sábado, 22 de setembro de 2007

GO WEST

HOJE ACORDEI NA MINHA CASA DO BARREIRO, COM VONTADE DE IR PARA OESTE.

"Together we will find a way".

Will you come with me?

I'm waiting for you.

We shall dance!

I know you love me. I love you too.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

O CHOQUE TECNOLÓGICO



Mentira!

Grande Mentira!

José Sócrates não foi nada a um safari no Quénia.

Foi ao Quénia inspirar-se no choque tecnológico.

Lá teremos que gramar agora as consequências.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

PENTA CAFÉ


Hoje fui dar um passeio com o meu amigo VTM. Apesar de tudo, ele é um homem tímido, pouco conversador e muito curioso. Extremamente curioso. Mas eu já estou habituada à curiosidade das pessoas e nunca levo a mal quando me fazem perguntas, por muito indiscretas que as considere.
Respondo sempre a todas as perguntas, apesar de muitas vezes tentar esquivar-me delas. Sou um bocado compulsiva.
Não sou de muitas intimidades. Gosto de manter distância quanto baste. Mas há quatro pessoas no Barreiro a quem gosto de “dar o braço”, enquanto passeio, calmamente, pelas margens do rio, conversando e discutindo pontos de vista. São elas o meu tio João, o Kira , o VTM e o Dr. Carlos Correia, a quem baptizei de “Mecinho Dr. CC”. São muito ternurentos e são o tipo de pessoas que nos transmitem segurança e tranquilidade.
O meu amigo VTM é muito ciumento. É uma faceta dele posta a descoberto pela polémica do Mercado Marquês de Pombal. Ficou com receio de que eu, a quem considera a sua secretária virtual, me bandeasse para os lados do Dr. Cabós Gonçalves.
Lá tive uma trabalheira monumental para o convencer de que tal seria impossível, porque tenho um contrato de trabalho que me obriga a exclusividade. Sou uma escrava da globalização. Sou como uma prostituta. Escorrem-me o cérebro, pagam para o usar e estou à disposição de qualquer caçador de cabeças que me pague bem para ser boa e até excelente, se for preciso.
Lá fomos caminhando paulatina e silenciosamente pela Avenida da Praia. De repente, o meu amigo VTM disse-me: “Que raio de nome lhe puseram!”.
Fiquei surpreendida porque não o julgava ser pessoa para comentar esse tipo de coisa: o nome. Todos nós somos vítimas, logo quando nascemos, desses exemplos de sublimação que se consubstanciam nos nomes que por vezes damos às crianças. Eu não escapei dessa. O meu nome resulta de uma coisa desse género. Não o considero dos piores, apesar de me sentir embaraçada quando me trocam o apelido ou o estilizam à boa maneira telenovelesca, agora tão em voga. Aí, sim. Fico possessa!
Enquanto caminhamos, vamos dando conta dos nossos pontos comuns e chegamos à conclusão que ambos fomos cuspidos do inferno.
O Diabo não nos quis lá. Era dose a mais, a Verdadeira e o VTM, juntos no mesmo inferno.
Voltámos como dois anjos e pairamos por aí, despertando ódios e paixões. Diz ele que, ou nos amam ou nos odeiam. Não há meio termo para nós.
Falámos de bruxas, de duendes e de Alburrica. Da lama de Alburrica e das “lamejinhas”, paraíso secreto do olheiro e dos outros.
Falámos dos ciganos, o nosso ponto de desencontro. Mas apesar de tudo concordámos: eu vejo os ciganos de uma forma branda, porque sou mulher e as mulheres são brandas por natureza. Ele vê os ciganos porque estes são e serão sempre ciganos.
“Você anda estranha, confesso.” – disse-me ele, ao mesmo tempo que olhava para mim, tentando adivinhar os meus pensamentos.
Eu, como sempre, furtando-me às directas, respondi à laia de desafio: “Vai um chocolate quente no Penta Café?”

PARA O KIM



Dia 13 de Outubro, cá te espero para almoçar.

Espero que não leves o teu pessoal para desembarques na praia dos tesos, só para veres os "borrachos".

