenuidade, que acabava de me dar um excelente tema para fazer este "post".

Não lhe disse, mas pensei: esta "Democracia" que se vive actualmente em Portugal, tem mais, muito mais, a ver com o Diabo, do que com o Povo.

Não tardará nada, estaremos todos num "inferno".

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

O GRANDE PROBLEMA DOS PORTUGUESES


A aparente calma dos portugueses, nesta altura de crise, deve-se ao facto de serem um Povo que não tem tido, nos últimos anos, tradição nem capacidade organizativa.

Por terem vivido metade do século XX sem democracia, as pessoas continuam amedrontadas e a viver como se ainda estivessem debaixo de um regime de ditadura e, por isso, têm permitido a este Governo, um certo e determinado número de acções, que não se admitem.

Contudo, estou ciente que, mais dia, menos dia, começaremos a ser contagiados pelas mobilizações sociais na Europa, perante o desgaste dos direitos sociais, que se tem verificado ultimamente, ao arrepio de tudo aquilo que se pode considerar razoável numa sociedade que se pretende justa e equilibrada.

José Sócrates não está a ver o "filme" e ainda não tomou plena consciência de que se o poder político não souber responder com clareza, e se revelar instável e incoerente, as coisas podem agravar-se.

E se persistir em não reconhecer os problemas, em não esclarecer, em mentir descaradamente, em enganar os cidadãos e em, pior de tudo, enganar-se a si próprio, poderemos recear uma crescente tensão social.

A calma é aparente. As coisas estão a ir de mal a pior e, se não houver bom senso e inflexão da parte daqueles que actualmente nos governam e se têm governado, poderemos assistir a uma situação económica e social explosiva, sem retorno.

O ano de 2011 vai ser o ano de todos os descontentamentos, com consequências imprevisíveis para todos.

Recalcar a expressão crítica dos portugueses, como foi feito hoje, pela PSP, em Lisboa, numa manifestação à porta do Primeiro Ministro, em que o clima de contestação foi elevado, mas sob forma pacífica e institucional, poderá conduzir, muito em breve, a uma verdadeira explosão, crua e violenta, muito diferente do longínquo 25 de Abril de 1974.

A VIDENTE


SÓCRATES, com a campanha à porta, vai consultar uma famosa vidente, e pergunta-lhe:

O que é que a senhora vê no meu futuro?

A vidente concentra-se, respira fundo, e responde:

- Vejo o senhor a passear numa avenida, em carro aberto e uma multidão a acenar-lhe entusiasmada.

Sócrates sorri e pergunta:

- Essa multidão está feliz?

- Sim, feliz como nunca!

- E eles estão a correr atrás do carro?

- Sim, à volta do carro. Os batedores estão a ter dificuldades em abrir caminho.

- Eles levam bandeiras?

- Sim, bandeiras de Portugal, e faixas com palavras de esperança e de um futuro em breve melhor.

- Eles gritam de alegria?

- Sim, gritam frases de esperança como: 'Agora sim!! Agora vai melhorar!!!'

- E eu? Como estou eu a reagir?

- Não consigo ver.

- E por que não?

- O caixão está chumbado.

domingo, 16 de janeiro de 2011

UMA QUESTÃO DE "ESTRATÉGIA"


Um dos quatro jornais para onde escrevo, quinzenalmente, convidou-me, há dias, para ser a "consultora sentimental" de uma nova rubrica com esse tema, que a Redacção pretende implementar.

Dizem eles que é um tópico que atrai muitos leitores e que, como sou uma pessoa divertida, o tema seria um sucesso, pois já me estavam a imaginar a dar conselhos do "arco da velha".

Enganaram-se redondamente, porque eu recusei a proposta.

Existe uma condição deontológica e ética que não me permitiria fazer esse papel e mesmo que essa condição não existisse, eu recusaria na mesma. Não gosto de brincar com os sentimentos alheios, como também não gosto que brinquem comigo.

Nessas coisas de sentimentos, como não gosto de compromissos sérios, até utilizo uma estratégia que tem dado um resultadão.

Trata-se de ter um número de telemóvel destinado apenas e só àquelas pessoas que ainda não conhecemos muito bem, ou que, como D. Sebastião, se perderam no nevoeiro do tempo e reapareceram, anos depois, a querer "lulas".

