quarta-feira, 23 de maio de 2012

"TOQUINHAS DE GRILOS"



Tenho o privilégio de ter uma meia dúzia de  alunos muito atrevidotes, mas excelentes pessoas, com um inegável sentido de humor.

Apesar de estarem já na casa dos trintas e tais, com responsabilidades familiares e profissionais,  muitas vezes comportam-se como autênticas crianças a quem apetece dar uma sapatada, de vez em quando.

Mas eu primo pela cordialidade e faço sempre os possíveis para que as minhas aulas não sejam secas tremendas, já que Direito Fiscal e Finanças Públicas não são propriamente cadeiras comparáveis a "corte e costura" ou "rendas e bordados".

São curiosos, cuscos e malandrecos, quanto baste,  e quanto eu permito.

Na última aula, fui presenteada com um ramo de rosas, oferecido por uma aluna que não pôde estar presente no jantar de final de semestre, que tenho por hábito oferecer aos meus alunos, em minha casa, por altura da queima das fitas.

O mais cusco deles todos,  quis logo saber de quem tinha partido a oferta.

Eu informei apenas que "foi uma colega Vossa".

O mafarrico saíu-se com esta: "Pois eu, professora, não lhe oferecia flores, não. Oferecia-lhe jardins cheios de toquinhas de grilos, para andarmos os dois de gatas, à cata deles".

Não consegui disfarçar o riso porque, muito sinceramente,  nunca consegui imaginar-me a catar grilos, de gatas, em toquinhas de jardins.

São estes momentos fugazes, de boa disposição, que me fazem amar a vida e gostar de tudo aquilo que faço.

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