Fico com ciúmes.

Bom regresso até Vale de Zebro.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

SALDONHA



Saldonha é uma pequena freguesia que dista 20 Km de Alfândega da Fé.Tem 157 habitantes porque o 158.º é um grandessíssimo filho da mãe, que emigrou para o Barreiro, para mal de muitas pessoas de bem.

Gosto imenso de turismo de habitação. A Casa do Poeta, em Saldonha, é um exemplo do que poderia ser feito noutras localidades do país, com potencialidades para aquele género de turismo.

É lá que passo férias e alguns dos meus poucos tempos livres, sempre acompanhada de um bom livro e de bons amigos. Gosto de passear nos arredores. Gosto de respirar o ar puro e conviver com as suas gentes boas e sãs.

Na imagem, o quarto onde costumo ficar.

É um hino à tranquilidade.

Se puderem, vão até lá e não se arrependerão.

sábado, 15 de setembro de 2007

DOCES RECORDAÇÕES



A cidade chove as primeiras lágrimas de Outono, lágrimas que eu evito a custo.
As palavras já perderam há muito o hábito de conversar connosco. Habita-nos este silêncio que nos consome e respira o nosso ar, até à lenta asfixia em que sobrevivemos.
Vou caminhando pelas ruas onde me perco em cantos e recantos que conheço de cor e paro. Da rua vejo a tua sombra gigante reflectida nas paredes do teu quarto que já foi nosso, por instantes, e sinto um desejo enorme de subir para me despedir de nós. Oiço o vento que traz até mim a música que escutas e que era a nossa e danço sozinha no passeio, uma dança demente, sem nexo.
Doce melancolia. Um dia voltei e disseste-me que pensavas que eu já tinha morrido. Mas eu ressuscitei e estava ali ao teu lado, como sempre estive em pensamento e queria estar.
Confessaste-me os teus amores, os teus medos e as tuas desilusões como sempre fazias, quando éramos crianças e eu ainda era viva para ti.
Comprei champanhe e morangos e convidei-te para jantar na minha nova casa e recusaste. Deitei fora os morangos, o jantar e arrumei a garrafa junto às velharias que ofereci. E fiquei só. Toda a noite aquela coruja piou como que a lamentar-se por mim e eu adormeci sem ti.
Não sei quando morri. Apenas sei que já não sou eu e, por isso, vou partir. Um dia deixei tudo por ti mas, apesar de tudo, fiquei só. Foi para ficar contigo, se ainda me quisesses. Tu não quiseste.
Mas que me importa? Valeram aqueles momentos e ficaram as boas recordações.
Já tudo foi dito entre nós. O que ficou por dizer, vou guardar para o meu último instante e esperar que me oiças.
Até lá, levantarei o meu olhar silente à tua passagem anónima por esta ausência a que gosto de chamar vida.
Um dia, talvez, quem sabe, ainda chame por ti, se me lembrar do teu nome...

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

I MISS YOU!



