sexta-feira, 14 de setembro de 2007

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

I MISS YOU!



Uma vez por ano, sempre naquele dia, ela ia visitá-lo. Há algum tempo que já não estavam juntos, mas ambos sentiam gostar tanto um do outro que era necessário que se reencontrassem, nem que fosse por um só dia.
Sentado, alheio ao que o rodeava, ele esperava-a sempre com ansiedade.
Viu-a quando ela apareceu ao longe, radiosa, caminhando devagar pelas alamedas sombrias, cobertas de folhas secas, trazendo nas mãos as mesmas rosas vermelhas que tantas vezes lhe enviara pelo correio e que ele enjeitara, troçando do seu amor e da sua ingenuidade, trocando-a por amores fúteis e franquiados.
Como estava arrependido de a ter feito sofrer e como a amava afinal…
Se o tempo pudesse voltar para trás, para poder abraçá-la e pedir-lhe perdão…
Ela gostava de manter aquela formalidade, o que fazia com que ele se sentisse tanto lisonjeado quanto culpado, porque jamais se lembrava de lhe ter oferecido flores.
Sorriu quando percebeu que ela continuava linda, mais do que no ano anterior, mais do que na época em que se conheceram, há mais de trinta anos atrás. Ela também sorriu ao vê-lo, iluminando o seu rosto tenso. Por mais que os seus encontros se repetissem anualmente, ela parecia nunca se acostumar a eles.
Afinal, reencontraram-se. Ofereceu-lhe as flores e encarou-o por um longo momento. Sabiam que já não havia nada a ser dito, que o tempo se tinha gasto e que muita coisa ficou por dizer.
Ela estava só e arranjou um emprego melhor. Já ele, permanecia na mesma situação desde a separação, alguns anos antes, mas nenhum dos dois se importava com isso. Reviam-se, e isso bastava.
Percebeu que os olhos dela ficaram húmidos e sabia o que ela pensava: "Se ainda pudéssemos estar juntos e ser felizes…".
Lamentava. Estava tudo acabado, não havia jeito. Quantos mais anos de separação seriam necessários para ela se convencer?
Ele não conseguia entender a razão de tal apego dela ao passado, de pensar em como seria se tivesse sido, de entristecer-se sem motivo, desejando o impossível.
De repente, uma lufada de vento fez com que ela se lembrasse de que era hora de partir. Fitou-o uma última vez, enxugando os olhos com as costas da mão, sorrindo incerta e despediu-se com uma tristeza resignada na voz.
Ele, por sua vez, não se mexeu. Acompanhou-a com o olhar, vendo-a a afastar-se lentamente nos seus passos leves mas seguros, sobre as folhas secas caídas nas estreitas alamedas.
Ela voltaria sempre, ele sabia. Estaria lá novamente, no mesmo dia de Finados, para lhe oferecer as suas rosas vermelhas que ele antes enjeitara.
E ambos, mais uma vez, recordariam o tempo em que haviam estado juntos, como se, por um só momento, pudessem esquecê-lo.

EMPLASTRO


ATÉ O EMPLASTRO FICA LINDO, GRAÇAS À CIRURGIA ESTÉTICA

ROMAGNOLI



QUALQUER SEMELHANÇA COM O EMPLASTRO, É PURA COINCIDÊNCIA

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

GRANDES CAGÕES!


Não fazem, nem deixam fazer.

São amigos da onça.

Dizem-se democratas.

E quando a coisa tem pernas para andar, demarcam-se e dizem: "Eu cá não fui!"

E o pior é que falam em nome de todos, o que é de lamentar.

Os cagões é a coisa pior que existe ao cimo da terra.

