segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

MATEI O CUPIDO


Dizem que o Cupido, além de ser o deus do amor, também significa desejo de poder, ambição, para além de desejo físico.

"Cupidus" era o termo em latim, empregado para designar quem praticava o "cupido", e significava também devasso, corrupto, libertino, lascivo e luxurioso.

Hoje resolvi matar o Cupido.

Mais logo não vai haver jantar de comemoração para ninguém. Fui eu que vos libertei dessa tremenda seca de fingir que amam alguém, só para terem acesso a uma queca com direito a tudo o que uma boa queca contempla.

Não quero que mais nenhum ser humano passe por aquela situação degradante que observei o ano passado.

Vários casais num restaurante, em jantar de dia de namorados, de velinha acesa e ar enfastiado, a brincar com os telemóveis, desejando que o suplício terminasse o mais rápido possível, enquanto eu e um grupo de amigos, todos descomprometidos, nos divertiamos à brava, só de ver aqueles infelizes todos, a tentar "salvar" o que se via a olho nú, não ter salvação possível.

Matei-o com requintes de malvadez e enfiei-lhe a seta num certo sítio.

Não fosse ele apanhar-me de costas e acertar-me com a merda da flecha, fazendo-me ficar apaixonada por um labrego qualquer e, no próximo ano, estar eu também naquele restaurante a fazer companhia a todos aqueles pares infelizes, que fingem amar-se acima de tudo, sem um gesto de carinho, sem cumplicidade, com os cotovelos em cima da mesa e o queixo na mão, com ar enfadado, calada e solitária, a fingir que sou uma mulher feliz.

Dia dos Namorados?

Eu diria, antes, "Dia dos Encalhados".

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