domingo, 23 de setembro de 2007

VIAGRA VERSUS PROZAC


Hoje acordei ao som de marteladas, como se estivesse num estaleiro de construção civil. O relógio indicava uma hora não muito própria para estar na cama, já que o dia estava radioso e os passarinhos cantavam lá fora, no jardim. Acresce o facto de ser o dia do segundo casamento da minha amiga “Isabel”. Vou ser a madrinha e, por conseguinte, vou ter de estar radiosa como manda a sapatilha. Por isso, toca a levantar!
Entristecem-me os casamentos. No final da festa fica-nos sempre aquela sensação de vazio, que nunca sabemos interpretar. Será de alegria? Será de tristeza?
Enfim, seja o que for, não é nada de bom.
Dou comigo a lembrar-me da Isabel e do seu divórcio, do qual fui mandatária.
Recordo quando tudo teve origem, no dia em que ela celebrou o 20º aniversário de casamento. Na verdade tinham pouco que celebrar. Quando chegou à altura de relembrar a noite de núpcias ele trancou-se na casa de banho e chorou. Nesse dia, contou-lhe o seu grande segredo: estava impotente e queria que ela fosse a primeira a saber. Grande novidade, ele realmente pensava que ela ainda não sabia.
Aquele casamento estava mal. Uma mulher tem as suas necessidades. Um dia vi-a a olhar uma foto de um quadro do Kirapintor, aquele que tem umas estacas levantadas, e a desatar a chorar.
Ficou entusiasmada quando leu no jornal que havia uma nova droga no mercado que podia resolver o problema. Chamava-se Viagra. Ela disse-lhe que se tomasse esse medicamento, as coisas poderiam ser como na lua de mel. Realmente pensou que poderia resultar. Ele então substituiu o Prozac pelo Viagra, na esperança que levantasse algo mais do que o entusiasmo.
Foi uma benção dos céus.
A vida começou a ser maravilhosa para eles, apesar de ser um pouco complicado ela escrever enquanto ele fazia "aquilo".
O Viagra começou a subir-lhe à cabeça (sem segundas intenções). No restaurante o empregado perguntava à Isabel se estava a gostar da carne e ele pensava logo que se estava a referir a ele. Mas ela confessou que, apesar de tudo, foi muito bom. Nunca foi tão feliz.
Acho que ele começou a exagerar na dose de Viagra aos fins de semana. Ela ficava um pouco dorida nas partes baixas e deixou de ter tempo para escrever, porque ele apanhava-a.
Ok, ela chegou a admitir no Tribunal, que se escondia dele. É que não há mulher que aguente tanto e, para piorar as coisas, ele andava a tomar os comprimidos com Whisky. O que havia ela de fazer? Estava toda moída.
Estava praticamente a ser comida até a morte. Era o mesmo que ir para a cama com um Black&Decker. Acordou uma manhã colada à cama, até os sovacos não escapavam, ele era um grandessíssimo animal.
Quem lhe dera que ele fosse bicha. Deixou de se maquilhar, tomar banho, lavar os dentes, mas mesmo assim ele ia atrás dela. Até bocejar era um perigo.
De cada vez que fechava os olhos lá vinha mais um ataque. Estava a viver com um míssil Scud. Já mal conseguia andar. Jurou-me que se ele viesse outra vez com aquela história do "Olá, com licença", matava o sacana!
Fez de tudo para ele a deixar em paz, mas nada resultou. Chegou a vestir-se de freira, mas ainda foi pior.
Pensei que ela acabaria por matá-lo. Eram umas dores infernais quando se sentava. O cão e o gato fugiam dele e os amigos nem se atreviam a aparecer lá em casa.
O sacana queixava-se de dores de cabeça, quem lhe dera a ela que explodisse. Ela sugeriu-lhe que largasse o Viagra e voltasse a tomar o Prozac.
Finalmente resolveu mudar de comprimidos, mas parece que não fez efeito.
Um dia o Prozac começou finalmente a fazer efeito. O filho da mãe passava o dia inteiro sentado em frente à TV, com o controlo remoto na mão à espera que ela lhe fizesse tudo. Ah! Que vida maravilhosa.
E assim terminou um casamento e eu ganhei uma cliente.
Hoje vou vestir-me de dourado transparente.
Espero que a Isabel seja feliz.

