domingo, 27 de fevereiro de 2011

O COMPADRE ALENTEJANO


Tinha acabado de chegar ao Alentejo uma excursão de espanhóis. Ao verem um alentejano, o guia comunicou aos passageiros:

- Ahora me voy hablar con ese portugues alentejano... - e foi ter com o alentejano:

- Hola, como te llamas?

- Toino...

- Yo también me llamo Antonio! Cual és tu profesión?

- Sou músico...

- Yo también soy musico... Y que tocas?

- Toco trompete, e tu?

- Yo también toco trompete. Una vez fue a la Fiesta de Nuestra Señora de los Remédios y toqué tan bien, que la Señora bajó del andor y empezó a llorar.

E replicou o alentejano:

- E ê fui uma vez à Festa do Senhor dos Passos e toquei tan bem, tan bem, que o Senhor largou a cruz, agarrou-se a mim e disse-me: "Ah, g'anda Toino, tocaste melhor que o cabrão do espanhol que fez chorar a minha mãezinha".

sábado, 26 de fevereiro de 2011

UMA BELA AMIZADE

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

domingo, 20 de fevereiro de 2011

SOMEWHERE...


Conta a lenda que uma jovem mariposa - de corpo frágil e alma sensível - voava ao sabor do vento.

Certa tarde, quando viu uma estrela muito brilhante, apaixonou-se.

Excitadíssima, voltou imediatamente para casa, louca para contar à mãe que havia descoberto o que era o amor.

- Que asneira - foi a resposta fria, que escutou.

- As estrelas não foram feitas para que as mariposas possam voar em torno delas.

Procura um poste ou um candeeiro, e apaixona-te por algo assim. Para isso nós fomos criadas.

Decepcionada, a mariposa resolveu simplesmente ignorar o comentário da mãe, e permitiu-se ficar de novo alegre com a sua descoberta.

- Que maravilha poder sonhar! - pensava.

Na noite seguinte, a estrela continuava no mesmo lugar, e ela decidiu que iria subir até o céu, voar em torno daquela luz radiante, e demonstrar o seu amor.

Foi muito difícil ir além da altura com a qual estava acostumada, mas conseguiu subir alguns metros acima do seu vôo normal. Entendeu que, se cada dia progredisse um bocadinho, iria acabar por chegar à estrela. Então armou-se de paciência e começou a tentar vencer a distância que a separava do seu amor.

Esperava com ansiedade que a noite descesse, e quando via os primeiros raios da estrela, batia ansiosamente as asas em direção ao firmamento. A mãe ficava cada vez mais furiosa:

- Estou muito decepcionada com a minha filha - dizia.- Todas as suas irmãs, primas e sobrinhas já têm lindas queimaduras nas asas, provocadas por lâmpadas! Só o calor de uma lâmpada é capaz de aquecer o coração de uma mariposa. Devias deixar de lado estes sonhos inúteis, e arranjar um amor que possas alcançar.

A jovem mariposa, irritada porque ninguém respeitava o que sentia, resolveu sair de casa. Mas, no fundo - como, aliás, sempre acontece- ficou marcada pelas palavras da mãe, e achou que ela tinha razão.

Por algum tempo, tentou esquecer a estrela e apaixonar-se pela luz dos abajures de casas sumptuosas, pelas luminárias que mostravam as cores de quadros magníficos, pelo fogo das velas que queimavam nas mais belas catedrais do mundo.

Mas o seu coração não conseguia esquecer a estrela, e, depois de ver que a vida sem o seu verdadeiro amor não tinha sentido, resolveu retomar a sua caminhada em direcção ao céu.

Noite após noite, tentava voar o mais alto possível, mas quando a manhã chegava, estava com o corpo gelado e a alma mergulhada em tristeza.

Entretanto, à medida que ia ficando mais velha, passou a prestar atenção a tudo o que via à sua volta. Lá do alto, podia ver as cidades cheias de luzes, onde provavelmente as suas primas, irmãs e sobrinhas já tinham encontrado um amor.

Via as montanhas geladas, os oceanos com ondas gigantescas, as nuvens que mudavam de forma a cada minuto. A mariposa começou a amar cada vez mais a sua estrela, porque era ela quem a empurrava para ver um mundo tão rico e tão lindo.

