quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

O BILTRE



Aproxima-se de nós mansamente.

Tenta caír nas nossas boas graças.

Inclina-se à nossa passagem.

Apressa-se a adivinhar o que precisamos

E percorre este mundo e o outro para encontrar.

Bajula-nos.

Acaricia-nos o ego.

É subserviente e servil.

Mas quando lhe damos a mão

Agarra-nos o braço

E tenta acabar connosco,

O Biltre.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

O JORNALECO



Blá, blá, blá, o jornaleco.

Cinquentenário, gaba-se.

Na matéria, tendencioso.

No verbo, boçal.

Na resposta, varina.

Olhó jornaleco!

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

SOMOS OS MELHORES



É portuguesa a Empresa que conseguiu assinar hoje o maior contrato de sempre, na área de infraestruturas, a nível internacional, na Líbia.

A Hagen é a prova viva de que Portugal, mais uma vez, pode ser um país exportador de conhecimento e de mão de obra qualificada.

Não ficamos atrás de ninguém.

Para ti Luís, que foste o mediador, os meus sinceros parabéns.

Estamos todos de parabéns, porque somos os melhores!

FOLIANDO



Estas festas de Carnaval matam-me, dão cabo de mim. São como um "jetlag" porque, primeiro que me reorganize em termos interiores, é um verdadeiro bico de obra.
Sou adepta da máxima "deitar cedo e cedo erguer...", embora a minha vida profissional me faça fazer muitas "directas". Mas uma vez não são vezes e também faz falta soltar, de vez em quando, o vulcão que há em mim. Sim, porque embora não pareça, eu sou um autêntico furacão. Que o digam aqueles que comigo privam. ´
A língua portuguesa é muito traiçoeira e, por isso, nada de maus pensamentos sobre "moi-même". Para isso já basta aquele "estrunfo" que, à conta de andar a propagandear os meus dotes sexuais, fez com que haja uma curiosidade inusitada a meu respeito. Isto aqui para nós, até nem me desagrada nada porque, como moçoila irreverente que sou, gosto de os manter na dúvida: Será "freira", será "boazona"?
O melhor mesmo é que fiquem na dúvida e não dêem ouvidos a despeitados analfabetos que pensam com a "piroca".
Quando estou com este estado de espírito, vou até ao Barreiro Velho bater na janela de um dos meus vizinhos preferidos para dar dois dedos de prosa, apesar de a maior parte das vezes ele correr comigo, por não estar para me aturar.
Hoje ficou furioso porque o acordei quando estava ainda no primeiro sono. Roncou-me forte e feio e, eu, sentei-me à porta de casa, como o cachorro do VTM, à espera que acordasse, para podermos conversar um pouco.
Já o sol ia alto quando a porta da rua se abriu e saíu o meu vizinho.
-"Ó vizinho, isto é que são horas?", perguntei-lhe eu. Nunca pensei que me gritasse aos ouvidos, que eu não tenho nada a haver com isso.
Injusto, este vizinho. Só lhe queria lembrar que dia 12 de Fevereiro de 2008 faz anos que o Barreiro foi elevado a freguesia. Precisamente 521 anos.
- "Ó vizinho, não acha que é muito tempo"?
Não obtive resposta. Ele é assim. Quando está fulo comigo, nem sequer me responde.
Lá fui a saltitar atrás dele, na esperança que parasse um pouco para me ouvir, mas nada. Não parava.
Comprou o jornal e sentou-se no banco do jardim a ler. Não me ligava nenhuma. A páginas tantas, lá se dignou falar comigo para dizer:
- "Você é uma pessoa muito estranha. Conhece toda a gente e sabe tudo sobre a cidade, mas ninguém sabe quem você é. Isso não é normal, convenhamos. Veio morar aqui ao lado e, quando me bate na janela, é só para arranjar bronca. Por que motivo você é assim?"
Não respondi. Talvez nem saiba responder.
Pedi-lhe o suplemento do jornal e fingi que lia com atenção. Pela minha cabeça começaram a passar histórias e imagens que fazem a história simultaneamente alegre e triste desta gente maltratada, mas decidida e confiante num futuro melhor, qualquer que ele seja.
Nada mudou no Barreiro. Existe agora uma outra espécie de fascismo e de repressão. A exploração, opressão, discriminação e a intolerância continuam com outros actores autocráticos, que desempenham muito bem o seu papel.
Os novos operários da globalização não serão nunca promovidos, se não pertencerem à organização. Os anti-cristo deverão pertencer todos à "Opus Dei" e todos os outros farão da Maçonaria o seu Credo, ao encontro de um Oriente esplendoroso de terras Lusitanas só para meia dúzia.
Foi-se a integridade, a verticalidade, a honradez, a coerência, a coragem desta gente anónima, agora compelida a viver e a militar em sonhos e emoções que já não são os seus.
-"Vizinho, pegue lá o jornal. Vou-me embora."
-"Ah, está aí. Pensei que tivesse adormecido. Se quiser, pode ficar com ele. Já o li".
Levantei-me, sacudi o meu vison e fui até à Avenida Alfredo da Silva para ver o Carnaval passar.
Há dias assim.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

