sábado, 24 de agosto de 2013

OS ADORADORES DE CADÁVERES




A propósito da última procissão de Nossa Senhora do Rosário, no Barreiro, o grupo de pessoas que me acompanhava ficou deveras surpreendido e confuso por saber que a edilidade comunista, através do seu Presidente e outro “staff”, também integrava o cortejo religioso, logo a seguir ao Pálio. Para aqueles meus amigos, a célebre frase de Karl Marx, sobre o conceito de religião, tornou-se um paradoxo naquele momento, e consideraram que o Partido Comunista Português é, sem dúvida nenhuma, um verdadeiro «case study».

A história do comunismo foi escrita por Stalin com o sangue de milhões de vítimas e, passados 60 anos, é inacreditável que ainda haja quem queira negar as atrocidades cometidas e mundialmente reconhecidas.

Na Rússia de Lenine o comunismo acabou e a China de hoje nada tem a ver com o regime outrora chefiado por Mao Tse Tung. Hoje não passam de múmias ressequidas de uma época que já não existe. O comunismo foi para a sepultura e os seus embalsamados heróis viraram atracção turística.

Existem, no mundo, duas múmias de líderes comunistas embalsamados: Lenine e Mao. Havia uma terceira, de Stalin, que acabou por ser enterrada devido ao desconforto que os genocídios que ele praticou, causavam no comunismo internacional. Os outros dois continuam expostos ao público, mas já deixaram de ser venerados.

É verdade que a Igreja Católica também tem os seus pendores necrófilos, com alguns santos entre pessoas que ganharam esse estatuto porque, por alguma razão natural, os seus corpos ficaram preservados por muito tempo depois da morte. Mas isso aconteceu naturalmente e não em função da aplicação de técnicas deliberadamente desenvolvidas para o efeito.

Depois de os egípcios que inventaram a conservação dos corpos, ser mumificado é um privilégio de poucos. Depois deles, ninguém mais utilizou essa técnica, durante alguns milénios.

Essa estranha forma de fixação macabra só voltou a entrar em cena pela mão dos comunistas.

Marx escreveu na sua Obra «O 18 Brumário» que «A tradição de todas as gerações mortas oprime como um pesadelo o cérebro dos vivos».

Os comunistas precisam de mortos para oprimir o cérebro dos vivos.

Os comunistas portugueses têm um problema: Já não existe, no mundo, um governo comunista que eles possam admirar e enaltecer.

O único país importante a manter a marca de regime comunista é a China que, para todos os efeitos, se transformou numa super potência capitalista, administrada pelo Partido Comunista Chinês. Uma excentricidade.

Cuba e Coreia do Norte mantêm o regime comunista à força de ditaduras brutais, tendo-se tornado em países pobres e atrasados.

Uma nova múmia do esquerdismo mundial, está na «forja». Parece que Hugo Chavez é o senhor que se segue.

Chavez difere das múmias anteriores porque não governou um país comunista. Esteve muito perto de reerguer a obra política do comunismo, a ditadura, mas manteve uma economia basicamente capitalista.

As múmias voltaram a estar na moda.

Embaladas em caixões de cristal, como Cinderelas ressequidas, mas sem esperança de serem despertadas por carinhosos beijos.

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