terça-feira, 15 de maio de 2012

CROMOS VICTÓRIA



Ultimamente tenho dedicado uma grande parte do meu tempo disponível, às arrumações.

Se há sítios que gosto pouco de frequentar, são os sótãos da infância, onde aprendi a guardar memórias e a criar histórias sobre os objectos do passado.

Mas este sótão é diferente. Guarda as recordações de algumas gerações da minha família. Cada uma das caixas tem escrito o nome do respectivo dono ou dona dos objectos ali depositados e a data.

Por curiosidade, abri uma delas,  datada de finais dos anos 50, do século XX, a única que não tinha o nome escrito.

Senti-me como se tivesse aberto uma sepultura. Lá dentro estavam vários brinquedos de lata, duas bonecas sem olhos, vários carrinhos, uma fisga muito antiga, cinco piões  e vários saquinhos de pano com berlindes coloridos.

Fui tirando os objectos um a um, até que encontrei uma velha caderneta de cromos dos famosos rebuçados Victória.

Recordo-me de ouvir contar que essas cadernetas eram preenchidas com os envólucros transparentes dos rebuçados, que tinham como tema várias espécies de animais e que os mais difíceis de saír eram o bacalhau, a cobaia e o cabrito. Diziam as pessoas desse tempo que cinco rebuçados custavam um tostão.

Desfolhei-a e tive a agradável surpresa de constatar que quem quer que fosse que tenha feito aquela colecção, conseguiu os cromos todos. A caderneta está completa, em boas condições  e transmite,  a quem a manuseia,   qualquer coisa de "naif", de puro.

Hoje já não há ninguém que coleccione cromos de animais, muito menos cromos que saiam em rebuçados de tostão.













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