Muitos anos passaram, e um belo dia ela resolveu voltar à sua casa. Foi então que soube pelos vizinhos que a mãe, irmãs, primas e sobrinhas, e todas as mariposas que havia conhecido, já tinham morrido queimadas nas lâmpadas e nas chamas das velas, destruídas pelo amor que julgavam fácil.
A mariposa, embora jamais tenha conseguido chegar à sua estrela, viveu muitos anos ainda, descobrindo, todas as noites, algo diferente e interessante.

Esta história não é minha, é uma metáfora.

Todos nós temos a nossa “estrela”.

A minha também existe e também eu sou uma mariposa teimosa.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

ELE CONTINUA A SER UM GRANDE "ARTISTA"


Cheio de pressa, o homem chegou na quinta-feira ao Centro de Saúde de Alvalade e passou à frente de todos os utentes que aguardavam pacientemente, na fila, a sua vez de serem atendidos.

Invadiu o consultório e exigiu à médica, que lhe fosse passado um atestado médico, pois estava com muita pressa, porque tinha de ir apanhar um avião.

Pergunta-se:

Sendo arguido no processo Face Oculta, como poderá viajar para o estrangeiro, sem autorização do Tribunal?

Como é que os serviços administrativos e o segurança permitiram que tal acontecesse?

O homem tinha a consulta marcada, ou vaga de consulta aberta, atribuida?

Foi feita a ficha de contacto e pagos os € 2,25?

Por que motivo um milionário como ele, vai a um Centro de Saúde pedir um atestado médico? Com que intenção?

E por que motivo a médica teve medo e lhe passou o atestado assim "à pato"? Estará com medo dos homens do avental?

Várias perguntas ficarão no ar e caberá a quem de direito respondê-las de uma forma que nos convença a todos e não deixe margem para dúvidas.

Uma coisa não me sai da cabeça. Certamente que aquele atestado médico vai servir para justificar mais uma das suas trafulhices.

O pessoal de Lisboa demonstrou ser muito "soft".

Só tenho pena que o homem não tenha vindo a um dos Centros de Saúde da minha área.

Garanto que ele, em vez de ir apanhar o avião, apanhava o helicóptero do INEM, com destino ao Hospital de S. João.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

MATEI O CUPIDO


Dizem que o Cupido, além de ser o deus do amor, também significa desejo de poder, ambição, para além de desejo físico.

"Cupidus" era o termo em latim, empregado para designar quem praticava o "cupido", e significava também devasso, corrupto, libertino, lascivo e luxurioso.

Hoje resolvi matar o Cupido.

Mais logo não vai haver jantar de comemoração para ninguém. Fui eu que vos libertei dessa tremenda seca de fingir que amam alguém, só para terem acesso a uma queca com direito a tudo o que uma boa queca contempla.

Não quero que mais nenhum ser humano passe por aquela situação degradante que observei o ano passado.

Vários casais num restaurante, em jantar de dia de namorados, de velinha acesa e ar enfastiado, a brincar com os telemóveis, desejando que o suplício terminasse o mais rápido possível, enquanto eu e um grupo de amigos, todos descomprometidos, nos divertiamos à brava, só de ver aqueles infelizes todos, a tentar "salvar" o que se via a olho nú, não ter salvação possível.

Matei-o com requintes de malvadez e enfiei-lhe a seta num certo sítio.

Não fosse ele apanhar-me de costas e acertar-me com a merda da flecha, fazendo-me ficar apaixonada por um labrego qualquer e, no próximo ano, estar eu também naquele restaurante a fazer companhia a todos aqueles pares infelizes, que fingem amar-se acima de tudo, sem um gesto de carinho, sem cumplicidade, com os cotovelos em cima da mesa e o queixo na mão, com ar enfadado, calada e solitária, a fingir que sou uma mulher feliz.

Dia dos Namorados?

Eu diria, antes, "Dia dos Encalhados".

domingo, 13 de fevereiro de 2011

O DIA DOS NAMORADOS


Ando furibunda com a publicidade que ultimamente tenho recebido de agências de viagens, a convidar-me a uma "escapadinha" no dia dos namorados, publicidade essa que me tem entupido a caixa do correio.

