Desculpem-me se desliguei os telefones, se não respondi às Vossas mensagens, se não abri a porta e se não ouviram falar de mim por ai.
Precisei de tirar um tempo, para me ausentar de mim e recordar todas as coisas boas que vivi com aquele que um dia me fez nascer e me chamou Flor.
Sempre acreditei que eras eterno. Doce ilusão!
Mas o tal dia fatídico chegou, e eu não estava preparada para te ver partir.
Costumavamos passar horas a tentar decifrar os pensamentos um do outro e o teu olhar esmeralda cruzava-se com o meu e as tuas mãos apertavam as minhas, como se não quisesses deixar fugir os momentos, os instantes, a vida que sabias por um fio.
Nos dias cinzentos somente o teu abraço me confortava, eras insubstituível.
E todas aquelas conversas jogadas fora, nos finais de tarde, eram como um bálsamo que me servia de remédio.
Os nossos encontros foram sempre marcados por tantas despedidas, tanta esperança e frio na barriga. E a única coisa que eu desejava nesses momentos, era que a cada despedida um novo encontro surgisse, porque poderiam passar dias, meses e anos, mas a vida não podia terminar ali.
Acredita, ainda sou a tua menina. Aquela que andava descalça e com quem brincavas ao final do dia.
Ainda sou aquela que revira o baú, até encontrar todas as boas lembranças que partilhámos.
Continuo a ser aquela rebelde que estará ao teu lado, em pensamento, para dar-te um abraço, um beijo e roubar-te um sorriso, quando menos esperares. Aquela que não conseguiu chegar a tempo para estar contigo. Aquela que nunca deixou de acatar os teus conselhos. Acredita!
Ficou um vazio. Não sei como irei passar o resto da minha vida sem ti, sem me importar.
Tirar um tempo de tudo, é necessário.
Organizar as coisas para ter a certeza do que queremos para a nossa vida.
Foi assim que eu soube que nunca irei esquecer-me de ti.
Foi assim que eu soube que nunca irei esquecer-me de ti.
Sinto a tua falta.
Adeus, Papá!



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