sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

AO CORRER DA PENA


Nas últimas semanas, tendo em conta a situação política e económica, em Portugal, tenho-me debruçado sobre o pensamento de John Gray, filósofo britânico contemporâneo, celebrado como um dos grandes pensadores do Século XXI, que defende que o Homem, ao longo dos tempos, tem concorrido, com o seu comportamento, para a destruição da Humanidade.

Gray defende que a História do Homem é um ciclo intermitente entre anarquia e tirania e que os seres humanos diferem dos animais, principalmente pela capacidade que têm, de acumular conhecimento, mas não serem capazes de controlar o seu destino, nem de utilizar a sabedoria acumulada, para viver melhor.

Segundo ele, não existe o livre-arbítrio, porque não temos controle sobre o nosso destino, nem sequer somos co-autores das nossas vidas. Chegamos ao mundo sem escolher os nossos pais, a nossa família, o nosso lugar, a língua que vamos falar. O que fazemos é improvisar, diante da realidade que encontramos.

Saídos recentemente de umas eleições presidenciais, os portugueses parecem corroborar o pensamento do Filósofo.

Todos nós chegámos, actualmente, a um ponto de ruptura, porque temos improvisado diante da realidade que encontramos no dia a dia, e temos optado por viver em função de um "Se Deus quiser", quando deviamos adoptar um certo grau de cepticismo e de desconfiança, e ter cuidado, para não cairmos na tentação dos dogmas e das verdades absolutas que nos levarão ao totalitarismo.

Temos de ter bem presente que o ideal de Abril afinal trouxe, a Portugal e aos Portugueses, uma má Democracia que, apesar de ter sido gloriosamente apresentada como benéfica, tem estado sujeita a vários erros e falácias e não tem sido o garante de respeito pelo verdadeiro Estado de Direito onde, hoje, não estão garantidas as liberdades individuais, a assistência social eficiente e a protecção do cidadão pelo Estado.

A Democracia é um regime, e as ideologias são meros sucedâneos da religião, que um dia acabarão com ela.

Graças aos (des)governos de Sócrates, Portugal tornou-se um Estado fraco.

E um Estado fraco, será sempre um mau Estado.

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