quarta-feira, 10 de outubro de 2007

TRISTEZA



A tristeza faz-nos viver a vida em lume brando.
Todo o movimento é penoso e a palavra de ordem é a lentidão.
Quase sempre, a tristeza começa com uma perda.
Perda de afectos, emprego, estatuto, casa, cidade, alguém, ou um objecto, o que nos faz sentir sozinhos e abandonados.
Apesar disso, a tristeza não é negativa. Com ela paramos para pensar e fazemos uma espécie de retiro espiritual.
Assim, poderemos aprender a evitar situações semelhantes àquela que nos causou a dor.
A tristeza também nos protege da agressividade dos outros e remete-nos para dentro de nós.
Quando a tristeza se apodera definitivamente de nós, entramos na espiral da depressão e pode acabar mal.
A tristeza é parente da melancolia e do tédio.
Para acabar com ela, é preciso reflectir, procurar o apoio dos outros e deixar que o tempo sare algumas feridas.
A tristeza também tem como sinónimo o vazio e enquanto o vazio dominar a nossa existência, não haverá espaço para o entusiasmo nem para a alegria.
O vazio tem cura. Basta enchê-lo com afecto.
E o afecto não se força, sente-se.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

A "PIANISTA"



Nunca entendi muito bem o motivo por que os meus cães uivam, quando toco piano.

Mal inicio os primeiros acordes, começa logo uma sinfonia de loucos, com o Mantorras em 1.º plano, parecendo querer acompanhar-me com a sua voz de "soprano".

É um mistério. Acho que nunca vou entender o porquê.

Eu, que tanto gosto deles, já cheguei à conclusão que foi a forma que encontraram de protestar contra a "pianista".

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

O TELEFONEMA



O telefone tocou esta manhã.
Atendi e eras tu, que eu já esqueci.
Querias não sei o quê, de mim, e desliguei.
Estou sem pachorra para ti.
Deixa-me em paz! Pedi-te.
Que me queres agora?
Tu que tiveste todo o tempo do Mundo e a quem dei o melhor de mim.
Agora já é tarde demais para nós.
Podíamos ter sido mas não fomos.
Podíamos ter dito algo mais que um adeus e não dissemos.
Podíamos ter sido felizes mas nem sequer tentaste.
Podíamos ter arriscado e não o fizeste.
Fica um beijo, um abraço.
Fica um peito transbordante de saudade
Do que nunca me foi permitido viver contigo,
Porque não quiseste.
Por medo? Talvez...
Seguiremos agora caminhos opostos.
Foi o que escolheste.
Talvez um único caminho seja demasiado pequeno para os dois.
Mas, apesar de tudo, vou sentir-te a falta.
De verdade.
Tenho a certeza que me lembrarei muitas vezes de ti.
Chegou a hora de te deixar finalmente partir.
E eu sei que levas também um pouco de mim.
É apenas um fim. Tudo tem um fim.
Quem sabe, um dia?
Se não for pedir demais,
Aí dentro do teu peito, não me deixes morrer.
Pedirei sempre a um Deus que olhe por ti, que cuide de ti, que esteja a teu lado.
No fundo, o que eu um dia quis que fizesses por mim.
Mas não foste capaz.
Eu gostei muito de ti e não pensei que me doesse tanto dizer-te adeus.
Mesmo sabendo que já te foste embora há muito, muito tempo.
Ainda guardo no bolso o bilhete do barco.
Até um dia!
Já parti!

domingo, 7 de outubro de 2007

QUE GRANDE SECA!



ESTE BENFICA MATA-ME!
MAIS UM JOGO ASSIM E EU MORRO!