Eu adoptei essa estratégia porque, em caso de essa pessoa não corresponder às minhas expectativas, poderá ser facilmente "descartada", sem eu ter de mudar de número de telemóvel, o que seria uma maçada. Teria de avisar a família toda e um grande número de pessoas que, essas sim, por serem verdadeiros amigos, merecem ter o meu número de telemóvel.

Graças a essa estratégia, há quase dois anos, apanhei uma "ratazana" bem gorda, na ratoeira. O número que lhe dei e que ainda deve ter, era só destinado a ele que fez um péssimo uso da confiança depositada na sua pessoa, demonstrando, assim, não ser pessoa de bem, como eu já desconfiava há muito tempo.

Por isso, moçoilas deste País, aprendam a estratégia e não se arrependerão.

E quem diz moçoilas, diz moçoilos também. Eu sou pela igualdade.

Dá um certo gozo enfiar esse cartão num telemóvel velho e tê-lo sempre carregado e a funcionar, para o emplastro ou emplastra pensar que é o nosso número de telemóvel.

Aprendam que eu não duro sempre.

Kaneko, eu não queria, mas acho que acabei por dar um conselho sentimental.

Foi sem querer.

Beijokas!

sábado, 15 de janeiro de 2011

O CONCERTO


A noite passada fiz uma directa, para assistir ao concerto de orgão, do organista Sérgio Silva, na Igreja de Nossa Senhora do Rosário, no Barreiro.

Sentia uma certa curiosidade em saber como seria este licenciado em informática e gestão de empresas, a tocar orgão.

Uns amigos barreirenses, sabendo que tenho uma enorme preferência por concertos de orgão, para me atrairem ao Barreiro, no pressuposto de que ficaria, para passar o fim de semana e ir com eles para a "night", informaram-me que também iria actuar o organista titular da Igreja da Lapa, no Porto, Filipe Veríssimo, por quem nutro grande admiração.

"Voei" do Porto ao Barreiro e, quando cheguei, já o concerto ia quase a meio.

Aqueles sacanas, só quando acabou, é que me confessaram a verdade e que afinal não havia também Filipe Veríssimo.

Seja como fôr, adorei a interpretação.

Fiquei surpreendida por estarem tão poucas pessoas a assistir, mas ao mesmo tempo fiquei satisfeita por saber que ainda há pessoas sensiveis no Barreiro, que gostam daquele género de música e que foram porque gostam e não para se mostrar, como costumam fazer algumas figuras ditas "públicas".

Como costumamos dizer, o público era pouco mas era bom, apesar de a maior parte das pessoas apresentar um semblante triste.

O único senão, foi uma viagem de ida e volta que me cansou imenso, pois saí do Porto às sete da tarde e, às quatro da manhã, já estava a atravessar a ponte do Freixo, de regresso aos meus domínios.

Gostei imenso do concerto e faria de novo uma "directa", para assistir a outro igual.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

POR TUDO ISTO E MUITO MAIS....


O ano de 2010 terminou e, portanto, quero agradecer a todos, os e-mails muito educativos que recebi durante o ano. Estou convencida que sou um caso perdido e que as minhas hipóteses de cura são quase nulas. Isto porque:

1. Já não consigo abrir a porta da casa de banho sem usar um toalhete de papel;

2. Também já não confio na empregada do bar para me pôr rodelas de limão no meu copo de água com gás, sem ficar preocupada com as bactérias que certamente estarão na casca do limão;

3. Já não consigo sentar-me sobre a colcha da cama do meu hotel preferido, sem imaginar o que aconteceu sobre ela, desde a última vez que foi lavada;

4. Tenho relutância em apertar a mão de alguém que tenha estado a conduzir porque, estatisticamente, o passatempo favorito de muitos portugueses, quando conduzem sozinhos, é tirar "macacos" do nariz;

5. Já não saboreio o meu petisco favorito, em paz, porque fico preocupada a calcular quantos litros de gordura transgénica tenho ingerido nos últimos anos;

6. Não consigo tocar na bolsa de qualquer amiga, com medo que ela a tenha pousado no chão de uma casa de banho pública qualquer;

