sábado, 7 de julho de 2007

A MISÉRIA DA CRISE


Após o 25 de Abril de 1974, a transformação social fez-se de forma abrupta em Portugal. Faltavam alicerces culturais e cívicos à maioria da população portuguesa, para compreender a mudança. A liberdade desde então vivida, sem a consequente responsabilidade, favoreceu o aparecimento de comportamentos pouco sérios, que se foram sedimentando ao longo dos tempos, até aos dias de hoje.
Trinta e dois anos passados, o país está em crise, o Estado agoniza e o povo sofre.
Emergiram os valores fúteis. Instalou-se o consumismo desenfreado, a par de um materialismo exacerbado, com a ostentação de riqueza. Apareceram os novos-ricos e deu-se o colapso da instituição familiar. A entrada numa Europa Comunitária sem se ter preservado as nossas potencialidades, nomeadamente o usufruto da agricultura e do mar a que sempre estivemos ligados, foi-nos fatal. A emigração dos nossos “cérebros” e da nossa mão-de-obra qualificada, constituída por licenciados desempregados, seduzida por melhores condições de vida e de trabalho no estrangeiro, contribuiu estatisticamente para a nossa iliteracia. A imigração desajustada dos povos dos PALOP e de Leste, veio contribuir para o aumento das bolsas de exclusão social, de prostituição e de exploração de trabalhadores por parte de agentes económicos muito pouco escrupulosos, que lhes pagam muito abaixo do salário mínimo nacional, quando lhes pagam, não fazendo contratos nem os correspondentes descontos para a Segurança Social.
Portugal está em crise e ela é simultânea. Todos os sectores da vida pública estão contaminados pelo vírus da incompetência, pela febre da incapacidade, pela total impunidade dos políticos que tudo esbanjam na gestão dos seus próprios interesses, gastando irresponsavelmente o dinheiro que o país não tem.
Estamos pobres! Os pobres são pessoas e não podem ser tratados apenas como um dado estatístico. Actualmente, em Portugal, restam apenas algumas pequenas ilhas de produtividade que não tardarão também em afundar-se num oceano de ruína e de pobreza. A nossa economia sufoca nos seus próprios dejectos e, a coberto da globalização, instalou-se uma economia de saque, com os grupos rapinantes a reinar, impunes, numa sociedade civil instrumentalizada pelos políticos, que tem servido apenas de fonte de rendimento ao poder instituído e aos seus acólitos.
Com a agudização da situação económica e os cortes sucessivos das prestações sociais, emergiu o conflito e o alargamento do fosso social entre ricos e pobres. Através de exercícios discriminatórios que culminaram na desqualificação dos serviços públicos, deu-se origem ao regresso de uma “luta de classes” entre funcionários públicos e privados, geradora de instabilidade.
Tira-se aos pobres para dar aos ricos e os governantes, em vez de combaterem a miséria, optam por eliminar pela fome as pessoas carenciadas, através de uma política anti-social, esquecendo que são os pobres que ainda vão pagando os impostos e que são eles também os mais trabalhadores, generosos, respeitadores e honestos.
O país está em crise porque perdeu o seu filtro ético. A ideia de uma sociedade solidária e justa, não passa agora de letra morta.
Mas o pior de tudo isto, é a indiferença de todos nós e a passividade com que encaramos o descalabro e abicamos, de uma forma resignada, numa miséria sorridente.

ADEUS


Olho o teu rosto
Pálido e sereno,
Em sonho imerso…

E oiço o teu eco,
No som dos teus passos,
A tua voz em verso.

Ela abraçou-te
Com o seu manto negro
E tu partiste.

Coberto de mil flores,
Disseste-nos adeus
Naquela tarde triste.

Partiste para sempre
Mas ficaste no tempo,
Num tempo que não existe.

sexta-feira, 6 de julho de 2007

MATERNIDADES



O lema deste Governo tem sido a extinção em vez da reabilitação, requalificação e integração.

Em Portugal não temos política social e económica. Existe uma incapacidade, desleixo e incompetência nessas áreas, a juntar ao desrespeito pelas nossas raízes.

O fecho das maternidades vem na onda do PRACE, o famoso programa de reestruturação da Administração Central, que propôs o encerramento selvagem de muitos organismos, tendo em vista apenas a redução do défice, a todo o custo, não se olhando a meios para atingir fins.

