segunda-feira, 10 de setembro de 2007

FRIO



Está frio.
Tirito.
Apetece-me comer maçãs assadas com canela.
A minha velha ama, que tem nos olhos e nos ombros a solidão, fá-las muito bem.
Se um dia me morre a ama ou o pai, morrerei também.
Mato-me que não me quero por cá sem eles.
Sou mais filha que mãe, tia ou irmã.
Quero ser outra vez menina para ver as trovoadas da janela da cozinha da minha avó.
Com o nariz esborrachado no vidro, imaginando Deus como um génio gigante, feroz, vestido de cetim debruado a estrelas e cometas, arrastando móveis e lançando feitiços, raios e coriscos cá para baixo.
Agora sou crescida.
Sou uma mulher crescida e gelada.
Vou para casa enrolar-me em folhas de jornal.
Depois acendo um fósforo.
Pode ser que me aqueça.

DEAMBULANDO...


Durmo mal.
Acordo muitas vezes durante a noite.
Às vezes, como cereais e quadradinhos de chocolate com passas e avelãs inteiras que compro, muito baratos, no Lidl que alguns dizem ser o supermercado dos pelintras.
Faço a ronda aos animais da casa: as cadelas, os peixes, o hamster, os periquitos e o canário.
E leio. Gosto muito de ler.
Nunca vou aos outros quartos vazios. Faço de conta que estão ocupados por todos aqueles que amei e que já partiram.
Vou para a sala e imagino que estou a tomar conta deles, a velar-lhes o sono. Atravesso o corredor como um espectro. Acho que os meus pés nem tocam o chão. O meu corpo é evanescente, transparente. Sou capaz de atravessar paredes, voar através do tempo, falar com os mortos, dar gargalhadas assustadoras.
Sonho muito. Sempre sonhei.
Sou feita de sonhos: árvores de folhas douradas de onde caem afectos, jardins coloniais plantados no cimo da Alfredo da Silva, um tigre de Bengala pachorrento passeando, calmo, pelo Parque da Cidade. No Barreiro Velho, labiríntico, um homem cigano, magro como eu, sorrindo-me ao abrir a porta, convidando-me a entrar.
E, antes de adormecer novamente, a mesma imagem toma conta de mim: são dois pulsos cortados. Um corte ligeiro em cada um deles.
Lágrimas de sangue escorrem lentamente e ensopam um tapete felpudo cor de mágoa e solidão.

Não é uma imagem terrível ou angustiante.

Não me assusta nem me preocupa.

É uma imagem como outra qualquer.

Faz lembrar as chagas de um Cristo padecente, mas sereno.

ESPELHO MEU



Olho para aquela imagem que o espelho reflecte.
A imagem olha-me enquanto repito gestos matinais.
Tomar duche.
Lavar os dentes.
Espalhar o creme hidratante.
Depois a sombra e o traço do lápis nos olhos.
Escovar o cabelo.
Volto a olhar a imagem do espelho.
Tem os olhos rasos de água.
Coitada!
Tem um mar de escuridão dentro deles.
Estende-me os braços.
Parece querer abraçar-me.
Borrifo-me de Coco Mademoiselle Chanel.
Fujo-lhe.
Apago a luz.
Era o só que me faltava!
Detesto cenas de compaixão logo pela manhã.

domingo, 9 de setembro de 2007

STARA ZAGORA



Embora não tome café, por imposição médica, hoje acedi ao convite do meu amigo VTM , proprietário do Barreiro Velho, para lhe fazer companhia.
Costumamos juntar-nos nos fins de tarde, nos seus domínios, para prosear um pouco e trocar ideias sobre tudo o que movimenta a cidade.
Estávamos os dois em amena cavaqueira na pastelaria Tico Tico quando veio à baila Stara Zagora.
Conheço a Bulgária e a cidade de Stara Zagora. Tem um clube de futebol, um teatro e um estabelecimento prisional aceitável, atendendo às limitações dos países de Leste, em termos de Direito Penal.
Foi para lá que nos dirigimos, eu e os meus colegas, quando acabámos o curso. Em Portugal é da praxe ir-se para qualquer lado, quando se acaba o curso.
Quando vou a alguma cidade que não conheço, a primeira coisa que faço é visitar o hospital, a cadeia e o cemitério. Rigorosamente por esta ordem. Vá-se lá saber porquê.
Nunca soube explicar muito bem o motivo desta “panca”.
Em Portugal também se usa geminar cidades e dar o nome das mesmas às ruas, por dá cá aquela palha.
O Barreiro não será excepção.
Conversámos muito sobre Stara Zagora. Eu e o VTM. Até nos rimos imenso pelo facto de haver pessoas no Barreiro, que pensam que Stara Zagora foi uma ceifeira amiga de Catarina Eufémia, assassinada junto com ela.
Rimos a bom rir e chorámos também. A rir.
Ele tomou o seu café, nas calmas, e eu bebi uma água mineral com uma rodela de limão, como sempre faço nos dias de canícula.
A seguir houve aquela troca de franquezas: “pago eu!”, “não senhor, sou eu que pago!” , “nem pense! Fui eu que convidei…”.
Ok! Pagou ele.
É um homem à moda antiga que acha que os homens é que têm de pagar às mulheres e não o contrário. Eu não me importei. Afinal de contas foi só uma água. Um copo de água nunca se nega a ninguém.