SONHO MAU



Sonho-te sem rosto.

E, ainda acordada, sonho com alguém sem voz.

Apenas sonho, de olhos abertos e com a alma entregue.

Não procuro esse encontro. Deixo-me levar ao sabor da emoção causada por alguém sem pele.

O sonho continua, comigo prisioneira, delirando intensamente, por alguém já sem calor.

Sonho contigo, alguém que não conheci realmente.

Escrevo palavras apenas. Letras que são a minha tela colorida. Letras que não me dão sinal algum de forma ou de formosura. Letras onde sei que ainda posso encontrar pedaços de ti.

Depois, sozinha, deitada , mas bem desperta, sonho com aqueles momentos que me fizeram sentir o quanto significavas para mim.

Todos os momentos em que me deixaste ser eu, ainda que eu não soubesse quem eras.

Por fim, descubro o teu rosto e abraço-te. Colo-me a ti na esperança de não te deixar partir, sem entender o motivo.

Sonho-te, sem conseguir compreender as letras salpicadas nesta minha tela, que agora é tão mais viva e colorida.

Adivinho o teu olhar sem rosto e aquele sorriso na tua face que, pouco a pouco, se foi esbatendo no meu coração.

FRAUDULÊNCIAS E OUTRAS BOMBEIRICES



“Fraude, diz a lei

Segundo o penalista Costa Andrade, citado pelo matutino, a chamada «assinatura de favor em projectos de engenharia e arquitectura constitui uma fraude à lei, embora sem relevância criminal», mas considerou que é «portadora de uma inquestionável carga ética negativa».
Ausente dos seus curículos, os trabalhos de José Sócrates como projectistas são desconhecidos. No entanto, José Sócrates confirmou ao jornal que exerceu «funções privadas» desde 1980, mas nada adiantou quanto ao número, natureza e localização das obras que projectou.
O jornal diz ter consultado aleatoriamente do arquivo camarário da Guarda mil processos de licenciamento de obras particulares de entre os cerca de 4.000 submetidos à autarquia entre 1981-1990.
Nessa amostra de um quarto da totalidade dos processos o jornal encontrou 27 com a assinatura de José Sócrates, sobretudo no que diz respeito a casas de emigrantes, ampliações e anexos mas também dois edifícios de habitação colectiva.
Nos documentos consultados pelo jornal destacam-se processos em que José Sócrates, que na altura era engenheiro técnico na Câmara da Covilhã, assina peças manuscritas, nomeadamente memórias descritivas, termos de responsabilidade e cálculos de betão, em que a caligrafia usada nada tem a ver com a do actual primeiro-ministro.
Em muitos dos processos, salienta o Público, essa caligrafia é a mesma que aparece nos autos das vistorias realizadas no fim das obras pelos técnicos da Câmara da Guarda: Fernando Caldeira, colega de curso de José Sócrates e que, por ser funcionário do município, estava legalmente impedido de subscrever projectos na área do concelho.
Os projectos tinham em comum o facto de serem rapidamente aprovados, apesar dos reparos e observações, críticas dos arquitectos da repartição técnica da Câmara da Guarda e até de pareceres contrários da administração central, escreve o jornal.
Um dos engenheiros e arquitectos da Guarda contactados pelo jornal, que pediu o anonimato, referiu que «a versão que corria é que havia um grupo de técnicos da câmara que açambarcava uma boa parte dos projectos de casas dos emigrantes e como não podiam assinar, punham Sócrates a fazê-lo porque ele era da Covilhã e não tinha esse impedimento legal.»
O grupo seria composto por Fernando Caldeira, António Patrício e Joaquim Valente, todos engenheiros técnicos e antigos colegas no Instituto Superior de Engenharia de Coimbra.”