ALTO DA PAIVA / VERDERENA



Estamos quase a chegar ao Natal e à época de certas práticas comerciais contemporâneas, organizadas sempre em torno de datas comemorativas.
Alguém disse, um dia, que “Natal é quando um homem quiser”. Neste nosso tempo, e por experiência própria, sei que não será bem assim.
Detenho-me a pensar no Mercado do Levante que tudo indica, em Dezembro, deixará de ser da Verderena e passará para o Alto da Paiva, ali para os lados do Hospital de Nossa Senhora do Rosário, paredes-meias com o IC21.
Não posso deixar de referir que acredito ter sido o Dr. Cabós Gonçalves o directo causador de tão rápida resolução porque, em política, ninguém quer perder nem a feijões. O executivo camarário não quis dar de barato uma vitória que agora clamará como sua. O cidadão Cabós Gonçalves, quer queiram, quer não, teve a sua quota-parte nesta resolução a contento.
Foi hilariante aquela tirada esfarrapada de dizerem que não sabiam que aquele terreno era propriedade da CMB. Adorei!
Ganharam os feirantes e os cidadãos que poderão assim desfrutar de um comércio mais em conta, porque nem todos podem ir comprar às lojas “fashion”, nas grandes superfícies comerciais, que têm retirado toda a alma ao comércio tradicional, contribuindo para falências em massa.

sábado, 6 de outubro de 2007

O ASSOCIATIVISMO/COOPERATIVISMO



Há muitos temas que despertam a minha curiosidade e que gosto de abordar, talvez porque não tenha com eles grande familiaridade e não façam parte da minha realidade laboral.
Já em anteriores “posts” tenho manifestado a minha predilecção pela cidade do Barreiro, cidade que conheço desde os meus três anos de idade e onde gostava de ter vivido.
Alguém me disse há dias que, se tivesse sido educada no Barreiro, talvez não tivesse ido tão longe. O mais curioso é que foi um Barreirense, que considero dos quatro costados, o autor da cogitação.
Fiquei a pensar. Sempre achei que o Barreiro estava na vanguarda da solidariedade e do associativismo.
Disseram-me que não. Que hoje em dia tudo está em crise no concelho, a começar pelo associativismo.
O associativismo estará em crise?
Esta é uma questão recorrente que sempre se apresenta quando o objectivo de discussão ou de simples conversa é a necessidade que faz juntar os homens para a defesa ou para o desenvolvimento e dignificação de uma actividade comum que os une.
Podemos recuar no tempo, ao tempo das mutualistas do século XIX, ou até a épocas mais remotas. Haverá mesmo quem defenda ir à origem do ser humano, para encontrar a génese do associativismo. Sempre que o Homem sentiu que isolado não conseguiria resolver uma dificuldade, juntou-se a outros homens desejosos de resolverem problemas idênticos.
Mas então, e a tão falada “crise do associativismo” no Barreiro?
Há quem defenda que o associativismo atravessa ciclicamente épocas de dificuldades. Outros, que a crise não se situa no associativismo mas no dirigismo associativo, nos termos em que hoje se apresenta. A maioria defende que o associativismo, propriamente dito, não está em crise.
É complexa, realmente, esta realidade. Não se deverá tomar uma posição de forma leviana sem pesar todos os condicionalismos e envolventes. Para isso, deveriam realizar-se debates e colóquios sobre o tema, na procura de objectividade nas conclusões.
Uma das razões que historicamente levou o Homem a unir esforços, a congregar o seu saber e a sua acção à volta de objectivos comuns, foi o espírito de solidariedade. Donde, a questão para a qual urge encontrar uma resposta é: Hoje em dia, o Homem é um ser solidário ou um ser solitário?
Como uma letrinha, apenas, faz toda uma diferença...
Um punhado de homens de boa vontade, continua uma luta sem quartel na defesa do associativismo, esbarrando muitas vezes na falta de reconhecimento das entidades oficiais onde, cada vez mais, se conhece o preço de tudo e o valor de nada.
A conclusão que se tira é que hoje em dia já não existe o associativismo puro, resultante da vontade daqueles que pensam em si próprios e nos outros como pessoas.
O associativismo actual resulta apenas da vontade dos partidos e do poder instituído. Esta vontade actua como filtro da solidariedade e os homens hoje associam-se não tendo em vista o bem comum mas única e exclusivamente para garantir que a actividade comum seja apenas de uns poucos, de preferência com filiação partidária.
Pelo que se tem constatado, o Barreiro não será excepção.



sexta-feira, 5 de outubro de 2007

A REPÚBLICA DAS BANANAS



Comemora-se hoje, em Portugal, a implantação da República.