Despedimo-nos. Escrevi na sua agenda o meu novo número de telemóvel e, distraída, assinei o meu nome.

Foi-se embora surpreendido por lhe ter dito o meu nome, o meu verdadeiro nome.

Eu, solitária como sempre, por ali fiquei a bebericar a minha água, ao mesmo tempo que sentia um desejo enorme de tomar café.

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

VOLTA, AMORE MIO!



Vivo numa espécie de residência universitária, cheia de gente.
É uma casa a cair de podre, de vários andares, escura e desarrumada, ali para os lados da Avenida.

De repente, oiço tocar à campainha e alguém abre a porta.

É o correio. Traz nas mãos um telegrama.

Vindos do andar de cima, descendo uma escada em caracol, apressados, chegam dois homens. Ambos estão descalços. Usam apenas uns slips brancos. O primeiro é Luís Filipe Menezes, que corre para a porta. O segundo é Marques Mendes e traz um ar circunspecto. Marques Mendes apanha o telegrama e, sofregamente, lê em voz alta: “Volta, amore mio!”.

Emocionado, vira-se para Luís Filipe Menezes e murmura-lhe ao ouvido: “Ele quer que eu volte!”.

O outro não lhe responde.

Voltam a subir as escadas em caracol, apressados.

Devem ir falar das suas vidas.

O amor é uma coisa complicada. Pode-se amar muita gente, ao mesmo tempo, de maneiras diferentes. Entretanto, saio com Cabós Gonçalves que me guiará pela cidade.

Encontro Bruno Vitorino, de olhar azul, resplandecente. Guia um Todo-o-terreno preto, envergando um vison branco e tem um ar distante.

De repente, oiço tocar o órgão da Igreja de Nossa Senhora do Rosário.

Acordo sobressaltada e o sol vai alto.

Estes meus sonhos andam mesmo baralhados!

Deste, não percebi mesmo nada!

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

ALBURRICA NEWS CHANNEL - ÚLTIMA HORA



Interrompemos o nosso serviço noticioso a fim de dar conta dos últimos desenvolvimentos sobre a reunião com o “Sheik”, na Assembleia Municipal.

Segundo as últimas informações, o avião que deveria levá-lo de volta ao seu país, foi impedido de descolar devido à forte neblina que atingiu toda a cidade. Tanto o Aeroporto do Terminal como a Base Aérea do Mexilhoeiro Grande, estiveram encerrados durante todo o dia de ontem e de hoje, não se prevendo a sua reabertura nas próximas horas. Também o porta- aviões, propriedade da Santa Inquisição dos Pintores e Artistas Plásticos, ancorado junto ao Cais dos Catamarans, foi mobilizado numa tentativa de ajudar o monarca árabe, a sair do Barreiro.

Do nosso local de reportagem damos conta da maior confusão.

Todos querem apertar a mão ao “Sheik” que procura por todos os meios refugiar-se em local seguro. Consegue disfarçar-se de “Inês” e entrar à socapa no asilo dos velhinhos. Os “stewards” do largo da Rata formam uma barreira cerrada em frente ao portão principal do asilo, para não deixar passar ninguém estranho ao serviço.

Vemos na fila da frente a D.ª “Mecinha” envergando um cinto de ligas e botas de cano alto douradas. Agita a lingerie e grita palavras de ordem, baixando e levantando as cuecas. Um velhote não resiste e manda-se do segundo andar à rua, aterrando em cima da contabilista do asilo, que tinha vindo cá fora comprar alcagoitas para o seu chá.