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

SOMOS ILHAS

"We are islands, but never too far..."

É uma verdade que constatamos todos os dias.

Fica a música para meditarmos sobre isso
.

sábado, 26 de janeiro de 2008

… Nos Longos Domingos Tristes da Europa


Diz à tua Mãe
que o menino branco
um dia há-de voltar
cheio de pobreza e de saudade
cheio de sofrimento
quase destruído pela Europa.
Ele há-de voltar para se sentar à tua mesa
e voltar a comer contigo e com teus irmãos
e meus irmãos
aquela moambada de domingo
com quiabos e gengibre
aquela moambada que nunca mais esqueci
nos longos domingos tristes e invernais da Europa
ou então
aquele calulu
de dona Ema.


Parte do poema “Infância Perdida” de Ernesto Lara Filho

UM HOMEM COM "ELES" NO SÍTIO




MARINHO PINTO PÔS A "BOCA NO TROMBONE".

"QUID IURIS"?

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

MENTIRAS SINCERAS



Amiudadas vezes dizemos: "Se tu o dizes eu acredito". Depois, passado algum tempo, percebemos que, na verdade, não acreditamos.

Também não podemos forçar-nos a acreditar.

Ou se acredita, ou não.

Os intelectualmente falidos do costume, muito têm destilado mentiras que vão apresentando como se fossem verdades insofismáveis.

O Camarada Presidente do Comité Central rejubila de "felicidade de estar a viver um momento histórico tal como foi o 25 de Abril".

Ó suprema felicidade de ver a sua terra pobre, ficar ainda mais pobre.

Ó supremo bem de ver os pequenos e médios empresários do comércio tradicional, falidos, sem cheta, à míngua da caridade e da Segurança Social.

Venham as lojas de marca, criem-se postos de trabalho a preencher por pessoal de fora da cidade, de preferência espanhois.

Mandem-se centenas de trabalhadores para o desemprego para se criarem mil postos de trabalho directos e dois mil indirectos, destinados aos amigos e benfeitores, de preferência com filiação partidária.

Construam-se rotundas para enganar o povo e para justificar o esbanjamento de verbas.

Chamem-se arquitectos espanhois porque os portugueses são uma merda e nem merecem sequer ir a concurso público para aquisição de serviços.

Faça-se contratos com lojas de marca porque as lojas tradicionais não são dignas de figurar no novo Forum.

Faça-se do Mercado 1.º de Maio um novo Mercado do Bolhão, virado para a especulação imobiliária e para o lucro fácil.

Cavem-se fossos para estacionamento de automóveis, a pagar balúrdios à hora.

Alarguem-se os passeios para que a comandita passe, vestida de libré e montada em cavalos de troia.

Plantem-se árvores para que os pobres possam morrer na sua sombra.

Eles mentiram, eles continuam a mentir descaradamente.

sábado, 19 de janeiro de 2008

"A-VERDADEIRA"