Nesta República que hoje vivemos, falta-nos o encanto da segunda parte do hino, que quase ninguém conhece.

Deveríamos clamar mais pelo "ridente porvir".

Deixo-vos aqui, a título de curiosidade, a parte do Hino Nacional que ninguém canta.

"Saudai o Sol que desponta
Sobre um ridente porvir;
Seja o eco de uma afronta
O sinal de ressurgir.
Raios dessa aurora forte
São como beijos de mãe,
Que nos guardam, nos sustêm,
Contra as injúrias da sorte.
Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar."

A CIGARRA E A FORMIGA



Era uma vez uma formiguinha e uma cigarra que eram muito amigas.
Durante todo o Outono, a formiguinha trabalhou sem parar, armazenando comida para o período de Inverno. Não aproveitou nada do sol, da brisa suave do fim da tarde e nem do convívio com os amigos no final do trabalho. O seu nome era "trabalho" e o seu apelido "sempre".
Enquanto isso, a cigarra só queria cantar nos grupos de amigos e nos bares da cidade. Não desperdiçou um minuto sequer! Cantou e dançou durante todo o Outono, aproveitou o sol, curtiu a valer sem se preocupar com o Inverno que estava para chegar.
Então, passados alguns dias, começou a fazer frio. Era o Inverno que estava a começar.
A formiguinha, exausta de tanto trabalho, entrou para a sua singela e aconchegante toca repleta de comida. Mas, nesse momento, alguém chamou o seu nome do lado de fora da toca.
Quando abriu a porta para ver quem era, ficou surpreendida com o que viu. Quem era? A sua amiga cigarra estava ao volante de um Ferrari vestindo um confortável casaco de vison.
A cigarra disse para a formiguinha:
- Olá amiga, vou passar o Inverno a Paris. Será que tu poderias cuidar da minha toca?
- Claro, sem problemas, respondeu a formiguinha. Mas o que te aconteceu? Como é que conseguiste tanto dinheiro para ir a Paris e comprar esse Ferrari?
E a cigarra respondeu:
- Imagina tu que eu estava a cantar num bar, na semana passada e um produtor ouviu e gostou da minha voz. Fechei um contrato de seis meses para fazer vários shows em Paris. A propósito, a minha amiga deseja algo de lá?
Respondeu a formiguinha:
- Desejo sim. Se encontrares por lá um tal La Fontaine, manda-o para a Puta que o Pariu...!!!!

Moral da História:

"Aproveita a vida, sabendo dosear o trabalho e o lazer, pois o trabalho em demasia só traz benefícios nas fábulas do La Fontaine e ao teu patrão."