Atenção! A melhor atenção! Vejam como isto é possível! O Conde de Santa Casa corre para a ajudar. Neste momento começa a despir a rapariga e a fazer-lhe respiração boca a boca, massajando o peito da donzela, numa tentativa de reanimação. Como esteve muito tempo agachado, reparamos que torceu a bengala. Ouvimo-lo a gritar pelo Viagra e pelo Ciális, que julgamos serem funcionários da Instituição que virão ajudá-lo, certamente.

A Rua Miguel Bombarda virou uma autêntica praça de guerra. Está tudo um caos. No quartel general do Governo, muito perto do asilo, Luís Fileiras está à janela, desfolhando malmequeres e trincando madalenas, como se nada fosse com ele.

Incrível! Vemos agora Carlos Palacetes de Carvalho a ameaçar a população. Isto só visto! Do alto da janela dos Paços do Concelho, ameaça chamar o corpo de intervenção da polícia municipal, altamente treinado.

Juntam-se agora os apoiantes do Mercado Marquês de Pombal. Do outro lado da rua, concentram-se os opositores ao Mercado. A batalha está eminente.

Vêmo-lo pegar no telemóvel. Vai mesmo chamar a tropa de elite da edilidade.
Vamos mudar de sítio. Já se ouvem as sirenes! Fujam!

As viaturas policiais ocupam lugares estratégicos e dão início a uma mega rusga na Rua Marquez de Pombal. Tem sido uma correria. Cabós Gonçalves e alguns suspeitos estão a ser revistados. Frequentadores estão em pânico. Os Bares fecharam mais cedo. As minorias desapareceram da área.

Entrevistamos alguns comerciantes que apoiam a operação. Outros são contra.
Sabemos que há estabelecimentos sem alvará e sem acústica adequada para conter o excesso e barulho.

Pedimos à nossa repórter Verdadeira que tente chegar junto de Carlos Palacetes de Carvalho, para obter uma declaração.

- Ora então boa noite! Em directo do terreiro dos acontecimentos, temos Carlos Palacetes que acede em prestar o seu depoimento.

- Senhor Presidente, o que o levou a chamar o grupo de intervenção da polícia municipal da edilidade? Não acha que foi uma medida exagerada?

- De todo! O executivo tem prometido tudo e mais alguma coisa e não há razão para haver esta confusão toda. É tudo uma questão de participação! Ninguém me compreende! Inclusivamente já prometi instalar câmeras de televisão nas ruas para os mais vaidosos. Já convidei o emplastro e o Rui Rio, para umas sessões de fotografia de promoção à cidade . Não vejo por que haver tamanha ingratidão.
Como pode observar, eu tenho modernizado. Ora veja o equipamento da Polícia Municipal. Têm-me acusado de gastar tudo com os assessores, mas isso é falso.
Contratei a Fátima Flopes para desenhar e confeccionar as fardas e veja como são práticas e arejadas. Ingratos! A minha vontade era não me recandidatar e chamar o António. Podia ser que assim me dessem o devido valor.

- Atenção, daqui a repórter Verdadeira. Dou como terminada a entrevista a Palacetes de Carvalho.

Para todos fica a imagem de um corpo de polícia de intervenção municipal muito bem equipado.

Como podem ver, as fardas desenhadas por Fátima Flopes são do mais prático e arejado que há.

Atenção estúdios.

- Obrigada Verdadeira. Ficamos na verdade com uma boa imagem daquilo que são as fardas do corpo de intervenção da edilidade.

Por hoje, da nossa parte é tudo. Voltaremos logo que os acontecimentos o justifiquem.

Boa noite!

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

BARREIRO SHOW-ROOM



A nossa repórter de moda foi convidada, pelas marcas Barreirenses de peças íntimas masculinas, “Tininho” e “Pierre Fardin”, agora de olho nos potenciais compradores que representam os políticos e as figuras mediáticas da cidade, a visitar os bastidores dos ensaios da passagem de modelos que se vai realizar brevemente no salão oval dos Paços do Concelho e nos jardins da casa de massagens da Marilyn Monroe, no Barreiro Velho.

