terça-feira, 27 de setembro de 2011

"A REGULADORA" - OS MELHORES TÉCNICOS RELOJOEIROS DO MUNDO


Há já uns tempos que andava "em baixo de forma" por causa de um dos meus objectos de estimação, herdado dos meus bisavós paternos.

De repente deixou de preencher o meu "vazio" com as suas suaves badaladas que me faziam reviver episódios da minha meninice e juventude, sobretudo a hora do lanche, em casa dos meus Avós, com sabor do arroz doce e das torradas e aquele cheiro a café com leite, que jamais voltarei a sentir em toda a minha vida.

Aquele relógio era "matemático" e nós, os mais pequenos, sabiamos sempre que àquela hora a nossa Avó esmerava-se e caprichava no lanche dos seus meninos e menina que era eu e os meus primos.

Um dia deixou de trabalhar mas eu mantive-o pendurado, apesar de mudo, pelo significado que ele sempre teve para mim e para a minha família.

Corri vários técnicos de relojoaria que nunca conseguiram pô-lo a funcionar: "tem um mecanismo muito antigo, diziam. Não vai encontrar ninguém capaz de o arranjar, a menos que lhe ponha uma máquina nova e mude toda a engrenagem".

Trouxe-o para casa e pendurei-o no sítio onde sempre o tive. Nesse dia, como que em protesto, desatou a dar badaladas, sem parar, mesmo sem que a corda estivesse activada.

Liguei para um amigo meu, engenheiro mecânico, que me sugeriu levá-lo à Reguladora, em Famalicão, considerados dos melhores técnicos do mundo em relojoaria.

Meu dito, meu feito. O relógio foi-me entregue hoje, arranjado, apesar de ser quase uma peça de museu, mantiveram a mesma engrenagem e não atrasa nem adianta um segundo.

Continua a dar as suas badaladas, aquelas badaladas que ainda hoje me transportam aos meus tempos de criança.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

PALMITOS DE VIANA


Falando de coisas muito mais agradáveis e mais "étnicas", tenho aproveitado todos os momentos que tenho livres, principalmente aos fins de semana, para desfrutar do excelente mês de Setembro que tem estado, com um calor magnífico, para conhecer, melhor, Portugal.

Sem pôr em causa o meu gosto por tudo aquilo que é genuíno, não consigo deixar de me encantar pelo produto nacional, por tudo aquilo que por cá se fabrica, pela criatividade dos nossos artesãos que não deixam os seus créditos por mãos alheias.

O Distrito de Viana do Castelo é pródigo em autênticas obras de arte. Desde os bordados, passando pela ourivesaria e acabando nos magníficos palmitos que eles fabricam como ninguém, aquela cidade é a minha "perdição".

Ofereceram-me vários lenços dos namorados, cheios de frases ternurentas, com muitos erros ortográficos, que mandei emoldurar e que ficaram giríssimos num dos meus recantos.

Não resisti aos palmitos. Agora tornei-me coleccionadora e qualquer dia destes acho que já não vou conseguir entrar em casa, com tanta "tralha" que tenho. Pelo menos é o que dizem aqueles meus amigos que acham que moro num "museu" de arte antiga.

Mas eu cá sou assim. Acho que não conseguiria viver num espaço que não fosse totalmente criado por mim e onde não me sentisse lindamente, na companhia das minhas "imbambas", dos meus cachorros e de todos aqueles que amo e que gostam de mim.

Sinto-me uma privilegiada, porque sou uma pessoa feliz.

A vida é bela e precisamos saber vivê-la, sem "atropelar" ninguém.

É UMA ESPÉCIE DE "MAGIA"


Em Portugal a "classe política" é uma cambada de oportunistas.

Se é que alguém no seu perfeito juízo pode considerar como "políticos" essas aves raras e ociosas, que proliferam por aí e não sabem fazer outra coisa que não seja dar nas vistas, viver do erário público e à custa de trafulhices, pois nunca aprenderam a trabalhar.