Odeio Cagões!

terça-feira, 11 de setembro de 2007

TEMPESTADE



Sentia o trepidar do carro de cada vez que um camião passava.
E chovia torrencialmente.
Chuva indomável, fria, furiosa.
Sentada no carro, contei os segundos.
Comi uma barra de chocolate que se desfez e deixou nódoas na minha saia de pregas, cor de rosa.
Os camiões, lá fora, continuaram a passar como elefantes, durante muito tempo.
Perguntava-me a mim própria como pudera o pneu rebentar, assim, num final de tarde de Verão, no meio de uma tempestade, na auto-estrada do Norte, tão longe de tudo, de todos, com a chuva a fustigar por todos os lados.
Senti-me tão só e a solidão, pela primeira vez na minha vida, assim tão perto, com corpo de chuva, assustou-me.
Até que olhei pelo retrovisor e te vi. Chegaste risonho como uma Primavera, enfiado na tua farda azul de GNR.

Naquele instante, naquele preciso instante, gostei tanto de ti!

BARREIRO SEX BOMB



Isto das mulheres se juntarem no “corte” é uma coisa muito perigosa. Toda a gente é unânime em afirmar que somos pior que os homens e até já há quem diga que também ejaculamos e temos próstata.
Sinto-me feliz! Já não nos falta nada. Bonitas, inteligentes e com “ tusa”.
Uma colega minha, durante a leitura dos anúncios eróticos do Correio da Manhã, descobriu uma palavra nova: pinguelinho. Duas tipas anunciavam ter um pinguelinho grandíssimo.
Assim mesmo.
Ficou curiosa.
"O que será um pinguelinho", perguntou-me ela.
“E, por oposição, haverá pinguelinhos pequeninos?”
“Imagino que não seja nada bom ter um pinguelinho pequenino”.
Não consegui reprimir uma gargalhada. Esta minha colega, apesar de ter a experiência profissional e a mesma formação académica que eu tenho, e lidar com todo o tipo de pessoas nas oficiosas, não sabia o que era o clítoris em versão relax.
E o pior de tudo é que chamou a atenção dos nossos colegas gandulos e sabidolas, sempre prontos para uma boa brejeirice, que entraram na conversa a matar.
Como sou moçoila de resposta pronta e raciocínio rápido, raramente fico a perder e todos eles são unânimes em considerar-me boa de língua.
Tive sempre a preocupação de me documentar sobre todos os assuntos e o mundo “relax” sempre despertou em mim curiosidade, não pela matéria em si mas pelo mundo fascinante do amor a metro e ao quilo, que ele engloba e as suas motivações sórdidas. Posso dizer que sou uma “expert” na matéria.
Os noticiários referem que os bordeis estão em crise e que há alguns a levar quinze euros pelos seus serviços.
Dizia-me uma cliente apanhada numa rusga, que o segredo reside em fazer crer aos otários que são os únicos, os maiores e se possível fazer-lhes acreditar que é a a primeira vez que o fazem. Essa rapariga põe anúncios a pedir uma companhia por ser casada, carente com o marido ausente. Os otários aparecem às resmas e ela vê-se grega para gerir o tempo e a passarinha. Confessou-me que é o próprio marido que coloca os anúncios no jornal e lhe saca a massa toda que ganha nessa vida.
Uma outra, brasileira, confidenciou-me que se prostitui porque é a forma mais fácil de ganhar dinheiro. Num dia chega a ganhar quinhentos euros e como não tem chulo, tem uma vida boa. Queixa-se dos velhos jarretas e dos tarados que tem de aturar e a quem tem de fazer crer que são os super lá do sítio, quando na realidade se sente confrangida porque a maior parte deles já não vai lá, de tão despencados e murchos que estão. E como tempo é dinheiro, em vez de uma hora pagam duas ou três, para não ficarem mal vistos.
Analisando a redacção da maior parte dos anúncios, verificamos que também nessa área se assiste a uma certa sofisticação.
Confesso que já não entro com os meus sobrinhos numa confeitaria a pedir chupa-chupas em voz alta, nem convido o meu director a dançar uma espanholada, nem tampouco vou à ourivesaria escolher um broche.
Quando vou ao ginásio evito pronunciar a palavra “fist” e faço os possíveis para que no Bingo não me calhe o cartão com o número 69.
Já não ofereço botões de rosa a ninguém, nem beijos negros, não me ponho a apanhar chuva dourada nem convido ninguém a dançar minuetes.
Andar a cavalo, nem pensar, por causa do pingalim e, simulações, essas só no Totta ou no BES.

