Ontem, em conversa com aquele grupo de amigos com quem costumo
confraternizar às sextas à noite, alguém
ficou muito escandalizado por eu ter largado um “foda-se, caralho!”, quando foi
abordada a questão das próximas eleições legislativas e o nome de Marinho Pinto
para ocupar o lugar de Primeiro Ministro.
- “Mas tu votaste nele para o
Parlamento Europeu!”.
Pois votei, mas não sou maluca ao
ponto de o querer para Primeiro Ministro.
Primeiro, "engravidou"
um partido, o MPT, do qual nasceu e se fez eurodeputado de luxo. Tornado
eurocrata, cedo percebeu que afinal não tinha espaço de manobra para
mudar o mundo e ficou frustrado e inquieto.
Essa inquietação, ao que parece, levou-o a duas jogadas: abandonar o partido
que o pariu e desejar fundar um outro, a tempo de concorrer às legislativas para se
catapultar para a Assembleia da República.
Mas o seu desejo não acaba aqui. O
que ele deseja sincera e ardentemente é tornar-se no novo deputado do queijo limiano,
aquele deputado indispensável à futura maioria absoluta, para refazer aquele
equilíbrio de forças precário, do tempo
do Engº Guterres.
Há dias também li a sua proposta
de haver 50 Senadores vitalícios no Parlamento, com a indicação de nomes como
Ferreira Leite, Bagão Félix e Freitas do Amaral.
Ora se já existem 334 deputados, pagos
a peso de ouro, para que precisaremos de mais 50 Senadores incontinentes a
pingar de mijo os assentos da Assembleia da República?
Decididamente, nas legislativas, não irei votar no partido de Marinho Pinto.


