terça-feira, 21 de junho de 2011

CHEGOU MAIS UM VERÃO SEM TI


Se um dia te comparei a um dia de Verão, é porque um dia chegaste a ser o Sol e o calor da minha vida.

Mas um dia o Verão acabou, as folhas secaram e espalharam-se pelo chão, como lágrimas dispersas, transformadas em cristais reluzentes, à deriva.

Porque tudo na vida tem um final. Feliz, ou infeliz, nunca se sabe.

E ficaram apenas as pétalas secas das rosas escuras, que deixei de colher, para te oferecer, guardadas nos textos e nos poemas com que me aqueço, em busca de um novo amanhã, só meu, porque te foste para sempre.

Onde estarás?

Com quem estarás?

Não sei.

Apenas sei que já não estás aqui.



"~ Soneto 18 ~

Se te comparo a um dia de Verão
És por certo mais belo e mais ameno
O vento espalha as folhas pelo chão
E o tempo do Verão é bem pequeno.

Às vezes brilha o Sol em demasia
Outras vezes desmaia com frieza
O que é belo declina num só dia
Na terna mutação da natureza.

Mas em ti o Verão será eterno,
E a beleza que tens não perderás
Nem chegarás da morte ao triste inverno

Nestas linhas com o tempo crescerás
E enquanto nesta terra houver um ser,
Os meus versos vivos te farão viver."

Poema traduzido de William Shakespeare

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