A vida em comunidade, o bem-estar, a natureza, a cultura, a ciência e a saúde, já para não falar do bem supremo que é a humanização, são uma realidade a que cada vez menos cidadãos têm acesso.

A decisão de encerramento das várias maternidades, irá criar uma realidade virtual em termos de povoamento, porque irá fomentar mais zonas mortas, já de si desertificadas, em benefício de outras áreas que verão assim acrescido o seu fluxo populacional. Consequentemente haverá Câmaras mais beneficiadas que outras, em termos de atribuição de verbas e de outros benefícios, com base na densidade populacional, porque as crianças nascidas no seu concelho serão, para todos os efeitos, seus munícipes.

Com tanta engenharia económica, geográfica e demográfica, muita sorte teremos se este Governo não promover, a curto prazo, dando incentivos fiscais para o efeito, um programa de esterilização em massa, para homens e mulheres, para se acabar com os nascimentos e com a polémica do encerramento das maternidades.
Não havendo grávidas, não haverá maternidades e se não há bebés, encerrem-se também as unidades de pediatria e os hospitais pediátricos.

E já agora transformem também os hospitais psiquiátricos em SPAS e os lares de terceira idade em Clubes VIP, só para aqueles que puderem pagar. Os outros que vão para a vizinha Espanha e morram por lá.

Tudo isso em nome do santo défice e da incompetência que nos governa.

quinta-feira, 5 de julho de 2007

PAZ À MINHA ALMA - 4 de Julho de 2006


ONTEM NÃO POSTEI.

FEZ UM ANO QUE MORRI DE MORTE ESTÚPIDA.

Encontrava-me na fila das Finanças para liquidar o IRS, depois de ter tirado um ticket que me fez logo adivinhar uma longa tarde de espera.

Tudo à minha volta estava carregado: O tempo, quente cum'ocaraças. Os semblantes. A vida.

"Ela", aproveitando-se da minha fragilidade, abraçou-me com o seu manto negro.

Tentei resistir-lhe, buscando na minha bolsa, os meus comprimidos SOS. Não consegui!

Entrei no seu túnel de luz e senti-me leve. Tão leve!


Rocei a perfeição e senti-me eu. Finalmente era Eu!

Conseguia ver através das sombras reflectidas nas paredes do túnel, aquela figura imponente que julguei ser Jesus Cristo ou o Diabo.
E senti uma tremenda angústia.

Permaneci no tempo e na luz. Quis ficar para sempre!

O meu Anjo da Guarda ucraniano não deixou.

Acordei no hospital, três dias depois de ter morrido e julguei-me no paraíso.

Um Anjo de olhos azuis como se fossem lagos, estava debruçado sobre mim e falava-me numa língua que eu julguei ser a dos Anjos.

Soube que foi ele o meu Anjo da Guarda. Aquele trolha ucraniano de olhos lindos como o azul do céu, salvou-me de morrer, quando tenho ainda tantas coisas para fazer, tantas coisas para dizer, tanto para dar.

Médico no país que o viu nascer, trolha explorado no país que o acolheu.

Teve a percepção que eu apertava na mão esquerda os comprimidos que não consegui levar à boca. Prontamente reconheceu os sintomas de um AVC e iniciou uma série de manobras que o INEM, quando chegou, se limitou a completar.

OLEG, de seu nome. O médico- trolha explorado.

Não falava português, o meu Anjo da Guarda.

Tomei a meu cargo a sua aprendizagem da língua portuguesa e, juntamente com alguns amigos, comecei a tratar dos documentos, para que pudesse fazer o exame à Ordem dos Médicos.

Um ano depois, o Oleg fala e escreve quase fluentemente a língua portuguesa e tem o exame à Ordem marcado para Outubro.

Foi o mínimo que pude fazer.

Em Outubro lá estarei a apoiá-lo.

É O MEU ANJO DA GUARDA!

domingo, 1 de julho de 2007

UM EDITOR DE SUCESSO


O MEU COLEGA E DILECTO AMIGO JORGE FRAGOSO.


Colega de liceu e de Faculdade até ao 3.º ano de Direito.