Vários amigos e conhecidos têm-me desafiado para contar coisas sobre mim, neste meu blog.
A escolha deste "nick name" é uma história tão engraçada, que não resisto a contá-la aqui.
Na vida real, muitas vezes não gostamos do nome que os nossos pais nos puseram, mas carregamo-lo a vida toda quer queiramos, quer não. Assim sendo e se o mudasse agora, nesta altura da minha vida (devo estar na pré-adolescência), poderia vir a ser responsável por algum trauma difícil de controlar no futuro. Esta coisa das identidades tem muito que se lhe diga. Quem sabe, quando chegar à idade adulta...
Mas como ia dizendo, a história da “Verdadeira” é muito simples de contar. Não há duas sem três e, apesar de detestar o meu nome, tenho consciência que não sou a única a usá-lo. Comprovei-o quando no meu local de trabalho apareceu uma outra colega com a mesma graça.
O curioso da questão é que os outros colegas, de cada vez que se referiam em particular à minha pessoa, diziam sempre: “A Verdadeira”. Nunca consegui entender o porquê e levei a coisa para o facto de a antiguidade ser um posto e, por esse motivo, me considerarem “a genuína” como se a outra colega fosse uma espécie de imitação.
“A- Verdadeira” nasceu nas caixas de comentários de outros blogs. Alguns já não existem. Outros, já não os visito. À medida que fui crescendo, descobrindo, amadurecendo, passei a ser muito mais criteriosa nas escolhas de leitura.
O primeiro blog que li, tal como tantos outros que por aqui andam hoje, foi "O meu Pipi". A propósito disso, tenho uma história hilariante, uma peripécia muito saborosa de entre várias que me têm acontecido ao longo da minha vida de moçoila divertida e irreverente. Na presença da minha melhor amiga e falando ao telefone com o marido dela (a quem eu tinha apresentado o blog) perguntei-lhe – “Já foste hoje ao Meu Pipi?”. Enfim ... não calculam a bronca que eu arranjei nesse dia. Equívocos desfeitos, lá consegui manter a amizade. A par de "O meu Pipi", eu ia lendo e ajavardando o “ Barreiro Velho”, para desespero do meu amigo VTM.
Quando já navegava bem pela blogosfera, descobri um Blog de um colega, onde fui desafiada a “postar”. Foi das experiências mais ricas e divertidas que vivi. Aceitei o desafio para vestir a pele de um homem e assinei alguns textos como tal. Uma "fraude" tão divertida como difícil. Mas ficou o bichinho de “ postar”.
Foi então que “conheci” os blogs do Kira, do Dr. Carlos Alberto Correia, do Vladimiro, do Dr. Cabós Gonçalves, do Jorge Santos e de alguns outros com quem tenho alguma empatia. Comentadora militante nesses espaços de bons textos e boa disposição, fui alimentando a minha vontade de descobrir como era isto dos blogs, acabando eu própria por criar e conquistar o meu espaço, a pedido de alguns amigos que gostam de ver o circo pegar fogo.
Hoje, no meio deste grupo de pessoas fantásticas, com quem eu rio, discuto, partilho e com quem me comovo às vezes, encontrei novos amigos. Amigos que já passaram, há muito, do virtual para o real.
Por isso, hoje vou ficar por aqui com a certeza de que a amizade existe.
Beijokas com todos os sabores possíveis e imaginários.

O BALÃO



Um homem que se deslocava num balão de ar quente, a dada altura compreendeu que se encontrava perdido. Decidiu então reduzir a altitude.

Já próximo do solo, avistou uma mulher e interpelou-a nestes termos:

Peço desculpa de a importunar, mas será que a Senhora podia ajudar-me?
Estou perdido. Prometi a um amigo que me encontraria com ele há uma hora atrás, mas a verdade é que não sei onde estou.

A mulher em baixo respondeu-lhe:

O Senhor encontra-se num balão de ar quente que paira no ar a cerca de 8 metros acima do solo. A sua posição situa-se entre os 40 e 41 graus de latitude Norte e entre os 59 e 60 graus de longitude Oeste.

A Senhora é de certeza uma funcionária pública - disse o balonista.

- De facto sou funcionária pública. Como é que adivinhou? - perguntou a mulher admirada.

- Bom - disse o balonista - tudo o que me disse é muito burocrático, formal e com um sentido obscuro. Até pode ser tecnicamente correcto, mas não resolve o meu problema. A verdade é que eu não sei o que fazer com a informação que me deu e continuo a não ter a mínima ideia onde me encontro.
Continuo perdido. Para ser franco, não me ajudou em nada. Se alguma coisa daqui resultou, foi que a Senhora só contribuiu para atrasar a minha viagem.

A mulher respondeu - O Senhor deve ser um ministro.

Na verdade, sou o Primeiro Ministro - disse o balonista - mas como é que descobriu?