7. Sinto-me na obrigação de enviar os meus agradecimentos a quem me enviou um e-mail sobre a tendência que os ratos têm de fazer cocó na cola dos envelopes, pois agora tenho de usar uma esponja molhada para fechar cada envelope;

8. Além disso e pelo mesmo motivo, já não consigo evitar esfregar furiosamente a parte superior de qualquer lata de refrigerante, antes de abri-la;

9. Gastei todas as minhas economias, porque as fui enviando para uma menina muito doente (Penny Brown), que está prestes a morrer pela 1.387.258ª vez;

10. Estou tesa, mas isso vai mudar quando eu receber os $15.000 que o Bill Gates / Microsoft e a AOL vão enviar-me por participar no seu programa especial de e-mail;

11. Tenho medo de ir tomar uma bebida a um bar, com receio de acordar sem rins, numa banheira cheia de gelo;

12. Não consigo usar desodorizantes, porque causam cancro, mesmo que eu possa ficar a cheirar a cão molhado, num dia de intenso calor;

13. Graças a todos vocês aprendi que as minhas orações só são atendidas ,se enviar um e-mail para sete dos meus amigos e fizer um desejo dentro de cinco minutos;

14. Por causa das vossas preocupações eu já não bebo Coca-Cola, porque ela tem também a capacidade de remover manchas da sanita;

15. Já não meto gasolina sem ter alguém por perto, para tomar conta do carro, para evitar que algum maluco de um assassino em série possa entrar, sorrateiramente, no banco de trás, enquanto eu atesto o depósito;

16. Já não uso película de plástico, no micro-ondas, porque provoca sete tipos diferentes de cancro;

17. E obrigada por me dizerem que não devo ferver um copo de água no micro-ondas porque pode explodir na minha cara, desfigurando-me para sempre;

18. Deixei de ir ao cinema, porque poderia ser picada por uma agulha infectada com o vírus da SIDA, ao sentar-me;

19. Já não vou aos centros comerciais, para evitar ser drogada com uma amostra de perfume e ser de seguida roubada;

20. Não atendo o telefone, com medo de que alguém me peça para discar um número qualquer, que me vai fazer receber uma conta absurda de uma mão-cheia de chamadas para a Jamaica, Uganda, Singapura, Uzbequistão, etc.;

21. Já não compro biscoitos no Continente, pois agora tenho a sua receita sem transgénicos;

22. Graças a vocês eu agora apenas uso a minha sanita, porque tenho um medo de morte que uma enorme serpente preta possa estar escondida sob o assento e trincar o meu traseiro, causando-me morte instantânea;

23. Também já não apanho moedas perdidas no chão porque, provavelmente, foram lá colocadas por algum molestador sexual, à espera que eu me baixe para atacar;

24. Já não faço jardinagem, com medo de ser picada pela aranha viúva negra e não chegar a tempo a um centro de socorro;

Se vocês não reencaminharem este "post" para, pelo menos, vinte pessoas, sei que isso irá ocorrer, porque, na verdade, aconteceu com um amigo meu.

Já agora...

Um cientista alemão da Argentina, após estudo aturado, descobriu que as pessoas com actividade cerebral insuficiente lêem os seus e-mails com os dedos no rato.

Não se preocupem em tirá-los agora. É tarde demais.

PS(salvo seja):A partir do momento em que me foi dito num e-mail que os salpicos da água do autoclismo atingem uma distância de mais de dois metros, passei a guardar a minha escova de dentes na sala de estar.

Desejo a todos vocês o resto de uma óptima semana e uma vida muito saudável.

Adoro-vos!

Vocês são o máximo!

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

O ENTERRO


Graças a Deus que no próximo dia 23 de Janeiro vou estar no lado de lá da fronteira, bem longe de Portugal.

Cinco gatos pingados vão disputar o cadáver.

Eu recuso-me terminantemente a contribuir para o fabrico da urna.

Nem sequer vou enviar flores.

De entre todos eles, venha o diabo e escolha.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

NI HAO (OLÁ!)


Mal sabia eu o quanto me viria a ser útil o curso de mandarim que terminei o ano passado, na Faculdade de Letras.