Um dia passou-lhe uma coisa pela cabeça e mudou para Filosofia, tendo acabado a licenciatura com muito boa classificação.


Deixou o Direito e preferiu as Letras. Fundou sozinho a Editora Palimage e dedicou-se à escrita.


O seu livro de poemas , "A Fome da Pele", é de um profundo lirismo de tradição romântica e intimista. Aquela pele é a dele mas também é a dos outros. É o real e o íntimo numa sinfonia de amor.


Rendo-te aqui a minha singela homenagem, meu querido amigo.


Que as Musas nunca te abandonem e que sejamos AMIGOS PARA SEMPRE.

UNIVERSIDADE DE COIMBRA


A MINHA FACULDADE É LINDA

CAMPANHA PARA AS AUTÁRQUICAS 2009 - CÂMARA MUNICIPAL DO BARREIRO


A MECINHA EXPERIMENTANDO A BURKA QUE VAI USAR NA CAMPANHA


CAMELO, PRECISA-SE!

O FILHO DA MUSA


Filho de musa e de rei, ele era o mais talentoso músico entre os mortais e imortais.
Os pássaros paravam de voar para o escutar e os animais selvagens tornavam-se calmos e dóceis. Possuía o poder extraordinário e sobrenatural de conseguir fascinar, com o seu canto e doces melodias. Toda a natureza o ouvia, extasiada e o sol dançava.
As árvores balançavam-se ao som da sua música, procurando captá-la no vento.
Casou com Política, mulher madura, na esperança de ter uma vida fácil, governando e governando-se, mas tal não foi possível. Ela era séria demais e recusava as atenções desse marido que quis enganá-la e aproveitar-se da sua condição de mulher rica, bonita e atraente.
Ao tentar escapar-se, Política é abraçada por um polvo gigante que lhe ceifa a vida. E ele, filho de musa, ficou transtornado. Levando a sua música, entrou no mundo dos mortos para trazê-la de volta. Cantou uma canção pungente e emocionada e convenceu o povo a levá-lo ao colo, adormecendo cérebros e avivando tormentos.
E o povo, convencido, lá o deixou entrar no seu reino e ele chorou lágrimas de crocodilo, dias e dias, a fio.
Comovido, o rei dos mortos atendeu o seu desejo e devolveu-lhe a sua amada.
Política poderia voltar ao mundo dos vivos. Mas com uma condição: que ele não olhasse para ela, enquanto não chegasse à claridade.
E ele, filho de musa, atravessou, dançando, o escuro reino da morte, tocando músicas de alegria e celebração.
Política não resistiu. Esfumou-se na escuridão e o seu grito ainda hoje ecoa, no triste Reino dos Mortos.

MACACADAS


Um dia destes, ia eu maravilhosa pela calçada, gostosa, confiante e saltitante, na Avenida Alfredo da Silva, ali para a zona chique da cidade e eis senão quando me passa à tangente pelo rosto, um belo de um "ovo estrelado" lançado pelo condutor de uma viatura que se imobilizou mais à frente, nos semáforos.
Escusado será dizer que armei o maior "barraco" com o dito cujo e dei asas ao meu vocabulário vernáculo-portista em dia de jogo com o Benfica.
O homenzinho ignorou-me, pura e simplesmente. Enquanto o sinal não abria, pôs-se a tirar "macacos" do nariz e com um ar prazenteiro olhava o "tesouro" que veio agarrado àquela unhaca compridona do dedo mindinho, antes de colar o "burrié" algures dentro da viatura.
Quando arrancou e à laia de despedida, atirou pela janela do lado do pendura, certamente no intuito de me atingir, uma lata vazia de coca-cola que foi parar dentro de um carrinho de bébé, no passeio.
Agora pergunta-se: por que motivo o Código da Estrada não contempla lições de civismo e de urbanidade?
Deveria ser proibido o uso da unhaca do dedo mindinho, para tirar "macacos" do nariz e os polícias do Barreiro deveriam ter permissão para furar os pneus a quem estacionar em cima dos passeios, das passadeiras e em frente às bocas de incêndio.
Só assim se disciplinaria o trânsito, o estacionamento e as acessibilidades

sábado, 30 de junho de 2007

O ÍCONE


O que faz a miopia!