Aquelas griffes, que apenas têm em vista a conquista do mercado do futuro, a instalar no novo Fórum, reforçaram o seu marketing na zona, com a divulgação em publicações voltadas para o público politicamente comprometido, promovendo um show- room em que são vedetas, conhecidas figuras masculinas da sociedade Barreirense.

As campanhas das duas marcas trazem referências explícitas aos códigos de sedução partidária, escolhendo modelos ousados, em poses provocantes.

As cuecas com suporte frontal, que dão volume, viraram um hit de design atrevido e preocupado com a máxima "tamanho é documento".

Vamos poder apreciar Carlos Palacetes de Carvalho num fio dental provocante, de cores flamejantes e tecido leve, que faz sobressair os seus óculos. Este modelo acedeu vestir a colecção “Tininho” para Presidentes de Câmara, em nome da participação. De notar o toque inovador que as correntes de metal lhe conferem, sobretudo quando utilizadas também como acessório. Observemos que foi dado um toque de charme com a elegante tatuagem de uma foice e de um martelo na nádega esquerda. Na parte frontal nota-se um pequeno piercing dourado, um total desafio à imaginação das mais atrevidas.

De salientar também a participação no desfile, de Juliano Freire e Martelo Feliz, o primeiro envergando uns boxers de gola alta, com desenhos bíblicos de fundo vermelho estampado, com um pequeno bolso para meter moedas e o segundo vestindo uma tanga azul-cueca, de modelo canguru aos saltos, importado directamente do Kosovo pelo VTM.

A nossa repórter referiu ainda a presença de um terceiro elemento, C.C. de seu nome, galã de serviço à Cidade do Cinema. Não lhe foi possível recolher elementos suficientes sobre o modelo de cuecas que este irá usar no desfile, em virtude de o mesmo se ter borrado todo e a produção ter mandado as cuecas para lavar.

O modelo lá estava sentado a um canto, todo mal cheiroso, à espera que alguém lhe emprestasse uma toalha e um frasco de Betadine.

Contamos poder dar amanhã uma nova perspectiva da passagem de modelos que se avizinha, bem como o nome de todos os intervenientes.

Sabe-se que a receita reverterá a favor da implosão do Barreiro Velho e do Mercado Marquês de Pombal.

Fiquem connosco.

Até lá, xau xau, beijinho, beijinho!

TARZAN E JANE



Devido à inocência de Tarzan, que viveu sozinho durante muito tempo, Jane deu-lhe umas aulas sobre sexualidade.
Ela tratava de explicar-lhe tudo, como se fosse uma criança:

- Olha Tarzan, isso que tens aí entre as tuas pernas pendurado é um trapo e isso que tenho aqui entre as minhas pernas é uma máquina de lavar. O que tu tens que fazer é pegar no teu trapo, colocar aqui na máquina e lavá-lo.
Nas cinco noites seguintes Tarzan lavou o seu trapo sem parar e, quando Jane conseguiu respirar, disse:

- Escuta Tarzan, as lavagens de trapos não podem ser tão frequentes porque a máquina de lavar pode danificar-se, bem como o trapo ficar gasto. Sugiro que esperes dois ou três dias para de novo lavares o teu trapo.

Ao ouvir isso Tarzan ficou decepcionado e depois de ficar 1 mês sem pôr o trapo para lavar, Jane disse-lhe:

- Tarzan, o que está a acontecer? Por que já há mais de um mês não lavas o teu trapo na minha máquina?

Ao que Tarzan respondeu:

- Tarzan aprendeu a lavar à mão!!!

terça-feira, 4 de setembro de 2007

SÓ À PANTUFADA!



Não sou muito disso, mas dias há em que só me apetece dar umas pantufadas em alguém.

Acho que vou aderir à moda dos "crocs", essas chancas deselegantes e descomunais e vou começar a distribuir biqueiros, para relaxar.

AO SENHOR DOS E-MAILS



Tenho recebido na minha "redacção", vários testemunhos que dão conta de um clima de guerra aberta por causa do poço de petróleo descoberto pelo pessoal que não constroi nem deixa construir, em terras do Barreiro Velho.

Tentaram o sequestro virtual dos vários intervenientes e armadilharam os vários blogues e caixas de comments e de correio electrónico, que são a favor da causa, com notícias falsas que visam tão somente desestabilizar a região, já de si tão pobre e carenciada.

O meu "jornal" rejeita completamente ter qualquer ligação ao Sheik do Qatar e às suas fantasias sexuais.