O ZÉ DAS MEDALHAS



Nesta modorra que se vai arrastando por este Outono suado, nem a língua se me afia nem a vontade de escrever se apronta.
Às vezes, só ás vezes, algo me desperta, e mexe com o meu delicado sistema nervoso.
As comemorações nesta cidade, mais uma vez, (insistentemente, diria eu) fizeram o favor aos fatos e demais adereços das suas mais distintas damas e cavalheiros.
As “boutiques” de alta-costura, certamente juntaram mais umas contas ao seu já longo calvário (e as cabeleireiras também).
Pelo Restaurante Acordeon, montra excelsa da mais fina sociedade Barreirense, passaram ufantes, os beija-mão oficiais e demais entidades oficiosas.
Estoicamente e à intempérie, aguentaram a estocada em nome da tradição (que nisto de galas, festas e protocolos, ainda é a tradição que manda!).
Houve quem contasse!
Eu não!
Mas ao que parece, os mesários (aqueles que comem à mesma mesa), seriam mais de cinquenta.
Entre eles estava, distinto e aboletado, o medalhado, figura que na sua contribuição para a causa (neste caso o nosso concelho), se distinguiu pelo esforço, abnegação e dedicação, com que aportou saberes e mais valias várias, para o usufruto comunitário.
É aqui, no significativo deste último parágrafo, que “a porca torce o rabo”, ou que as evidências me titilam, na minha por vezes inconveniente massa cinzenta.
Então por que carga de água, ou decreto celestial, se honra publicamente em nome de uma cidade, figuras, estimáveis ou não, para o caso não interessa, que em nada, repito, NADA, contribuíram, por enquanto, para o bem comum da cidade a que respeita o galardão?
Alguns já adivinham. Estou a referir-me, é claro (já volto a duvidar da palavra Claro), ao representante polivalente de várias modalidades desportivas, espalhadas por esse mundo fora.
Sendo certamente das mais representativas, não serão concerteza das mais merecedoras de prebendas, honrarias e reconhecimento.
Do atleta tributado, desconheço os feitos. Apenas aqueles que têm circulado via tradição oral, potenciados por alguma imprensa on-line. E quem conta um conto acrescenta-lhe um ponto.
Desconhecendo-o, reconheço não ser merecedor da homenagem que, afanosamente, alguém lhe entendeu por bem prestar.
Nesta feira de vaidades, resta-me perguntar:
- Será que a Região da Costa Azul tem dinheiro a menos e medalhas a mais, sobrantes do último "Barreiro Reconhecido"?
- Estarão eles a cumprir alguma espécie de pena absolutória de pretéritos pecados?
- Será que, de alguma forma, se trata de alguém que, subtilmente, tenta arregimentar apoios para o seu, cada vez mais periclitante, estatuto partidário?
A continuarem assim, ainda se arriscam a ter que medalhar-me, com propriedade, porque, apesar de tudo, tenho contribuído para que muitos blogs do Barreiro sejam lidos além fronteiras.
Ora vamos lá a pensar nisso. Isto de escrever, também tem muito que se lhe diga.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Je T'aime... Moi Non Plus

Hoje bateu-me a saudade e fui desafiar o meu amigo VTM, ali para os lados do Barreiro Velho.
Levei os meus velhos discos de vinil e fomos sentar-nos nas escadas da Igreja de Santa Cruz, onde outrora tangeram fados e guitarradas.
Ele olhou-me desconfiado quando viu que o disco que eu tinha na mão era o mesmo que ele ouvia nos seus tempos de jovem consciente. Sim, porque isto de ser jovem, antigamente tinha que se lhe dissesse. Ser jovem, naquele tempo, era ser adulto responsável.
Lá pus a tocar no meu velho gira-discos, a pilhas, o famoso disco que me valeu umas sapatadas do meu pai, no tempo em que as meninas só deviam tocar piano e falar francês.
Fiquei surpreendida quando o VTM se levantou e me convidou para dançar. Julgava-o um "pé de chumbo" mas afinal ele lá foi seguindo o compasso, levando-me por entre a melodia, como se tivessemos asas nos pés.
E dançámos, dançámos, sempre, até ao anoitecer.
Quando demos conta, não estávamos sozinhos. Faziam-nos companhia todos os nossos fantasmas de estimação.
Um deles trazia nas mãos "O Crime do Padre Amaro" e queria trocá-lo pelo meu disco de vinil.
O meu par afastou-o e pôs-se a cantar em voz alta.
De repente, alguém nos atirou com um balde de memórias e nós por ali ficámos, estáticos e em silêncio, enquanto a música continuava a tocar.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

DES(EMPREGO)