Mas o que me lixa mesmo é aquela história do bum-bum guloso e da matulona índia e peluda no Barreiro.

O que haverá de doce em tanta javardice e degradação pessoal?






segunda-feira, 10 de setembro de 2007

FRIO



Está frio.
Tirito.
Apetece-me comer maçãs assadas com canela.
A minha velha ama, que tem nos olhos e nos ombros a solidão, fá-las muito bem.
Se um dia me morre a ama ou o pai, morrerei também.
Mato-me que não me quero por cá sem eles.
Sou mais filha que mãe, tia ou irmã.
Quero ser outra vez menina para ver as trovoadas da janela da cozinha da minha avó.
Com o nariz esborrachado no vidro, imaginando Deus como um génio gigante, feroz, vestido de cetim debruado a estrelas e cometas, arrastando móveis e lançando feitiços, raios e coriscos cá para baixo.
Agora sou crescida.
Sou uma mulher crescida e gelada.
Vou para casa enrolar-me em folhas de jornal.
Depois acendo um fósforo.
Pode ser que me aqueça.

DEAMBULANDO...


Durmo mal.
Acordo muitas vezes durante a noite.
Às vezes, como cereais e quadradinhos de chocolate com passas e avelãs inteiras que compro, muito baratos, no Lidl que alguns dizem ser o supermercado dos pelintras.
Faço a ronda aos animais da casa: as cadelas, os peixes, o hamster, os periquitos e o canário.
E leio. Gosto muito de ler.
Nunca vou aos outros quartos vazios. Faço de conta que estão ocupados por todos aqueles que amei e que já partiram.
Vou para a sala e imagino que estou a tomar conta deles, a velar-lhes o sono. Atravesso o corredor como um espectro. Acho que os meus pés nem tocam o chão. O meu corpo é evanescente, transparente. Sou capaz de atravessar paredes, voar através do tempo, falar com os mortos, dar gargalhadas assustadoras.
Sonho muito. Sempre sonhei.
Sou feita de sonhos: árvores de folhas douradas de onde caem afectos, jardins coloniais plantados no cimo da Alfredo da Silva, um tigre de Bengala pachorrento passeando, calmo, pelo Parque da Cidade. No Barreiro Velho, labiríntico, um homem cigano, magro como eu, sorrindo-me ao abrir a porta, convidando-me a entrar.
E, antes de adormecer novamente, a mesma imagem toma conta de mim: são dois pulsos cortados. Um corte ligeiro em cada um deles.
Lágrimas de sangue escorrem lentamente e ensopam um tapete felpudo cor de mágoa e solidão.

Não é uma imagem terrível ou angustiante.

Não me assusta nem me preocupa.

É uma imagem como outra qualquer.

Faz lembrar as chagas de um Cristo padecente, mas sereno.

ESPELHO MEU



Olho para aquela imagem que o espelho reflecte.
A imagem olha-me enquanto repito gestos matinais.
Tomar duche.
Lavar os dentes.
Espalhar o creme hidratante.
Depois a sombra e o traço do lápis nos olhos.
Escovar o cabelo.
Volto a olhar a imagem do espelho.
Tem os olhos rasos de água.
Coitada!
Tem um mar de escuridão dentro deles.
Estende-me os braços.
Parece querer abraçar-me.
Borrifo-me de Coco Mademoiselle Chanel.
Fujo-lhe.
Apago a luz.
Era o só que me faltava!
Detesto cenas de compaixão logo pela manhã.

