sábado, 19 de março de 2011

QUERIDOS AMIGOS E INIMIGOS


Hoje venho aqui apenas para dar o ar da minha graça, uma vez que ultrapassei, com este blog, a barreira dos cem mil leitores, em pouco mais de três anos de existência.

Recebi vários mails e pedidos telefónicos, instando-me a escrever qualquer coisa, já que, apesar de tudo, há os que sentem a minha falta e os que estão admirados por estar tanto tempo sem escrever nada.

Infelizmente, está tudo na mesma e tenho verificado que Portugal e o Barreiro, em especial, estão a regredir.

A malta, a cada dia que passa, está cada vez mais insatisfeita e os défices não param de aumentar. É tal o marasmo que, confesso, não tenho andado com pachorra para "ratar na casaca" de ninguém. Desconfio mesmo que ando com um problema de hipossecreção tóxica das glandulas salivares, o que é frustrante. Mais a mais para alguém que, como eu, não é pago para destilar todo o veneno que pode, neste espaço, já que agora tudo se resume a uma questão de "carcanhol" e de orçamento.

Os sintomas começaram quando li num jornal deste país de merda, a notícia de que a malta, se quiser continuar a ter médico de família, terá de actualizar os dados no centro de saúde.

É evidente que eles agora deitam mão de tudo, para distraír o Povão do estado caótico das finanças públicas e põem os orgãos de comunicação social a empaliar o Zé Povinho, dando notícias jornalisticamente comezinhas, por estarmos numa daquelas "silly seasons" que o país atravessa e que já mete nojo.

Noticiar a necessidade de se expurgarem das listas dos médicos de família portugueses, os defuntos, os migrantes, os repetidos, não deve ter sido tarefa fácil, já que da dita medida não resulta nenhum crime de faca e alguidar, que o Povo adora.

Se formos ver, o impacto de alguém ter sido encontrado morto em casa, nove anos após a ocorrência, não é a mesma coisa que detectar e expurgar um defunto há nove anos, da lista de um qualquer médico de família, que se preze. No primeiro caso temos um morto embrulhado num lençol, em cima de uma maca e transportado por bombeiros. Já um morto de uma lista de médico de família não desperta qualquer emoção. Morreu, está morto e pronto!

Isto para dizer que muitos jornalistas não são rigorosos e também não fazem o menor esforço para o serem.

Trataram de construir um texto absurdo, onde era sugerido que uma das medidas do serviço de "limpeza", permitiria a alguém oferecer o seu médico de família a outrém.

De acordo com a errada interpretação feita por alguns jornalistas, dada à estampa, quem por acaso tiver médico de família mas por qualquer razão deixar de precisar ou de querer ser seguido por ele, poderá ceder o seu lugar na lista a um amigo, familiar ou vizinho.

O que quer dizer que, com a crise que atravessamos e atentos à interpretação feita por alguns orgãos de comunicação social, será possível assistirmos, em breve, à venda de lugares nas listas de médicos de família.

Tão degradante quanto isso.

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