Ao pegar hoje numa edição de um jornal diário, li em letras gordas, na primeira página, que a taxa de desemprego subiu mais em Portugal e está nos 8,3 por cento, o maior aumento da UE.
Veio-me logo à memória, e eu tenho memória de elefante, que uma das promessas do Eng.º Sócrates, durante a campanha, foi criar postos de trabalho, acho que 150.000, se não estou em erro.
Apesar de tantas promessas, o que é facto é que todos os dias o desemprego em Portugal aumenta e com ele o estado de carência de um povo cada vez mais sobrecarregado de impostos.
Qual é o balanço actual e qual vai ser o resultado no final do mandato, nesta matéria sensível que é o trabalho?
Não sei, não sabemos.
No entanto, sei que os investimentos deveriam ser dirigidos para criar riqueza, pois é a riqueza que cria novos empregos e faz aumentar o PIB.
A oferta de mão de obra em Portugal, é desqualificada. È urgente reconverter pessoas e formá-las, sobretudo aquelas com mais de 45 anos, porque Portugal é um país envelhecido onde a terceira idade, em termos laborais, começa aos 24 anos. Estou a lembrar-me que grande parte dos anúncios de oferta de emprego que se lêem nos jornais, são caricatos e referem como data limite os 24 anos, de preferência com experiência profissional.
Pelos dados fornecidos pelo EUROSTAT, só podemos concluir que o desemprego aumentou, ao contrário do que pretende José Sócrates e os seus apoiantes.
Estamos perante um fenómeno estrutural resultante das opções políticas e económicas que foram tomadas desde há muitos anos a esta parte.
Os dois partidos que se têm revezado no poder ao longo dos anos, têm toda a responsabilidade no aumento do desemprego. São responsáveis porque foram incapazes de criar condições que permitissem a melhoria do clima económico.
E o mais grave é que este fenómeno alimenta-se a si próprio. Quanto menor for o sector produtivo, menores serão as receitas para alimentar a despesa do Estado ou, inversamente, se se quiser manter o nível das receitas, mais gravoso será o ónus que pesará sobre o sector produtivo e sobre a sua competitividade.
O emprego no sector produtivo deveria ser privilegiado. Só esse emprego poderá agir como motor da economia. Grandes investimentos públicos geram empregos pontuais, mas quando desaparece o seu efeito, esse emprego desaparece quase totalmente. Em contrapartida, os encargos com esses investimentos ficam a pesar na despesa pública e travam o desenvolvimento do sector produtivo, degradando a sua competitividade. O mesmo sucede com o emprego público.
Tomemos o caso português. Em Portugal coexistem duas situações paradigmáticas – um “mercado” de trabalho absolutamente rígido, e um mercado completamente flexível, baseado nos “recibos verdes” e nos contratos precários. A existência deste último mercado tem sido a principal responsável pelo crescimento económico português. Quando as expectativas sobem, os empresários não têm dúvidas em aumentar o nível do emprego, porque sabem que, se essas expectativas se gorarem, poderão reduzir os seus efectivos. Sucede que, na maioria dos casos, essas admissões acabam por se tornar permanentes porque a economia estimulada pelas decisões desses empresários, cresceu o suficiente para assegurar a manutenção desse nível de emprego.
A falta de emprego ou a sua precariedade, sobretudo quando prolongada, acarreta consequências pessoais e sociais muito graves, que podem levar à “exclusão social”, e gera tensões sociais e conflitualidade social acrescida, propensão a comportamentos desviantes ou anomia social.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