domingo, 9 de setembro de 2007

STARA ZAGORA



Embora não tome café, por imposição médica, hoje acedi ao convite do meu amigo VTM , proprietário do Barreiro Velho, para lhe fazer companhia.
Costumamos juntar-nos nos fins de tarde, nos seus domínios, para prosear um pouco e trocar ideias sobre tudo o que movimenta a cidade.
Estávamos os dois em amena cavaqueira na pastelaria Tico Tico quando veio à baila Stara Zagora.
Conheço a Bulgária e a cidade de Stara Zagora. Tem um clube de futebol, um teatro e um estabelecimento prisional aceitável, atendendo às limitações dos países de Leste, em termos de Direito Penal.
Foi para lá que nos dirigimos, eu e os meus colegas, quando acabámos o curso. Em Portugal é da praxe ir-se para qualquer lado, quando se acaba o curso.
Quando vou a alguma cidade que não conheço, a primeira coisa que faço é visitar o hospital, a cadeia e o cemitério. Rigorosamente por esta ordem. Vá-se lá saber porquê.
Nunca soube explicar muito bem o motivo desta “panca”.
Em Portugal também se usa geminar cidades e dar o nome das mesmas às ruas, por dá cá aquela palha.
O Barreiro não será excepção.
Conversámos muito sobre Stara Zagora. Eu e o VTM. Até nos rimos imenso pelo facto de haver pessoas no Barreiro, que pensam que Stara Zagora foi uma ceifeira amiga de Catarina Eufémia, assassinada junto com ela.
Rimos a bom rir e chorámos também. A rir.
Ele tomou o seu café, nas calmas, e eu bebi uma água mineral com uma rodela de limão, como sempre faço nos dias de canícula.
A seguir houve aquela troca de franquezas: “pago eu!”, “não senhor, sou eu que pago!” , “nem pense! Fui eu que convidei…”.
Ok! Pagou ele.
É um homem à moda antiga que acha que os homens é que têm de pagar às mulheres e não o contrário. Eu não me importei. Afinal de contas foi só uma água. Um copo de água nunca se nega a ninguém.

Despedimo-nos. Escrevi na sua agenda o meu novo número de telemóvel e, distraída, assinei o meu nome.

Foi-se embora surpreendido por lhe ter dito o meu nome, o meu verdadeiro nome.

Eu, solitária como sempre, por ali fiquei a bebericar a minha água, ao mesmo tempo que sentia um desejo enorme de tomar café.

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

VOLTA, AMORE MIO!



Vivo numa espécie de residência universitária, cheia de gente.
É uma casa a cair de podre, de vários andares, escura e desarrumada, ali para os lados da Avenida.

De repente, oiço tocar à campainha e alguém abre a porta.

É o correio. Traz nas mãos um telegrama.

Vindos do andar de cima, descendo uma escada em caracol, apressados, chegam dois homens. Ambos estão descalços. Usam apenas uns slips brancos. O primeiro é Luís Filipe Menezes, que corre para a porta. O segundo é Marques Mendes e traz um ar circunspecto. Marques Mendes apanha o telegrama e, sofregamente, lê em voz alta: “Volta, amore mio!”.

Emocionado, vira-se para Luís Filipe Menezes e murmura-lhe ao ouvido: “Ele quer que eu volte!”.

O outro não lhe responde.

Voltam a subir as escadas em caracol, apressados.

Devem ir falar das suas vidas.

O amor é uma coisa complicada. Pode-se amar muita gente, ao mesmo tempo, de maneiras diferentes. Entretanto, saio com Cabós Gonçalves que me guiará pela cidade.

Encontro Bruno Vitorino, de olhar azul, resplandecente. Guia um Todo-o-terreno preto, envergando um vison branco e tem um ar distante.

De repente, oiço tocar o órgão da Igreja de Nossa Senhora do Rosário.

Acordo sobressaltada e o sol vai alto.

Estes meus sonhos andam mesmo baralhados!

Deste, não percebi mesmo nada!

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

ALBURRICA NEWS CHANNEL - ÚLTIMA HORA



Interrompemos o nosso serviço noticioso a fim de dar conta dos últimos desenvolvimentos sobre a reunião com o “Sheik”, na Assembleia Municipal.

