sábado, 12 de fevereiro de 2011

PAÍS DE MERDA


Estive fora uma semana inteira, a passar alguns dias na companhia daquele que será talvez o amigo mais antigo que eu tenho, um francês que conheci quando tinha dez anos e com quem jogava ao prego na praia da Figueira da Foz, sob o olhar atento das nossas mães que já anteviam, um dia mais tarde, um possível casamento.

Divertiamo-nos imenso e ainda hoje nos divertimos, quando estamos juntos, mas nunca pensámos em casar.

Por que será que quando duas pessoas do sexo oposto se dão bem, há logo quem invente romances e pretenda casá-las?

Mas como eu ia dizendo, foi uma semana muito bem passada, que me fez esquecer completamente este país de merda, onde há idosos que morrem sozinhos e ficam durante vários anos, mumificados, dentro de casa, porque a GNR e o MP não estiveram para se maçar e ignoraram a preocupação de familiares e da vizinha do lado, porque a senhora não cheirava mal.

Um idoso de Cantanhede teve mais "sorte". Foi encontrado morto em casa, ao fim de "apenas" três meses, também por insistência dos vizinhos.

Outra mulher, na Madeira, foi encontrada morta, ao fim de oito anos, a vinte metros do automóvel com o qual se despistou.

Isto brada aos céus.

Que país é este, que sociedade é esta, que ignora o seu próximo?

Estaremos todos mortos?

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