O SEGREDO



Chovia torrencialmente quando o rádio do carro deu a notícia da demissão de Gonçalo Amaral, investigador da Polícia Judiciária no Caso Maddie MacCann. Senti um arrepio.
Nunca fiz aqui qualquer comentário acerca deste caso mas as recentes notícias e consequente alteração do comportamento dos media e forças policiais britânicas e portuguesas, leva-me a tecer algumas considerações.
É hoje mais do que óbvio que fizeram deste caso, uma espécie de Portugal-Inglaterra. Acontece que neste "jogo", o árbitro foi comprado e parece que vale mesmo TUDO.
A "táctica" dos ingleses tem sido tudo menos lógica, imparcial e factual. Começaram por atacar com todas as armas a nossa Polícia Judiciária. Disseram cobras e lagartos: que não fechámos as fronteiras, não investigámos bem, não isolámos a área do crime, não fizemos as buscas certas, não falámos com as pessoas correctas, etc., etc.
Depois, quando os media portugueses começaram a levantar a hipótese de o casal MacCann estar envolvido no desaparecimento da filha, viraram-se todos contra os jornalistas portugueses. De um momento para o outro, os tablóides ingleses começaram a passar atestados de sensacionalista aos jornais portugueses.
Mas, pelos vistos, eram os portugueses que tinham razão.
Pouco tempo depois, a PJ constitui os pais de Madeleine arguidos, pelo crime de obstrução à justiça, e são suspeitos de ocultação de cadáver.
Estes regressaram a Inglaterra como estrelas de cinema e por lá andam na maior, beneficiando de um fundo criado às custas da pequena Maddie.
Por cá, contrataram Rogério Alves, Bastonário da Ordem dos Advogados, que por trinta dinheiros passou de “Olívia patroa” a “Olívia costureira” e Gonçalo Amaral, da Polícia Judiciária, foi despedido por ter posto a boca no trombone.
O país perdeu completamente o Norte. Temos um Bastonário que ao invés de se demitir, continua a acumular a sua condição de Bastonário com a de advogado da família MacCann, ao arrepio dos arrepios. Demite-se o investigador por este ser incómodo e ter posto em causa tudo aquilo que nos querem fazer acreditar.
Que segredo tão bem guardado será este?
Este caso vai continuar a dar que falar por muito tempo, apesar de haver já muita gente farta deste assunto. A investigação continua e o estatuto de arguido dos pais, pode durar até 8 meses. Até lá muita tinta vai ainda correr. Depois, no fim de tudo e pelo rumo que os acontecimentos levam, ficará a certeza de que este caso não passará apenas de um belo “case study”.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

DE PEQUENINO, SE TORCE O PEPINO



Uma criança está dentro do carro do seu pai, quando avista duas prostitutas na rua.
- Pai, quem são aquelas senhoras?
O pai, meio embaraçado, responde:
- Não interessa, filho …… Olha, antes, para esta loja…. Já viste os brinquedos tão lindos?
- Sim, sim, já vi. Mas …quem são as senhoras e o que fazem ali paradas?
- São…são ….São senhoras que vendem na rua.
- Ah, sim?! Mas, vendem o quê? – pergunta, admirado, o garoto.
- Vendem... vendem.... Sei lá..... vendem um pouco de prazer!
O garoto começa a reflectir sobre o que o pai lhe disse e, quando chega a casa, abre o seu mealheiro com a intenção de ir comprar um pouco de prazer. Está com sorte! Pode comprar 25 Euros de prazer! No dia seguinte, vai ver uma prostituta e pergunta-lhe:
- Desculpe, minha senhora, mas pode vender-me 25 € de prazer, por favor?
A mulher fica admirada e, por momentos, não sabe o que dizer, mas como a vida está difícil, ela aceita, leva o garoto para sua casa e prepara-lhe seis tortas de morango.
Já era tarde quando o garoto chegou a casa. O pai, preocupado pela demora do filho, pergunta-lhe onde esteve. O garoto olha para o pai e diz:
- Fui ver as senhoras que nós vimos ontem, para comprar um pouco de prazer!
O pai fica amarelo!
- E.... e então.... como é que se passou?
- Bom, com as quatro primeiras não tive dificuldade. Com a quinta levei quase uma hora, tive que empurrar com o dedo, mas comi-a, mesmo assim. Com a sexta foi com muito sacrifício! No fim, estava todo lambuzado.... Até derramei creme por todo o chão, mas fui convidado a voltar amanhã.... Posso ir?

