sábado, 29 de janeiro de 2011

REFLEXÕES


Acordo muito cedo, aos fins de semana. Gosto de madrugar para poder cumprir com todos os meus rituais e reflectir um pouco.

Acho que a maior parte das pessoas não terá esse hábito, o da reflexão.

Ultimamente tenho dado comigo a questionar-me sobre muitas coisas e acho que serão os efeitos da idade. À medida que avançamos no tempo, as memórias e as vivências solidificam e, quando damos conta, estamos sentados num canto, a interiorizar tudo aquilo que fomos, o que fizemos da nossa vida e, também, tudo aquilo que deixámos por fazer ou por dizer.

A música acompanha-me sempre. Seria incapaz de viver sem ela, como seria incapaz de viver sem os livros, o mar, o sol e os amigos que tenho.

Hoje, ao ir comprar o "Expresso", uma das minhas rotinas de fim de semana, o rádio do carro estava a tocar a bela canção "One of us" de Joan Osborne. Como sempre, fui traduzindo a letra mentalmente, numa espécie de oração matinal.

E se Deus fosse mesmo um de nós?

Apenas um preguiçoso como qualquer um de nós, um estranho com quem nos cruzamos todos os dias no Metro, no autocarro, no supermercado ou no sítio onde vamos almoçar?

Qual seria o Seu nome?

Como seria o Seu rosto?

Prefiro pensar que há um lado nosso que faz de Deus, que nos regula a existência, em função dos nossos padrões éticos e axiológicos. Um Deus que erra, que se ri e chora
mas que nos perdoa sempre, porque foi criado por nós e faz parte do nosso mundo interior.

Para contactá-Lo bastará apenas olharmos para o espelho e reflectir.

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