Para o provocador anónimo, que tem bombardeado a "redacção" com mails pornográficos, insurgindo-se contra o apoio que tenho dado à causa do Mercado Marquês de Pombal, envio os meus sinceros votos de que aprenda a ser urbano e civilizado e respeite as diferenças de opinião, sem precisar de recorrer ao insulto e ao argumento soez.

Aproveito para lhe dizer que não me mete medo nenhum e que estou perfeitamente preparada e à sua altura, para lhe dar o troco que merece, em qualquer ocasião.

Ou não me chamasse eu, "Verdadeira"!

BARREIRO - ÚLTIMA HORA!



O "sheik" é notícia na maior parte dos blogues e dos "media" nacionais e internacionais. A esta hora "o senhor das trevas" só não é mencionado pela CIA, FBI e MI6, os serviços de informação americano e inglês. De resto, desde a Al-Jazeera, no Qatar, até ao "Sidney Morning Herald", na Austrália, todos estão alertados para as tramoias preparadas pelo "sheik". A Scotland Yard já deve estar a vigiar os passos e a ler os discursos do "profeta negro", para analisar se, nas entrelinhas, haverá alguma mensagem dirigida aos seus seguidores no Barreiro.
Como principal investidor da Cidade do Cinema e construtor de moradias de gosto duvidoso, está reunido com o executivo camarário da cidade a fim de "fazer a folha" a Cabós Gonçalves e a todos os seus seguidores, principalmente à Angolana, considerada pelos falsos Camarros, a Salman Rushdie da blogosfera.
Veio acompanhado de Joan Busquets que mandou emparedar a Rua Marquês de Pombal que será o futuro cenário dos filmes de terror em vez do Mercado, e pelo proprietário virtual do Barreiro Velho, que também nutre uma raiva especial pela Angolana por esta ter oferecido uns alfinetes de peito ao Sheik, num gesto de cortesia e de tentativa de o cativar para a causa do Mercado Marquez de Pombal.
Aguarda-se a todo o momento o desenvolvimento da questão e o resultado da reunião.
Logo que tivermos novidades, entraremos no ar, em directo, para dar conta dos últimos desenvolvimentos.
Acrescentamos que também se encontram no local elementos de vários jornais e algumas figuras carismáticas da cidade do Barreiro, das quais destacamos o “Fronhas” representado pelo seu editor Sousa Lareira e a famosa “Mecinha” que, quando ouviu falar em árabes, se dirigiu de imediato para a porta principal da Câmara Municipal do Barreiro, envergando um vison e uma lingerie cor-de-rosa Isabel que todos sabemos ter-lhe sido oferecida pelo Pintor Kira, também ele defensor do Mercado Marquês de Pombal.
A “Mecinha” grita palavras de ordem que daqui do nosso local de reportagem não conseguimos compreender muito bem mas que parece terem a ver com a monarquia e com a falta de óculos.

Mais adiante, um grupo de beduínos fortemente armadilhados, prepara-se para fazer implodir o Mercado.

A coisa está a aquecer.

Aguardem os últimos desenvolvimentos. Voltaremos para actualizar as últimas notícias logo que tenhamos mais novidades.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

BEIJOS, BEIJINHOS E BEIJOKAS



Hoje vou falar do beijo.

Há um beijo especial em cada vida. Inesquecível. Imune ao desgaste temporal. É felicidade ter ao lado, meses e anos a fio, quem beija assim.

Beijos a este ou àquele. Ilusões perdidas. Amores que ficaram pelo caminho. Enganos.

Beijos aos que nos são queridos por laços de família ou de amizade. Fiéis. Dados e recebidos com gosto, mesmo se no instante não pensamos na benesse dos afectos partilhados.

Beijos há esvoaçantes que enviamos por e-mail, sms ou telemóvel. Beijos que voam da palma da mão.

A Beijoca é outra coisa. Húmida e peganhenta na pele. Por aqui ainda há beijocas.

Dizem que só as mulheres para cima dos setenta as dão. Dos pêlos do buço espetados esperamos desconforto, mas para uma beijoca nunca estamos suficientemente preparados. As especialistas espalmam a boca na bochecha da vítima, que lambuzam. O embaraço é atroz. Apetece limpar a face no momento. Mas não. Durante a conversa de circunstância, é sentida a «coisa» a secar. Ouvir quem nos fala, nem pensar - não pela monumental seca do prosear, mas pela falta de um lenço, de álcool ou de água que nos livre daquilo que não deixámos de sentir.

