sábado, 30 de novembro de 2013

O SENTIDO DA VIDA


Acabo de chegar de uma longa viagem, de um local no Índico, onde até há bem pouco tempo caçavam e exterminavam tubarões, utilizando como isco cães e gatos vivos, porque os tubarões atacam os banhistas que, incautos, se atrevem a invadir os seus domínios.

Dou comigo a olhar pela janela do meu quarto de onde avisto, na Primavera e no Verão, extensos campos azuis de alfazemas perfumadas e não posso deixar de pensar o quanto efémera é a vida que vivemos, que pode acabar abruptamente no estômago de um predador, sem que tenhamos tido plena consciência da nossa finitude.

Há uma certeza que nos persegue e que está subjacente à nossa vivência.

Sabemos que aquilo que temos de mais certo na vida é chegar, inconscientemente, à sua última etapa, da mesma forma que a iniciámos com o nascimento.

E então desvalorizamos a vida terrena e inventamos uma outra, porque a ideia da morte é certamente algo que atemoriza grande parte dos humanos.

Apesar de reconhecermos a sua existência, tal certeza da finitude humana nem sempre nos leva a viver de uma forma mais feliz, porque uma necessária inconsciência prevalece, permitindo-nos viver cada dia como se fossemos seres eternos e infinitos.

O mundo poderia ser um lugar melhor, se a consciência desta limitação temporal da vivência humana, nos encaminhasse para a felicidade e se tivessemos a noção que existimos e ocupamos espaço como seres dotados de razão e de livre arbítrio.

Acredito que se valorizarmos a vida, poderemos encarar este suposto fim, como a confirmação do valor da nossa existência, porque o mais importante é saber tirar partido dela.

Por que não pensarmos na nossa natural finitude como uma oportunidade de dotar a Vida de sentido, e descobrirmos que está nas mãos de cada um, a possibilidade de ser o protagonista da sua própria história?

Existimos como seres humanos.

Mas que sentido terá isso, se não o praticarmos?