Enviam-me prospectos de hoteis, resorts e spa's, onde se vêem camas enormes, em cenários apelativos, convidativos, dizem eles, a "estreitar a relação".

Só que eles não sabem que quanto mais conheço o bicho homem, mais gosto do meu gato.

São muito semelhantes. Ambos peludos e capazes de passar um dia inteiro a dormir e sem fazer nenhum. Quando nos saturam, podemos pegar neles e pô-los lá fora, na rua, ao luar.

Considero que os homens são preguiçosos, traiçoeiros e mentirosos, é verdade.

Mas não há outros.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

PAÍS DE MERDA


Estive fora uma semana inteira, a passar alguns dias na companhia daquele que será talvez o amigo mais antigo que eu tenho, um francês que conheci quando tinha dez anos e com quem jogava ao prego na praia da Figueira da Foz, sob o olhar atento das nossas mães que já anteviam, um dia mais tarde, um possível casamento.

Divertiamo-nos imenso e ainda hoje nos divertimos, quando estamos juntos, mas nunca pensámos em casar.

Por que será que quando duas pessoas do sexo oposto se dão bem, há logo quem invente romances e pretenda casá-las?

Mas como eu ia dizendo, foi uma semana muito bem passada, que me fez esquecer completamente este país de merda, onde há idosos que morrem sozinhos e ficam durante vários anos, mumificados, dentro de casa, porque a GNR e o MP não estiveram para se maçar e ignoraram a preocupação de familiares e da vizinha do lado, porque a senhora não cheirava mal.

Um idoso de Cantanhede teve mais "sorte". Foi encontrado morto em casa, ao fim de "apenas" três meses, também por insistência dos vizinhos.

Outra mulher, na Madeira, foi encontrada morta, ao fim de oito anos, a vinte metros do automóvel com o qual se despistou.

Isto brada aos céus.

Que país é este, que sociedade é esta, que ignora o seu próximo?

Estaremos todos mortos?

"METADE"


"Que a força do medo que eu tenho,
não me impeça de ver o que anseio.

Que a morte de tudo o que acredito
não me tape os ouvidos e a boca.

Porque metade de mim é o que eu grito,
mas a outra metade é silêncio...

Que a música que eu ouço ao longe,
seja linda, ainda que triste...

Que a mulher que eu amo
seja para sempre amada
mesmo que distante.

Porque metade de mim é partida,
mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo
não sejam ouvidas como prece
e nem repetidas com fervor,
apenas respeitadas,
como a única coisa que resta
a um homem inundado de sentimentos.

Porque metade de mim é o que ouço,
mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
se transforme na calma e na paz
que eu mereço.

E que essa tensão
que me corrói por dentro
seja um dia recompensada.

Porque metade de mim é o que eu penso,
mas a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste
e que o convívio comigo mesmo
se torne ao menos suportável.

Que o espelho reflita em meu rosto,
um doce sorriso,
que me lembro ter dado na infância.

Porque metade de mim
é a lembrança do que fui,
a outra metade eu não sei.

Que não seja preciso
mais do que uma simples alegria
para me fazer aquietar o espírito.

E que o teu silêncio
me fale cada vez mais.

Porque metade de mim
é abrigo, mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta,
mesmo que ela não saiba.

E que ninguém a tente complicar
porque é preciso simplicidade
para fazê-la florescer.

Porque metade de mim é platéia
e a outra metade é canção.

E que a minha loucura seja perdoada.

Porque metade de mim é amor,
e a outra metade...
também"

Autoria: Oswaldo Montenegro

Obrigada a quem me dedicou este poema, pedindo-me que o publicasse no Blog Angolana. Faço-lhe apenas uma pequena (grande) correcção. O Autor não é Ferreira Gullar, como indicou, mas sim Oswaldo Montenegro, grande poeta brasileiro contemporâneo. O seu a seu dono. Espero que não fique zangado comigo.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

UMA RARIDADE



O pequenito que canta com Mario Lanza, é, nada mais nada menos, Luciano Pavarotti.

Em Dezembro de 1950.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

SÓCRATES, O BURLESCO



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