
No início do próximo ano, mais concretamente no dia 6 de Janeiro de 2012, e segundo reza a tradição cristã, três reis atravessarão enormes desertos, desafiando o sol ardente, a sede e inúmeros outros perigos, para chegarem a terras da Judeia.
Merklior, o jovem Gaspar e Baltazar seguirão a brilhante Estrela de Belém, e guiados por ela, meter-se-ão a caminho para saudar a chegada daquele que, segundo a profecia, será o Rei dos Reis.
Para nós portugueses, a partir de 1 de Janeiro, os três reis magos simbolizarão a crise que nos assola a todos, o regredir civilizacional, a estagnação, a falta de objectivos para todos aqueles que se têm visto a braços com o desemprego serôdio, a falência e a pobreza generalizada.
Após uma longa viagem, finalmente chegarão à gruta pobre e lúgubre que é Portugal, onde afinal não encontrarão Jesus.
Nas palhinhas encontrarão, deitado, um ser tenebroso, vampiresco, disforme, alaranjado, com cornos, garras de águia e olhos de serpente.
Cada um deles ajoelhar-se-á para louvá-lo e lhe prestar homenagem.
Baltasar oferecerá ouro, símbolo daquilo que já não temos.
MerKlior oferecerá mirra, uma resina usada para perfumar e embalsamar os mortos-vivos deste país que não reage.
Gaspar, com as suas falinhas mansas e o seu ar de quem passa as noites na ganza, a ler histórias de vampiros, vem por trás e saca tudo.
Curiosidade: os três reis magos representam os povos do mundo, de todas as raças e etnias.
Por cá, o dia de Reis representará o começo de um duro penar, para todos aqueles que vivem apenas do seu trabalho.


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