segunda-feira, 20 de junho de 2011

À SOMBRA DE UMA OLIVEIRA


Hoje, ao almoço, uma colega criticou-me severamente por eu abominar e não concordar com as redes sociais e recusar-me, terminantemente, a ter uma página no facebook ou em qualquer outro directório, à excepção dos meus “queridos” blogs que considero veículos de informação, enquanto os jornais oficiais e a imprensa institucionalizada, não cumprirem as suas funções de uma forma despartidarizada e isenta .

Como sou uma pessoa imune a críticas não fundamentadas, lá tive uma trabalheira enorme a justificar o meu ponto de vista, a todas as pessoas que estavam presentes e que acham que é expondo a sua vida privada, numa rede social, que terão mais ou menos notoriedade, ou mais ou menos “amigos”, consoante o caso.

Não sou a única pessoa que pensa assim. Muitos também se admiram por que motivo não dou relevância à opinião que as pessoas possam ter de mim, uma vez que dirão que, como não tenho facebook, deverei ser uma velha rezinza, desdentada, esquelética e descabelada, o que não é o caso, porque embora já esteja a caminhar para “cota”, ainda estou cá para as “curvas” e ainda meto num “chinelo” muitas moçoilas de tenra idade, porque Deus foi muito generoso com a minha pessoa, dotando-me de muito bons genes e de uma boa figura. Por isso não me posso queixar.

Não me interessam minimamente as opiniões alheias. Posso ilustrar esta minha aversão e recusa, com alguns casos recentemente comprovados e passados na minha esfera de amigos, de pessoas que têm visto as suas vidas devassadas, por causa de publicarem fotogafias de cariz pessoal no facebook, fotos essas que foram aproveitadas, modificadas e utilizadas para fins inconfessáveis. Do mesmo modo, tiveram lugar vários casos de despedimentos, burlas, extorsão, pedofilia e violação, através de redes sociais e que atingiram muitos incautos.

Mas o que mais me preocupa não são os adultos que já deveriam saber defender-se de estas situações, mas sim as crianças, que são vítimas diárias da idiotice dos pais e da “facebookização” das relações em comunidade, autorizadas por esses mesmos pais.

Li num jornal inglês, que uma adolescente de quinze anos terá cometido suicídio, ingerindo analgésicos, após ter sido vítima de “bulliyng” e de troça, na sua página pessoal, de uma rede social.

Nenhuma criança está preparada para este tipo de interacção social, que a leva a tratar as amizades como se estas fossem apenas um objecto, criando relações transitórias e desumanizadas, fora da vida em comunidade e em família.

É alarmante constatarmos que, nas redes sociais, as amizades são improvisadas e que há uma espécie de competição virtual pela posse de cada vez mais "amigos", o que leva os adolescentes a uma hipervalorização desse facto que contribuirá, sem dúvida nenhuma, para a sua alta ou baixa auto-estima, consoante a quantidade de "amigos" que conseguem “adicionar”.

Todos os dias constatamos que as relações, há muito, estão a ser enfraquecidas pelo declínio do contacto das mãos nas mãos, olhos nos olhos, face-a-face, ou pelas longas conversas que costumavamos ter ao telefone, sendo agora substituídas pela internet e pelas mensagens de texto e via sms.

Infelizmente perdemos a habilidade que um dia tivemos, de construir relacionamentos interpessoais. Estamos a perder as nossas capacidades de socialização e de como sentir dentro de nós o humor de uma pessoa, conhecer a sua linguagem corporal e gestual, de termos autocontrole em momentos de grande pressão e de amarmos alguém com todos os nossos sentidos e todas as nossas forças.

Como sociedade, estamos a perder o “outro”, aquele que nos é essencial e nos faz falta para construirmos uma comunidade de seres humanos, relativos e interpessoais, com vista a um mundo melhor, em que triunfarão as palavras e os actos e em que cada um de nós fará os possíveis para ser melhor.

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