Portugal deve ser o único país no mundo onde essas avantesmas entram na "respublica" tesos que nem carapaus e com um décimo segundo ano tirado nas novas oportunidades e depois saem "licenciados" e milionários, com uma conta choruda num offshore.

Estou a pensar como é que o outro consegue viver e estudar em Paris, sem vencimento, fazer vida de luxo e oferecer lautos almoços aos amigalhaços.

"It's a kind of magic".

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

AGORA É A VEZ DESTE


Ena, ena!

o Partido Socialista já tem um novo "hino".

Depois do Guterres com o seu "hino" de campanha, a pirosa música de Vangelis “1942: Conquest Of Paradise”, que fiquei a detestar, seguiu-se-lhe José Sócrates com o tema do filme "O Gladiador", tocado até à exaustão, o que fez com que eu odeie semelhante música.

No XVIII Congresso do PS, em Braga, foi a vez de António José Seguro ser pouco original e adoptar, também ele, o tema principal da série televisiva "Norte e Sul", que versava a guerra de secessão americana e a abolição da escravatura naquele país.

Da maneira como estão as coisas no nosso país, o Partido Socialista, como causador da actual situação de Portugal, deveria ser coerente e ter adoptado o tema do filme "Titanic", "My heart will go on", cantado por Celine Dion.

Escusado será dizer que Portugal, actualmente, é como se fosse um barco que carrega todos aqueles contribuintes que trabalham no duro e não podem fugir ao fisco. São eles que sustentam aqueles ricaços que devem milhões à banca, não pagam um cú e ainda gozam o prato, como é o caso do Senhor Berardo.

Tal como no filme, o barco vai afundar, e só os ricos vão escapar.

Afinal o rei ia nú.

E havia um iceberg, no lugar do paraíso prometido.

OLHA QUE DOIS!


Parece que os dois querem passar despercebidos, mas não conseguem.

Estas duas criaturas são verdadeiros maus exemplos para os portugueses.

Um enterrou Portugal e caíu dentro da sepultura que cavou.

O outro acha que a sepultura é pequena demais e está a começar a afundá-la.

Saíu melhor que a encomenda.

Seria uma boa ideia, se fossem ambos estudar Filosofia, para Paris.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

MISS UNIVERSO 2011


Foi com grande orgulho que recebi a notícia de que a lindíssima Leila Luliana da Costa Vieira Lopes, de 25 anos, natural de Benguela, minha terra natal, filha de uma amiga de longa data, foi coroada,na passada madrugada, no Brasil, Miss Universo 2011.

Nós, as angolanas, somos assim.

Modéstia à parte.

Uélélé Angola!

domingo, 11 de setembro de 2011

CONSELHO


Se um dia fores surpreendido a dormir no local de trabalho, levanta a cabeça, lentamente, continua com os olhos fechados, e diz:

- E proteje também o meu amado Chefe, Amém ...

sábado, 10 de setembro de 2011

RECICLAR


Por altura das mudanças de Estação, Tenho por hábito fazer uma "revisão" nos armários e gavetas cá de casa, para deitar fora o que já não serve e escolher aquelas roupas e outros artefactos praticamente novos, que já não quero, para oferecer a centros de apoio a carenciados, que os aproveitam para aquelas pessoas que, infelizmente, não têm possibilidades de os comprar.

Também sou cem por cento adepta da reciclagem, ao ponto de ter comprado um recipiente especial, dividido em três cores diferentes, onde separo todas as coisas que deito ao lixo, para as depositar no ecoponto perto de casa.

Sem ser fundamentalista, sigo aquele princípio dos três R's porque estou consciente que se deve sempre separar os resíduos recicláveis.

Reciclar materiais permite reutilizá-los como matéria-prima no fabrico de novos produtos, diminuindo o uso de recursos naturais (muitos dos quais não renováveis). Além disso, fabricar novos produtos a partir de materiais usados, consome menos energia do que a partir de matérias virgens.