Uma vez por ano, sempre naquele dia, ela ia visitá-lo. Há algum tempo que já não estavam juntos, mas ambos sentiam gostar tanto um do outro que era necessário que se reencontrassem, nem que fosse por um só dia.
Sentado, alheio ao que o rodeava, ele esperava-a sempre com ansiedade.
Viu-a quando ela apareceu ao longe, radiosa, caminhando devagar pelas alamedas sombrias, cobertas de folhas secas, trazendo nas mãos as mesmas rosas vermelhas que tantas vezes lhe enviara pelo correio e que ele enjeitara, troçando do seu amor e da sua ingenuidade, trocando-a por amores fúteis e franquiados.
Como estava arrependido de a ter feito sofrer e como a amava afinal…
Se o tempo pudesse voltar para trás, para poder abraçá-la e pedir-lhe perdão…
Ela gostava de manter aquela formalidade, o que fazia com que ele se sentisse tanto lisonjeado quanto culpado, porque jamais se lembrava de lhe ter oferecido flores.
Sorriu quando percebeu que ela continuava linda, mais do que no ano anterior, mais do que na época em que se conheceram, há mais de trinta anos atrás. Ela também sorriu ao vê-lo, iluminando o seu rosto tenso. Por mais que os seus encontros se repetissem anualmente, ela parecia nunca se acostumar a eles.
Afinal, reencontraram-se. Ofereceu-lhe as flores e encarou-o por um longo momento. Sabiam que já não havia nada a ser dito, que o tempo se tinha gasto e que muita coisa ficou por dizer.
Ela estava só e arranjou um emprego melhor. Já ele, permanecia na mesma situação desde a separação, alguns anos antes, mas nenhum dos dois se importava com isso. Reviam-se, e isso bastava.
Percebeu que os olhos dela ficaram húmidos e sabia o que ela pensava: "Se ainda pudéssemos estar juntos e ser felizes…".
Lamentava. Estava tudo acabado, não havia jeito. Quantos mais anos de separação seriam necessários para ela se convencer?
Ele não conseguia entender a razão de tal apego dela ao passado, de pensar em como seria se tivesse sido, de entristecer-se sem motivo, desejando o impossível.
De repente, uma lufada de vento fez com que ela se lembrasse de que era hora de partir. Fitou-o uma última vez, enxugando os olhos com as costas da mão, sorrindo incerta e despediu-se com uma tristeza resignada na voz.
Ele, por sua vez, não se mexeu. Acompanhou-a com o olhar, vendo-a a afastar-se lentamente nos seus passos leves mas seguros, sobre as folhas secas caídas nas estreitas alamedas.
Ela voltaria sempre, ele sabia. Estaria lá novamente, no mesmo dia de Finados, para lhe oferecer as suas rosas vermelhas que ele antes enjeitara.
E ambos, mais uma vez, recordariam o tempo em que haviam estado juntos, como se, por um só momento, pudessem esquecê-lo.

EMPLASTRO


ATÉ O EMPLASTRO FICA LINDO, GRAÇAS À CIRURGIA ESTÉTICA

ROMAGNOLI



QUALQUER SEMELHANÇA COM O EMPLASTRO, É PURA COINCIDÊNCIA

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

GRANDES CAGÕES!


Não fazem, nem deixam fazer.

São amigos da onça.

Dizem-se democratas.

E quando a coisa tem pernas para andar, demarcam-se e dizem: "Eu cá não fui!"

E o pior é que falam em nome de todos, o que é de lamentar.

Os cagões é a coisa pior que existe ao cimo da terra.

Odeio Cagões!

terça-feira, 11 de setembro de 2007

TEMPESTADE



Sentia o trepidar do carro de cada vez que um camião passava.
E chovia torrencialmente.
Chuva indomável, fria, furiosa.
Sentada no carro, contei os segundos.
Comi uma barra de chocolate que se desfez e deixou nódoas na minha saia de pregas, cor de rosa.
Os camiões, lá fora, continuaram a passar como elefantes, durante muito tempo.
Perguntava-me a mim própria como pudera o pneu rebentar, assim, num final de tarde de Verão, no meio de uma tempestade, na auto-estrada do Norte, tão longe de tudo, de todos, com a chuva a fustigar por todos os lados.
Senti-me tão só e a solidão, pela primeira vez na minha vida, assim tão perto, com corpo de chuva, assustou-me.
Até que olhei pelo retrovisor e te vi. Chegaste risonho como uma Primavera, enfiado na tua farda azul de GNR.

Naquele instante, naquele preciso instante, gostei tanto de ti!