Segundo as últimas informações, o avião que deveria levá-lo de volta ao seu país, foi impedido de descolar devido à forte neblina que atingiu toda a cidade. Tanto o Aeroporto do Terminal como a Base Aérea do Mexilhoeiro Grande, estiveram encerrados durante todo o dia de ontem e de hoje, não se prevendo a sua reabertura nas próximas horas. Também o porta- aviões, propriedade da Santa Inquisição dos Pintores e Artistas Plásticos, ancorado junto ao Cais dos Catamarans, foi mobilizado numa tentativa de ajudar o monarca árabe, a sair do Barreiro.

Do nosso local de reportagem damos conta da maior confusão.

Todos querem apertar a mão ao “Sheik” que procura por todos os meios refugiar-se em local seguro. Consegue disfarçar-se de “Inês” e entrar à socapa no asilo dos velhinhos. Os “stewards” do largo da Rata formam uma barreira cerrada em frente ao portão principal do asilo, para não deixar passar ninguém estranho ao serviço.

Vemos na fila da frente a D.ª “Mecinha” envergando um cinto de ligas e botas de cano alto douradas. Agita a lingerie e grita palavras de ordem, baixando e levantando as cuecas. Um velhote não resiste e manda-se do segundo andar à rua, aterrando em cima da contabilista do asilo, que tinha vindo cá fora comprar alcagoitas para o seu chá.

Atenção! A melhor atenção! Vejam como isto é possível! O Conde de Santa Casa corre para a ajudar. Neste momento começa a despir a rapariga e a fazer-lhe respiração boca a boca, massajando o peito da donzela, numa tentativa de reanimação. Como esteve muito tempo agachado, reparamos que torceu a bengala. Ouvimo-lo a gritar pelo Viagra e pelo Ciális, que julgamos serem funcionários da Instituição que virão ajudá-lo, certamente.

A Rua Miguel Bombarda virou uma autêntica praça de guerra. Está tudo um caos. No quartel general do Governo, muito perto do asilo, Luís Fileiras está à janela, desfolhando malmequeres e trincando madalenas, como se nada fosse com ele.

Incrível! Vemos agora Carlos Palacetes de Carvalho a ameaçar a população. Isto só visto! Do alto da janela dos Paços do Concelho, ameaça chamar o corpo de intervenção da polícia municipal, altamente treinado.

Juntam-se agora os apoiantes do Mercado Marquês de Pombal. Do outro lado da rua, concentram-se os opositores ao Mercado. A batalha está eminente.

Vêmo-lo pegar no telemóvel. Vai mesmo chamar a tropa de elite da edilidade.
Vamos mudar de sítio. Já se ouvem as sirenes! Fujam!

As viaturas policiais ocupam lugares estratégicos e dão início a uma mega rusga na Rua Marquez de Pombal. Tem sido uma correria. Cabós Gonçalves e alguns suspeitos estão a ser revistados. Frequentadores estão em pânico. Os Bares fecharam mais cedo. As minorias desapareceram da área.

Entrevistamos alguns comerciantes que apoiam a operação. Outros são contra.
Sabemos que há estabelecimentos sem alvará e sem acústica adequada para conter o excesso e barulho.

Pedimos à nossa repórter Verdadeira que tente chegar junto de Carlos Palacetes de Carvalho, para obter uma declaração.

- Ora então boa noite! Em directo do terreiro dos acontecimentos, temos Carlos Palacetes que acede em prestar o seu depoimento.

- Senhor Presidente, o que o levou a chamar o grupo de intervenção da polícia municipal da edilidade? Não acha que foi uma medida exagerada?

