quarta-feira, 28 de março de 2012

"OBSESSÕES"



Ultimamente, e por motivos vários,  tenho-me dedicado ao estudo das patologias obsessivas-compulsivas.

Diz a ciência que o processo terapêutico é de extrema importância para certo tipo de obsessivos, incluindo o mais recente, o chamado "stalker" que persegue a sua vítima de todas as maneiras e feitios.

Como técnica, aconselho aos obsessivos, frente ao mínimo sinal, procurar a ajuda especializada de um psicólogo ou psiquiatra,  o quanto antes, para que,  de facto, se inicie um processo eficaz ao tratamento dessa patologia que tira qualquer um do sério.

Como ser humano, acho que o melhor seria, sem dúvida, uma cachaporra por aqueles cornos abaixo, até se lhes acabar a mania.



 

 


terça-feira, 27 de março de 2012

O SENHOR VINHO



Não sou amante de bebidas alcoolicas e não bebo,  por convicção.

No entanto sei escolher um bom vinho e, nesse aspecto, nunca deixei os meus créditos por mãos alheias.

Que o digam os lateiros e as lateiras que frequentam a minha casa.

Mas juro que hoje, depois de ver o Chelsea a marcar aquele golo ao Benfica,  desejei apanhar a maior "torcida" da minha vida, para esquecer que temos um treinador como o Jesus.

Hoje comparei a prestação do Benfica, àquelas  pessoas que bebem vinho tinto fresco, e desliguei a televisão, para não ter uma coisinha má.

Ai Jesus! 

Eu quero uma garrafa só para mim.


quarta-feira, 21 de março de 2012

O PECADO DA GULA




Aproxima-se a Páscoa, uma quadra que gosto de festejar, mais do que o Natal.

O Natal faz-me lembrar bacalhau e eu detesto bacalhau.

Sou mais apologista do cabrito assado em forno de lenha, com grelos salteados e aquelas saborosas batatinhas coradinhas e redondinhas, capazes de dar vista a um cego.

Não como muito, é certo, mas quando como,  é para valer. Que o diga a minha Amiga D.ª Mimi, transmontana de gema, que conhece e alimenta todos os meus vícios e pecados em relação à comida.

Esta semana já começou os seus "ensaios" do folar de carne, tradição Pascal em Trás-os-Montes.

Hoje mandou-me um enorme, que distribuí pelos lateiros do costume.  Lamberam os beiços e suspiraram por mais.

Quando dei conta, ficaram apenas umas migalhitas e,  se não me ponho a pau,  até o prato ia.  

"Que a D.ª Mimi viva muitos e felizes anos", desejaram os lateiros.

A D.ª Mimi é uma "Nação", disse eu, porque o melhor que se leva desta vida é o que se come e o que se bebe e ela cozinha como ninguém.

À parte os trocadilhos dos mais malandrecos, sobre o verbo "comer" e "cozinhar", todos foram unânimes em considerar que o pecado da gula,  devia ser banido dos Dez Mandamentos. 

Para a semana diz ela que há mais.


Que venha ele!




segunda-feira, 19 de março de 2012

PARA O CÉU


Que tenhas um Dia Feliz!

sábado, 17 de março de 2012

QUANDO O TELEFONE TOCAVA



Ontem,  ao jantar, em conversa com um grupo de amigos, cheguei à conclusão que devo ser das raras pessoas que não está inscrita em redes sociais.

Continuo a receber,  diariamente,  uma infinidade de convites para ser "amiga" de alguém e aderir ao facebook, badoo, twitter, e outros,  convites esses que vão logo direitinhos para o "lixo".

Essas "amizades" de faz de conta, fazem-me rir.

E o ar de admiração que fazem quando digo que não, não tenho "facebook",  nem pretendo vir a ter...

É isso e os telemóveis. Odeio telemóveis. Evito telemóveis. Eles proporcionam a invasão da nossa privacidade. Sobretudo quando uma gaja está a descansar e se esqueceu de pôr o dito cujo em modo silencioso.

Já tenho saudades de ouvir o toque estridente daquele telefone que poucas pessoas tinham em casa,  preto ou de côr creme, antigo, matacão, com aquela roda para discar os números, roda essa onde  às vezes se entalava o dedinho e  funcionava como corta-unhas.  

Nos dias de hoje,  por dá cá aquela palha, toca o telemóvel e mandam-se mensagens. Não tem piada nenhuma,  pois é tudo muito previsível.

Continuo a ter saudades dos tempos da velhinha e gorda lista  telefonica,  cujo destino fatal,  sem o controle da ASAE, era acabar no carrinho de algum vendedor ambulante, como papel de embrulho de saborosas castanhas assadas, durante o Outono e Inverno.

O tempo passa mas ficam as boas recordações.













sexta-feira, 16 de março de 2012

REQUINTES DE MALVADEZ


Portugal no seu melhor.

O grandessíssimo cabrão que abandonou o bicho, amarrado aos rails de uma auto-estrada portuguesa, merecia ser empalado num dos  mastros  das bandeiras  da Assembleia da República.

domingo, 11 de março de 2012

BARREIRO AMARGO


Há já uns tempos que não vinha até ao Barreiro.

Ontem à tarde resolvi pôr meia duzia de peças de roupa num saco e fazer-me à auto-estrada,  até à margem sul do Tejo, onde cheguei à hora do jantar.

Curiosamente não me apeteceu, desta vez, ir ao meu restaurante preferido comer aquele peixe grelhado que só eles sabem fazer. Talvez porque ultimamente não me apeteça estar com muita gente à minha volta. E também porque não estava na disposição de ter algum "encontro imediato de terceiro grau", com gente que abomino totalmente,  pela sua boçalidade e falta de carácter. 

