domingo, 11 de março de 2012

BARREIRO AMARGO


Há já uns tempos que não vinha até ao Barreiro.

Ontem à tarde resolvi pôr meia duzia de peças de roupa num saco e fazer-me à auto-estrada,  até à margem sul do Tejo, onde cheguei à hora do jantar.

Curiosamente não me apeteceu, desta vez, ir ao meu restaurante preferido comer aquele peixe grelhado que só eles sabem fazer. Talvez porque ultimamente não me apeteça estar com muita gente à minha volta. E também porque não estava na disposição de ter algum "encontro imediato de terceiro grau", com gente que abomino totalmente,  pela sua boçalidade e falta de carácter. 

Chegada a casa, poisei o saco e corri ao supermercado mais próximo para comprar pão, uns ovos, queijo, vegetais e outras mercearias que não tinha, porque não avisei que vinha.

Fiz uma enorme omeleta de queijo, acompanhada de uma salada temperada com orégãos e depois  fui ao café da esquina, tomar um café. O dono, amigo da minha família há muitos anos,  admirou-se por me ver ali aquela hora, sozinha, "porque já passava das dez".

Não percebo essa coisa de muita gente  pensar que uma mulher não pode andar sozinha na rua, depois das dez.

Ainda por cima, àquela hora,  tive de ir ao Forum comprar um pijama para dormir,  porque, com a pressa,  esqueci-me de meter esse artefacto na bagagem.

Verifiquei que as pessoas,  no Barreiro, andam tristes e com um ar infeliz. Muito mais que no Norte do país.

Hoje de manhã  fui tomar o pequeno almoço à beira-rio e confirmei as minhas suspeitas: o Barreiro está triste.

Todo ele.


 


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