domingo, 10 de julho de 2011

FÉ, RAZÃO, OU RITUALISMO?


A propósito da morte da Zézinha Nogueira Pinto, ando há uns dias a observar o meu Vizinho do Barreiro Velho, que tem passado alguns momentos a falar para o seu "espelho", atormentado e mergulhado numa profunda angústia metódica, ocasionada pela leitura do Salmo (23) O Bom Pastor, invocado no texto de despedida daquela que ficará na história das mulheres portuguesas, como uma grande Senhora, pelo seu carácter resiliente e lutador.

Será o agnosticismo uma fuga, pergunta ele, no final da sua análise, tomando como exemplo aqueles cidadãos eleitos para a autarquia, que costumam acompanhar a Procissão de 15 de Agosto, no Barreiro.

Tema difícil este, pois confunde-se simultaneamente com racionalismo, ateísmo e cepticismo.

Para cada definição de Deus pode haver uma discussão diferente e diferentes grupos de ateus, teístas e agnósticos.

A identificação do agnosticismo com o cepticismo filosófico, de um lado, e com o ateísmo religioso, de outro, deu ao adjectivo "agnóstico", de uso muito amplo, uma pluralidade de significados que induz à confusão.

O termo "agnosticismo" apareceu pela primeira vez em 1869 num texto do inglês Thomas H. Huxley. Este Autor criou-o como antítese ao "gnóstico" da história da igreja, que sempre se mostrava, ou pretendia mostrar-se, sabedor de coisas que ele, Huxley, ignorava. E foi como naturalista que Huxley usou o vocábulo. Com ele, aludia à atitude filosófica que nega a possibilidade de dar solução a todas as questões que não podem ser tratadas de uma perspectiva científica, especialmente as de índole metafísica e religiosa. Com isso, pretendia refutar os ataques da igreja contra o evolucionismo de Charles Darwin, que também se havia declarado agnóstico. A definição de Huxley viria possibilitar diferentes concepções do agnosticismo.

Como se vê, e em bom rigor não se pode falar de agnosticismo, mas de agnosticismos e, melhor ainda, de agnósticos, já que existe notável variedade tanto no processo intelectual pelo qual se chega às teses agnósticas, como na formulação dessas teses.

A Zézinha Nogueira Pinto era uma mulher crente e de Fé, educada na Fé, naquela Fé incutida no seio familiar, no Colégio que frequentou e nos valores que professava, porque a Fé é a força da vida.

Mas era uma mulher de Fé, simultaneamente racional, pois compreendia e dava valor e atenção a tudo o que a rodeava.

É inegável que a Humanidade passa por um estado de declínio espiritual e o facto de alguns autarcas e outras personalidades fazerem o frete de acompanhar as Procissões do 15 de Agosto, ao longo dos anos, no Barreiro, é uma prova disso mesmo.

É aquilo a que costumo chamar o cristianismo do abandono, do ritualismo frio e vazio, ou do farisaísmo legalista.

Thomas Huxley, se fosse vivo, e fosse acompanhar a Procissão de Nossa Senhora do Rosário, no dia 15 de Agosto, no Barreiro, não deixaria de reafirmar a sua célebre frase, "O destino normal das novas verdades é começar como heresias e terminar como superstições".

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