Chegada a casa, poisei o saco e corri ao supermercado mais próximo para comprar pão, uns ovos, queijo, vegetais e outras mercearias que não tinha, porque não avisei que vinha.

Fiz uma enorme omeleta de queijo, acompanhada de uma salada temperada com orégãos e depois  fui ao café da esquina, tomar um café. O dono, amigo da minha família há muitos anos,  admirou-se por me ver ali aquela hora, sozinha, "porque já passava das dez".

Não percebo essa coisa de muita gente  pensar que uma mulher não pode andar sozinha na rua, depois das dez.

Ainda por cima, àquela hora,  tive de ir ao Forum comprar um pijama para dormir,  porque, com a pressa,  esqueci-me de meter esse artefacto na bagagem.

Verifiquei que as pessoas,  no Barreiro, andam tristes e com um ar infeliz. Muito mais que no Norte do país.

Hoje de manhã  fui tomar o pequeno almoço à beira-rio e confirmei as minhas suspeitas: o Barreiro está triste.

Todo ele.


 


quinta-feira, 8 de março de 2012

AS "RELOTES"


Anda tudo muito preocupado com a Reorganização Administrativa Territorial Autárquica.

Uma das minhas alunas, Presidente de uma Junta de Freguesia, manifestava-me hoje a sua apreensão pela nova reestruturação ao nível do poder local.

"Não é por nada", dizia-me ela. "Mas sempre ajudavamos a minorar a solidão e as condições deploráveis em que vivem dezenas de idosos. Sem a Junta, onde irão eles tratar dos seus problemas? Os transportes, para a sede do concelho, são quase inexistentes e caros ".

Se atentarmos no facto de essa Junta de Freguesia, ter menos de 1000 habitantes, fiquei a matutar se, qualquer dia destes, o  nosso PM e o Ministro das Finanças não irão lançar um concurso público para aquisição de roulotes que substituirão na perfeição essas unidades funcionais, representantes da Administração Central e Local, junto daqueles papalvos que descontaram uma vida inteira para terem hoje uma reforma e condições de merda e daqueloutros que, sem meios de subsistência ou de locomoção,  não têm nada que incomodar o Estado com pedidos de certidões e outros documentos.  

De terra em terra, essas "relotes" itinerantes, conduzidas por um licenciado, a recibos verdes,  vão proporcionar, em dias certos da semana, àqueles que não têm meios materiais para se deslocarem mais longe, a possibilidade de tratarem dos seus assuntos.

Para rentabilizar as mesmas, vão vender-se também umas raspadinhas, lotaria popular, lotaria nacional e ainda umas sandes de coiratos, umas bejecas, umas  mines e uns CD´s do Toni Carreira.

quarta-feira, 7 de março de 2012

VIZINHANÇAS



Recebi uma infinidade de mensagens enquanto estive ausente do blogue.

Disseram alguns "maldosos" que acharam muito estranho o facto de eu ter desaparecido  juntamente com o meu "bizinho" do Barreiro Velho,  e que mais estranho ainda,  foi termos reaparecido no mesmo dia.

Ele com um tema sobre a degradação do Barreiro Velho e eu com a tristeza que ultimamente me vai na alma.  

Dois temas tristes.

Pois bem, para quem não sabe, eu e o meu bizinho não estivemos juntos, embora tenha havido quem dissesse que, finalmente, ele tinha resolvido ajudar-me a catalogar os livros da minha biblioteca.

Foi pura coincidência.

Embora eu e ele tenhamos uma grande afinidade  mental, quase telepática, ele foge de mim a sete pés, porque não gosta que lhe dê beliscões no traseiro.

Adoro dar-lhe beliscões no traseiro e cuscar o que anda a fazer dentro de casa.

Bizinho, ainda estou à sua espera para arrumar a livralhada e chegar às estantes mais altas.

Um dia destes colo o dedinho à campainha da sua porta, para convidá-lo a tomar uma chávena de chá e comer  umas bolachinhas de manteiga que a D.ª Mimi me ensinou a fazer.




sábado, 3 de março de 2012

"OS TOMATES!"



Retomei há poucos dias as funções de voluntária numa organização não governamental, perto de mim.

Tenho ensinado idosos a ler e a escrever, uma tarefa gratificante e enriquecedora,  pois tenho aprendido imensas coisas com esses meus "alunos" mais velhos.

Ontem fiz-lhes um desafio: como já sabiam construir muitas  frases sem erros e atendendo à seca que grassa no nosso país, deveriam fazer uma composição com um máximo de dez linhas, sobre a água e os seus benefícios, dando-lhe o título que achassem mais adequado.

Todos apresentaram os seus trabalhos.

Uns mais criativos e outros menos.

O que mais se destacou foi o do Senhor José, um  agricultor de 79 anos, de olhos vivos, com as mãos calejadas, sorriso maroto e resposta pronta.

O título chamou-me logo a atenção: "Os tomates!".

Dizia ele na sua redacção, que  "a água é boa para regar, lavar os tomates e tomar banho".

No final das várias considerações que teceu sobre a água, ele rematou: "A água dá saúde, porque quando tomamos banho, nos primeiros quinze dias, sentimo-nos mesmo fresquinhos". 

O Senhor José já me fez rir por diversas vezes, com a sua forma simples e directa, de colocar questões, muitas delas pertinentes.

Neste caso, juro que nunca tinha visto a utilidade da água por aquele prisma.