Eu sou daquelas "gaijas" que mete as pilhas gastas no "pilhão" e também guarda todas as tampinhas das garrafas de água e de outros líquidos, que depois vão ser úteis a pessoas que necessitam de próteses.

Como sei que o meu município tem avisos por toda a parte, a apelar às pessoas que separem em casa as embalagens usadas (metal, plástico, papel, cartão e vidro), antes de as meterem no ecoponto, faço os possíveis para cumprir e ter em conta algumas regras básicas.

Tenho a pachorra de separar os restos de comida, com vista à compostagem, retiro tampas e rolhas, pois, na maioria dos casos, são feitas de materiais diferentes da embalagem que vedam, escorro o conteúdo das embalagens e, para evitar maus cheiros, passo-as por água. Espalmo, sempre que possível, as embalagens (caixas, embalagens de cartão para alimentos como o leite ou sumos, garrafas e garrafões de plástico).

Tudo muito bonito e muito ecológico, não fosse o facto de hoje, quando ia com a mala do carro cheia de sacos separados, para despejar no ecoponto, ter observado que os homens do camião que faz a recolha dos lixos, "botam tudo p'ó balde".

Vidrão, papelão, pilhão e lixo indiferenciado, todo despejado para o mesmo sítio com a ajuda de uma grua.

- Olhe lá, ó Senhor, mas isto agora é assim? Mais valia porem só os contentores do lixo indiferenciado, já que não o recolhem separadamente e não fazerem apelos à separação dos lixos.

O homenzinho da grua, olhou-me com um ar de desdém, e respondeu-me com uma voz já toldada pelas "bejecas":

- A Senhora se quiser reclamar, tem de ir à "Cambra". As ordens que temos, é meter tudo no mesmo carro e depois na central é que fazem a escolha dos lixos. São ordens.

Bonito serviço, pensei eu.

Esteve uma "gaija" com tanto trabalho, a perder tanto tempo, a separar tudo, para constatar que, afinal, tudo não passa de um embuste e que a "Cambra" está-se borrifando para o ambiente.

Apeteceu-me pegar fogo ao ecoponto.

Juro!

terça-feira, 6 de setembro de 2011

"REFLECTIONS OF MY LIFE"



Estamos na chamada "rentrée", o começo de mais um ano de trabalho intenso, porque em Portugal há muito que se adquiriu o hábito de pausar, normalmente durante as chamadas férias de Verão.

A próxima semana vai ser a "doer" para muitos de nós que não sabemos e podemos fazer outra coisa senão trabalhar.

Para mais agora que o País atravessa a pior crise de sempre.

Todo o esforço vai ser pouco, para "endireitar" tudo aquilo que foi destruido por uma governação selvagem.

Animem-se e pensem que não vale a pena chorar. O mal já está feito e agora há que tentar reparar os danos causados por um mentiroso compulsivo e o seu gang, que se estão cagando para os portugueses, porque, segundo as notícias vindas a público, algures num offshore, já lá "cantam" uns milhões de euros, porque o dinheiro deles é fêmea e reproduz-se vertiginosamente.

Só nos resta reflectir se é isto que queremos para nós e para Portugal e se já não estará na hora de fazermos um novo 25 de Abril, mas desta vez sem cravos.

Esta música tem uns anos e canto-a muitas vezes nas tertúlias, com os amigos.

Faz-me recordar tempos passados que, atentos ao que se está a passar actualmente, não eram tão maus quanto isso.

Reflectir, precisa-se!

domingo, 4 de setembro de 2011

DEMASIADO "BLINK"


Não sei o que é que deu aos portugueses, que agora se tornaram apologistas da moda dos brilhantes e purpurinas fajutos, moda essa que se estendeu também às lojas de flores.

Hoje em dia, não há florista que seja capaz de fazer um ramo de rosas, sem lhes pespegar com aquela purpurina horrorosa, em spray, um autêntico atentado à beleza natural das flores.