sábado, 22 de setembro de 2007

A DOR E O GRITO


Hoje acordei na minha casa amarela, no seio do Barreiro Velho, esse bairro maldito para tantas pessoas que já se esqueceram do tempo e das memórias e mataram a saudade, enterrando-a em preconceitos.
Cheguei, mas partirei em seguida, porque há coisas a que nunca poderemos fugir, por muito que desejemos fazê-lo.
Não sei porquê, acordei com uma tremenda enxaqueca. Há muito tempo que não tinha uma enxaqueca.
Não conseguia raciocinar nem tampouco levantar a cabeça da almofada.
Meti-me num táxi com a minha receita SOS e rumei à primeira farmácia de serviço, que encontrei. O mundo girava à minha volta, tremelicando por todos os lados, bruxuleando como a luz de um pedaço de vela. E as náuseas malditas, essas, não me largavam o corpo. Apetecia-me gritar. Uma sensação, grande, de desconforto e insegurança tomava, pois, conta de mim.
Para minha irritação, quando entrei, tinha duas mulheres à minha frente.
Sentei-me.
A primeira pediu Trifene. Bufei. Resfoleguei como os búfalos que me conheceram pequenina, lá longe, nas anharas de Angola. Uma dor menstrual tem lá comparação com a sensação de ressaca provocada por uma enxaqueca!
A segunda mulher pediu palmilhas de silicone, anti derrapantes para os sapatos. Aí não aguentei e reclamei que aquilo era uma farmácia de serviço, não uma sapataria.
A farmacêutica, do outro lado do balcão, insolente, disse-me para esperar.
Meu Deus, como tive saudades, tantas, daquela empregada do senhor doutor, a tal Teresa, tão simpática, tão subserviente, tão senhora doutora para aqui, senhora doutora para acolá.
Encolhi-me. A empregada demorou imenso tempo a mostrar palmilhas de silicone à velha que estava à minha frente.
E eu ali a morrer devagarinho.
Por fim, lá se dignou a atender-me.
Quando viu a minha receita, olhou-me em silêncio.
Eu olhei-a de volta, prestes a desfalecer.
Mal saí da farmácia meti um comprimido à boca.
Passados poucos minutos, o mundo parou de tremer e eu voltei a ser Eu.

SENTIMENTOS E AFECTOS



Era uma vez uma ilha onde viviam todos os sentimentos: a Alegria, a Tristeza, a Sabedoria e todos os outros afectos. Um dia os moradores foram avisados que aquela ilha iria afundar e todos eles se apressaram a deixá-la.
Pegaram nos seus barcos e partiram. Mas o Amor ficou, pois queria ficar mais um pouco com a ilha, antes que ela afundasse. Quando, por fim, estava quase a afogar-se, o Amor começou a pedir ajuda. Nesse momento passava a Riqueza, num lindo barco. O Amor pediu-lhe :
- Riqueza, leva-me contigo.
- Não posso. Há muito ouro e prata no meu barco. Não há lugar para ti.
Pediu ajuda à Vaidade, que também ia a passar.
- Vaidade, por favor, ajuda-me .
- Não posso ajudar-te , Amor, estás todo molhado e poderias estragar o meu barco novo.
Então, o Amor pediu ajuda à Tristeza.
- Tristeza, leva-me contigo.
- Ah! Amor, sinto-me tão triste, que prefiro ir sozinha.
Também passou a Alegria, mas esta estava tão alegre que nem ouviu o Amor chamá-la.
Já desesperado, o Amor começou a chorar. Foi quando ouviu uma voz chamar:
- Vem Amor, eu levo-te!
Era um velhinho. O Amor ficou tão feliz que se esqueceu de perguntar o nome dele. Quando chegou ao outro lado da praia, perguntou à Sabedoria.
- Sabedoria, quem era aquele velhinho que me trouxe aqui?
A Sabedoria respondeu:

- Era o TEMPO.

- O Tempo? Mas por que só o Tempo me quis trazer?

- Porque só o Tempo é capaz de entender o "AMOR".

GO WEST

HOJE ACORDEI NA MINHA CASA DO BARREIRO, COM VONTADE DE IR PARA OESTE.

"Together we will find a way".

Will you come with me?

I'm waiting for you.

We shall dance!

I know you love me. I love you too.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

O CHOQUE TECNOLÓGICO



Mentira!

Grande Mentira!

José Sócrates não foi nada a um safari no Quénia.

Foi ao Quénia inspirar-se no choque tecnológico.

