domingo, 20 de março de 2011

PORTUGUESES À RASCA


José Sócrates, o mentiroso compulsivo, desvaloriza e desconsidera que Portugal tenha vivido, há dias, um chamado sobressalto cívico, único na nossa história recente,não apenas de uma geração à rasca, mas de um País totalmente à rasca.

Desempregados, empregados, jovens, menos jovens, todos aqueles que passam recibos verdes, e os que estão “efectivos” mas que são explorados e mal pagos, todos eles sairam à rua e fizeram ouvir a sua voz.

Esta classe política e este Governo ainda em funções, não deviam cair na tentação de desconsiderar as manifestações e mobilizações que ocorreram por todo o País,só porque essas manifestações foram convocadas através do Facebook, tendo por base uma música dos Deolinda. Seriam uns grandessíssimos parvalhões se o fizessem, porque se há alguma ilação a tirar dessa movimentação de rua, aqui e ali salpicada pelas músicas e adereços do 25 de Abril, é a de que alguma coisa está a mudar na sociedade portuguesa, para pior.

Como no 25 de Abril de 1974, quando tudo começou com uma música tocada na rádio, durante a madrugada, também a “deolindização” desta nova geração, é mobilizadora e contagiou as outras gerações, mais velhas, que vieram também para a rua reclamar em nome de tudo aquilo que não souberam fazer ou aproveitar, quando lhes foi dada a oportunidade, no pós 25 de Abril.

Jovens e menos jovens estão agora todos à rasca e solidários.

A nova geração que está agora a chegar ao meio laboral, com diplomas que o mercado de trabalho não quer, ou que não tem capacidade para absorver, vive um ambiente de frustração e de indignação compreensível, porque a anterior geração de portugueses “revolucionários”, se perdeu em chavões e em ideais e não teve o discernimento suficiente para saber fazer cumprir todas as promessas que fez às gerações vindouras, de um país livre e democrático, com paz, pão, saúde e habitação para todos.

Mas a verdade, como se percebe por todas estas manifestações, é que não só essa geração se enganou a si própria como também contribuiu para o aparecimento de uma nova geração desiludida, pouco produtiva e mal paga.

O manifesto “Parva que sou”, dos Deolinda, de forma implícita ou explícita, quer garantir para os jovens que estão a entrar ou entraram no mercado de trabalho, os mesmos direitos - e poucos deveres - das gerações anteriores.

Portugal precisa de excelência e de um outro modelo que contemple o mérito e a necessidade de terem, todos, acesso às mesmas oportunidades. Tem sido omitido que foi este mérito e a oportunidade de acesso, que fizeram dos “Deolinda” os bem sucedidos que são hoje.

Eles são um bom exemplo de que vale a pena estudar as oportunidades e o mercado, fazer o que outros não estão a fazer e inovar. Os melhores, os mais competentes, os mais bem formados, triunfarão, mais cedo ou mais tarde.

O País à rasca quer o direito ao emprego, quer acabar com a precariedade, quer salários dignos, quer protecção social para os que mais necessitam. São princípios fundamentais que todos devemos defender.

Mas, para que isso seja uma realidade, é preciso que as regras sejam mudadas e que se acabe de uma vez por todas com aquilo que resultou do 25 de Abril de 1974 e que foi uma espécie de contrato social que hoje não nos serve, que forma profissionais que o mercado não quer, que protege os interesses instalados, que impede a mobilidade e a flexibilidade, que trava a criação de riqueza, que premeia o laxismo e o amiguismo e que não incentiva o espírito criativo, o empreendedorismo e a inovação.

De uma coisa teremos a certeza: todos poderemos fazer manifestações e mais manifestações, mas o emprego e o salário só poderão resultar se houver riqueza.

Por isso, não sejam parvos. Há que ser criativo e produzir.

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