Os homens não beijocam, repenicam. Por vezes até melhor que nós. E eu sei do que falo...

Os beijinhos são etéreas formas de estar. Mal afloram a face. Gesto simbólico que nada quer dizer. Mas é bom distribuir e receber beijinhos como quem apanha confeitos numa boda ou festa popular. “Beijinhos. Até depois!” ou “dá-lhe beijinhos meus.”

Porém, numa noite de luar, fresca, entre lençóis de cetim, perfumados com alfazema, ir tocando com os lábios o corpo amado, suavemente da cabeça aos pés, numa lentidão apetecida, é redimir os beijinhos e fornecer-lhes significado.

São doces arrepios numa noite de Verão.

domingo, 2 de setembro de 2007

Entre Mis Recuerdos

Trabalho ao som desta bela música, cantada pela Luz Casal que muito admiro.

sábado, 1 de setembro de 2007

BAIRRO DAS PALMEIRAS



Não querendo ser a Madre Teresa de Calcutá, não posso deixar de tecer algumas considerações sobre o Bairro das Palmeiras a fim de sensibilizar todos os Barreirenses a uma tomada de posição pública acerca do grave problema da pobreza e da exclusão, naquela parte da cidade do Barreiro.

Poucos de nós têm dedicado o melhor das suas vidas em favor dos mais desfavorecidos, sobretudo daqueles que se debatem com situações massivas de pobreza e de fome.

Verificamos que o esforço de pessoas e instituições do Barreiro, que se dedicam à causa dos pobres e dos excluídos é, infelizmente, insuficiente face à dimensão que o problema assume, entre nós. Isto revela, de modo flagrante, o défice de empenhamento que existe em confronto com aquilo que urge realizar perante tanto sofrimento gerado pela pobreza.

Acredito que a pobreza e a exclusão não existem por acaso, nem se resolvem apenas com sobras ou gestos de caridade a metro. Muito tem de ser feito numa base interpessoal e directa, junto do pobre e do excluído. Entendo a pobreza como um problema que reclama apoio pessoal para acorrer às carências, mas, cujas causas só podem ser removidas modificando os factores económicos, sociais e culturais que geram a miséria e que perpetuam a pobreza. São, aliás, estes mesmos factores que se opõem às indispensáveis mudanças.

Esta pobreza continua a ser vista como um problema periférico, pretensamente resolúvel por políticas e medidas periféricas e residuais.

Embora existam programas mais ou menos elaborados de luta contra a pobreza, persistem no Bairro das Palmeiras situações de cortar o coração e isso é inadmissível.

Perante esta realidade, chegamos à conclusão de que a maior parte de quanto se tem feito, evidencia ineficiência na aplicação dos recursos e permite deduzir que passam ao lado as reais causas da pobreza no Barreiro.

Há que reverter este estado das coisas, alterando os modelos económico, cultural e de poder da sociedade.

O País atravessa uma crise mas devemos rejeitar o dogmatismo, o pensamento único. Teremos de reconhecer que as condicionantes existentes não determinam soluções únicas. Existem espaços de liberdade onde a intervenção humana, individual e colectiva é possível e necessária, porque há pessoas no Barreiro que estão a passar mal e têm vergonha de pedir ajuda. É a chamada miséria escondida e que ninguém quer ver.

Faço aqui um apelo a todos aqueles não-pobres, que superem preconceitos acerca da pobreza e suas causas e estimulem comportamentos mais solidários.

A pobreza será sempre uma grave negação dos direitos fundamentais e das condições necessárias ao exercício da cidadania.

Vamos ajudar!

PROVOCAÇÕES - "BOA COMO O MILHO"



Por ter lido um comentário num blog, referente a alguém que supostamente serei eu (não sou), hoje apetece-me falar dos Vegansexuais.

Aqueles que dos vegetais apreciam penetrações.

Cenouras, pepinos, alhos porros, nabos e até espigas de milho, são os mais utilizados.

Que o confirme qualquer médico que faça urgências em hospitais que servem variegadas gentes - Santo António, Santa Maria, São José, Nossa Senhora do Rosário e Garcia de Horta.

Para alguns anónimos, aqui deixo o mote para que possam construir juizos com valor, sem se deixarem manipular por quem é curto de juízo e do resto.

Beijokas com broas de milho.