domingo, 21 de outubro de 2012

CRÓNICA DE UM BARREIRO CADA VEZ MAIS AMARGO


Será que no Barreiro a que eu um dia chamei "Amargo", ninguém sabe que duas em cinco crianças,  em Portugal, estão abaixo do limiar de probreza e a passar fome? 

No Barreiro, há quem dê mais importância ao que se passa nos outros países, em especial com os americanos, ao ponto de promoverem tertúlias para discutir o sexo dos anjos, no que toca ao que se vive ou deixa de viver, em terras do Tio Sam.

Que me importa o 11 de Setembro, na América, se em Portugal estamos neste momento a viver o pior dos terrorismos, causado pela tal globalização que só serviu para encher os bolsos a governos de meia dúzia de gatunos que tiveram a sorte de dar com um Povo que se deixou ludibriar, ao ponto de colaborar e sustentar uma alternância que não tem alternativa à vista.
  
Neste momento, interessa-me apenas o meu País e as crianças que vivem nele.

E dá-me dó saber que muitas vão para a escola sem tomar o pequeno almoço, e passam dias inteiros só com a única refeição que algumas escolas lhes têm fornecido, porque em casa não há nada que comer.
Muitos pais estão ambos desempregados e não recebem qualquer ajuda do Estado, nem têm subsídio de desemprego.

Cá em Portugal, quarenta por cento das crianças portuguesas estão em situação de pobreza extrema, têm condições de vida deficientes, estão em privação de vária ordem e,  por isso mesmo,  não podemos considerar que apenas as crianças que vivem de rendimentos abaixo do limiar da pobreza, são pobres, porque a pobreza não se confina nem se esgota na escassez dos recursos monetários.

Chegámos ao ponto do grupo etário até aos 17 anos ser, neste momento,  o mais vulnerável à pobreza, sofrendo todo o tipo de privações e tendo ultrapassado de longe, os idosos.

Muitas dessas crianças vivem em casas sobrelotadas, pois há famílias inteiras que entregaram as casas aos bancos e regressaram para casa dos pais,  e não fazem  uma refeição de carne ou peixe,   porque  o agregado familiar não tem meios para tal.

Se vivemos na precariedade, na incerteza, com os vários cortes nos apoios sociais, que futuro terão estas crianças e estes jovens?

Muitos já abandonaram a escola e a Universidade.

Outros, apesar de habilitados,  já aceitaram os piores empregos, pagos a cascas de alhos, quando lhes pagam.

Mesmo que haja famílias em que um elemento tenha emprego, esse facto actualmente não é indicador nem garantia de bem-estar, pois os salários são baixos e muitas vezes não são pagos a tempo e horas.

Se não forem tomadas medidas a curto prazo, Portugal estará, sem sombra de dúvida, a produzir uma nova geração de sem-abrigo, pois não existem estatísticas específicas para as crianças e jovens em situação de pobreza extrema, uma vez que, no que respeita ao Eurostat,  em Portugal, a unidade de observação é o agregado familiar, o que não permite avaliar em concreto o impacto da pobreza infantil, no nosso País, para gáudio de todos aqueles que se preocupam imenso que,  nos "States", "16 milhões de crianças vivam sem segurança alimentar".

Não se esqueçam de que o Barreiro é Portugal.

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