Lá teremos que gramar agora as consequências.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

PENTA CAFÉ


Hoje fui dar um passeio com o meu amigo VTM. Apesar de tudo, ele é um homem tímido, pouco conversador e muito curioso. Extremamente curioso. Mas eu já estou habituada à curiosidade das pessoas e nunca levo a mal quando me fazem perguntas, por muito indiscretas que as considere.
Respondo sempre a todas as perguntas, apesar de muitas vezes tentar esquivar-me delas. Sou um bocado compulsiva.
Não sou de muitas intimidades. Gosto de manter distância quanto baste. Mas há quatro pessoas no Barreiro a quem gosto de “dar o braço”, enquanto passeio, calmamente, pelas margens do rio, conversando e discutindo pontos de vista. São elas o meu tio João, o Kira , o VTM e o Dr. Carlos Correia, a quem baptizei de “Mecinho Dr. CC”. São muito ternurentos e são o tipo de pessoas que nos transmitem segurança e tranquilidade.
O meu amigo VTM é muito ciumento. É uma faceta dele posta a descoberto pela polémica do Mercado Marquês de Pombal. Ficou com receio de que eu, a quem considera a sua secretária virtual, me bandeasse para os lados do Dr. Cabós Gonçalves.
Lá tive uma trabalheira monumental para o convencer de que tal seria impossível, porque tenho um contrato de trabalho que me obriga a exclusividade. Sou uma escrava da globalização. Sou como uma prostituta. Escorrem-me o cérebro, pagam para o usar e estou à disposição de qualquer caçador de cabeças que me pague bem para ser boa e até excelente, se for preciso.
Lá fomos caminhando paulatina e silenciosamente pela Avenida da Praia. De repente, o meu amigo VTM disse-me: “Que raio de nome lhe puseram!”.
Fiquei surpreendida porque não o julgava ser pessoa para comentar esse tipo de coisa: o nome. Todos nós somos vítimas, logo quando nascemos, desses exemplos de sublimação que se consubstanciam nos nomes que por vezes damos às crianças. Eu não escapei dessa. O meu nome resulta de uma coisa desse género. Não o considero dos piores, apesar de me sentir embaraçada quando me trocam o apelido ou o estilizam à boa maneira telenovelesca, agora tão em voga. Aí, sim. Fico possessa!
Enquanto caminhamos, vamos dando conta dos nossos pontos comuns e chegamos à conclusão que ambos fomos cuspidos do inferno.
O Diabo não nos quis lá. Era dose a mais, a Verdadeira e o VTM, juntos no mesmo inferno.
Voltámos como dois anjos e pairamos por aí, despertando ódios e paixões. Diz ele que, ou nos amam ou nos odeiam. Não há meio termo para nós.
Falámos de bruxas, de duendes e de Alburrica. Da lama de Alburrica e das “lamejinhas”, paraíso secreto do olheiro e dos outros.
Falámos dos ciganos, o nosso ponto de desencontro. Mas apesar de tudo concordámos: eu vejo os ciganos de uma forma branda, porque sou mulher e as mulheres são brandas por natureza. Ele vê os ciganos porque estes são e serão sempre ciganos.
“Você anda estranha, confesso.” – disse-me ele, ao mesmo tempo que olhava para mim, tentando adivinhar os meus pensamentos.
Eu, como sempre, furtando-me às directas, respondi à laia de desafio: “Vai um chocolate quente no Penta Café?”

PARA O KIM



Dia 13 de Outubro, cá te espero para almoçar.

Espero que não leves o teu pessoal para desembarques na praia dos tesos, só para veres os "borrachos".

Fico com ciúmes.

Bom regresso até Vale de Zebro.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

SALDONHA



Saldonha é uma pequena freguesia que dista 20 Km de Alfândega da Fé.Tem 157 habitantes porque o 158.º é um grandessíssimo filho da mãe, que emigrou para o Barreiro, para mal de muitas pessoas de bem.

Gosto imenso de turismo de habitação. A Casa do Poeta, em Saldonha, é um exemplo do que poderia ser feito noutras localidades do país, com potencialidades para aquele género de turismo.

É lá que passo férias e alguns dos meus poucos tempos livres, sempre acompanhada de um bom livro e de bons amigos. Gosto de passear nos arredores. Gosto de respirar o ar puro e conviver com as suas gentes boas e sãs.

Na imagem, o quarto onde costumo ficar.

É um hino à tranquilidade.

Se puderem, vão até lá e não se arrependerão.