Há um que se acha o Harrison Ford do Barreiro e vai daí confundiu uma mulher a dias, com a Marilyn Monroe.



Aquela, por sua vez, vendo ali a possibilidade de sacar umas massas ao tanso, não disse que não. À revelia do marido lá foi fazendo uns "alfinetes de peito" e outras coisas mais, em troca de carcalhol que lhe permitisse andar nos "trinques", para aviar mais uns otários. Sim, porque a vida está difícil e não é todos os dias que aparecem uns cromos ingénuos como aquele.
Não é que o Kennedy descobriu?
Brevemente, cenas de faca e alguidar ali para os lados da Miguel Bombarda.
Só espero não estar na escala, nesse dia, para as oficiosas.



O que mais me lixa é que quando ele se sentiu enganado, foi a correr procurar a Julia Roberts que o mandou dar uma volta ao bilhar grande.



Não havia necessidade!



Moral da história: Nem tudo o que luz é ouro e quem tudo quer, tudo perde.

AS TUAS MÃOS - Poema dedicado ao Pintor KIRA


Dá-me a tua mão,

Vem comigo,

Embala-me nas tuas cores.


Acorda os silêncios

Feitos de encanto

No refúgio deste mar

Em que me banho.


Sou a musa errante

Das palavras certas,

Misto de destino

E de breve instante.


Dá-me a tua mão,

Vem comigo.


Mostra-me pedaços de céu

Em telas de azul

E rendas de espuma.


Canta-me o sol

Em tons de amanhecer

E glória.


Dá-me a tua mão,

Vem comigo.


Fala-me dos teus gestos

E guia-me nos caminhos

Das palavras proibidas.


Dá-me a tua mão

E sente...


Tens nas mãos

Um reino de poeta.

SONHOS DE PORCELANA


Enquanto a noite dorme,

A ti, negra senhora,

Entrego o meu pranto

E em teus braços morro.


Entrego-me ao silêncio

Que adormece os sentidos,

Neste jardim transparente

Em que te encontro e renasço.


Mergulho em cada bruma

Onde o sonho é secreto

E os versos rasgados

Sem forma, nem espaço.


Afago o tempo e morro

Em cima da própria morte.


E procuro nas vielas escondidas,

Das memórias silenciosas,

Os sonhos de porcelana.

MENSAGEM


Hoje não te mando rosas…
Apenas palavras
Desvendando a alma,
Passo a passo.
Memórias e sentidos
Num abraço.
Mas já partimos
Um do outro,
De cansaço.
E ficaram as mágoas,
Os ressentimentos
E tudo aquilo
Que não dissemos.
Hoje não te mando rosas…
Apenas versos.
Pura fantasia
De momentos secretos,
Plenos de magia
E reflexos de mim.

BEDUÍNOS E TUAREGUES


Agora que aquele Ministro classificou a margem Sul do Rio Tejo como um deserto, há que fazer, aqui na cidade do Barreiro, a distinção entre Beduínos e Tuaregues.
Sim, porque isto de se viver num deserto, tem que se lhe diga.
Ainda por cima corremos o risco de contrair cancro do pulmão, o que é uma chatice, pois hospital é coisa que por aqui não há.
Estava eu a dar de beber a alguns camelos, no meu oásis privado, quando ouvi dizer que se aproximava a comitiva do tal Ministro.
Vinha ele acompanhado de um muçulmano e de um hindu para estudar a possibilidade de colocação de bombas nas pontes e eu, como boa anfitriã que sou, com uma casa de férias no Poceirão, convidei-o a ficar em minha casa, já que no deserto não há hotéis.
O problema é que só tinha um quarto vago, com duas camas, e um sítio no curral onde estão também um porquinho e uma vaquinha que comprei na feira da Verderena.
Todos aceitaram a minha hospitalidade e o hindu ofereceu-se para ficar ele a dormir no curral, no tal sítio limpinho, junto da vaquinha e do porquinho.
Recolhemos aos nossos aposentos para passar a noite.
Ainda não tinham passados dez minutos, quando o hindu aparece muito consternado, dizendo que não podia, de modo algum, pernoitar junto da vaca, pois esta era um animal sagrado.
O muçulmano levantou-se e concordou ir ele dormir para o curral.
Maldita a hora!
Passados dez minutos aparece à porta de casa a dizer que não poderia dormir com o porco, pois este era um animal imundo.
Eu fiquei a ver no que aquilo dava, quando o senhor Ministro se ofereceu para ir ele dormir para o curral, junto do porco e da vaca.
Estava eu quase a adormecer, quando oiço tocar a campainha da porta da rua e vou abrir. Qual não é o meu espanto, era o porquinho e a vaquinha que preferiram ir dormir para a casota do cão.
Já não consegui dormir mais. Levantei-me, vesti a minha burka azul e fui ter com os Tuaregues, aqueles homens azuis, ali para os lados do Barreiro Velho onde costumamos tertuliar.
Um deles leu-me um velho provérbio Tuaregue que diz “Deus criou o mar para que o Homem pudesse viver e criou o deserto para que o Homem pudesse ver a sua alma”.
Achei o provérbio lindo e, não sei por que carga de água, dei comigo a pensar nos responsáveis da Autoeuropa, situada bem no coração da Margem Sul.