Os Chineses estão aí em força, com uma economia que ultrapassou todas as expectativas do mundo ocidental.

De início foi apenas aquela curiosidade que me tem levado sempre mais longe do que aquilo que tencionava ir.

Ora o cursinho já cá canta, aqui a menina foi uma das melhores alunas e, à conta disso, vai com mais 10 colegas, beneficiar de uma bolsa que lhe permitirá "treinar" a língua "in loco", em Pequim, no próximo Verão, durante quinze dias inteirinhos.

Já comecei a preparar a viagem e até já comprei uma máquina fotográfica nova, para poder ir para a grande muralha, tirar fotos a moi-même e aos colegas que me vão acompanhar.

Mais uma vitória a somar a algumas outras e um sonho que se vai concretizar: conhecer Pequim.

Tudo à minha custa.

Tudo pago por mim.

E sem "cunhas".

Yupiiiiiiii!!!!!!!!

domingo, 9 de janeiro de 2011

AINDA O FACEBOOK E OUTRAS REDES DITAS "SOCIAIS"


Eu não gostaria de ter que escrever novamente isto.

Há uns "posts" atrás, pedi encarecidamente que não me mandassem e-mails com pedidos de "amizade" para o Facebook ou qualquer outra rede social, porque eu abomino as redes sociais.

Tenho os meus amigos e conhecidos, pessoas seleccionadas por mim, com quem me dou no dia a dia, com quem me correspondo e a quem telefono e eles me telefonam, para irmos almoçar, jantar, viajar, ou simplesmente passarmos bons momentos juntos.

Ultimamente verificou-se um incremento de pedidos para os meus mails. Eu já disse que não quero.

Não quero Badoos, hi5, Twitters, Facebooks, Linkedins, ou o que quer que seja, a perturbar-me o dia a dia, com idiotices.

O que se passa e o que me deixa tão furiosa, é que apago tudo e depois acabo por apagar também os mails de todas as pessoas com quem tenho verdadeiras relações de amizade.

Já pedi a muitos deles que não estranhassem não lhes responder, porque sou vítima desta praga maldita, que são os pedidos de "amizade" feitos através das redes sociais. São os chamados amigos da "treta".

Se puderem evitar, não tornem a mandar-me pedidos desses.

Agradecida.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

O HOMEM QUE PINTAVA PESSOAS


Às 03H30 da madrugada de hoje, morreu Malangatana, no Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, para onde fora levado há dias, pela filha Cecília Nguenha, em virtude de se ter sentido mal.

Estava doente há bastante tempo, mas apesar de a sua saúde estar debilitada, ele viajava sempre com muita alegria para Portugal, país para onde veio estudar nos anos 70 do século passado, com uma bolsa da Gulbenkian e onde sempre disse sentir-se melhor e mais próximo de todos os artistas.

Chegou a estar preso 18 meses pela PIDE, mas foi libertado por não se ter provado, na altura, que pertencia à FRELIMO.

Malangatana Valente Ngwenya nasceu em Matalana, distrito de Marracuene, Moçambique, a 6 de Junho de 1936.

Deixou-nos hoje, para sempre.

O Mundo ficou mais pobre.

MORREU "VÔVÔ" MALANGATANA


A sua polivalência artística, como pintor, ceramista, cantor, actor, dançarino, poeta, fizeram de Malangatana a personalidade artística e cultural mais identificada com a Nação Moçambicana e com o Mundo.


"Irmãos
Há batuques no silêncio da noite
Que não se ouvem
São da cor da palmatória
Mas não se ouvem
E a palmatória
Ouve-se sempre
E é por isso que temos de silenciá-la
Com a força maior que a dor
E vamos irmãos
Vamos, porque a palmatória
Silencia o meu batuque

Malangatana
23.06.69"

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

O MEU BOLINHAS


Já está quase pronto mais um dos meus "livritos".

Desta vez não será uma edição de autor, porque caí na asneira de o dar a ler a um editor muito conhecido na nossa praça, assim como quem não quer a coisa e pede uma segunda opinião, e o homem gostou tanto dele, que está na disposição de o publicar e quer que eu assine já o contrato.