- Fácil - disse a mulher - o Senhor não sabe onde está nem para onde vai.
Atingiu a posição onde se encontra com uma grande dose de ar quente.
Fez uma promessa e não tem a mínima ideia como a vai cumprir.
Espera e pretende que pessoas que estão abaixo de si resolvam o seu problema. A realidade é que o Senhor está exactamente na mesma posição em que se achava antes de me encontrar, mas agora, vá-se lá saber porquê, isso é culpa minha!...

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

NÃO SÃO ROSAS, MEUS SENHORES!



Sob o lema “habituem-se” e como uma “chicotada psicológica”, o Governo de José Sócrates, mais uma vez, prepara-se para agitar o país para “tempos de mudança”.
Podemos supor que chegou agora a vez de uma nova estratégia, para pior, através da alteração da lei eleitoral para as autarquias.
E porque só a inteligência humana é limitada (a estupidez humana infelizmente não tem limites), resolveu atirar poeira aos olhos dos portugueses, pensando que estes são uns idiotas.
Também o Presidente do PSD, Dr. Luís Filipe Menezes, se congratula com o acordo entre PS e PSD, acerca da Nova Lei Eleitoral das Autarquias, garantindo que este acordo "satisfaz e orgulha" o partido e que ”foi dado um passo em frente”.
Atendendo a que as bases dos partidos em questão não foram ouvidas acerca do assunto e a discussão não se generalizou, tal passo em frente representa a queda num abismo profundo para onde foram atirados todos os valores de um Estado de Direito.
A lamentar igualmente é o facto de no acordo estar firmado que os Presidentes de Junta (eleitos indirectos das Assembleias Municipais) perderão a capacidade de voto nas Assembleias Municipais. Se isto não é um revés na política autárquica local dos últimos 33 anos, então o que será?
Só falta mesmo começar a mandar fuzilar os Presidentes das Juntas de Freguesia.
PS e PSD juntaram-se, mais uma vez, e tudo indica que é para continuar.
Estamos perante um atentado grosseiro à democracia e às conquistas do 25 de Abril.
Este pacto entre PS e PSD visa alterar e manipular os votos livremente expressos pelos cidadãos, cujo objectivo é bipartidarizar as eleições locais entre o PS e PSD, retirando e anulando todas as vozes incómodas.
Tal é a podridão a que chegámos e tal será o destino dos homens livres, se nada fizerem: o da fogueira, queimados por dizerem aquilo que todos sabemos, por revelarem aquilo que nos vai destruindo por dentro como nação, mas que não temos coragem para enfrentarmos.
Que o ano de 2008 nos devolva a esperança de que este estado de coisas possa definitivamente mudar.
Está nas mãos de cada um, no ano de 2009.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

UM CORAÇÃO COM ROSTO



Falando de cidadania, neste tempo tão conturbado, não posso deixar de pensar que, apesar de ser um conceito que remonta à antiga Grécia e que em Roma tinha o sentido específico de inclusão social, nos tempos que correm, é muito difícil ser-se cidadão de plenos direitos e deveres.
Vem isto a propósito de há pouco ter lido que o cidadão Cabós Gonçalves, Barreirense de gema, se encontra nomeado para o Rosto do Ano 2007, na vertente cidadania.
As teorias da cidadania são importantes na medida em que todas as instituições democráticas desmoronar-se-iam se os cidadãos não possuíssem certas virtudes, tais como um espírito cívico e uma grande boa vontade para com o seu próximo.
Quando dizemos que vivemos em democracia, esquecemo-nos quase sempre de considerar que antes de sermos democratas nascemos cidadãos. Uma boa democracia só o será se os seus eleitores não forem apáticos, intolerantes, xenófobos, racistas e incumpridores.
A saúde de uma democracia depende não apenas da estrutura das suas instituições mas também das qualidades dos seus cidadãos: por exemplo, da sua lealdade, integridade, tolerância e pela forma como encaram as identidades nacionais, sejam elas políticas, étnicas ou religiosas, potencialmente rivais.
Na sua luta pela deslocalização, a contento, do Mercado da Verderena, Cabós Gonçalves revelou ser um cidadão de mão cheia porque, ao levantar a questão, teve a capacidade de chamar a atenção para o problema e fazer com que o mesmo fosse resolvido com rapidez, contribuindo para que dezenas de famílias de feirantes não vissem o seu futuro seriamente comprometido por um capricho de uma edilidade insensível às necessidades básicas e aos direitos de quem é pobre, iletrado e precisa de trabalhar.
Não vi mais ninguém avançar para defender aquela gente. Até os do seu partido se demarcaram, salvo três ou quatro excepções que, timidamente, referiram nos seus blogues que apoiavam Cabós Gonçalves e o Mercado. Mas ficaram-se por aí.
Deste modo, pela sua capacidade de conviver com pessoas muito diferentes de si mesmo, pela sua participação activa na vida pública, pela sua boa-vontade, pela sua moderação e sobretudo pelo seu grande coração, considero o cidadão Cabós Gonçalves digno merecedor da nomeação Rosto 2007, na vertente cidadania.
Para ele, os meus melhores votos.

