terça-feira, 28 de junho de 2011

ACONTECEU COMIGO


Juro que não faço nada para atraír situações do "Arco da Velha". Mas elas vêm ter comigo.

Como toda a gente sabe, sou a mulher dos sete ofícios.

Sou hiperactiva por natureza e não consigo estar um minuto parada. Quem me conhece, sabe que sou assim quase desde que nasci e, segundo doutas opiniões de especialistas na matéria, já não terei cura e morrerei se um dia me vir forçada a parar por qualquer motivo.

Essa minha hiperactividade, e o facto de sempre ter privado com pessoas que fizeram da arte e dos livros a sua prioridade na vida, que me influenciaram, levou-me a "empaturrar-me" de alguns cursos superiores e consigo exercer várias profissões ao mesmo tempo, sem colidir com nenhuma delas.

Hoje, aprestava-me a saír de um dos meus locais de trabalho, pelas três horas da tarde, quando sou abordada por uma utente desse serviço, acompanhada da sua filha mais nova, com um ar confrangido, que me levou a indagar se a moçoila estaria doente e necessitada de cuidados médicos, para a encaminhar para um dos médicos de serviço, se fosse o caso.

- "Não, senhora. Não é nada com a minha filha. É comigo e vinha ver se me consegue resolver este problema. É que o meu médico de família mandou-me para uma consulta no Hospital, pelo ALERT P1, para o parrecologista e eu esqueci-me de pedir lá a declaração para entregar ao meu patrão que me vai descontar o dia inteiro, se eu não lhe apresentar esse documento, até ao fecho do escritório.

- "Parrecologista??????!!!!!", indaguei eu, surpreendida e já a imaginar que dali não ia saír boa coisa.

- "Sim, doutora, o médico especialista da "parreca", ao mesmo tempo que apontava para o "local".

Não contive a maior gargalhada que já dei em toda a minha vida e que se ouviu em todo o edifício.

Peguei no telefone e liguei para o Hospital. Fiz questão de resolver o problema da senhora, falando com o "parrecologista" himself que, por sua vez, nem conseguia falar de tão engasgado que ficou com a risota.

Contou-me que, um certo dia, num hospital da província, quando ainda não era ginecologista e exercia apenas medicina geral, atendeu um homem vítima de um acidente de viação, que estava preocupadíssimo com o seu joelho esquerdo onde, dizia ele, já tinha levado várias "ejaculações" (infiltrações), devido a um outro acidente.

São estes saborosos momentos que fazem a vida valer a pena.

A bendita declaração de presença, foi passada pelo "parrecologista" e enviada por fax ao patrão da senhora que me ligou logo de seguida, a agradecer a gentileza, referindo que aquele sim, era um verdadeiro médico.

Eu fiquei com mais uma história de vida, para contar, e acredito que aquele ginecologista nunca mais se irá esquecer que, afinal, em Portugal, há vários nomes para a mesma coisa, que não apenas o científico.

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