domingo, 4 de setembro de 2011

DEMASIADO "BLINK"


Não sei o que é que deu aos portugueses, que agora se tornaram apologistas da moda dos brilhantes e purpurinas fajutos, moda essa que se estendeu também às lojas de flores.

Hoje em dia, não há florista que seja capaz de fazer um ramo de rosas, sem lhes pespegar com aquela purpurina horrorosa, em spray, um autêntico atentado à beleza natural das flores.

A minha florista preferida, está de férias até meados de Setembro. Ela já conhece os meus gostos, e a maior parte das vezes basta telefonar-lhe e encomendar o que quero, normalmente rosas, que ela atavia com primor e elegância. É um descanso e um regalo para a vista, todos os ramos que saem das suas mãos.

Ontem precisei de oferecer flores a alguém.

É que eu ainda sou do tempo daquilo que alguns classificam, hoje, de "paneleirice", que é o oferecer flores a quem nos convida para um jantar em sua casa, sem que tenha connosco grande intimidade.

Na ausência da florista a que estou habituada a fazer as minhas encomendas, tive de recorrer a uma que está instalada no hall de uma grande superfície, da cidade do Porto, para encomendar um ramo de vinte e três rosas brancas, as preferidas da minha anfitriã.

Começou logo por querer pôr um número par de rosas, vinte e quatro, o que me deixou com os cabelos em pé. É inadmissível que uma pessoa que trabalha como florista, não saiba que não é de bom tom, oferecer ramos com um número par de flores.

Tive uma trabalheira enorme para a convencer e explicar-lhe o motivo. Mesmo assim, entregou-me a rosa sobrante, enfiada num cartucho de celofane, para eu pagar o correspondente a duas dúzias de rosas.

Não contente com isso, foi-se a uma lata de purpurina e, com um ar triunfante de missão cumprida, aprestava-se a borrifar-me e a estragar-me as flores com aqueles brilhantes fatelas.

Dei um grito que se ouviu no shopping inteiro e protegi as rosas da sua fúria "blink".

Acho de tremendo mau gosto o uso de purpurinas nas flores naturais e tenho verificado que esse uso é generalizado.

Assim como odeio rosas azuis.

Enfim, são coisas minhas. Seria uma monotonia se todos tivessemos os mesmos gostos.

A vida não seria tão interessante.

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