sábado, 27 de julho de 2013

CORAÇÃO «PARTIDO»



A propósito da Universidade de Belas, em Luanda,  e da polémica que surgiu no Barreiro, sobre a vinda de cerca de 600 estudantes angolanos,  para quem tudo seria um “mar de rosas”,  vinda essa estranhamente patrocinada  por um Coração privado que,  em vez de Tropical,  parece que estava moribundo e acabou por fazer “wafa”,  muito há a dizer, em breve.
Por agora chegou a minha vez de “canibalizar” a douta opinião do meu vizinho do lado direito,  no seu Blog Barreiro Velho, em que me chamou a atenção  e me remeteu para um “link” de ligação a um artigo de Abril de 2008,  publicado no Blog Arcádia,  de Nuno Santos Silva,  sobre  “A verdadeira face do comunismo”,  extraído da obra “Holocausto em Angola”,  que refere as várias atrocidades perpetradas pela tenebrosa dupla Rosa Coutinho/Agostinho Neto, contra os brancos que viviam em Angola, quando da “descolonização”.
Este meu vizinho às vezes é um bocado redutivista nas suas opiniões. Como ele próprio disse, somos amigos mas discordamos muitas vezes,  o que é muito salutar.
Angola teve,  a seguir à descolonização, o período mais sangrento da sua história.
No dia 27 de Maio de 1977,  já fora do domínio “colonial”, aconteceu  um verdadeiro holocausto. Foram assassinadas mais de 85.000 pessoas cujos corpos nunca foram entregues aos familiares, desconhecendo-se , ainda hoje, o seu paradeiro.
A maior parte dessas pessoas, muitas do próprio MPLA,  eram opositoras de Agostinho Neto e seus capangas e, vai daí, há que silenciá-las para sempre. O resultado está hoje à vista: uma “monarquia” presidencial, com uma única família a controlar as riquezas e a política de Angola.
Marcolino Moco, advogado e ex-Primeiro Ministro de Angola, de 1992 a 1996, no seu Blog  “À Mesa do Café” , escreveu:
“........Não estamos mais perante os velhos problemas do MPLA de kamundongos e mulatos comunistas, da UNITA dos atrasados bailundos, da FNLA dos bakongos ou regressados, do Fraccionismo de quimbundos e mulatos matumbos ou enganados pelos comunistas portugueses,  etc., etc.;  que ainda pesam, é verdade, mas já de forma secundária e poderiam esmorecer completamente, se houvesse  sinais claros de se resolver o principal problema de hoje e se se promovesse uma verdadeira reconciliação nacional, “a partir de cima”.   ......”
O sublinhado é meu.
Um dia, um colega de Faculdade, que muito prezo, hoje advogado muito conceituado, em Luanda, disse-me que a única obra que os  portugueses tinham deixado em Angola, foram os mulatos.
Como sou moçoila que não aceita esse tipo de argumentação, recordei a esse meu colega,  que os bolseiros angolanos, quando estiveram a estudar na ex-URSS, fartaram-se de fazer filhos por lá. Muitas das raparigas russas que tiveram esses filhos, abandonaram-nos nos hospitais e daí foram entregues a orfanatos. Ainda hoje há rapazes e raparigas, na casa dos 40 anos, mulatos, a tentar saber quem foram os seus progenitores. Os ditos cujos acabavam os cursos e regressavam a Angola, sem assumir as suas responsabilidades paternais.
O próprio Agostinho Neto era casado com uma branca e teve filhos mulatos. Será que se esqueceram?
Este é um assunto de que a História de encarregará.
A propósito, Bizinho, não me diga que também foi a Angola, a expensas dos outros?
Não sei porquê,  pareceu-me vê-lo todo refastelado no Hotel Trópico, em Luanda, a beber um “Cardhu”  só com uma pedrinha de gelo.
Quem pagou, quem foi?
Depois a gente conversa.

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