sábado, 29 de janeiro de 2011

PALAVRAS ESCRITAS


Desde que retomei o blog, ultimamente tenho feito um grande esforço para poder cumprir a promessa que fiz a alguém, de vir aqui "postar" pelo menos um texto por semana.

Tenho andado a braços com relatórios e mais relatórios, planos e mais planos de acção, compromissos inadiáveis e outros afins, que me têm roubado aquela possibilidade que normalmente toda a gente tem, de parar um instante e deitar-se de "papo para o ar", a preguiçar um pouco.

Acho que nunca soube o que foi "preguiçar" porque, mesmo preguiçando, não consigo deixar de trabalhar.

Falo pouco. Sempre me exprimi melhor através da escrita e é através da escrita que consigo comunicar melhor. Podia pegar no telefone e dizer o que tenho a dizer a toda a gente. Mas não. Eu escrevo, o que joga simultaneamente a meu favor e contra mim, porque jamais alguém poderá negar aquilo que eu "digo".

Um dia, há muito tempo, alguém me pediu: "escreve-me". Esse alguém era e é uma pessoa só, confusa, mergulhada em oposições e tormentos imaginários, que eu nunca entendi muito bem. Acho que se perdeu e nunca mais se encontrou. Agora já é tarde demais para fazer por isso.

Vem isto a propósito de nada. Sou daquelas pessoas que abomina o fonocentrismo, com os privilégios que a tradição filosófica ocidental outorga à fala.

Considero que existe uma oposição fatal entre fala e escrita e alguns autores até dizem que a fala é superior à escrita, naquele sentido ambíguo que nos remete tanto à cura como ao veneno. As palavras salvam, mas também matam. Elas voam mas os escritos ficam, propiciando indagações sobre o sentido da vida e de cada um de nós.

A partir de hoje, irei escrever menos, mas nunca deixarei de escrever.

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