sábado, 15 de setembro de 2007

DOCES RECORDAÇÕES



A cidade chove as primeiras lágrimas de Outono, lágrimas que eu evito a custo.
As palavras já perderam há muito o hábito de conversar connosco. Habita-nos este silêncio que nos consome e respira o nosso ar, até à lenta asfixia em que sobrevivemos.
Vou caminhando pelas ruas onde me perco em cantos e recantos que conheço de cor e paro. Da rua vejo a tua sombra gigante reflectida nas paredes do teu quarto que já foi nosso, por instantes, e sinto um desejo enorme de subir para me despedir de nós. Oiço o vento que traz até mim a música que escutas e que era a nossa e danço sozinha no passeio, uma dança demente, sem nexo.
Doce melancolia. Um dia voltei e disseste-me que pensavas que eu já tinha morrido. Mas eu ressuscitei e estava ali ao teu lado, como sempre estive em pensamento e queria estar.
Confessaste-me os teus amores, os teus medos e as tuas desilusões como sempre fazias, quando éramos crianças e eu ainda era viva para ti.
Comprei champanhe e morangos e convidei-te para jantar na minha nova casa e recusaste. Deitei fora os morangos, o jantar e arrumei a garrafa junto às velharias que ofereci. E fiquei só. Toda a noite aquela coruja piou como que a lamentar-se por mim e eu adormeci sem ti.
Não sei quando morri. Apenas sei que já não sou eu e, por isso, vou partir. Um dia deixei tudo por ti mas, apesar de tudo, fiquei só. Foi para ficar contigo, se ainda me quisesses. Tu não quiseste.
Mas que me importa? Valeram aqueles momentos e ficaram as boas recordações.
Já tudo foi dito entre nós. O que ficou por dizer, vou guardar para o meu último instante e esperar que me oiças.
Até lá, levantarei o meu olhar silente à tua passagem anónima por esta ausência a que gosto de chamar vida.
Um dia, talvez, quem sabe, ainda chame por ti, se me lembrar do teu nome...

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

I MISS YOU!



Uma vez por ano, sempre naquele dia, ela ia visitá-lo. Há algum tempo que já não estavam juntos, mas ambos sentiam gostar tanto um do outro que era necessário que se reencontrassem, nem que fosse por um só dia.
Sentado, alheio ao que o rodeava, ele esperava-a sempre com ansiedade.
Viu-a quando ela apareceu ao longe, radiosa, caminhando devagar pelas alamedas sombrias, cobertas de folhas secas, trazendo nas mãos as mesmas rosas vermelhas que tantas vezes lhe enviara pelo correio e que ele enjeitara, troçando do seu amor e da sua ingenuidade, trocando-a por amores fúteis e franquiados.
Como estava arrependido de a ter feito sofrer e como a amava afinal…
Se o tempo pudesse voltar para trás, para poder abraçá-la e pedir-lhe perdão…
Ela gostava de manter aquela formalidade, o que fazia com que ele se sentisse tanto lisonjeado quanto culpado, porque jamais se lembrava de lhe ter oferecido flores.
Sorriu quando percebeu que ela continuava linda, mais do que no ano anterior, mais do que na época em que se conheceram, há mais de trinta anos atrás. Ela também sorriu ao vê-lo, iluminando o seu rosto tenso. Por mais que os seus encontros se repetissem anualmente, ela parecia nunca se acostumar a eles.
Afinal, reencontraram-se. Ofereceu-lhe as flores e encarou-o por um longo momento. Sabiam que já não havia nada a ser dito, que o tempo se tinha gasto e que muita coisa ficou por dizer.
Ela estava só e arranjou um emprego melhor. Já ele, permanecia na mesma situação desde a separação, alguns anos antes, mas nenhum dos dois se importava com isso. Reviam-se, e isso bastava.
Percebeu que os olhos dela ficaram húmidos e sabia o que ela pensava: "Se ainda pudéssemos estar juntos e ser felizes…".
Lamentava. Estava tudo acabado, não havia jeito. Quantos mais anos de separação seriam necessários para ela se convencer?
Ele não conseguia entender a razão de tal apego dela ao passado, de pensar em como seria se tivesse sido, de entristecer-se sem motivo, desejando o impossível.
De repente, uma lufada de vento fez com que ela se lembrasse de que era hora de partir. Fitou-o uma última vez, enxugando os olhos com as costas da mão, sorrindo incerta e despediu-se com uma tristeza resignada na voz.
Ele, por sua vez, não se mexeu. Acompanhou-a com o olhar, vendo-a a afastar-se lentamente nos seus passos leves mas seguros, sobre as folhas secas caídas nas estreitas alamedas.
Ela voltaria sempre, ele sabia. Estaria lá novamente, no mesmo dia de Finados, para lhe oferecer as suas rosas vermelhas que ele antes enjeitara.
E ambos, mais uma vez, recordariam o tempo em que haviam estado juntos, como se, por um só momento, pudessem esquecê-lo.

EMPLASTRO


ATÉ O EMPLASTRO FICA LINDO, GRAÇAS À CIRURGIA ESTÉTICA

ROMAGNOLI



QUALQUER SEMELHANÇA COM O EMPLASTRO, É PURA COINCIDÊNCIA

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

GRANDES CAGÕES!


Não fazem, nem deixam fazer.

São amigos da onça.

Dizem-se democratas.

E quando a coisa tem pernas para andar, demarcam-se e dizem: "Eu cá não fui!"

E o pior é que falam em nome de todos, o que é de lamentar.

Os cagões é a coisa pior que existe ao cimo da terra.

Odeio Cagões!