BARREIRO SEX BOMB



Isto das mulheres se juntarem no “corte” é uma coisa muito perigosa. Toda a gente é unânime em afirmar que somos pior que os homens e até já há quem diga que também ejaculamos e temos próstata.
Sinto-me feliz! Já não nos falta nada. Bonitas, inteligentes e com “ tusa”.
Uma colega minha, durante a leitura dos anúncios eróticos do Correio da Manhã, descobriu uma palavra nova: pinguelinho. Duas tipas anunciavam ter um pinguelinho grandíssimo.
Assim mesmo.
Ficou curiosa.
"O que será um pinguelinho", perguntou-me ela.
“E, por oposição, haverá pinguelinhos pequeninos?”
“Imagino que não seja nada bom ter um pinguelinho pequenino”.
Não consegui reprimir uma gargalhada. Esta minha colega, apesar de ter a experiência profissional e a mesma formação académica que eu tenho, e lidar com todo o tipo de pessoas nas oficiosas, não sabia o que era o clítoris em versão relax.
E o pior de tudo é que chamou a atenção dos nossos colegas gandulos e sabidolas, sempre prontos para uma boa brejeirice, que entraram na conversa a matar.
Como sou moçoila de resposta pronta e raciocínio rápido, raramente fico a perder e todos eles são unânimes em considerar-me boa de língua.
Tive sempre a preocupação de me documentar sobre todos os assuntos e o mundo “relax” sempre despertou em mim curiosidade, não pela matéria em si mas pelo mundo fascinante do amor a metro e ao quilo, que ele engloba e as suas motivações sórdidas. Posso dizer que sou uma “expert” na matéria.
Os noticiários referem que os bordeis estão em crise e que há alguns a levar quinze euros pelos seus serviços.
Dizia-me uma cliente apanhada numa rusga, que o segredo reside em fazer crer aos otários que são os únicos, os maiores e se possível fazer-lhes acreditar que é a a primeira vez que o fazem. Essa rapariga põe anúncios a pedir uma companhia por ser casada, carente com o marido ausente. Os otários aparecem às resmas e ela vê-se grega para gerir o tempo e a passarinha. Confessou-me que é o próprio marido que coloca os anúncios no jornal e lhe saca a massa toda que ganha nessa vida.
Uma outra, brasileira, confidenciou-me que se prostitui porque é a forma mais fácil de ganhar dinheiro. Num dia chega a ganhar quinhentos euros e como não tem chulo, tem uma vida boa. Queixa-se dos velhos jarretas e dos tarados que tem de aturar e a quem tem de fazer crer que são os super lá do sítio, quando na realidade se sente confrangida porque a maior parte deles já não vai lá, de tão despencados e murchos que estão. E como tempo é dinheiro, em vez de uma hora pagam duas ou três, para não ficarem mal vistos.
Analisando a redacção da maior parte dos anúncios, verificamos que também nessa área se assiste a uma certa sofisticação.
Confesso que já não entro com os meus sobrinhos numa confeitaria a pedir chupa-chupas em voz alta, nem convido o meu director a dançar uma espanholada, nem tampouco vou à ourivesaria escolher um broche.
Quando vou ao ginásio evito pronunciar a palavra “fist” e faço os possíveis para que no Bingo não me calhe o cartão com o número 69.
Já não ofereço botões de rosa a ninguém, nem beijos negros, não me ponho a apanhar chuva dourada nem convido ninguém a dançar minuetes.
Andar a cavalo, nem pensar, por causa do pingalim e, simulações, essas só no Totta ou no BES.

Mas o que me lixa mesmo é aquela história do bum-bum guloso e da matulona índia e peluda no Barreiro.

O que haverá de doce em tanta javardice e degradação pessoal?






segunda-feira, 10 de setembro de 2007

FRIO



Está frio.
Tirito.
Apetece-me comer maçãs assadas com canela.
A minha velha ama, que tem nos olhos e nos ombros a solidão, fá-las muito bem.
Se um dia me morre a ama ou o pai, morrerei também.
Mato-me que não me quero por cá sem eles.
Sou mais filha que mãe, tia ou irmã.
Quero ser outra vez menina para ver as trovoadas da janela da cozinha da minha avó.
Com o nariz esborrachado no vidro, imaginando Deus como um génio gigante, feroz, vestido de cetim debruado a estrelas e cometas, arrastando móveis e lançando feitiços, raios e coriscos cá para baixo.
Agora sou crescida.
Sou uma mulher crescida e gelada.
Vou para casa enrolar-me em folhas de jornal.
Depois acendo um fósforo.
Pode ser que me aqueça.