Confesso que não estava nada à espera. Sempre escrevi nas horas mortas, para mim e só para mim, sem qualquer pretensão ou vaidade.

Agora estou um pouco assustada, porque nunca imaginei que as coisas que escrevo, há vários anos, tivessem qualquer valor, em termos literários.

Por estes dias, lá vou ter a minha "chipala" escarrapachada numa montra qualquer de uma livraria perto de si, para o outro invejoso me atirar setas.

O que mais me doi, é que, agora, com esta história do PEC (ou será PREC?), uma grande fatia da produção intelectual, vai parar aos bolsos daquelas aves rapinantes, que ainda não tiveram a dignidade de se demitir.

O que me vale é que um dos meus presentes de Natal, me faz esquecer todas essas agruras e diverte-me imenso, quando faz as suas necessidades, nos jornais que lhe ponho, sempre e só em cima das caras do Sócrates e do Ministro das Finanças.

É uma fofura, aquele bichano.

domingo, 2 de janeiro de 2011

MULHER DO NORTE


O Natal passado e o fim de ano, passei-os numa aldeia do Norte, onde se come divinamente.

Como apanhei uma carga de gripe, não pude ir a Sesimbra, conforme tinha programado, mergulhar com os amigos do costume e fazer a passagem de ano debaixo das águas claras da baía.

Passei o Natal e o fim de ano a tossir e a espirrar, mas não foi nada que me impedisse de apreciar os belos petiscos natalícios, daquela zona do país, cozinhados em verdadeiros potes de ferro.

Aliás os amigos que me convidaram, admiram-se como é que uma pessoa nascida em terras de África, gosta tanto da comida tradicional portuguesa.

Eu como pouco, mas como. E aprecio imenso alguns manjares transmontanos, da mesma forma que também gosto de bolas de manteiga, comidas com leite chocolatado a acompanhar.

Depois, lá no Norte, há aquele ritual do acender da lareira, que me fascina.

Em África eu não tinha lareira, mas tinha o Sol.

Em Portugal não tive Sol, mas tive o calor humano de todas aquelas pessoas que me acarinham, sempre que ando por lá.

A única coisa que me falta aprender, é distinguir os cogumelos bons, dos venenosos.

De resto, acho que já me posso considerar uma verdadeira mulher do Norte.

MAIS UMA DÉCADA FODIDA


Ultimamente não me tem apetecido escrever, eu que gosto tanto de o fazer.

Acabei o ano com um texto para um Jornal on-line, do Barreiro, que também tem uma edição impressa porque, dizem as superstições, devemos terminar o ano, a fazer aquilo que mais gostamos de fazer.

O ano que agora começa, não vai ser fácil para muitos portugueses que, de um momento para o outro, se viram sem trabalho, sem casa, sem saúde e sabe-se lá que mais.

Ao iniciar mais esta década, tenho a certeza que, também eu, brevemente me "farei à estrada", porque Portugal é um poço sem fundo, escavado por meia dúzia de corruptos inconsequentes, que continuam a sugar tudo aquilo que podem, em proveito próprio e eu não estou para alimentar pançudos, com o meu trabalho e com os meus impostos.

Possivelmente, irei regressar ao Norte da Europa onde vivi e trabalhei muitos anos da minha vida e onde ainda há respeito pelas pessoas e pelo seu trabalho e onde ainda se cultivam os valores fundamentantes de qualquer sociedade.

O conselho que deixo para todos aqueles que vão ficar e que não têm a mesma hipótese que eu tenho, é que não se acomodem, que lutem contra toda e qualquer espécie de nepotismo e tirania.

Agora que estou a caminhar para "cota", considero-me uma mulher "madura" e quero que os meus filhos e netos tenham uma vida melhor, fora deste Portugal desgraçado e corrupto, que vive em função daquilo que não produz mas que, mesmo assim, é esbanjado por meia dúzia de oportunistas que se têm locupletado à grande e à francesa, à custa de quem trabalha no duro e paga os seus impostos.

Por isso, para aqueles que vão ficar por cá, não se acomodem, trabalhem o mais que puderem e souberem, poupem e corram com "eles".

Sobretudo, não se deixem manipular nem se acomodem.

Lutem sempre.

Nunca desistam!