terça-feira, 18 de janeiro de 2011

O GRANDE PROBLEMA DOS PORTUGUESES


A aparente calma dos portugueses, nesta altura de crise, deve-se ao facto de serem um Povo que não tem tido, nos últimos anos, tradição nem capacidade organizativa.

Por terem vivido metade do século XX sem democracia, as pessoas continuam amedrontadas e a viver como se ainda estivessem debaixo de um regime de ditadura e, por isso, têm permitido a este Governo, um certo e determinado número de acções, que não se admitem.

Contudo, estou ciente que, mais dia, menos dia, começaremos a ser contagiados pelas mobilizações sociais na Europa, perante o desgaste dos direitos sociais, que se tem verificado ultimamente, ao arrepio de tudo aquilo que se pode considerar razoável numa sociedade que se pretende justa e equilibrada.

José Sócrates não está a ver o "filme" e ainda não tomou plena consciência de que se o poder político não souber responder com clareza, e se revelar instável e incoerente, as coisas podem agravar-se.

E se persistir em não reconhecer os problemas, em não esclarecer, em mentir descaradamente, em enganar os cidadãos e em, pior de tudo, enganar-se a si próprio, poderemos recear uma crescente tensão social.

A calma é aparente. As coisas estão a ir de mal a pior e, se não houver bom senso e inflexão da parte daqueles que actualmente nos governam e se têm governado, poderemos assistir a uma situação económica e social explosiva, sem retorno.

O ano de 2011 vai ser o ano de todos os descontentamentos, com consequências imprevisíveis para todos.

Recalcar a expressão crítica dos portugueses, como foi feito hoje, pela PSP, em Lisboa, numa manifestação à porta do Primeiro Ministro, em que o clima de contestação foi elevado, mas sob forma pacífica e institucional, poderá conduzir, muito em breve, a uma verdadeira explosão, crua e violenta, muito diferente do longínquo 25 de Abril de 1974.

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