Tenho o privilégio de viver actualmente numa zona do país, de grandes entalhadores e mestres marceneiros que transformam a madeira em autênticas obras de arte.
Não compreendo como tão bons artistas como eles são, não têm tido oportunidade de singrar na sua arte, uma arte que se está a perder, porque os mais novos preferem trabalhos menos criativos e menos trabalhosos e o Estado não lhes dá qualquer incentivo.
Muitos vivem miseravelmente. Fazem trabalhos em talha, elaboradíssimos, autênticas obras de arte que lhes são pagos a tuta e meia.
É a exploração no seu melhor.
Tornei-me amiga de um deles, a quem tenho encomendado diversas peças em talha.
Desde o emblema do Benfica, à Última Ceia de Jesus, passando por um Cristo com uma expressão que jamais vi em qualquer outro, o José Vale tem umas mãos de ouro.
Ficou muito admirado quando lhe pedi que me assinasse todas as peças que lhe encomendei. Achou o pedido bizarro, porque jamais alguém lhe pediu semelhante.
Ficou todo vaidoso quando eu lhe disse que todo o talento tem nome e que, um dia, quando eu e ele já não estivermos neste mundo, a sua obra perdurará, para gáudio de todos aqueles que, como eu, amam a verdadeira arte.
Quando será que em Portugal se recomeçará a recuperar as artes que se perderam e a dar mais valor a estes talentosos homens?
Quando será que em vez do IKEA e afins, teremos móveis de madeira genuína, desenhados e entalhados por artistas portugueses, como o José Vale?
A imagem ilustra mais um dos meus recantos, onde se podem ver as obras em talha, desse homem que eu considero um talentoso artista.


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