A minha florista preferida, está de férias até meados de Setembro. Ela já conhece os meus gostos, e a maior parte das vezes basta telefonar-lhe e encomendar o que quero, normalmente rosas, que ela atavia com primor e elegância. É um descanso e um regalo para a vista, todos os ramos que saem das suas mãos.

Ontem precisei de oferecer flores a alguém.

É que eu ainda sou do tempo daquilo que alguns classificam, hoje, de "paneleirice", que é o oferecer flores a quem nos convida para um jantar em sua casa, sem que tenha connosco grande intimidade.

Na ausência da florista a que estou habituada a fazer as minhas encomendas, tive de recorrer a uma que está instalada no hall de uma grande superfície, da cidade do Porto, para encomendar um ramo de vinte e três rosas brancas, as preferidas da minha anfitriã.

Começou logo por querer pôr um número par de rosas, vinte e quatro, o que me deixou com os cabelos em pé. É inadmissível que uma pessoa que trabalha como florista, não saiba que não é de bom tom, oferecer ramos com um número par de flores.

Tive uma trabalheira enorme para a convencer e explicar-lhe o motivo. Mesmo assim, entregou-me a rosa sobrante, enfiada num cartucho de celofane, para eu pagar o correspondente a duas dúzias de rosas.

Não contente com isso, foi-se a uma lata de purpurina e, com um ar triunfante de missão cumprida, aprestava-se a borrifar-me e a estragar-me as flores com aqueles brilhantes fatelas.

Dei um grito que se ouviu no shopping inteiro e protegi as rosas da sua fúria "blink".

Acho de tremendo mau gosto o uso de purpurinas nas flores naturais e tenho verificado que esse uso é generalizado.

Assim como odeio rosas azuis.

Enfim, são coisas minhas. Seria uma monotonia se todos tivessemos os mesmos gostos.

A vida não seria tão interessante.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

DIAS DE RAIVA


Por estes dias retomei a minha função de voluntária num hospital perto de mim.

Tenho acompanhado o caso de um idoso de oitenta e muitos anos, quase moribundo, cheio de dores, que foi operado à próstata, apesar de estar com uma anemia brutal e de os médicos não terem tido em consideração que também tem um pacemaker instalado, o que desaconselharia totalmente a intervenção cirúrgica, pelo menos neste momento de tão débil condição. Merda de hospital, de médicos e de pessoal.

Para completar o cenário, o velhote é Padre e tem vários sobrinhos candidatos a uma choruda herança, segundo eles próprios me disseram. Um deles não engana ninguém, com o seu ar de chico-gosma à espera que o homem vá desta para melhor. Pela conversa, é o "administrador" dos bens do tio e já foi adiantando aos outros candidatos, que esse facto vai pesar e que tem custos. Lavar e levar roupa lavada, fazer visitas, cuidar da casa e dos animais de estimação do doente, é coisa que também não é feita à borla e tem os seus custos, porque a gasolina está cara.

Fiquei enojada.

Uma das sobrinhas teve a lata de me dizer que tinha acabado as férias no Algarve, ia trabalhar no dia seguinte e que só podia ir naquele dia visitar o tio. Descargo de consciência, pensei eu.

Mas que grandes filhos da puta, desabafei com os meus botões.

Hoje, quando me despedi do doente, antes de ser posto em coma induzido, pela gravidade do seu estado, este perguntou-me por que me ia embora e se não podia ficar ali, com ele, mais algum tempo. Apertou-me uma das mãos, com tal força, que tive dificuldade em me libertar.

Prometi-lhe que voltava amanhã, e saí do hospital a correr.

Cá fora, os cangalheiros já estavam de "dente afiado", ao doente do piso 7, cama 783.

Dei por mim sentada à beira mar, no lugar do costume, inerte, sentindo raiva e uma tristeza infinitas.

Mas que grandes filhos da puta!