domingo, 26 de fevereiro de 2012

DE VOLTA




Desculpem-me  se desliguei os telefones, se não respondi às Vossas mensagens, se não abri a porta e se não ouviram  falar de mim por ai.

Precisei de tirar um tempo,  para me ausentar de mim e recordar  todas as coisas boas que vivi com aquele que um dia me fez nascer e me chamou Flor.

Sempre acreditei  que eras eterno. Doce ilusão!

Mas o tal  dia fatídico chegou,  e eu não estava preparada para te  ver partir.

Costumavamos  passar horas a tentar decifrar os pensamentos um do outro e o teu olhar esmeralda cruzava-se com o meu e as tuas mãos apertavam as minhas, como se não quisesses deixar fugir os momentos, os instantes, a vida que sabias por um fio.

Nos dias cinzentos  somente o teu abraço me confortava, eras insubstituível.

E todas aquelas conversas jogadas fora,  nos finais de tarde, eram como um bálsamo que me servia de remédio.

Os nossos encontros foram sempre marcados por tantas despedidas, tanta esperança e frio na barriga. E a única coisa que eu desejava nesses momentos, era que a cada despedida um novo encontro surgisse, porque poderiam passar dias, meses e anos, mas a vida não podia terminar ali.

Acredita, ainda sou a tua menina. Aquela que andava  descalça e com quem brincavas ao final do dia.

Ainda sou aquela que revira o baú,  até encontrar todas as boas lembranças que partilhámos.

Continuo a ser aquela rebelde que estará ao teu lado, em pensamento,  para dar-te  um abraço, um beijo e roubar-te  um sorriso, quando menos esperares. Aquela que não conseguiu chegar a tempo para estar contigo.  Aquela que nunca deixou de acatar os teus conselhos. Acredita!

Ficou um vazio. Não sei como irei  passar o resto da minha vida sem ti, sem me importar.

Tirar um tempo de tudo,  é necessário.

Organizar as coisas para ter a  certeza do que queremos para a nossa vida.


Foi assim que eu soube que nunca irei esquecer-me de ti.

Sinto a tua falta.

Adeus, Papá!