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA É CRIME


Não faria sentido abordar este tema tão polémico, se Portugal não fosse um dos países onde se regista uma elevada incidência de episódios de violência doméstica. No nosso país, mais de um milhão de pessoas, na sua maioria mulheres, são afectadas por este tipo de crime, embora só uma pequena parte o tenha reportado às autoridades competentes.
A violência doméstica é um fenómeno de longa data, que só a partir da década de oitenta foi identificado como problema social. Continua a ser um dos grandes flagelos da nossa sociedade e não ocorre somente com pessoas pobres e de baixo nível educacional. Existe, de igual modo, em famílias ricas, cultas e respeitáveis.
Designa-se como violência doméstica todo o tipo de agressões existentes no seio familiar e que vitimam sobretudo crianças, idosos, deficientes, doentes e mulheres. Em todos os grupos sociais, a situação das mulheres é a mais frequente e generalizada, embora haja também casos muito raros de mulheres que maltratam os seus companheiros.
Uma das causas da violência doméstica tem origem na cultura de muitos povos, onde a mulher é considerada um ser inferior ao homem a quem se desculpa toda e qualquer forma de agressão. Outra das causas apontadas para grande parte dos crimes, é o sentimento de posse associado ao “ciúme”.
O silêncio das vítimas é o maior obstáculo ao combate deste tipo de criminalidade. O agressor pressiona a vítima através de ameaças, intimidando-a e incutindo-lhe um sentimento de terror que a leva a calar e a esconder o sofrimento e, consequentemente, as agressões tendem a perpetuar-se.
Por medo, vergonha ou dependência sentimental e económica, muitas mulheres sofrem em silêncio, não só violência física, mas também psicológica e sexual.
A violência física é a que deixa marcas visíveis mas são os maus-tratos psicológicos que mais magoam, mais doem, mais ferem e os mais difíceis de ultrapassar. Os insultos e as más palavras ferem a alma e são tão violentos que a mulher perde o amor-próprio, a auto estima e o sentimento de si. É na família, na intimidade do lar, que as mulheres sofrem grande parte da violência de que são alvo.
Infelizmente a sociedade, com a sua máxima “entre marido e mulher não metas a colher”, fecha os olhos perante uma realidade que considera como “algo privado” e muitas vezes espera que seja a própria vítima a defender-se e a denunciar o espancamento, lavando desta forma as mãos, como Pilatos, mesmo sabendo tratar-se de uma violação grave dos direitos humanos fundamentais: da liberdade, da integridade física, da dignidade individual e da própria vida.
Segundo as estatísticas, no ano de 2006, em Portugal, trinta e nove mulheres foram mortas no seio familiar. Outras quarenta e três ficaram gravemente feridas. Muitas desconhecem que existe uma linha telefónica de apoio à vítima, através da qual poderão ter acesso a ajuda especializada, que as encaminhará para uma nova vida, longe e a salvo do agressor.
A revisão do Código Penal vai clarificar o crime de violência doméstica e vai alargar a designação de companheiro ou marido, aos namorados ou qualquer pessoa que tenha uma relação de intimidade com a vítima.
Uma pergunta ficará no ar: Será que isso vai acabar com o problema?
Caberá, a todos nós, ficar alerta e denunciar.