A rosa é para si.
Que seja sempre feliz!

sábado, 12 de janeiro de 2008

MOMENTOS DE MERDA



Chegámos ao início de mais um ano, desta feita bissexto. Sou um pouco supersticiosa a esse respeito e, embora a astrologia diga que as pessoas nascidas sob o meu signo vão ter um ano excelente, com uma estrela que os guiará num caminho de plenas realizações, eu acredito que para grande parte dessas pessoas, tal não irá ser possível.
E não será possível, porquê?
Porque os arianos que vivem em Portugal, esse país que já foi grande e que hoje é a vergonha de todos aqueles que têm orgulho na sua história de antanho, não têm projecto de vida, nem tampouco vislumbram uma luz ao fundo do túnel.
Estamos num país em que as oportunidades são só para aqueles que podem pagar ou que têm um universo de amigos influentes, com o condão de lhes encurtar a via sacra. É uma espécie de clube em que pobre não entra e, se entrar, é porque já pagou a dobrar.
Quando vinha do aeroporto para casa, durante o percurso, fui reparando na série de Pais Natal alpinistas, pendurados nas varandas. Uns maiores, outros mais pequenos, mas todos eles com algo em comum: Made in China.
Não consegui deixar de pensar no que motiva as pessoas a adoptar crenças e costumes que não lhes pertencem.
Acho que Portugal se tornou um país atípico, com um Governo atípico.
Com esta história das festas de Natal e de Fim de Ano, tenho passado mais tempo na casa de banho que é o meu local de eleição para pôr em dia as minhas leituras. Os distúrbios alimentares têm-me proporcionado bons momentos de leitura e de reflexão que de outra forma não poderia desfrutar, dado a minha limitação em termos de tempo.
Foi num desses momentos de reflexão que tomei conhecimento, incrédula, através de um daqueles jornais fornecidos à borla, que não iria haver referendo e que a Assembleia da República iria "ratificar" o Tratado de Lisboa.
Não que eu duvidasse que mais uma vez José Sócrates mentiu ao Zé Povinho mas porque achei imperdoável que a nossa comunicação social não saiba que a Assembleia da República não ratifica Tratados Internacionais, apenas os aprova, sendo a ratificação uma competência constitucional do Presidente da República. Trata-se de uma questão elementar de Direito Internacional que os orgãos de comunicação social demonstram ignorar e isso é grave porque quem faz notícias não as pode pôr cá para fora de forma leviana e ignorante.
Outra tirada hilariante foi aquela frase sobre o aeroporto de Alcochete: "decisão provisória". Fiquei a saber que em Portugal as decisões são todas provisórias e por lá se mantêm até que alguém se lembre de retomar a questão e torná-las efectivamente decisões, na verdadeira acepção da palavra.
Enfim...
Vou continuar a ter os meus momentos de reflexão e a dar voltas ao miolo para tentar compreender por que motivo algumas coisas que se passam em Portugal já não acontecem em nenhum outro país do mundo.
Até lá vou ficar na minha: que se lixe o Darfur enquanto em Portugal houver crianças maltratadas, com fome e a passar mal.
Que sejamos mais solidários com aquelas pessoas que precisam, que passam todos os dias por nós e que teimamos fingir que não as vemos.
Que todos possamos ter, uma vez na vida, um momento de reflexão.
Que todos sejamos pessoas.