Por regra, todos os fins de semana, costumo pegar nas minhas câmaras de fotografar e de filmar, e partir em busca de novas paisagens e de bons locais de lazer, onde possa relaxar um pouco e desanuviar os pensamentos.
O meu local preferido são as arribas do Douro e toda aquela parte da confluência dos rios Côa e Douro com especial destaque (passe o pleonasmo) para o miradouro de Paradela e barragem do Crasto. Um autêntico Paraíso onde por vezes me apetece voar, tal a sensação de liberdade que a paisagem provoca em mim.
Estava eu um dia destes em plena acção contemplativa, de pé, empoleirada no muro do miradouro, quando me sinto agarrada e puxada para trás, ao mesmo tempo que oiço uma voz masculina a dizer: "Não faça isso, a vida tem tantas coisas belas, que é pecado desperdiçá-la. Só a morte não tem solução".
Era um "puto" dos seus vinte e poucos anos, a quem me apeteceu pregar um chapo, por causa do valente susto que me pregou. O sacana do rapaz pensou que eu me queria atirar lá de cima e toca de se armar em salvador de serviço.
Ficou muito atrapalhado quando verificou que se enganara profundamente e fartou-se de me pedir desculpas por ter interpretado mal o meu gesto.
Já uma "gaija" não pode dar asas ao seu entusiasmo, sem que alguém comece logo a pensar barbaridades.
Eu relevei a atitude do moçoilo. Até porque era um pedaço de mau caminho, apesar de eu não ser pedófila.
Disse-lhe que a contagem começou no dia em que viemos ao Mundo. Cada dia que passa é menos um dia e há que vivê-lo com plenitude e, se possível, sem causar dano a ninguém.
Eu sei que a minha contagem já foi muitas vezes interrompida e que já estive quase a bater a "cacholeta".
Só peço ao Criador que, antes desse dia chegar, me dê a oportunidade de me despedir de todos aqueles que comigo privaram e de poder dizer-lhes todas as coisas que nunca tive oportunidade de dizer, ou que eles nunca quiseram ouvir.
Acho que não estou a pedir demais.


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