- De todo! O executivo tem prometido tudo e mais alguma coisa e não há razão para haver esta confusão toda. É tudo uma questão de participação! Ninguém me compreende! Inclusivamente já prometi instalar câmeras de televisão nas ruas para os mais vaidosos. Já convidei o emplastro e o Rui Rio, para umas sessões de fotografia de promoção à cidade . Não vejo por que haver tamanha ingratidão.
Como pode observar, eu tenho modernizado. Ora veja o equipamento da Polícia Municipal. Têm-me acusado de gastar tudo com os assessores, mas isso é falso.
Contratei a Fátima Flopes para desenhar e confeccionar as fardas e veja como são práticas e arejadas. Ingratos! A minha vontade era não me recandidatar e chamar o António. Podia ser que assim me dessem o devido valor.

- Atenção, daqui a repórter Verdadeira. Dou como terminada a entrevista a Palacetes de Carvalho.

Para todos fica a imagem de um corpo de polícia de intervenção municipal muito bem equipado.

Como podem ver, as fardas desenhadas por Fátima Flopes são do mais prático e arejado que há.

Atenção estúdios.

- Obrigada Verdadeira. Ficamos na verdade com uma boa imagem daquilo que são as fardas do corpo de intervenção da edilidade.

Por hoje, da nossa parte é tudo. Voltaremos logo que os acontecimentos o justifiquem.

Boa noite!

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

BARREIRO SHOW-ROOM



A nossa repórter de moda foi convidada, pelas marcas Barreirenses de peças íntimas masculinas, “Tininho” e “Pierre Fardin”, agora de olho nos potenciais compradores que representam os políticos e as figuras mediáticas da cidade, a visitar os bastidores dos ensaios da passagem de modelos que se vai realizar brevemente no salão oval dos Paços do Concelho e nos jardins da casa de massagens da Marilyn Monroe, no Barreiro Velho.

Aquelas griffes, que apenas têm em vista a conquista do mercado do futuro, a instalar no novo Fórum, reforçaram o seu marketing na zona, com a divulgação em publicações voltadas para o público politicamente comprometido, promovendo um show- room em que são vedetas, conhecidas figuras masculinas da sociedade Barreirense.

As campanhas das duas marcas trazem referências explícitas aos códigos de sedução partidária, escolhendo modelos ousados, em poses provocantes.

As cuecas com suporte frontal, que dão volume, viraram um hit de design atrevido e preocupado com a máxima "tamanho é documento".

Vamos poder apreciar Carlos Palacetes de Carvalho num fio dental provocante, de cores flamejantes e tecido leve, que faz sobressair os seus óculos. Este modelo acedeu vestir a colecção “Tininho” para Presidentes de Câmara, em nome da participação. De notar o toque inovador que as correntes de metal lhe conferem, sobretudo quando utilizadas também como acessório. Observemos que foi dado um toque de charme com a elegante tatuagem de uma foice e de um martelo na nádega esquerda. Na parte frontal nota-se um pequeno piercing dourado, um total desafio à imaginação das mais atrevidas.

De salientar também a participação no desfile, de Juliano Freire e Martelo Feliz, o primeiro envergando uns boxers de gola alta, com desenhos bíblicos de fundo vermelho estampado, com um pequeno bolso para meter moedas e o segundo vestindo uma tanga azul-cueca, de modelo canguru aos saltos, importado directamente do Kosovo pelo VTM.

A nossa repórter referiu ainda a presença de um terceiro elemento, C.C. de seu nome, galã de serviço à Cidade do Cinema. Não lhe foi possível recolher elementos suficientes sobre o modelo de cuecas que este irá usar no desfile, em virtude de o mesmo se ter borrado todo e a produção ter mandado as cuecas para lavar.

O modelo lá estava sentado a um canto, todo mal cheiroso, à espera que alguém lhe emprestasse uma toalha e um frasco de Betadine.

Contamos poder dar amanhã uma nova perspectiva da passagem de modelos que se avizinha, bem como o nome de todos os intervenientes.

Sabe-se que a receita reverterá a favor da implosão do Barreiro Velho e do Mercado Marquês de Pombal.

Fiquem connosco.

Até lá, xau xau, beijinho, beijinho!