O pai caiu de costas.

domingo, 30 de setembro de 2007

MANTORRAS - O ROEDOR DE SAPATOS



Dou o “dito” e três tostões para estar em minha casa.
Adoro o meu espaço, a minha cama, o meu sofá e tudo aquilo que me faz sentir bem.
Por vezes, dou comigo a pensar: bendito o problema de saúde que tive o ano passado, que me obriga a vir à Lusitânia sempre que a minha luz vermelha se acende.
Os médicos, onde estou, até que nem são maus. Mas eu não troco o meu Dr. Miguel, por nada deste mundo. Primeiro, porque me conhece as manhas todas e, segundo, porque é um “borracho” e está na cidade onde tenho o meu “quartel-general” e sou feliz.
Alguns dizem que as minhas férias são fêmea, que nunca mais acabam.
Sacanas! Nem sequer relevam o facto de eu ter estado doente no ano passado e não as ter podido gozar então. É através de pequenas “bocas” como esta, que se conhecem os verdadeiros amigos. É inveja por eu ter agora uma pipa de férias para gozar.
Mas não será por isso que direi aquela frase canalha “quanto mais conheço as pessoas, mais gosto dos meus cães”. Não, nada disso. Eu gosto muito dos meus cães, mesmo sem conhecer as pessoas.
E a prova é que eles também gostam muito de mim. Quando regresso, é uma festa cá em casa. São como miúdos traquinas. Correm, saltam e escondem-se de mim, quando lhes faço algum reparo.
Os meus colegas sabem deste meu fraco por cães e alimentam-no.
A minha amiga Jessie presenteou-me com uma coisa fofa a que dei o nome de Mantorras. Na altura era uma bolinha escura, de olhos azulados, pequenino, ternurento. Apressei-me a levá-lo ao veterinário, para ter as vacinas em ordem e essas coisas todas que uma boa dona deve providenciar para o seu bicho ser saudável.
O veterinário avisou-me que tinha de lhe fazer um seguro, porque era um Bull Mastiff e por isso integrava a lista de raças perigosas. Eu, obediente, lá fui fazer o seguro ao bicho e vim para casa descansada, com a bolinha ternurenta, fofa e pequenina ao colo.
Já não o via há seis meses. Quando meti a chave à fechadura fui literalmente assaltada por um monstro babão de quase 50 quilos, que mais parecia ter uns cordões de sapatilha pendurados aos cantos da boca. Lambeu-me do queixo à testa e arrastou-me por vários metros. Era ele, o meu Mantorras, em toda a sua plenitude.
A empregada olhou-me confrangida.Vi logo que me queria dizer algo e não sabia bem como começar. Fiquei desconfiada. Passava-se qualquer coisa e devia ser grave, pensei eu.
Vou para a despensa onde guardo os sapatos, a fim de calçar uns chinelos e ia tendo uma apoplexia. Todos os meus chinelos, as minhas sandálias e os meus sapatos jaziam agora a um canto, completamente triturados. Dei um grito de horror.
Pedi explicações à Dona Mimi, a senhora que me ajuda nas lides da casa. A D.ª Mimi justificou-se: tinha deixado o Mantorras fechado na despensa, sem querer, e ele vingou-se. Roeu-me os sapatos todos.
Acabei por achar graça e não consegui ficar zangada por muito tempo, porque o sacana, nas minhas bochechas, começou a roer-me a mala de viagem.
A D.ª Mimi, com o seu riso que lhe é peculiar, só dizia: “deixem roer o Mantorras!”.
Não sei porquê, não consegui deixar de pensar no meu Benfica que mais uma vez empatou.

HOSPITAL DE NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO CONTRATA O DR. HOUSE

Izabel Montanelle, presidente do conselho de administração do Hospital do Barreiro, revelou ao Jornal on-line "Fronhas", que o Hospital decidiu contratar o Dr. House.
O mesmo já se encontra a dar consultas na Unidade de Massagens da Marilyn Monroe.
Os doentes que desejem ser consultados, deverão contactar o Hospital, através da linha azul.